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HOMILIAS PARA O

PRÓXIMO DOMINGO


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sábado, 7 de maio de 2011

3º Domingo da Páscoa-Os discípulos de Emaús

 

HOMILIAS PARA O

PRÓXIMO DOMINGO

08 DE MAIO– 2011

 

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3º Domingo da Páscoa-Os discípulos de Emaús

Comentários – Prof. Fernando

 

HOMILIAS PARA AS MÃES

MÃE – "O AMOR MAIS PURO"

SIMPLESMENTE MARIA - NANCY

EM HOMENAGEM AO DIA DAS MÃES-NANCY

As Sete Palavras de Maria

MARIA IMACULADA

MENSAGEM PARA O DIA DAS MÃES

Para o dia das mães - Olívia

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INTRODUÇÃO

Os dois  discípulos de Emaús.

         

            Aqueles dois discípulos não perceberam  a pessoa de Jesus ao lado deles. Eles estavam tão preocupados com os últimos acontecimentos que nem se tocaram que era próprio Jesus quem lhes falava. Será que já aconteceu semelhante coisa conosco? Será que já aconteceu de estarmos tão preocupados com o que comer, com o que beber, preocupados em resolver os nossos problemas com os nossos parcos recurso e de Jesus estar ao nosso lado tentando falar  conosco através de uma pessoa, de um  acontecimento, uma notícia, etc e não o percebemos?

            Naquele dia Jesus embora irreconhecível de início, estava fisicamente ao lado e diante dos dois discípulos. Hoje, Jesus não nos aparece visível fisicamente  na nossa frente, mas Ele nos fala através dos acontecimentos, das pessoas, de uma chuva quando programamos um passeio, de uma tempestade elétrica que nos ameaça e nos assusta, e principalmente depois das nossas orações, ou ao acordar. Deus nos desperta às vezes minuto antes do relógio tocar, para nos mostrar o caminho a seguir, o que devemos escrever na reflexão do evangelho para publicar na internet, o que devemos falar hoje para os jovens da catequese, ou no sermão da missa, ou para nos dar a solução para o principal problema que nos atormentou no anterior, etc.

            Para perceber Jesus que nos fala, precisamos estar atentos, precisamos nos esforçar para sermos menos pecadores, ou de preferência santos, em fim, é preciso sintonizar Deus 24 horas.

            Prezado irmão, prezada irmã. Ainda é tempo de conversão. Conversão significa mudança de direção, mudança de rumo da vida, mudança de uma vida de pecado para uma vida na presença de Deus.

            Sugestão. Para mudar, a primeira coisa que precisamos fazer é procurar um sacerdote para fazer uma boa confissão. Fazer uma limpeza da nossa alma, retirando todos os pecados.       Porém, infelizmente às vezes acontece que voltamos para casa e um ou dois dias depois, caímos em pecado novamente. Porque isso acontece? Será que a confissão não foi válida? 

            Acontece que para haver uma conversão de verdade, não basta uma boa confissão. É preciso haver o propósito de mudar realmente de vida, mudando os menores hábitos e combatendo os vícios, com a ajuda da oração e da Eucaristia. Ao voltar para casa, precisamos mudar o ritmo da nossa vida, eliminando tudo aquilo que até então nos tem sido causa de pecado, e que só você sabe o que é.

            Mude!   Mude enquanto é tempo! Jesus está lhe chamando diariamente à conversão!

Acredite! É  só você escutá-lo. Não seja um cego que não vê a presença de Jesus ao seu lado! Abra os olhos e reconheça Jesus. Ele está bem aí na sua frente. Querendo ser seu amigo, querendo lhe perdoar, orientar e salvar você, para que você possa salvar o mundo. Porque não devemos segurar Jesus somente para nós. Precisamos levá-lo para os demais irmãos.

Tenha um Santo Domingo!

Sal.

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Jesus Cristo se faz presente no nosso caminho de uma maneira muito sutil e também muito simples.

 

                                          Mergulhando na mensagem deste Evangelho nós concluímos que   somos como os discípulos de Emaús: caminhamos absorvidos nas nossas dificuldades e não nos detemos para decifrar os enigmas da nossa vida a fim de comprovarmos que o Senhor ressuscitado está muito perto de nós. Não entendemos as coisas que nos ocorrem, nos apavoramos diante dos acontecimentos que nos tiram a tranqüilidade e, muitas vezes mergulhamos na tristeza e na desesperança.

                                     Parece até que chegamos ao final do nosso caminho e não temos mais para onde correr. "Como somos sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!" Esta é a conclusão a que nós devemos chegar. A certeza de que realmente o Senhor ressuscitou e está muito perto de nós, porém, pode mudar toda a nossa compreensão diante dos fatos que nos tiram do sério.

                                 Jesus Cristo se faz presente no nosso caminho de uma maneira muito sutil e também muito simples. Precisamos estar atentos para reconhecê-Lo! Quando nós, simplesmente meditamos na Sua Palavra nós podemos sentir a Sua presença ressuscitada; quando nós O contemplamos e O adoramos no Santíssimo Sacramento do Altar e nos deixamos banhar pela Sua Luz nós também desvendamos os mistérios da nossa existência; quando nós participamos de uma Celebração Eucarística e comungamos o Seu Corpo e o Seu Sangue nós distinguimos que algo mudou dentro de nós e que também o nosso coração arde mesmo que nada aconteça de extraordinário.

                               Assim sendo, nós também como os discípulos de Emaús somos motivados a dar a Boa Nova por onde passamos: "Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a mim"!  Tudo está escrito e marcado no nosso coração! Nunca mais seremos os mesmos!Meu irmãos e irmãs, reflitamos: Você já pode sair anunciando isto por onde passar? Você ainda continua olhando apenas para as coisas ruins da sua vida ou já percebeu que Cristo parte o pão para você? Você se considera uma pessoa inteligente para desvendar os enigmas de Deus?

 

Amém

Abraço carinhoso

Maria Regina

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FICA CONOSCO, SENHOR. POIS JÁ É TARDE

08 de maio de 2011
 
Evangelho - Lc 24,13-35
 
Em meio as alegrias deste tempo Pascal, vamos aos poucos  redescobrindo  valores  nesta nossa caminhada de fé!
Às vezes, caminhamos um tanto desiludidos, sem esperanças, sem nenhuma motivação!
 E no declinar do dia, sentimos cansados, derrotados, achamos que nossos passos, não nos levaram a lugar nenhum!
Quando o desanimo insiste em nos abater, é sinal de que está nos faltando algo que preencha o nosso interior! Pode estar nos faltando fé! Fé no Cristo Ressuscitado!
É a fé que nos move, que nos dá energia, vigor, vontade de ir mais além!
Não podemos ficar naquela fé lá da sexta-feira da paixão, guardando dentro de nós um Jesus que não existe mais: um Jesus morto!
O evangelho de Hoje narra a história de dois discípulos, que acabavam de fazer uma amaga experiência: perderam o amigo, o Mestre a quem eles tanto amavam! Estavam abatidos, desiludidos e porque não dizer, decepcionados, afinal, eles tinham  deixado tudo pra seguir Jesus, tinham depositado toda confiança Nele! Enquanto caminhavam para Emaús, eles  ainda carregavam um Jesus morto, dentro dos seus corações!
A realidade deles, acabara de mudar bruscamente: perderam a segurança que só Jesus lhes oferecia e o medo invadia suas vidas!
Aqueles discípulos ainda  não tinha amadurecido na fé, pois  perderam a esperança muito rápido, não confiaram no que Jesus havia lhes revelado antes de sua morte, que Ele ia morrer, mas ressuscitaria no terceiro dia!  
Que esta experiência dos discípulos de Emaús, não se repita conosco!
Que não sejamos "cegos" lentos para perceber a presença de Jesus caminhando junto de nós!
E que Jamais esqueçamos que, mais do que caminhar conosco, Jesus nos carrega no colo, enquanto atravessamos os desertos de nossas vidas!
Busquemos sempre alimentar a nossa fé! Fé, é um dom de Deus, não podemos nos fechar a esta graça! É pela fé que enxergamos a presença do Cristo Ressuscitado no meio de nós!
O evangelho de hoje nos desperta para a importância de buscarmos sempre um jeito novo de viver a fé! Nos chama a atenção para algo que hoje quase não praticamos mais nas nossas relações humanas: o ouvir as pessoas, o caminhar com elas, conhecer suas histórias, seus sonhos, ser a presença do próprio Cristo na vida do outro!
Muitas vezes somos indiferentes ao outro, até mesmos dentro de nossas próprias casas!
Quantos filhos mal se falam com seus pais, quantos pais, não reservam tempo para os filhos!
Estamos sempre apressados e com isso, muitas vezes, não reconhecemos o Cristo Ressuscitado na pessoa  do nosso irmão!
             No momento em que Jesus parte o pão e os discípulos de Emaús o reconhece, eles se tornam missionários, mensageiros da Boa Nova! Na mesma hora,  fizeram o caminho de volta a Jerusalém, contando a todos a bela experiência de reconhecer Jesus!
A nossa missão nasce a partir do nosso encontro pessoal com o Cristo Vivo e cresce, na medida do nosso envolvimento com Ele!  
Quem tem fé, espera! Quem não tem fé, desespera!
 
Olívia Coutinho

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"Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo."  Rita Leite

15 de maio

3º Domingo da Páscoa

João 10,1-10

Neste 4º Domingo da Páscoa Jesus se apresenta como a porta pela qual devemos entrar para sermos salvos. Jesus denuncia um sistema injusto que aprisiona e mata o povo de Deus. Chama os fariseus de mercenários, porque usam do poder político e religioso para manipular o povo. Roubam e matam as ovelhas sem se importarem com elas. São pastores que apascentam a si mesmos, não as ovelhas.

Jesus veio para que tenhamos vida em plenitude. Mas como ter vida em plenitude com tanta dor, tanta fome e tantas coisas ruins que assolam nossas vidas?

Em nossa sociedade quantos são os que detêm o poder e que deveriam cuidar e promover a dignidade e a vida. Mas não o fazem, pois só buscam o próprio interesse. Decepcionam-nos, quase nos fazem perder a esperança com tanta corrupção.

Por outro lado é lindo ver que há tantos outros bons pastores que se doam totalmente em favor do reino de Deus. São aqueles que se comprometem com Jesus Cristo e sua proposta de vida plena. São missionários a serviço do amor, vão aos mais pequeninos aos explorados e abandonados.  Obedientes à palavra de Jesus que disse para Pedro: "Apascenta as minhas ovelhas." São bons pastores em Jesus o verdadeiro e único Pastor.

