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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Comentários do Prof. Fernando


Introdução geral às Leituras da 26ªsemana T.Comum - 26 set. a 02 outubro)

e COMENTÁRIO à 1ª LEITURA (e à 2ªleitura) do 25º DOMINGO do T.Comum

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· para ver todas as leituras numa só Página siga o “Link” clicando sobre cada um das datas

· para ver cada leitura numa página: .“serviços/liturgia diária em: http://www.cnbb.org.br/site/#

26/09 26ºDOMINGO do Tempo Comum Am 6,1.4-7 Sl 146 1Tm 6,11-16 Lc 16,19-31

27/09 SEGUNDA Jó 1,6-22 Sl 17 Lc 9,46-50 S. Vicente de Paulo

28/09 TERÇA Jó 3,1-3.11-17.20-23 Sl 88 Lc 9,51-56 terça da 26ª

29/09 QUARTA Dn7,9-14(ouAp 12,7-12) Sl 138 Jo 1,47-51 Sts. Miguel, Rafael, Gabriel

30/09 QUINTA Jó 19,21-27 Sl 27 Lc 10,1-12 S. Jerônimo

01/10 SEXTA Jó 38,1.12-21.40,3-5 Sl 139 Lc 10,13-16 Sta.Teresinha do menino Jesus

02/10 SÁBADO Ex 23,20-23 Sl 91 Mt 18,1-5.10 Stos. Anjos da guarda

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Exceto nos dias 29/9 e 1/10 (festa e memória: Santos Anjos Miguel, Rafael, e anjos da guarda),

as Leituras da 26ª semana do Tempo Comum são do livro de Jó ; o evangelho : Lucas 9 e 10.

1) livro de Jó: Mesmo que a tradições judaica e cristã classifiquem o livro de Jó entre os Escritos de sabedoria, esse poema constitui um livro original e único na bíblia. Verdadeira obra prima da literatura universal, o seu tema, por assim dizer, é a questão do sofrimento e da morte. O sofrimento do inocente e o confronto com a morte. Jó é o personagem que ficou conhecido como “o justo sofredor”. Parece abandonado até por Deus, além de perder toda a família e passar, de muito rico e saudável, a muito pobre e doente. No longo diálogo poético da parte central, surgem três amigos que procuram justificar o sofrimento de Jó baseados na tese comumente aceita em sua época que dizia: Deus é justo e, se Jó está sofrendo tantas desgraças, é por conta de seus pecados. Frente a essa “doutrina da retribuição

Jó protesta sua inocência, sem deixar de demonstrar sua dor, gemidos e gritos dentro da noite de sua alma. Nós o vemos manifestar sua revolta mas sempre o ouvimos revelando acima de tudo uma tal conformidade que sua história tornou popular a expressão “paciência de Jó”. “O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor” (cap 1, v21). A angústia do sofrimento, sobretudo do inocente, é tema que não apresenta nenhuma teoria satisfatória sobre a origem do mal e do sofrimento humano. Do prólogo ao Discurso final de Jahwé, muitas questões são lançadas mas não as respostas. No último ato o personagem principal é o próprio D’ us. Falando “do meio da tempestade” – expressão típica das teofanias (manifestações divinas, como no Sinai - Ex 19,16). Aí se encontra um poema grandioso sobre o Criador, aquele que fez os mares e toda a natureza. O autor quer motivar a Confiança como se nos dissesse: Ok, vocês são realmente impotentes mas estão nas mãos de D’ us. Nas adversidades ele está presente e não deixará vocês serem destruídos.

Na cena final Jó retoma a palavra caindo na conta, por assim dizer, de que a Sabedoria está muito além das explicações ditas “racionais” e nos leva a pensar que D’ us é D’ us e que seus mistérios transbordam nosso cálculo estreito e análises parciais. É preciso fazer a experiência da fé. Por isso ele termina com as palavras típicas dos místicos:

“Eu te conhecia pelo que escutei mas, agora, meus olhos te viram” (cap42,v.5). Sobre essa experiência comenta VELASCO (V;.J.M., A experiência cristã de Deus, SP, 2001) : “a instalação numa tradição religiosa e o fato de haver sido socializado nela conduza a situações em que a pessoa ‘sabe de Deus por ter ouvido”, crê, se cabe falar assim, ‘por procuração’, com uma fé que se reduz a aceitar os diferentes elementos (culturais, doutrinais, institucionais) dessa tradição. Para sair dessa situação de fé herdade, possuída, ‘inercial’, (...) é indispensável que o sujeito desperte para a experiência da fé, (...) deslocando-se no movimento de confiança absoluta. (...) Nesses momentos, provocados por experiências muito diferentes, o homem faz a experiência de fé e prorrompe em expressões como a de Jó: ‘conhecia-te de ouvido, mas agora viram-te meus olhos’. Nesse caso a visão consiste, não tanto em ver Deus, como em reconhecer pessoalmente que Ele é o invisível, o Mistério a quem não cabe pedir contas – como,a partir de sua religião anterior, ele havia pretendido”.

· - Na segunda, dia 27 a liturgia nos apresenta o início da estória de Jó.

· - Na terça, dia 28, aparece toda a dor e revolta de Jó com seu sofrimento: teria sido melhor não ter nascido!!!

· - Na quinta, dia 30, em vez de admitir as teses tradicionais (que “explicavam” a dor humana como um castigo de pecados passados – a “doutrina da retribuição” )Jó apresenta, não mais o grito de sofrimento e desespero como na leitura anterior (cf. terça-feira) mas, uma oração de fé e confiança: eu sei que meu redentor está vivo!!!

· - Finalmente, na sexta, dia 1 de outubro, o trecho do livro de Jó é tirado do grande discurso do Senhor (cap.38ª41) que é uma espécie de conclusão desse grande drama. Se pudéssemos resumir esse grande poema em poucas palavras talvez seria o caso de dizer: Deus é Deus e não cabem em nosso entendimento a explicação de todos os mistérios da vida e do mundo.

2) Lucas: no trecho final do cap.9

· na segunda-feira, conclui-se a parte terceira referente às atividades de Jesus na Galiléia. Jesus indicando novamente que os considerados “menores” aos olhos do mundo são os maiores no Reino. Deus pode agir em pessoas e lugares inesperados.

· - No cap.9,50 (terça-feira) começa a 4ª.parte de Lucas : a grande viagem rumo a Jerusalém e à consumação da obra de Jesus em sua paixão e ressurreição. Diante da rejeição dos samaritanos os discípulos querem punição. Deus, ao contrário, está sempre deseja misericórdia. Não acontece também conosco? quando rejeitamos os demais –– e quando pensamos que deveriam ser “como nós”, porque somos crentes e fiéis, seguidores de Jesus, etc. etc. (quase só faltaria acrescentar como aquele arrogante fariseu em sua famosa oração: ‘graças vos dou porque não sou como os outro homens’ )...

· - Na quinta-feira, o cap.10 começa com a indicação dos discípulos enviados em missão: em número de 70 ou 72, conforme alguns manuscritos. O texto lembra Gênesis 10 em que também são 70, na versão hebraica (ou 72, na versão grega) da bíblia o número das nações pagãs. De qualquer modo, Lucas está apontando para uma missão de evangelização que não se restringe somente aos 12 apóstolos mas a todos os discípulos. E dá várias recomendações aos anunciadores da Boa Nova do evangelho: derramar paz por onde passam, com tudo aquilo que a expressão hebraica incluía nessa bênção: saúde, prosperidade, felicidade, etc. ; curar os doentes; mostrar a proximidade do Reino. Esse talvez seja um bom texto para nos ajudar num exame de consciência a respeito de nossas catequeses e de nossos modos de comunicação em nossas comunidades cristãs ou com todas as pessoas a quem anunciamos o Reino, com gestos, atitudes ou palavras.

· - Na sexta, o Mestre lembra que escutar ou desprezar a mensagem do Evangelho tem suas conseqüências graves para a vida dos que atendem ou não à pregação dos discípulos. Estes são, por assim dizer, os reveladores de Jesus, que é o revelador do Pai. Não se trata, portanto, de uma mensagem qualquer. na vida dos ouvintesdar ouvidos à mensagem

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3) as LEITURAS do DOMINGO, 26 de setembro de 2010

1ª. leitura = Amós 6,1.4-7 O profeta Amós, chamado de “paladino da Justiça” é o mais preocupado com as injustiças sociais. Numa série de 3 discursos (iniciados em 5,7 até 6,14 ele proclama três “Ais”. A palavra, que era um grito de lamentação próprio dos funerais tornou-se (talvez até devido a Amós) expressão de maldição de desprezo ou proclamação de amargura pelo que (ou por quem) já deveria estar morto. Jesus empregará também esses “Ai de vós” em várias ocasiões mostrando sua condenação ao comportamento mau.