Jesus nosso bom pastor nos conhece, nos chama pelo nome, nos conduz ao pai, é em Jesus que encontramos a força para lutarmos contra todo sistema opressor que desfigura nossa gente e causa tanta morte. É com Ele e por Ele quem podemos caminhar mesmo nas tribulações, pois cremos que nosso Pastor está à nossa frente. Nosso Deus é o Deus da vida. Se escutarmos a sua voz e o seguirmos teremos a vida baseada no amor no perdão e na fraternidade. Isso não significa que não teremos problemas. Pois nossa esperança não é só para esta vida. Mas Deus nos quer bem, com saude,quer que a vida seja respeitada.

Jesus nos conhece, sabe de nossas limitações e fraquezas e apesar disso e também por isso nos chama. Quer nos conduzir, nos tirar de nossas prisões, quer nos dar vida nova.

Pedro nos diz na 2ª Leitura "andáveis desgarrados como ovelhas, mas agora voltaste para o pastor protetor de vossas vidas." Voltemos para nosso pastor e ouçamos sua voz que nos chama a conversão e nos envia. Senhor que eu ouça tua voz, mesmo em meio as minhas preocupações e desilusões. Que o barulho que o mundo faz não nos impeça de reconhecer tua voz e te seguir. E te seguindo tenhamos a vida e vida em abundância razão pela qual Tu vieste ao mundo.

Abraço

Em Cristo

Rita Leite

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OS DISCÍPULOS DE EMAÚS

 

De que forma os que iam para Emaús retomaram para Jerusalém

Para todo cristão que deseja viver seriamente sua fé, Emaús foi, em algum momento de sua vida, o destino da sua jornada. Quem não sentiu o fracasso em sua vida? Quem não foi tentado a abandonar tudo e procurar outros caminhos? São muitas as razões que nos terão levado a querer abandonar, a deixar Jerusalém para buscarmos um lugar mais confortável e menos comprometido para viver. Mas, de alguma forma, na jornada para Emaús nos encontramos com o Senhor – e esta é também uma experiência comum -, sentimos que nosso coração ardia com sua Palavra e acabamos reconhecendo-o na partilha do pão. E retornamos a Jerusalém.

A história dos discípulos que, sem esperança, deixam Jerusalém e retornam para as suas casas é nossa também. Cada um poderia contar sua própria experiência. Quantas vezes experimentamos a falta de amor, o egoísmo, até mesmo a traição e, totalmente abatidos, pensamos que o melhor a fazer era abandonar e deixar tudo? Falamos talvez para nós mesmos: "Que lutem os outros, eu já fiz o bastante!".

Mas podemos também contar como – nesse caminho do abandono, de deixar tudo – encontramos a força que nos convidou a começar de novo, a voltar para Jerusalém e acreditar que, com a ajuda do Senhor, tudo é possível. Desta maneira, muitos matrimônios voltaram a viver seu amor com renovada esperança; muitos cristãos descobriram desta forma a força e o poder da oração; muitos, que não esperavam mais nada da vida, levantaram-se e voltaram a caminhar.

A estrada de Jerusalém a Emaús e de Emaús a Jerusalém é, pois, o nosso próprio caminho. Mas há alguns componentes neste relato que nos ajudam a reconhecer melhor Jesus nos nossos próximos Emaús, isto é, nas situações de abandono, de fuga e de escassa vontade que estão por vir. Primeiro, devemos ficar atentos aos caminhantes desconhecidos. Neles pode estar presente o Senhor. Por intermédio deles nos pode chegar a Palavra que iluminará nosso coração e o fará arder com vontade renovada.

Segundo, a eucaristia é o momento privilegiado para reconhecermos o Senhor e descobrirmos o sentido de nossa vida como cristãos. Em torno do altar nós nos reconhecemos como irmãos que compartilham do mesmo pão. Não é à toa que no momento de partir o pão os olhos dos discípulos se abriram e o reconheceram. Muitos de nós não temos uma experiência semelhante na Eucaristia?

E, terceiro, não devemos sentir medo de partilhar com os outros nossas experiências de Emaús, tal como fizeram esses dois discípulos. Estamos todos caminhando e experimentando, entre outras coisas, cansaço, desilusão e desesperança. Talvez possamos, em mais de uma oportunidade - simplesmente ao compartilhar nossa experiência e ajudar aquele que está cansado e a ponto de abandonar tudo - ser o caminhante desconhecido que dê ânimo novo ao coração do homem ou da mulher. Não é isso ser missionário?

"Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome,

rendei-lhe glória e louvor, aleluia!"(cf. Sl. 65,1s).

Celebramos neste terceiro domingo da Páscoa o "querigma". A primeira leitura de hoje (At. 2,14.22-33) nos apresenta o "protótipo" da pregação apostólica ou o "querigma", a pregação de Pedro no dia de Pentecostes. Suprimida a introdução, At. 2,1-21, por ser a leitura de Pentecostes, a leitura inicia com o v. 22, anunciando que o profeta rejeitado ressuscitou, cumprindo as Escrituras. Não se trata de ver aí um cumprimento "ao pé da letra", mas de reconhecer nos escritos antigos a maneira de agir de Deus, que se realiza plenamente em Jesus Cristo.

O importante neste querigma é o anúncio da Ressurreição como sinal de que Deus homologou a obra de Jesus lhe deu razão contra todo o mundo. O anúncio da Ressurreição é a vitória sobre a morte. O nucleio do discurso de Pedro em Pentecostes (At. 2,14-39) é o anúncio – querigma – da ressurreição de Cristo. Não só existem testemunhas humanas. Existe, também, um testemunho de Deus mesmo: a Sagrada Escritura: o Salmo 16 é aplicado a Cristo; o salmo era originariamente a prece de quem sabe que Deus não o entregará à morte; em Cristo, isso se verifica plenamente.

 Já a segunda leitura (1Pd. 1,17-21) continua a meditação da primeira carta de são Pedro iniciada no domingo passado. Cristo é visto como aquele que nos conduz a Deus. Sua morte nos remiu de um obsoleto modo de viver; por ele, isto é, reconhecendo a validade de seu modo de viver – e morrer – chegamos a crer verdadeiramente em Deus, ou seja, conhecemos Deus verdadeiramente. Deus é aquele que ressuscita Jesus, aquele que dá razão a Jesus e "endossa" a sua obra. Desde nosso batismo chamamos a Deus de Pai. Mas Ele é também o Santo que nos chama à santidade. Também o sacrifício de Cristo, o Cordeiro Pascal, nos obriga à santidade.

Jesus ressuscitou de fato e se tornou nosso companheiro. O Evangelho deste Domingo(Lc 24,13-35) nos traz grandes acontecimentos. A sua finalidade principal é documentar uma vez mais a Ressurreição de Jesus de Nazaré e mostrá-lo vivo verdadeiramente, como uma pessoa inteira e verdadeira, embora numa situação diferente e misteriosa. Como a Ressurreição de Jesus é o fundamento da fé católica e apostólica, da fé cristã, o episódio dos Discípulos de Emaús é também o retrato da comunidade, feita de discípulos de boa vontade, mas nem sempre inteiramente identificados com o mistério de Jesus Cristo. Apesar de ler as Escrituras, apesar de conhecer plenamente a vida de Cristo, apesar de escutar as testemunhas do Senhor Ressuscitado, vivem sem esperança, fogem a verdade e preferem andar pela vida mais como simpatizantes longínquos do que como membros conscientes e sensíveis de seu corpo e participantes plenos da missão e do destino de Jesus.

Cleófas e seu companheiro de viagem não eram judeus. Por isso São Lucas ressalta estes personagens para nos demonstrar que a salvação veio para todos, indistintamente, para todos mesmo. Jesus não veio somente para os judeus, o povo eleito. Jesus veio para todos, por isso falamos teologicamente na universalidade da salvação. Jesus veio salvar a todos, sem distinção de raça ou de nacionalidade. Para se salvar é preciso aderir ao Cristo Ressuscitado. Na dúvida dos apóstolos e do discípulo está a grandeza da manifestação do Ressuscitado, para abrir os nossos corações, as nossas mentes para vivenciarmos a ressurreição.

Os próprios discípulos tinham uma idéia um pouco vaga de Jesus. Faltava ver Nele o Senhor e Salvador e não pura e simplesmente mais um profeta. A maioria dos discípulos ou dos apóstolos pensavam num Messias que viesse salvar todo o povo judeu, como líder militar. E um general morto nada poderia representar para aquele povo. Mas Jesus não era um general. Jesus era o Filho de Deus. Por isso foi necessário os sinais. Lendo os sinais os discípulos podiam enxergar o Cristo Ressuscitado, como o libertador e o Salvador, Aquele que redimiu a humanidade pela sua paixão, pela sua morte e pela sua ressurreição.

Jesus tinha o maior de todos os poderes: "o poder de dar a vida e retomá-la quando quisesse" (cf. Jo. 10,18). Jesus era homem, filho de carne humana, mas era o Filho de Deus. Não basta simpatizar com a causa de Jesus; é preciso nunca perder de vista a sua dimensão divina. O túmulo está vazio, mas isso não pode ser decepção, mas grande alegria, grande festa, porque Jesus ressuscitou verdadeiramente.

Jesus é hoje verdadeiro discípulos de Emaús. O que é o companheiro? O Companheiro é aquele que parte e come o pão com o outro. Sem não houvesse a longa caminhada a pé e a conversa amiga, Jesus não teria tido a ocasião de ser companheiro. E isso era o mais importante. O comportamento de Jesus é o comportamento que cala profundamente no coração daqueles que crêem: Jesus caminha com seus discípulos, adapta-se ao itinerário deles, compreende, tem o coração de amigo, e só depois reparte o pão com eles. Um pão de mesa que, logo, logo, se torna o pão que lhes revela a divindade. Assim, nos também temos que caminhar com Cristo na eucaristia, ouvir o Cristo, repartir com ele as nossas alegrias e as nossas esperanças, as nossas tristezas e as nossas angústias. Ser companheiro é perder o tempo com o outro. Ser companheiro é caminhar com o outro e repartir o pão na mesma mesa, é mais do que dar de comer, é mais do que esmola. No gesto de Jesus, há uma extraordinária lição de comportamento cristão. Dar de nosso precioso tempo aos outros, do essencial é a vivência plena da novidade cristã.

Jesus explica as Escrituras aos discípulos de Emaús e reparte o pão com eles. Hoje o Ressuscitado continua a caminhar conosco. Quando partimos o pão da Palavra e quando repartimos o pão da Eucaristia, com os mesmo sentimentos com que Jesus o repartiu com os discípulos de Emaús.

A missa tem essa dimensão grande: a liturgia da Palavra e a liturgia eucaristica. Devemos beber das duas fontes: a fonte da Palavra e a fonte da Eucaristia. Uma parte não existe sem a outra, formando uma unidade na missa. Depois de refletirmos os mistérios da criação e da salvação somos chamados a comer o próprio Cristo como maná que desce do céu para alimentar o nosso quotidiano. E isso nós devemos fazer como os discípulos de Emaús. Quando repartimos o que temos e o que somos com nossos irmãos, se estamos sentados à mesa eucarística do pão fraterno, estamos vivendo a eucaristia na vida diária. Repartir o Cristo Eucarístico, em seu Corpo e Sangue; repartir a Palavra de Deus e nossos pedidos pela comunidade, formando uma só família demonstra que somos seguidores do Cristo porque colocamos tudo em comum.

Sejamos loucos pelo Cristo, na fração Eucarística, presença real em nossa vida, comunhão de paixão, morte e ressurreição para vivermos uma vida nova, uma vida pascal, do Cristo glorioso que nos chama pelo nome e conosco caminha.

padre Wagner Augusto Portugal

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Os discípulos de Emaús e Jesus

 

No Evangelho, o Peregrino aponta aos discípulos de Emaús o caminho para reconhecer o Cristo Ressuscitado (Lc. 24,13-35)

Os discípulos estão tristes, desanimados, decepcionados, frustrados, abandonam a comunidade e voltam para casa, dispostos a esquecer o sonho. Aguardavam um Messias glorioso, um Rei poderoso, um Vencedor e encontram-se diante de um derrotado, que tinha morrido na cruz.

Aparece um peregrino, que caminha com eles e começam a falar do assunto do momento: Jesus, Profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e dos homens, mas que teve um fim inesperado...

O Peregrino interpreta as escrituras, que falam do Messias. Eles escutam com interesse e seus corações começam a "arder".

No final da tarde, os discípulos chegam em casa e fazem um convite: "Fica conosco". Querem prolongar a agradável companhia. Após ter acolhido a palavra do  Peregrino, lhe oferecem hospedagem em sua casa e Ele aceita não apenas para "passar a noite", mas para "ficar com eles".

À mesa: um gesto conhecido: o mesmo gesto da última ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia. Os olhos se abrem e reconhecem o Ressuscitado... A Palavra faz "arder" o coração, a fração do Pão faz "abrir os olhos". E Cristo desaparece porque agora a comunidade já possui os sinais concretos de sua presença: a sua palavra e o pão partilhado. Agora é só testemunhar. E partem logo para anunciar a descoberta aos irmãos e, junto com eles, proclamam a fé: "O Senhor ressuscitou." A Proclamação da alegria pascal não pode esperar o dia amanhecer. A escuta atenta da Palavra e o repartir do pão abre os olhos e impulsiona para a missão.

Onde encontrar o Ressuscitado? O episódio de Emaús nos aponta o caminho:

- na palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada, acolhida, Jesus nos indica caminhos, nos aponta novas perspectivas, nos dá a coragem de continuar, depois de nossos fracassos. Acolhem a Palavra do Peregrino e lhe oferecem hospedagem em sua casa;

- na partilha do pão eucarístico.

A narração apresenta o esquema da missa: liturgia da Palavra e do Pão.

É na celebração comunitária da eucaristia, que nós fazemos a experiência do encontro pessoal com Jesus vivo e ressuscitado.

Na comunidade: a comunidade sempre foi e continua sendo o lugar privilegiado do encontro... (experiência dos discípulos... e de Tomé...)

O Caminho de Emaús

Muitas vezes, também nós andamos pelos caminhos da vida, "tristes", cansados e desiludidos... Caíram os nossos castelos e a vida parece ter perdido sentido. Esperávamos tanto... mas tudo terminou... (quem sabe lá... a morte de um parente amigo, um fracasso em nossos empreendimentos... a família desunida...) É triste quando a esperança morre... Parece nada mais ter sentido. Somos tentados a abandonar a luta e voltar...

Eles estavam angustiados por aquilo que aconteceu em Jerusalém. Mas, na medida em que participaram da celebração da Palavra e do banquete da fração do pão, o interior deles se abriu à luz, a vida do Ressuscitado invadiu seus corações e os fez voltar à comunidade.

Nesses momentos, mais do que nunca, como os dois discípulos, necessitamos do Peregrino de Emaús: "Fica conosco, Senhor".

Que possamos reconhecê-lo nos pequenos gestos de cada dia. Hoje queremos recordar os gestos de doação de nossas mães. Que a bondade divina abençoe e recompense todas as nossas mães.

padre Antônio Geraldo Dalla Costa

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III Domingo da Páscoa

A liturgia deste III Domingo da Páscoa convida-nos a descobrir esse Cristo vivo que acompanha os homens pelos caminhos do mundo, que com a sua Palavra anima os corações magoados e desolados, que se revela sempre que a comunidade dos discípulos se reúne para "partir o pão"; apela, ainda, a que os discípulos sejam as testemunhas da ressurreição diante dos homens.

É no Evangelho, sobretudo, que esta mensagem aparece de forma nítida. O texto que nos é proposto põe Cristo, vivo e ressuscitado, a caminhar ao lado dos discípulos, a explicar-lhes as Escrituras, a encher-lhes o coração de esperança e a sentar-Se com eles à mesa para "partir o pão". É aí que os discípulos O reconhecem.

A primeira leitura mostra (através da história de Jesus) como do amor que se faz dom a Deus e aos irmãos, brota sempre ressurreição e vida nova; e convida a comunidade de Jesus a testemunhar essa realidade diante dos homens.

A segunda leitura convida a contemplar com olhos o projeto salvador de Deus, o amor de Deus pelos homens (expresso na cruz de Jesus e na sua ressurreição). Constatando a grandeza do amor de Deus, aceitamos o seu apelo a uma vida nova.

 Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas (Lc 24,13-35)

Comentário - Celebrar a Eucaristia no caminho da vida

 

A história dos dois de Emaús é já muito conhecida. O ponto de partida é um momento da história que talvez não gostemos de recordar. A cruz de Jesus produziu uma verdadeira debandada nas filas de seus seguidores. Os que tinham deixado tudo para segui-lo decidiram voltar a deixar tudo para começar de novo. A decepção, a desesperança, a sensação de fracasso instalaram-se em seus corações. E decidiram voltar-se sobre seus passos ao que eram e tinham dantes de conhecer Jesus. Tanto esforço não tinha valido a pena! Num momento, os chefes dos judeus e os romanos tinham convertido em pedaços o sonho do Reino. Não tinha nada que fazer!

Tudo isto é já conhecido. Não nos resulta difícil nos sentir identificados com estes dois discípulos que voltam desencantados a sua terrinha, que abandonam o sonho do Reino. Mas não é isso o melhor do relato. O melhor é que ao final os discípulos voltam sobre seus passos. Retornam a Jerusalém, lugar da cruz e a decepção, mas com o coração cheio de entusiasmo e de vida ("Não ardia nosso coração...?"), como fruto do encontro com um caminhante, com um desconhecido.

Aparece um caminhante

Simplificando, podemos dizer que se trata de um dos relatos da aparição de Jesus ressuscitado. Mas, como alguma outra, é um aparecimento misterioso. Jesus não é reconhecido à primeira vista - como foi possível que não lhe reconhecessem seus discípulos?-.
É só um caminhante com o qual eles tem um encontro casual, que escuta aos dois discípulos e compartilha com eles a trilha e a direção (para o fracasso?). O caminhante não tem nome nem rosto. É um mais. Caminha com eles. Escuta-lhes pacientemente. Depois intervém. Alumia-lhes o sucedido desde a Escritura. Falam, dialogam, compreendem... Ao longo do caminho.

Entretanto os discípulos não mudaram de direção em sua caminhada. Mas, ao menos, decidem que é tempo de fazer uma parada no caminho. É tempo de descansar, de deter-se, de compartilhar a ceia. Convidam ao desconhecido. Aí se produz o reconhecimento, ao partir o pão. Dão-se conta de que o que caminhou com eles, o que lhes falou, o que lhes partiu o pão, é Jesus mesmo.

Mas então desaparece. Não há mais Jesus visível. Os discípulos ficam sozinhos. Com suas forças. Com sua fé. Mas o pão e a palavra abriram-lhes à vida. O caminhante desconhecido tocou-lhes o coração e ajudou-lhes a encontrar o sentido do sucedido. E retomam o caminho a Jerusalém, agora o lugar da ressurreição e do triunfo, da esperança e da vida.

Uma Eucaristia feita relato

O relato dos de Emaús é o relato de uma Eucaristia daqueles primeiros tempos. Ainda não há formalismos. Não existem os missais nem os ritos. Tudo é mais singelo, mais simples, mais próximo. Os discípulos reúnem-se, recordam, comentam, alumiam-se uns a outros. E compartilham o pão, fazendo memória de Jesus, utilizando as mesmas palavras de Jesus na última ceia. Os desconhecidos fazem-se família em torno do pão e da palavra. Nesse compartilhar e recordar, se faz presente Jesus  ressuscitado. Sentem a força da vida presente Nele. Comungam com sua missão.

Na Eucaristia encontram as forças para voltar a Jerusalém, para sair de novo para o caminho, a manchar os pés e as mãos com o barro da história, a falar e dialogar, a nos encontrar como desconhecidos, com os diferentes, a não deixar um rincão sem que chegue a palavra misericordiosa e cheia de esperança que Jesus pronunciou definitivamente na história da humanidade.

Fazer do caminho encontro e Eucaristia

Aquelas primeiras Eucaristias foram o detonante da vida e a esperança nos discípulos que se deixavam levar pela morte e o desengano. Os caminhos eram os mesmos, mais a direção tinha mudado. Os desconhecidos descobriam-se irmãos. Tinham um tesouro para compartilhar com os homens e mulheres de seu tempo. Fazer realidade na vida diária o Reino de Deus. Até nós, longe no tempo e no espaço, chegou seu estimulo, sua capacidade de escuta. Graças a Deus!

O caminho da vida é nossa oportunidade para fazer encontro, fraternidade, Eucaristia, para fazer presente o Reino. A Eucaristia põe-nos a caminho e o caminho em fraternidade faz-se Eucaristia.

Fernando Torres, cmf

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A frustração superada

A crucifixão de Jesus foi um duro golpe para a comunidade cristã. Com ela, vieram abaixo os projetos de libertação, carinhosamente acalentados pelos discípulos. As palavras e as ações do Mestre pareciam dignas de fé. Seu modo de ser tinha algo de especial, bem diferente do que até então se tinha visto. Sua morte na cruz, no entanto, deixou, nos discípulos, o sabor da frustração e da desilusão!

Foi preciso que o Ressuscitado os chamasse à realidade. Eles não estavam dispensados da missão. Por conseguinte, não havia motivo para se dispersarem e voltarem para sua cidade de origem, uma vez que tinham, diante de si, um mundo a ser evangelizado. Era insensato cultivar sentimentos de morte, quando a vida já havia despontado e se fazia presente no Ressuscitado. Por que fixar-se no aspecto negativo da vida, já que a realidade vai muito além?

Os discípulos de Emaús retratam os cristãos desiludidos de todos os tempos, uma vez que não acreditam na possibilidade de se criar um mundo fraterno. São os pessimistas, centrados em si mesmos, incapazes de projetar-se para além dos próprios horizontes. Ou seja, são cristãos nos quais a ressurreição ainda não produziu frutos.