Na leitura de hoje é o começo do discursos do primeiro “Ai” que condena terríveis injustiças sociais de seu tempo (há cerca de 750 anos a.C.). Amós tinha se acostumado a observar o mercado e o comércio de seu tempo era por assim dizer um “economista” da época. Além disso especializou-se em analisar o comércio e relações internacionais de sua época. Baseando suas reflexões sobretudo no Êxodo foi ao mesmo tempo um defensor da legítima tradição de Israel e também o primeiro a compreender o papel das várias nações nos planos de Deus interpretando que, de forma misteriosa, Deus estava sempre agindo no mundo real e concreto da vida econômica e social. Talvez por essa sua trajetória intelectual e espiritual tinha uma compreensão de Jahwé como o Deus que amava preferentemente os pobres, o Senhor que libertou seu povo da escravidão para conduzi-lo a uma terra de paz e prosperidade. Amós não condena nem a política nem o comércio mas grita contra a humilhação imposta aos pobres. Impostos, expulsão de pequenos proprietários de suas terras enquanto as famílias nobres se entregam ao luxo e à opulência. O texto prepara a parábola de Jesus no evangelho de hoje: “Ai dos que vivem despreocupadamente (...) dormem em camas de marfim e em seus divãs, comem (...) bebem (...) e se perfumam com os mais finos óleos,sem se preocupar com a ruína de José (do reino)

2ª. leitura = 1ª.carta a Timóteo 6,11-16 Aqui o autor encerra a lista de recomendações sobre os “deveres domésticos” que ao longo da carta não são dirigidos apenas às famílias mas aos diáconos e a todos os ministérios e, enfim, a toda a assembleia da comunidade cristã. No contexto desse capítulo, no verso anterior (v.10) é citado um provérbio conhecido à época: a raiz de todos os males é o amor do dinheiro. A Timóteo, no entanto, o autor incentiva às virtudes começando (verso 11) pela exortação: tu, como homem de Deus, foge dessas coisas, procurando a justiça, a fé, o amor, a perseverança, a mansidão.

Evangelho = Lucas 16,19-31 [ algumas reflexões são de S. Leiva OP, in homiletica . org ]

Não sabemos como é a vida depois da morte. Isso não é revelado na bíblia e nem Jesus em sua humanidade poderia sabê-lo como se tivesse uma “informação privilegiada”. Atualmente há uma verdadeira onda nos meios de comunicação e quase virou moda especular sobre essa questão com descrição em detalhes do além.

Anos atrás Hollywood produziu um de seus sucessos cinematográficos com o filme “Ghost” (no Brasil com o subtítulo “do outro lado da vida”, 1990) que ganhou a simpatia e afeição do público em todo o mundo, por seu roteiro e seus ótimos atores: Whoopi Goldberg e o par romântico Demi Moore e Patrick Swayze. Esse filme romântico satisfaz um conhecido traço da cultura americana marcada por uma extraordinária curiosidade e interesse por amáveis e bonzinhos seres fantásticos como extra-terrestres, fantasmas ou bruxas. Até a festa do dia das bruxas, o “Halloween” é muito querida pelas crianças e pelas famílias talvez tanto quanto o “Dia de ação de graças”, o “Independence Day” ou o Natal. Na literatura ou nos filmes a cultura de massa também não deixa de utilizar uma boa briga de socos, barulhentos tiroteios e aprecia as estórias de vampiros, mortos-vivos ou monstros. Esses seres também povoam um filme-catástrofe, o tradicional gênero policial e os de suspense sendo muito comum aqueles que têm como cenário pequenas cidades do interior aparentemente inocentes. Poderíamos acrescentar ainda os filmes de exorcistas, possessões e outros do gênero “demoníaco’... A cultura de massa americana consegue fazer qualquer tema virar um livro best-seller ou um fenômeno de bilheteria bilionária.