Só a descoberta do Ressuscitado permite ao cristão superar os reveses da vida. Aí então, ele se dará conta de que, apesar da cruz, vale a pena somar esforços para construir o Reino.

padre Jaldemir Vitório

Os que foram batizados na Páscoa sabem que Jesus não é Alguém que viveu no passado e que deixou para os seus seguidores ensinamentos edificantes. Ao contrário, Ele está vivo entre nós, e nos fala hoje pelo seu Espírito. Não estudamos a doutrina de um líder do passado. Estamos em contato direto com Ele porque Ele está vivo no meio de nós. Não o vemos, porém, com os olhos da carne. Nós o vemos na fé.

Houve um tempo em que Ele foi visto por todos os que o conheceram. Foi o tempo da sua encarnação, do Emanuel ou Deus conosco. Por amor de toda a humanidade, Ele apareceu e viveu a vida humana como nós a vivemos. Depois de sua morte na cruz, Ele ressuscitou, e começou a ser visto. O Ressuscitado não aparece. Ele se deixa ver. É preciso, porém, querer vê-lo e procurá-lo. "É tua face, Senhor, que eu procuro. Não me escondas a tua face" (Sl 27,8-9). No entanto, ninguém pode se apoderar do Senhor. Os discípulos de Emaús o reconheceram quando partiram o pão e, então, Ele desapareceu. O Senhor aparece e desaparece, é visto e não se deixa prender. O Espírito, que Ele derrama sobre toda a terra, nos dá a sabedoria para podermos ver e reconhecer o Senhor ressuscitado, vivo entre nós. O Espírito nos ajuda a ver o Senhor quando partimos o pão, quando o repartimos com quem tem fome. O mesmo Espírito abre os olhos da nossa fé para podermos ver o Senhor no ambulante que caminha ao nosso lado.

O Jesus que desaparece não se ausenta. Continua presente de forma oculta. É Ele mesmo sob a aparência do pão e do irmão. Ao procurá-lo, descobrimos com Santa Teresinha do Menino Jesus que viver da vida d'Aquele que apareceu por amor é viver de amor. Descobrimos que Ele vive por nós, oculto numa hóstia pequenina. Aprendemos que o último lugar, o lugar dos pequenos, é o lugar de Jesus, e que na humildade e na pequenez aparece esplendorosa a presença do amor.

At 2,14.22-33 – Pedro é o primeiro a tomar a palavra e anunciar a todos o grande acontecimento da ressurreição. Jesus está vivo. As profecias se realizaram. Seu corpo não se corrompeu abandonado na região dos mortos. Ao contrário, Ele recebeu a vida do Espírito e agora derrama o Espírito sobre toda a terra. Embora o tenham matado, pregando-o na cruz, a morte não pôde dominá-lo.

1Pd 1,17-21 – São Pedro lembra aos cristãos de todos os tempos que foi por amor que Jesus veio a este mundo. Ao se encarnar, Ele apareceu entre nós e deu início ao fim dos tempos. Morrendo na cruz, Ele nos resgatou com o seu sangue, e agora, ressuscitado, nos dá o dom da fé. Passamos de uma vida fútil a uma existência cheia de sentido. Nosso preço é alto. Valemos o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Lc 24,13-35 – Jesus, que apareceu em nosso mundo, também desaparece. Assim Ele desaparece das vistas dos discípulos de Emaús, mas se deixa ver ressuscitado. Pedro viu o Senhor. Os discípulos de Emaús reconheceram-no quando repartiram o pão. Tomé pôde vê-lo e n'Ele tocar. Jesus ressuscitou de verdade. O túmulo estava vazio. Ele não está entre os mortos. Ele, porém, desaparece e se oculta para que o vejamos na fé onde Ele quer estar.

cônego Celso Pedro da Silva

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Ele é o pão da vida

Após a morte de Jesus na cruz seus discípulos sentiram-se frustrados. A sua herança religiosa do Antigo Testamento impedia-lhes que compreendessem Jesus. Suas esperanças fundavam-se no jogo do poder. Um messias, da linhagem de Davi, poderoso, conduziria o povo judeu a uma glória que superaria o poder do império romano. Jesus não foi este messias. Não faltaram repreensões de Jesus aos discípulos neste sentido: "sois sem inteligência e lentos para crer". A partir da frustração do messianismo terreno em Jesus, os discípulos reinterpretaram este messianismo davídico, aplicando-o à ressurreição. O ressuscitado é portador de glória e poder.

A pregação dos apóstolos é feita a partir do anúncio básico da trajetória de Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado, e doador do Espírito Santo (primeira leitura - fala de Pedro em Pentecostes). A ressurreição de Jesus significa a sua presença entre nós. É a permanência de Jesus de Nazaré, que em toda sua vida comunicou tanto amor e paz divinos. Ele é reconhecido na partilha do pão. Ele é o pão da vida. É uma presença concreta, que é experimentada na partilha da vida, no amor, vivida em comunidades abertas a todos. Envolvidos pelo amor de Jesus, presente entre nós, somos libertados da "vida fútil" (segunda leitura) herdada desta sociedade de mercado e consumo, estruturada e imposta pelos ricos e poderosos.

José Raimundo Oliva

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Descobrindo Cristo vivo

A liturgia deste domingo convida-nos a descobrir esse Cristo vivo que acompanha os homens pelos caminhos do mundo, que com a sua Palavra anima os corações magoados e desolados, que se revela sempre que a comunidade dos discípulos se reúne para "partir o pão"; apela, ainda, a que os discípulos sejam as testemunhas da ressurreição diante dos homens.

É no Evangelho, sobretudo, que esta mensagem aparece de forma nítida. O texto que nos é proposto põe Cristo, vivo e ressuscitado, a caminhar ao lado dos discípulos, a explicar-lhes as Escrituras, a encher-lhes o coração de esperança e a sentar-Se com eles à mesa para "partir o pão". É aí que os discípulos O reconhecem.

A primeira leitura mostra (através da história de Jesus) como do amor que se faz dom a Deus e aos irmãos, brota sempre ressurreição e vida nova; e convida a comunidade de Jesus a testemunhar essa realidade diante dos homens.

A segunda leitura convida a contemplar com olhos de ver o projeto salvador de Deus, o amor de Deus pelos homens (expresso na cruz de Jesus e na sua ressurreição). Constatando a grandeza do amor de Deus, aceitamos o seu apelo a uma vida nova.

1ª leitura: Atos 2,14.22-33 – AMBIENTE

O nosso texto situa-nos na manhã do dia do Pentecostes, em Jerusalém. A comunidade cristã, transformada pelo Espírito, deixou a segurança das paredes do cenáculo e prepara-se para dar testemunho de Jesus, em Jerusalém e até aos confins do mundo. Nesse contexto, Lucas coloca na boca de Pedro – o porta-voz dos Doze – um discurso, que constitui um primeiro anúncio de Jesus ("kerigma") aos habitantes da cidade e a todos os que se encontram ali para celebrar a festa judaica de "Shavu'ot" ("Pentecostes" – festa celebrada cinqüenta dias após a Páscoa, e na qual se ofereciam a Deus os primeiros frutos da terra. Na época neo-testamentária, celebrava a "aliança" e, sobretudo, o dom da Lei ao Povo de Deus, na montanha do Sinai).

Este discurso, colocado na boca de Pedro, não é a reprodução histórica exata de um discurso feito por Pedro junto do cenáculo, no dia da festa do Pentecostes; mas é um discurso construído pelo autor dos Atos, que reproduz, em parte, a pregação que a primitiva comunidade cristã fazia sobre Jesus.

Este discurso é muito semelhante a outros discursos do livro dos Atos (cf. At. 3,12-26; 4,8-12; 10,34-43; 13,16-41). Em qualquer um deles, aparece sempre um núcleo central que procede do kerigma primitivo e o resume: apresentação breve da atividade de Jesus, anúncio da sua morte e ressurreição e salvação que daí brota. Mesmo que o texto não reproduza exatamente a pregação de Pedro no dia do Pentecostes, reproduz a fórmula mais ou menos consagrada do kerigma primitivo e a catequese que a comunidade cristã primitiva costumava apresentar sobre Jesus.

MENSAGEM

O texto que nos é proposto resume, pois, os dados fundamentais da catequese cristã primitiva: Jesus passou pelo mundo realizando gestos que testemunhavam a dinâmica de Deus e a sua proposta de salvação para os homens (v. 22); a proposta de Jesus chocou com a recusa do mundo e Ele foi morto na cruz (v. 23); no entanto, Deus ressuscitou-O, mostrando que uma vida gasta ao serviço do projeto de Deus não pode terminar no fracasso, mas conduz à ressurreição, à vida plena (vers. 24). Pedro é aqui o porta-voz dessa comunidade que testemunhou a oferta de salvação que Jesus veio trazer e que recebeu de Jesus a missão de a anunciar aos homens de toda a terra.

Este primeiro anúncio é dirigido a judeus que conhecem as Escrituras e as promessas de Deus. Por isso, Lucas vai utilizar argumentos tirados da própria Escritura para apresentar a catequese sobre Jesus. Em concreto, Lucas cita o salmo 16,8-11 (vs. 25-28), atribuído aqui a David: trata-se de um dos raros textos do Antigo Testamento onde se vislumbra a vitória da vida sobre a morte. O raciocínio do autor deste discurso é o seguinte: David falou de um "amigo" de Jahwéh que haveria de vencer a morte; não era o próprio David pois, como todos sabem, ele morreu… Tratava-se, sem dúvida, desse descendente de David que, segundo a promessa de Deus, haveria de herdar o trono do seu pai e estabelecer um reino eterno (cf. 2Sm. 7,12-16). Era a esse rei, da descendência de David, que os judeus chamavam "Messias" ("ungido"); era esse rei, da descendência de David que alimentava a esperança de Israel e que era aguardado ansiosamente. A conclusão é óbvia: Jesus é esse que venceu a morte; portanto, é o filho de David, o herdeiro do trono ideal de David, o Messias que Israel esperava.

Temos aqui, portanto, o testemunho da comunidade cristã sobre Jesus, o Messias, enviado ao mundo para cumprir o plano de Deus – isto é, para libertar os homens e para instaurar um Reino de justiça, de abundância, de paz. A vitória de Jesus sobre a morte e a sua exaltação atestam que Ele é esse Messias, enviado por Deus com uma proposta de salvação para os homens. Os cristãos são as testemunhas disto diante de todo o mundo. Por agora, esse testemunho é dado em Jerusalém; mas Lucas irá descrever, ao longo do livro dos Atos, a forma como o anúncio sobre Jesus irá conquistando o mundo, até atingir o próprio coração do império (Roma).

ATUALIZAÇÃO

• O nosso texto insiste numa mensagem que, nestes dias, aparece com grande insistência: Deus ressuscitou Jesus e não permitiu que a morte O derrotasse… A ressurreição de Cristo prova que uma vida gasta ao serviço do plano do Pai, na entrega aos homens, não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à exaltação, à vida plena. É conveniente lembrarmos isto, sempre que nos sentirmos desiludidos, decepcionados, fracassados, derrotados, criticados, por gastarmos a vida numa dinâmica de serviço, de entrega, de amor. Uma vida que se faz dom nunca é um fracasso; uma vida vivida de forma egoísta e auto-suficiente, à margem de Deus e dos outros, é que é fracassada, pois não conduz à vida em plenitude.

• Uma outra ideia, que está bem vincada no nosso texto, é a do testemunho… Pedro é o porta-voz de uma comunidade que conheceu e apreendeu a proposta de salvação que Cristo veio oferecer e que se sente, agora, investida da missão de dar testemunho dela diante dos homens – de todos os homens. A Igreja – da qual fazemos parte – é hoje, no mundo, a testemunha da proposta de salvação que Cristo fez; ela deve dizer a todos os homens o que aconteceu com Cristo e como Ele mostrou que a vida plena resulta do amor e do dom da vida. Sentimo-nos investidos dessa missão? Os homens desiludidos e desorientados encontram em nós – testemunhas de Cristo ressuscitado – uma proposta de vida definitiva e de realização plena? Somos nós que contaminamos o mundo e lhe oferecemos uma alternativa à desilusão, ou é o mundo que nos convence a viver de acordo com valores diferentes dos de Jesus?

 

2ª leitura – 1 Pedro 1,17-21 – AMBIENTE

Já vimos no passado domingo que a Primeira Carta de Pedro é um texto dirigido aos cristãos de cinco províncias romanas da Ásia Menor, provavelmente na parte final do séc. I (talvez pelos anos 80). Trata-se de comunidades do meio rural, pobres e altamente vulneráveis, nesse contexto de hostilidade que começa a manifestar-se cada vez mais contra os cristãos. As violentas e organizadas perseguições de Domiciano (que se traduzirão, para os cristãos, em massacres, torturas e sofrimentos indizíveis) estão já no horizonte próximo (década de 90).
Neste contexto, o autor da Carta exorta os crentes a manterem a fidelidade à sua fé, apesar da hostilidade atual e dos sofrimentos futuros. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experiência da paixão e da cruz, antes de chegar à ressurreição; e exorta-os a manterem a esperança, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coragem, coerência e fidelidade a sua opção cristã.

MENSAGEM

O nosso texto é, precisamente, uma exortação a viver na santidade ("vivei no temor" – diz o texto; o "temor" define, no Antigo Testamento, a obediência, a confiança, a entrega a Deus a Deus) "durante o tempo de exílio neste mundo" (v. 17).

Para tornar mais marcante a exortação, o autor apresenta aos crentes a razão pela qual eles são convidados a viver na santidade: Deus pagou um alto preço para os resgatar da antiga maneira de viver… E esse preço não foi pago com ouro ou com prata, mas com o sangue precioso de Cristo, derramado na cruz.

O autor utilizado neste contexto é o verbo "lytróô" ("resgatar"). Trata-se de um verbo usado no grego profano para designar a libertação de uma pessoa (nomeadamente de um escravo), mediante o pagamento de uma certa quantia. No Antigo Testamento, no entanto, o verbo é usado para designar a libertação levada a cabo por Jahwéh, em favor do seu Povo – do cativeiro egípcio (cf. Dt. 7,8; 15,15) do exílio babilônico (cf. Es. 41,14; 43,1) ou do pecado (cf. Sal. 130,8). Em algumas passagens, assume o sentido de "adquirir", implícito na ideia de redenção: Jahwéh resgata Israel para que ele passe a ser o Povo de Deus (cf. 2Sm. 7,23; 1Cr. 17,21), a tribo da sua herança (cf. Sal. 74,2). Dizer que Deus "resgata", contudo, não significa acentuar a ideia de um "pagamento" (Deus não paga nenhuma soma para "resgatar" o seu Povo), mas significa acentuar a questão da libertação: Deus, no seu amor, liberta Israel da escravidão e do pecado e faz dele um Povo consagrado ao seu serviço.

É neste ambiente que devemos entender a afirmação do autor da Primeira Carta de Pedro. Aliás, a tipologia do Êxodo/libertação está bem expressa na referência (v. 19) ao "cordeiro sem defeito e sem mancha" (qualidades do "cordeiro pascal", segundo Ex. 12,5), que recordava a noite gloriosa da libertação da escravidão do Egito. A questão é esta: Deus amou de tal forma os homens que enviou ao mundo o próprio Filho (o "cordeiro" da libertação) com uma proposta de salvação e de vida nova para o Povo de Deus. O egoísmo e o pecado não acolheram essa proposta de salvação e mataram Jesus: esse foi o "preço" do amor de Deus e da sua vontade de nos fazer chegar à vida plena. Mas a morte de Jesus não foi em vão: da sua fidelidade à missão do Pai, do dom da sua vida, nasceu uma comunidade de homens novos, que acolheram a proposta de Jesus e que aceitaram caminhar ao encontro da vida plena.

O cristão é, pois, convidado a contemplar o plano de salvação que Deus quer concretizar em favor do homem e que leva Jesus (o Filho de Deus) a morrer na cruz. Constatando a grandeza do amor de Deus e a sua vontade salvífica, o homem aceita renascer para uma vida nova e santa (mesmo no meio das dificuldades e perseguições). Dessa forma, nascerá um Povo novo, consagrado ao serviço de Deus.

ATUALIZAÇÃO

• O nosso texto convida-nos, antes de mais, a contemplar o imenso amor de Deus pelos homens. Esse amor traduziu-se no envio do próprio Filho (Jesus Cristo), com uma proposta de salvação. Da fidelidade do Filho ao projeto do Pai resultou o seu confronto com o egoísmo e o pecado e a morte na cruz. Não há maior expressão de amor do que entregar a vida em favor de alguém; e é dessa forma que Deus nos ama. Temos consciência disso?

• Da contemplação do amor de Deus tem de resultar uma resposta nossa. Segundo o autor da Primeira Carta de Pedro, essa resposta deve traduzir-se numa conduta nova de obediência a Deus, de entrega incondicional nas mãos de Deus, de adesão completa aos seus planos, valores e projetos. O amor de Deus inspira-me e motiva-me para viver – com coerência e fidelidade – os seus valores?

• O mundo em que vivemos potencia mais o egoísmo e a auto-suficiência do que o amor e a doação… Os homens do nosso tempo vivem, de forma geral, voltados para si mesmos, para os seus pequenos interesses pessoais e para a realização imediata dos seus sonhos, desejos e prioridades. Nós, os crentes, no entanto, somos convidados a viver e a anunciar a lógica de Deus, que é a lógica do amor e da entrega da vida até às últimas consequências. Qual é a lógica que domina a minha vida e que eu transmito nas minhas palavras e nos meus gestos: a lógica do amor, da entrega, da doação até às últimas consequências, ou a lógica do egoísmo, do orgulho, do amor-próprio?

 

Evangelho: Lc. 24,13-35 – AMBIENTE

A história que o Evangelho deste domingo nos apresenta é exclusiva de Lucas: nenhum outro evangelista a refere. O texto põe-nos a caminhar com dois discípulos de Jesus que, no dia de Páscoa, vão de Jerusalém para Emaús.

De acordo com o autor do nosso texto, os dois homens dirigiam-se para uma aldeia chamada Emaús, a sessenta estádios de Jerusalém (cerca de 12 quilômetros). Uma localidade com esse nome, a essa distância de Jerusalém é, no entanto, desconhecida… Pensou-se que o texto poderia referir-se a Amwas, uma localidade situada a cerca de trinta quilômetros a oeste de Jerusalém (alguns manuscritos antigos não falam de sessenta estádios, mas de cento e sessenta estádios, o que nos colocaria no sítio certo); no entanto, parece ser uma distância excessiva para percorrer num dia, sem paragens e a conversar despreocupadamente.

Os comentadores destacaram, muitas vezes, a intenção teológica deste relato. Que é que isto significa? Significa que não estamos diante de uma reportagem jornalística de uma viagem geográfica, mas de uma catequese sobre Jesus. O que interessa ao autor não é escrever um relato lógico e coerente (se Lucas estivesse preocupado com a lógica e com a coerência, teria mais cuidado com a situação geográfica de Emaús; e, certamente, explicaria melhor algumas incongruências do texto – nomeadamente porque é que estes discípulos partiram para a sua aldeia na manhã de Páscoa sem investigar os rumores de que o túmulo estava vazio e Jesus tinha ressuscitado). O que interessa ao autor é explicar aos cristãos para quem escreve – na década de 80 – como é que podem descobrir que Jesus está vivo e como podem fazer a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. Trata-se, portanto, de uma página de catequese, mais do que a descrição fiel de acontecimentos concretos.

MENSAGEM

A cena coloca-nos, em primeiro lugar, diante de dois discípulos que vão a caminho de Emaús. Um chama-se Cléofas; o outro não é identificado (como se Lucas quisesse dizer que podia ser "qualquer um" dos crentes que tomam conhecimento da história). Os dois estão, nitidamente, tristes e desanimados, pois os seus sonhos de triunfo e de glória ao lado de Jesus ruíram pela base, aos pés de uma cruz. Esse Messias poderoso, capaz de derrotar os opressores, de restaurar o reino grandioso de David ("nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel") e de distribuir benesses e honras aos seus colaboradores diretos revelou-se, afinal, um "bluff", um rotundo fracasso. Em lugar de triunfar, deixou-Se matar numa cruz; e a sua morte é um fato consumado pois "é já o terceiro dia depois que isto aconteceu" (o "terceiro dia" após a morte é o dia da morte definitiva, do não regresso do túmulo). Abandonam a comunidade – que, doravante, não parece fazer qualquer sentido – e regressam à sua aldeia, dispostos a esquecer o sonho, a pôr os pés na terra e a enfrentar, de novo, uma vida dura e sem esperança. A discussão entre eles a propósito de "tudo o que tinha acontecido" (v. 14) deve entender-se neste enquadramento: é essa partilha solidária dos sonhos desfeitos que torna menos doloroso o desencanto.

Na sequência, o autor do relato introduz no quadro uma nova personagem: Jesus. Ele faz-se companheiro de viagem destes discípulos em caminhada, interroga-os sobre "o que se passou nestes dias" em Jerusalém, escuta as suas preocupações, torna-se o confidente da sua frustração.

Os dois homens contam a história do "mestre" cuja proposta os seduziu; mas a versão que contam termina no túmulo: falta, na sua descrição, a fé no Senhor ressuscitado – ainda que conheçam a tradição do túmulo vazio.