. A atração provocada por esses temas, especialmente os que têm alguma relação com o “além-túmulo”, também ocorre em nosso país. Deve-se provavelmente, em parte à influência cultural americana que corre o mundo como a coca-cola ou o fast-food, mas em parte também por traços culturais nativos. Qualquer um pode constatar recente e crescente divulgação pelos meios de comunicação de massa de idéias de modernos “profetas” que trazem uma “revelação” mais atraente que a multimilenar história da Religião hebraica ou os dois milênios de cristianismo em suas várias tradições, ritos e inculturações históricas.

É bom lembrar que praticamente todos esses movimentos merecem nosso respeito especialmente quando nascem de religiões, como, entre nós, as de origem africana. Muitos também seguem o que se chama também de “filosofia de vida” (concepções e práticas voltadas para a busca da paz interior, a meditação, o aperfeiçoamento do ser humano e incentivo à solidariedade) muitas vezes acompanhada até de ritos ou reuniões de tipo cultual, razão pela qual podemos às vezes chamar uma dessas “filosofias” de semi-religiosas. Em geral são grupos de pessoas ou organizações sociais de origem asiática ou oriental em geral, derivada de tradições milenares ou mesmo de fundação mais recente, do séc. 19 oU 20.

No fundo a maioria das pessoas (nós incluídos, quem sabe....) talvez acolham determinadas ideias, práticas ou crenças – seja sob a forma de Religião ou de uma “filosofia de vida” – porque estão inconformadas com a morte. E todos fazem a mesma pergunta: o que acontecerá após a morte? Se a terra não é para nós um lar definitivo, como viver sem ter a resposta?

A parábola do rico – despreocupado com os mais necessitados – e o pobre Lázaro não traz uma solução para a questão da vida após a morte. É típico do estilo bíblico-literário chamado “Parábola” possuir uma questão central, uma “mensagem” nuclear de tal modo que não podemos encontrar em cada pedaço da estória contada uma respectiva revelação ou definição cobrindo muitas questões e outras perguntas conexas.

Toda parábola tem nesse ponto central o eixo em torno do qual gira a estória contada. Isso os impede interpretar isoladamente cada pedaço ou detalhe. O texto da Parábola de hoje situa-se num contexto referente ao uso das riquezas, dentro do esquema organizado por Lucas. Sem dúvida, o interesse dos evangelistas, como o de Jesus (e certamente também o nosso), implica um grito de inconformismo diante da injustiça.

Para Jesus – como para nós – não é aceitável que Deus receba igualmente o rico (ele não tinha um pingo de compaixão) e o pobre, humilhado e faminto, que vivia exatamente à frente da porta de seu palácio. Clamamos por Justiça, assim como as pessoas a qu acima nos referimos procurando uma “explicação” satisfatória para o que vai acontecer após a morte dos dois personagens.

Nossa fé proclama que Deus não age por vingança nem deseja a morte do homem mau. No Credo afirmamos que somos criados à imagem e semelhança do Pai. A nós foi confiada a administração do mundo e da história e, assim, somos responsáveis pela superação das dificuldades terrenas. Não podemos viver isolados dentro de nossas “roupas finas” nem desconhecer o que se passa à volta, apenas embriagados por nossas festas diárias. Cabe-nos tomar conhecimento de que Lázaro está à nossa porta, tendo apenas a atenção dos cachorros de rua que só querem lamber suas feridas.

As imagens usadas nesse texto (seja pela composição literária de Lucas seja porque escolhidas pelo próprio Jesus, contador dessa estória) não correspondem propriamente aos conceitos (posteriormente fixados nas doutrinas cristãs) de “céu” e “inferno”. As imagens são tiradas da cultura conhecida por Jesus e seus ouvintes.

O “seio de Abraão” (para onde os anjos levaram o pobre Lázaro após sua morte) é expressão do lugar de honra na “festa messiânica” (cf. Is 25,6; Lc 13,28-29; 14,15; 22,16.18 e 30). Esse festim é uma das comparações mais usadas por Jesus para o “Reino de Deus” por ele anunciado. A “morada dos mortos” era a representação comum entre os judeus que indicava o lugar oposto ao festim dos Patriarcas. Alis ficavam os que morriam longe da justiça de Deus. No “diálogo” com Abraão, o rico escuta a terrível afirmação de que, após a morte, não há mais chance para reverter as duas situações: a “consolação” para o pobre e o “sofrimento” para quem já teve a felicidade vivida de forma egoísta e separada (verso 25).