Para responder às inquietações dos dois discípulos e para lhes demonstrar que o projeto de Deus não passava por quadros de triunfo humano, mas pelo amor até às últimas consequências e pelo dom da vida, "começando por Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito".

É na escuta e na partilha da Palavra que o plano salvador de Deus ganha sentido: só através da Palavra de Deus – explicada, meditada e acolhida – o crente pode perceber que o amor até às últimas consequências e o dom da vida não são um fracasso, mas geram vida nova e definitiva. A escuta da Palavra de Deus dá a entender ao crente a lógica de Deus e demonstra-lhe que a vida oferecida como dom não é perdida, mas é semente de vida plena. Os discípulos percebem, então, que "o messias tinha de sofrer tudo isso para entrar na glória": a vida plena e definitiva não está – de acordo com os esquemas de Deus – nos êxitos humanos, nos tronos, no poder; mas está no serviço simples e humilde aos irmãos, no dom da vida por amor, na partilha total daquilo que somos e que temos com os irmãos que caminham lado a lado conosco nos caminhos da vida.

Os três (Jesus, Cléofas e o discípulo não identificado) chegam, finalmente, a Emaús. Os discípulos continuam a não reconhecer Jesus, mas convidam-n'O a ficar com eles. Ele aceita e sentam-se à mesa. Enquanto comiam, Jesus "tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho". As palavras usadas por Lucas para descrever os gestos de Jesus evocam a celebração eucarística da Igreja primitiva. Dessa forma, Lucas recorda aos membros da sua comunidade que é possível encontrar Jesus vivo e ressuscitado – esse Jesus que por amor enfrentou a cruz, mas que continua a fazer-Se companheiro de caminhada dos homens nos caminhos da história – na celebração eucarística dominical: sempre que os irmãos se reúnem em nome de Jesus para "partir o pão", Jesus lá está, vivo e atuante, no meio deles.

A última cena da nossa história põe os discípulos a retomar o caminho, a regressar a Jerusalém e a anunciar aos irmãos que Jesus está, efetivamente, vivo.

Quando Lucas escreve o seu Evangelho (década de 80), a comunidade cristã defrontava-se com algumas dificuldades. Tinham decorrido cerca de cinqüenta anos depois da morte de Jesus, em Jerusalém. A catequese dizia que Ele estava vivo; mas no dia a dia de uma vida monótona, cansativa e cheia de dificuldades, era difícil fazer essa experiência. As testemunhas oculares de Jesus tinham já desaparecido e os acontecimentos da paixão, morte e ressurreição pareciam demasiado distantes, ilógicos e irreais. "Se Jesus ressuscitou e está vivo, como posso encontrá-l'O? Onde e como posso fazer uma verdadeira experiência de encontro real com esse Jesus que a morte não conseguiu vencer? Porque é que Ele não aparece de forma gloriosa e não instaura um reino de glória e de poder, que nos faça triunfar definitivamente sobre os nossos adversários e detratores?" – perguntavam os crentes das comunidades lucanas.

É a isto que o catequista Lucas vai procurar responder. A sua mensagem dirige-se a esses crentes que caminham pela vida desanimados e sem rumo, cujos sonhos parecem desfazer-se ao encontro da realidade monótona e difícil do dia a dia.

Lucas diz: nós, homens, podemos ter devaneios de grandezas e sonhar com intervenções espetaculares e decisivas de Deus na história humana; mas esses não são os esquemas de Deus… Não será numa intervenção desse tipo que encontraremos Jesus, vivo e ressuscitado. No entanto, Ele está vivo e caminha ao nosso lado nos caminhos do mundo. Às vezes, não conseguimos reconhecê-l'O, pois os nossos corações estão cheios de perspectivas erradas acerca do que Ele é, dos seus métodos e do que Ele pretende; mas, apesar de tudo, Ele faz-Se nosso companheiro de viagem, caminha conosco passo a passo, alimenta a nossa caminhada com a esperança que brota da sua Palavra, faz-Se encontrar na partilha comunitária do pão (Eucaristia).

Na catequese lucana aparece, sobretudo, a ideia de que é na celebração comunitária da Eucaristia que os crentes fazem a experiência do encontro com Jesus vivo e ressuscitado. A nossa narração apresenta o esquema litúrgico da celebração eucarística: a liturgia da Palavra (a "explicação das Escrituras" – que permite aos discípulos entenderem a lógica do plano de Deus em relação a Jesus) e o "partir do pão" (que faz com que os discípulos entrem em comunhão com Jesus, recebam d'Ele vida e que O reconheçam nesses gestos que são o "memorial" do dom da vida e da entrega aos homens).

Há ainda uma última mensagem: depois de fazer a experiência do encontro com Cristo vivo e ressuscitado na celebração eucarística, cada crente é, implicitamente, convidado a voltar à estrada, a dirigir-se ao encontro dos irmãos e a testemunhar que Jesus está vivo e presente na história e na caminhada dos homens.

ATUALIZAÇÃO

• Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostamos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Então, parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte… No entanto, a catequese que Lucas nos propõe hoje garante-nos que Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro – mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer – e de encher o nosso coração de esperança.

• Como é que Ele nos fala? Como é que Ele faz renascer em nós a esperança? Como é que Ele nos passa esse suplemento de entusiasmo que nos permite continuar? Lucas responde: é através da Palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada, acolhida no coração, que Jesus nos indica caminhos, nos aponta perspectivas novas, nos dá a coragem de continuar, depois de cada fracasso, a construir uma cidade ainda mais bonita. Que lugar é que a Palavra de Deus desempenha na minha vida? Tenho consciência de que Jesus me fala e me aponta caminhos de esperança através da sua Palavra?

• Quando é que os olhos do nosso coração se abrem para descobrir Jesus, vivo e atuante? Lucas responde: é na partilha do Pão eucarístico. Sempre que nos sentamos à mesa com a comunidade e partilhamos o pão que Jesus nos oferece, damo-nos conta de que o Ressuscitado continua vivo, caminhando ao nosso lado, alimentando-nos ao longo da caminhada, ensinando-nos que a felicidade está no dom, na partilha, no amor. Sempre que nos juntamos com os irmãos à volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o serviço, encontramos o Ressuscitado a encher a nossa vida de sentido, de plenitude, de vida autêntica.

• E quando O encontramos? Que fazer com Ele? Lucas responde: Temos de levá-l'O para os caminhos do mundo, temos de partilhá-l'O com os nossos irmãos, temos de dizer a todos que Ele está vivo e que oferece aos homens (através dos nossos gestos de amor, de partilha, de serviço) a vida nova e definitiva.

P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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O coração a arder

Naquele pedaço de estrada que vai de Jerusalém a Emaús Jesus dá-nos um tratado de pedagogia e educação. Se há momentos em que Jesus se revela como Mestre, este é um deles. E quando recordamos os mestres da nossa vida, professores e outros, vemos como muita riqueza daquilo que somos se deve tanto ao que eles foram para nós! Apareceram no nosso caminho, escutaram as nossas questões profundas, abriram-nos o pensamento e fizeram arder o coração pelo conhecimento, transmitiram o saber com a própria vida. Que Jesus me perdoe esta ousada comparação, mas todo o aprender também culmina na entrega de vida que se celebra.   

Quase a terminar o ano escolar em que o terceiro período é um "vê se te avias", pelo curto tempo de aulas, pego no pequeno livro do professor António Estanqueiro sobre o papel dos professores, intitulado "Boas Práticas na Educação", e sinto-me a refazer o caminho de Emaús. Nele ressalta logo a voz de alguns dos mil testemunhos de alunos do 12º ano de várias escolas, que relatam experiências positivas e negativas da sua relação com os professores. Com uma simplicidade de linguagem e uma experiência profunda, o autor guia professores e educadores numa reflexão prática na missão de "formar pessoas, despertar vocações e construir futuros". Sem ceder à tentação do facilitismo diz: "O papel do professor é formar o aluno e prepará-lo para as exigências da vida, não é aumentar o sucesso estatístico, tão desejado pelos governantes!"

"Fazer arder o coração" poderia ser o belo nome de educar e também de evangelizar. Antes dos conteúdos interessam as pessoas e o cuidado com que se escutam os seus anseios, as dúvidas, as confianças feridas. É preciso fazer caminho lado a lado, descer de alguns pedestais ou carruagens. Não se ajuda a crescer à distância nem à pressa. Não se educa nem se evangeliza sem um amor verdadeiro àqueles com quem nos propomos fazer caminho. E é um caminho de cumplicidade, que vai propondo pistas de reflexão, que traz novos pontos de vista, que semeia desejo de saber mais, que faz ousar o convite: "Fica connosco!". Não podemos levar o bom professor ou professora para nossa casa mas, de algum modo, ele não habita a casa interior de cada um? E poderei dizer-me cristão se não convidar Jesus ao mais íntimo de mim mesmo, a esta casa onde só deixo entrar quem amo?

As palavras consumam-se no gesto. Se no aprender essa consumação é conhecimento adquirido, formação global, crescimento humano, no evangelho transmitido ela é entrega de vida,

pão partido sinal de um amor até ao fim, fogo aceso na noite para levar a outros a feliz notícia. O encontro com a verdade é sempre encontro com o profundo de nós mesmos e com Deus que caminha e se senta connosco à mesa da alegria! Vamos lá fazer arder os corações?

padre Vítor Gonçalves

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De Emaús ao mundo

De Emaús ao mundo: para anunciar a experiência do Ressuscitado

A experiência pascal dos dois discípulos de Emaús apresenta-se em duas etapas bem claras, que se encontram no caminho espiritual de muitas pessoas. Trata-se de uma experiência exemplar, emblemática. O evangelista construiu toda a sua narração à volta da imagem do caminho: um caminho de ida e um de regresso. Um caminho que afasta de Jerusalém (com sentimentos de desilusão, tristeza, isolamento...) e um caminho de regresso (com os olhos abertos, coração ardente, passo acelerado, alegria de levar uma 'bela notícia'...). O texto de S. Lucas indica também uma clara metodologia missionária e catequética, onde se podem entrever as etapas do método pastoral: ver, julgar, agir, celebrar...

 - 1. A experiência parte de uma realidade de desilusão e de derrota: os dois discípulos, incapazes, como os outros, de descobrir o sentido dos acontecimentos daquela Páscoa, isolam-se afastando-se do grupo (V. 13-14), com um rosto triste (v. 17), "nós esperávamos... mas já lá vão três dias" (v. 21)...

- 2. A mudança de cenário acontece com a chegada de um viandante, que se revela ignorante dos acontecimentos daqueles dias (v. 15-18). Os dois aceitam partilhar a viagem com ele e escutam-no. Entram assim na fase da iluminação sobre os acontecimentos, feita pelo próprio Jesus, que lhes explica "em todas as Escrituras aquilo que se referia a Ele (v. 27).

- 3. Agora estão preparados para a celebração e a contemplação: o coração dos dois discípulos arde (v. 32); rezam juntos ao Ressuscitado: "Fica conosco" (v. 29); encontram-se à mesa, juntos (v. 30); Jesus realiza o gesto ritual de tomar o pão, recita a bênção, parte-o e o dá (v. 30); abrem-se os seus olhos e eles reconhecem-no (v. 31).

- 4. E finalmente chega o momento de agir, a hora da missão: partem sem demora de regresso a Jerusalém, como que movidos por uma força imperiosa que nasce do encontro com Jesus. Juntam-se à comunidade dos outros discípulos e comunicam uns aos outros as respectivas experiências com o Ressuscitado (v. 33-35). Agora, os discípulos estão certos de que Cristo ressuscitou e eles são todos  suas testemunhas, como Pedro proclama corajosamente (I leitura) la praça de Jerusalém, naquela manhã de Pentecostes (v. 32).

O que mudou? O caminho de Jerusalém a Emaús, o panorama, os quilômetros da ida e da volta, os acontecimentos da morte de Jesus e top sepulcro vazio... Os fatos continuam a ser os mesmos. Mas agora há uma perspectiva nova (a fé), mudou definitivamente a maneira de os ver e viver. "A narração evangélica atribui a transformação à explicação das Sagradas Escrituras... O itinerário revelado na palavra de Jesus cruza-se com a viagem desolada do regresso dos dois discípulos e transforma-o em caminho de esperança, um progressivo aproximar-se ao projeto de Deus, uma peregrinação em direção à Páscoa, a Eucaristia, a Igreja, a missão até aos últimos confins da terra" (Carlo M. Martíni).

Fica conosco, porque anoitece" (v. 29). É a primeira e a mais comovente oração que a comunidade cristã dirige a Jesus ressuscitado. O papa João Paulo II escreveu uma carta apostólica usando estas mesmas palavras como título, comentando em chave eucarística e missionária o episódio dos dois discípulos de Emaús, e apresentando a Eucaristia como mistério de luz, nascente e epifania de comunhão, princípio e projeto de missão. Deixamo-nos guiar pelo papa, que na carta Mane Nobiscum Domine (Fica conosco, Senhor) põe em evidência o dinamismo missionário que nasce da Eucaristia.

 Palavra do Papa

«Partiram imediatamente» (Lc. 24,33)... "Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu corpo e do seu sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar... A despedida no final de cada Missa constitui um mandato, que impele o cristão para o dever de propagação do Evangelho e de animação cristã da sociedade. Para tal missão, a Eucaristia oferece não apenas a força interior, mas também em determinado sentido o projeto (MND 24-25)... O cristão, que participa na Eucaristia, dela aprende a tornar-se promotor de comunhão, de paz, de solidariedade, em todas as circunstâncias da vida" (João Paulo II - Carta apostólica Mane Nobiscum Domine (2004) n. 24-25.27)

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Domingo, 08 de Maio de 2011

Evangelho - Lc 24,13-35

Reconheceram Jesus ao partir o pão.

Este Evangelho, da quarta-feira da oitava da Páscoa, narra a cena do encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús. Após a morte de Jesus, a tristeza tomou conta dos discípulos. E junto com ela veio o desânimo. Estes dois discípulos estavam desistindo da vida em Comunidade e voltando para as suas casas. Jesus, apesar de não ser mais a sua vez de se manifestar na terra desta forma, resolveu dar um apoio à Igreja nascente, aparecendo fisicamente. Ele chega e entra no meio da conversa dos dois, mostrando a forma correta de encarar os fatos, que é à luz das Sagradas Escrituras. Os discípulos estavam tão abatidos que nem perceberam que era o próprio Jesus. O acolhimento ao desconhecido foi bonito: "Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chagando!" E a recompensa ao gesto de caridade foi generosa: "Reconheceram Jesus ao partir o pão".

Recuperam a alegria, e junto com ela o ânimo, voltando imediatamente para a Igreja, a Comunidade cristã.

O que Jesus quis dizer é que ele não desapareceu, mas continua presente no meio dos seus discípulos, agora na Eucaristia, que no começo da Igreja era chama de "O partir do pão".

Os discípulos estavam desanimados e até desistindo da Comunidade cristã. O motivo eles mesmos falaram: "Nós pensávamos que ele fosse libertar Israel..." Jesus veio realmente libertar, não só Israel mas toda a humanidade. Entretanto, não é assim, de mão beijada; Deus quer fazer as coisas junto conosco e através de nós.

"Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?" A Bíblia é a nossa força, a nossa luz na caminhada. Ela nos ajuda a entender os fatos e nos mostra a resposta certa a cada situação. Se aqueles discípulos lessem a Bíblia, talvez não tivessem desanimado.

Mas é na Eucaristia que os nossos olhos se abrem e encontramos forças para continuar a caminhada. A Missa realimenta a nossa fé, e nos dá o dom do discernimento, mesmo no meio das maiores provações.

Logo que os olhos dos discípulos se abriram, Jesus desapareceu da frente deles. Com isso ele quis dizer: eu já estou com vocês na Eucaristia. Por que caminhar tristes, referindo-se a mim como alguém do passado, se estou no meio de vocês na Eucaristia?

Imediatamente eles "se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros". A Eucaristia nos integra ou reintegra na Comunidade cristã. Nenhum motivo justifica o afastamento da Comunidade. Temos um compromisso com ela, feito no batismo, mais forte que o compromisso matrimonial. É um compromisso na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até o fim da nossa vida.

Ao longo das nossas viagens, cercadas às vezes de inquietações, o divino viajante continua a fazer-se nosso companheiro, a fim de nos instruir. Depois que Jesus subiu para o céu, não age mais dessa forma, manifestando-se fisicamente. Entretanto, em seu poder divino, Jesus usa de mil outras maneiras. Geralmente socorre os cristãos através dos próprios cristãos. O que ele não quer é ver ninguém desanimado, e muito menos se afastando da Comunidade.

E quando e encontro se torna pleno, à luz da Palavra de Deus, segue-se a luz que brota do próprio Jesus, presente no pão da vida.

"A Comunidade é força de Deus. Lugar abençoado onde moram os filhos seus."

Certa vez, um pai de família fez o Cursilho de Cristandade e chegou entusiasmado em casa. Na hora da refeição, ele disse: "De hoje em diante, nós vamos rezar todos os dias antes da refeição. Sou eu que vou puxar a oração".

Assim fizeram durante vários dias. Num domingo, veio um amigo dele visitá-lo, o qual não era muito de Igreja. Quando chegou a hora do almoço, o pai ficou com vergonha de rezar na frente do amigo, e simplesmente convidou o amigo para se sentar e começar a comer.

O seu filhinho de cinco anos disse: "Paiê, o senhor não disse que ia rezar todos os dias antes da refeição?" O pai deu um sorrisinho amarelo e acabou rezando, na frente do amigo.

Bem feito! Quem manda ter respeito humano e desobedescer a Deus por causa da presença de um amigo! Sinal que a sua fé, apesar de renovada no Cursilho, ainda precisava alguns retoques. E o alerta veio através da inocência de uma criança. "Quem não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele!"

"A família que reza unida permanece unida." Isso vale também para a Família de Deus. Se perseverarmos na oração, nunca nos afastaremos da Comunidade.

Maria Santíssimo nunca se afastou da Comunidade. Pelo contrário, lá estava ela apoiando a Igreja nascente. Mãe da Igreja, rogai por nós! Que tenhamos a graça de perseverar na vida em Comunidade, e nunca desistir, como queriam fazer aqueles dois discípulos de Emaús.

Reconheceram Jesus ao partir o pão.

 

Padre Queiroz

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Evangelho - Lc 24,13-35

"RECONHECERAM-NO AO PARTIR O PÃO"

Reconheceram-no ao partir o pão. E como poderiam não reconhecê-Lo, se sempre estiveram lado a lado nos mais diversos momentos de discipulado: evangelizando, pregando, profetizando, testemunhando e anunciando a Boa Nova do Senhor Jesus? Afinal, "Discípulo e Mestre" estão em comunhão, ou supõe-se que devam estar!

Mas o evangelista Mateus narra que, num primeiro momento, os dois discípulos apenas rememoravam o acontecido com o Mestre; pareciam consternados com tudo o que haviam vivido e presenciado naquela semana que antecedera a Páscoa, culminando com a morte de Jesus.

Mateus relata que a tristeza era tanta que eles estavam como que cegos: nada viam; não se davam conta de que ali se encontrava o Messias – aquele que fora vilipendiado, cuspido, açoitado, pregado numa cruz, morto e com eles ali, naquele instante, ressuscitado. Não o reconheceram de imediato, Ele era apenas mais um caminhante ao lado deles!

Atentemos então para o não reconhecimento, de imediato, da pessoa de Jesus naquele peregrino que caminhava com os seus próprios discípulos, e que à pergunta advinda dele sobre o que conversavam, ouve dos discípulos a revelação: "Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?" E prosseguem lamentando a crucificação de Jesus: "'O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram..."

Narrando, parte por parte, tudo o que acontecera com Jesus, os dois discípulos – num gesto de hospitalidade – convidam o peregrino para entrar, pois já estava tarde; a noite se achegava.

Jesus peregrino então senta com eles à mesa, gesto de comunhão característico da partilha com os irmãos, e naquela mesma atitude de tomar o pão em suas mãos, olha para o céu, abençoa o alimento e parte o pão, dividindo-o entre eles.

Eis que os discípulos caem em si, são libertos daquela cegueira e reconhecem que o peregrino que está ao lado deles é Jesus. Quão glorioso deveria ter sido esse encontro dos discípulos de Emaús com o mestre Jesus!

Jesus, entretanto, viera mesmo para dar cumprimento à sua missão, por isso retorquira: "Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?"

Jesus divino estivera sempre a serviço do Pai e precisava, pois, partir. Mas não sem antes partir o pão, que era Ele próprio como alimento perene. "Partir o pão" – gesto de doação e serviço; gesto sagrado da partilha do alimento de cada dia, exatamente como Jesus ensinava e fazia. Ele partia e repartia não apenas o pão material, mas também o pão espiritual que se proliferava qual fermento na massa num dia de calor, transbordante de amor incondicional.

Esse ato de partir o pão evoca em cada um de nós aquela melodia do Padre Zezinho, intitulada "Daqui do meu lugar", expressando brilhantemente a necessidade do pão para o sustento vital do ser humano, bem como o profundo significado desse pão – Jesus Cristo – na caminhada missionária de cada homem, de cada mulher.