No “ápice” da parábola, portanto, não há uma preocupação com qualquer doutrina sobre como será o prêmio ou o castigo eternos. É certo que a imagem do “abismo” que separa os dois “lugares” não encontra paralelo em nenhum outro lugar bíblico ou nas crenças judaicas deixando claro que depois da morte o destino do rico e do Lázaro estão definitivamente fixados.

Mas o “ápice” ou núcleo central da parábola encontra-se na conclusão. Jesus, como sempre, está preocupado com a importância da conversão e da fé a fim de que seus ouvintes cheguem ao “Reino” e não escolham sua “condenação”. Tal era também a preocupação dos Profetas até o último deles, João Batista que insistia na conversão sendo o batismo um rito próprio para significar uma mudança de atitudes.

Em outras palavras (terríveis e definitivas palavras) a Parábola aponta para a necessidade de ouvir a Lei e os Profetas pois, fora disso, nem mesmo uma comunicação trazida por um falecido nos convenceria. Tal a importância dessa Parábola para alcançarmos o “Reino” e escaparmos da “condenação”. Em outras palavras (terríveis e definitivas palavras...), se não ouvimos “A Lei e os Profetas”, nem a comunicação de um morto nos convenceria à mudança de vida, à conversão.

Essa a importância da parábola (versos 30e31): o “sinal” para a fé não são milagres sensacionais mas a Escritura (indicada nos termos judaicos de “A Lei e os Profetas”, cf. Lc 22, versos 27 e também v.44) isto é, a coerência com a Palavra revelada. Não temos outra revelação. E não temos outro caminho senão continuar, em nós, o mistério da Encarnação. Se Deus se fez homem para se tornar presente entre nós, nós também podemos “vizibilizar” Deus para o mundo quando fazemos o Bem, isto é, olhamos para Lázaro vamos cuidar dele começando por suas feridas.

Ao contrário, fechados em nossa elegância, de púrpura ou linho, só sabemos gastar dinheiro nos bailes de “cada dia” (verso 19) e temos os olhos fechados para descobrir Lázaro à nossa porta. Nesse caso somos nós mesmos que nos fechamos as portas do Reino. Não será por vingança de Deus nem por uma espécie de “karma” do passado. Essa atitude de fechamento nos salões do próprio palácio terá suas conseqüências. Mas foi nossa escolha. Ou nossa omissão.

É interessante notar que o rico da estória nem é descrito como um homem “mau” (ao contrário, chega até a se preocupar – um pouco tarde, é verdade – com seus cinco irmãos que continuavam “desligados” do amor. Seu pecado foi nem notar a existência do pobre Lázaro que, afinal, estava tão perto.

A Religião e muitas outras doutrinas e filosofias até podem nos trazer algum consolo diante da morte. Mas só a fé (feita de confiança e esperança) pode abrir nosso olhar para o amor. É durante nosso tempo de vida que podemos ter um novo olhar pelo qual aprenderemos a nos voltar para os mais feridos à volta ou cuidar dos pobres à nossa porta. É bom lembrar que não estamos restritos a dar esmola ao mendigo. E que não é só dinheiro e riqueza que podemos compartilhar com Lázaro. Cada um tem riquezas de conhecimento, profissão, experiência, responsabilidades sociais e políticas dentro de grupos ou instituições. Alguns profissionais cuidam expressamente de Lázaro curando até suas feridas: médicos, enfermeiros, psicólogos mas também produtores ou comerciantes de alimentos cuidam mais diretamente da saúde dos outros. Todos, no entanto devem “erguer o olhar” para além das janelas da própria casa e abrir os portões para encontrar o outro: pais ou filhos, colegas de trabalho, operários ou engenheiros, chefes ou auxiliares, ministros religiosos ou vizinhos na comunidade, cientistas ou estudantes...

Nenhum espírito humano – nem dos líderes ou celebridades desse mundo nem dentre os que já morreram – será capaz de nos trazer essa luz para nosso olhar. Somente o Espírito santo do Deus – que é amor – e que foi derramado em nosso coração, consegue nos mover (o olhar e as ações) de modo a compartilharmos nossa riqueza com Lázaro. O nome, aliás, significa “Deus salva”.

( prof.FernandoSM, Rio, fesomor2@gmail.com )

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