Observemos atentamente as palavras dessa música do Padre Zezinho, constatando que dela brota uma fervorosa oração de comunhão com Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo: a Trindade Santíssima.  profundidade do significado do p intitulada "na massa num dia de calor: transbordando de amor incondicional.

ando e

 

"Daqui do meu lugar, eu olho teu altar,
E fico a imaginar aquele pão aquela refeição,
Partiste aquele pão e o deste aos teus irmãos,
Criaste a religião do pão do céu do pão que vem do céu,
Somos a igreja do pão,
Do pão repartido e do abraço e da paz,
Somos a igreja do pão,
Do pão repartido e do abraço e da paz,
Daqui do meu lugar,
Eu olho o teu altar,
E fico a imaginar aquela paz aquela comunhão,
Viveste aquela paz,
E a deste aos teus irmãos,
Criaste a religião do pão do céu do pão que vem do céu".

E nós, cristãos, do lugar em que estamos agora, podemos também reconhecer Jesus "vivo" em nosso viver? Olhamos para Jesus Cristo, reconhecendo-O como o pão estritamente necessário, sustentáculo nesta contemporaneidade?  Vivemos, somos a igreja do pão repartido e do abraço e da paz? Ou ficamos apenas a imaginar aquele pão, aquela refeição, aquela paz, aquela comunhão? Imaginamos, apenas, toda esta religião cristã?

Que Maria, mãe de Jesus e da Igreja, interceda por todos nós junto ao seu Filho Jesus, para que possamos ver e sentir Jesus em cada irmão que sofre por exclusão material ou espiritual. Que tenhamos a graça de experimentar e testemunhar o mesmo sentimento dos discípulos, quando a presença de Jesus peregrinava com eles, reacendendo seus corações e declarando: "Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?"

Outros discípulos também O viram. Que conosco assim seja! Amém!

Abraços fraternos.

Nancy – professora

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"Caminha conosco Jesus!" – Claudinei Oliveira

 

Quarta - Feira,  27 de Abril de 2011.

 

Evangelho –  Lc 24,13-35

 

            O evangelista Lucas narra o caminhar de Jesus com seus discípulos para o povoado de Emaús distante alguns quilômetros de Jerusalém. Nesta caminhada seus discípulos não perceberam que o viajante que os acompanhava era o Mestre. Meios perdidos por causa da dor, estavam cegos e não percebiam que ao seu lado estava o Grande filho de Deus. Porém, Jesus coloca-se ao seu lado para garantir a força na caminhada e na crença de que os ensinamentos devem perpassar gerações sempre objetivando preparar para o Reino de Paz e Justiça.

 

            Jesus percebendo que seus dois discípulos não se convenciam da tragédia entra no diálogo e pergunta: 'O que ides conversando pelo caminho?' Jesus está provocando um entendimento. Meio triste um deles chamado Cléofas lhe disse: 'Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?'  Então Jesus interpela:  'O que foi?' Veja a resposta longa aferida pelos discípulos: 'O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu.'

 

            A insatisfação pela morte de Jesus era notória nos rostos dos amigos e discípulos.  Ninguém queria acreditar no que tinha acontecido. Mas a dor era tamanha que chegavam a descrever tudo o que tinha acontecido, porém era incapazes de perceber  a presença de Jesus em seu meio. Jesus caminhando com seus discípulos pela estrada é o Jesus ainda ensinado seus fieis a caminhar rumo a terra prometida. É o Jesus peregrino que pede para não parar sua obra de levar os bons ensinamentos para todos. É o Jesus viajante levando novos ares e novas perspectivas de vida. É um Jesus caridoso que não abandona seus escolhidos de forma alguma.

 

            Ao revelar que era Jesus, os corações dos discípulos encheram de alegria. Mesmo desconfiando de que havia sentido palpitações diferentes no caminhar com Aquele estranho, só sentiram a plena certeza do anuncio das mulheres quando Jesus partiu o pão. A fala não poderia ser outra: ficai conosco Jesus. Não os abandone, permanece conosco, porque sua presença nos guarda de todo o perigo.

 

            Pedimos, caros leitores, a presença de Cristo em nosso meio. Oramos por ele e clamamos para permanecer conosco sempre. Como é bom estar perto de Jesus e poder contar com ele em todas as situações. Mesmo, às vezes, não enxergamos sua força divina ou não querendo vê-lo, jamais ficaremos sozinhos. Este Deus é teimoso por amar tanto seus filhos, mas os filhos são teimosos em querer distanciar da verdade.

 

            O que precisamos é fazer como os discípulos sair por ai falando deste Deus e denunciando as injustiças que tanto faz o povo de sofrer. A garantia da presença do Salvador em todos os momentos está confirmada, então, porque não começamos a falar de Jesus. Garanto que tem muita gente querendo ouvir você. Vá à luta. Deus lhe dá sabedoria e inteligência. O convite está feito. Abraça a causa. Amém.


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Claudinei M. de Oliveira

 

Tenha a Paz de Cristo em seu Coração!

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Reconheceram-no ao partir o pão

Domingo, 8 de maio de 2011

3º Domingo da Páscoa

Santos do Dia: Acácio de Bizâncio (mártir), Bento II (papa), Bonifácio IV (papa), Desiderato de Bourges (bispo), Dionísio de Viena (bispo), Heládio de Auxerre (bispo), Madalena de Canossa (fundadora), Odriano de Waterford (bispo), Pedro de Tarentaise (monge, bispo), Vítor, o Mouro (martirizado em Milão).

Primeira leitura: Atos dos Apóstolos 2, 14,22-33.
Não era possível que a morte o dominasse.
Salmo responsorial: 15, 1-2.5.7-1.
Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto de vós felicidade sem limites!
Segunda leitura: 1 Pedro 1, 17-21.
Fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo, cordeiro sem mancha.
Evangelho: Lucas 24, 13-35.


Na primeira leitura de Atos, encontramos Pedro pronunciando sua primeira pregação pós-pascal, dirigida, tanto aos judeus presentes, como a todos os habitantes de Jerusalém. O sermão é do tipo kerigmático, com a apresentação de três aspectos da vida de Jesus, que compõem a profissão de fé mais antiga do cristianismo: um Jesus histórico, confirmado por Deus com milagres, prodígios e sinais; sua morte a mando das autoridades judaicas e, finalmente, sua ressurreição, realizada por Deus para a salvação de toda a humanidade.

Pedro termina seu discurso com um selo de autenticidade: de tudo isto "nós somos testemunhas" (Atos 2,23). Crer em Jesus ressuscitado era reconhecê-lo como Messias, o que, segundo as Escrituras, abria portas para sua segunda vinda e no final dos tempos. Isto explica as atitudes de recolhimento e medo que leva os discípulos a se fecharem à base de chave.

Contudo, Pentecostes muda para sempre as coisas, pois antes do medo do fim do mundo, o Espírito indica que o mundo está apenas no começo e que a Igreja nascente tem o compromisso de contribuir na reconstrução deste mundo com a chave do amor. Assim começou a missão da Igreja, combinando os medos do fim do mundo, a alegria, o otimismo e o compromisso de fazer com que a cada manhã o mundo renasça com mais amor, mais justiça e paz.

A referencia à primeira comunidade cristã nos faz descobrir a importância que a práxis do amor e da solidariedade teve no surgimento do cristianismo. Não foi sem mais uma teoria, mas uma mudança de vida, uma práxis, uma transformação social, o que estava em jogo. Importante ter isso presente, quando tantos pensam que o cristianismo é questão de aceitação intelectual de um pacote de verdades, teorias e dogmas.

Na segunda leitura, o apóstolo Pedro convida a manter a fidelidade a Deus em situação de desterro, exclusão, marginalidade, porque Deus, em um novo Êxodo, nos liberta de uma sociedade submetida a leis injustas e desumanas, que protegem somente quem paga com ouro ou prata. Esta libertação foi assumida por Jesus com o selo de seu próprio sangue, como uma opção de amor, consciente e voluntária, pelos homens e mulheres do mundo inteiro.

O preço que devemos pagar a Jesus por tanto generosidade, não é com ouro e prata, mas dando vida aos irmãos que continuam morrendo, vítimas da injustiça e da desumanização. Isto será realmente "devolver com a mesma moeda".

No evangelho, os discípulos que não eram do grupo dos onze (v.33) dirigem-se a Emaús. Provavelmente trata-se de um homem e uma mulher, casados, (havia também mulheres discípulas), que retornavam à sua casa, frustrados por causa dos últimos acontecimentos da capital. Enquanto conversavam, Jesus se aproxima e começa a caminhar com eles, pois é o Emanuel. Porém, eles não conseguem reconhecê-lo, seus olhos estavam como que fechados.

Por quê? Porque no fundo ainda tinham a idéia de um messias profeta-nacionalista, que conquistaria o mundo inteiro para ser dominado pelas autoridades de Israel, um messias necessariamente triunfador. Por isso estavam vendo na cruz e na morte do mestre, o fracasso de um projeto no qual haviam posto suas esperanças.

Serão as Escrituras as primeiras sinais de esperança que Jesus coloca nos olhos do coração dos discípulos, para que possam ver e entender que não é com o triunfalismo messiânico, mas com o sofrimento do servo de Javé que se conquista o Reino de Deus; um sofrimento que não é masoquismo, mas um assumir conscientemente as conseqüências da opção de amar a humanidade, atitude difícil de entender em uma sociedade dominada pelo poder de domínio que mata a quem se interpõe no caminho. Pela vida, até dar a própria vida, é o testemunho de Jesus diante dos seus dois companheiros.

O relato dos discípulos de Emaús é uma peça belíssima, evidentemente teológica, literária. Não é, em absoluto, uma narração ingênua, direta, de um acontecimento, como se fosse um fato jornalístico. É uma composição elaborada, simbólica, que quer transmitir uma mensagem. E como todo símbolo, não leva consigo um manual de explicação, mas permanece "aberto", isto é, é suscetível de múltiplas interpretações. E a partir de cada novo contexto social, em cada novo momento da historia, os crentes podem confrontar-se com esses símbolos e deles extrair novas lições.

 

Missionários Claretianos

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JESUS APARECE AOS DISCÍPULOS DE EMAÚS

A liturgia deste III Domingo da Páscoa convida-nos a descobrir esse Cristo vivo que acompanha os homens pelos caminhos do mundo, que com a sua Palavra anima os corações magoados e desolados, que se revela sempre que a comunidade dos discípulos se reúne para "partir o pão"; apela, ainda, a que os discípulos sejam as testemunhas da ressurreição diante dos homens.

É no Evangelho, sobretudo, que esta mensagem aparece de forma nítida. O texto que nos é proposto põe Cristo, vivo e ressuscitado, a caminhar ao lado dos discípulos, a explicar-lhes as Escrituras, a encher-lhes o coração de esperança e a sentar-Se com eles à mesa para "partir o pão". É aí que os discípulos O reconhecem.

A primeira leitura mostra (através da história de Jesus) como do amor que se faz dom a Deus e aos irmãos, brota sempre ressurreição e vida nova; e convida a comunidade de Jesus a testemunhar essa realidade diante dos homens.

A segunda leitura convida a contemplar com olhos o projeto salvador de Deus, o amor de Deus pelos homens (expresso na cruz de Jesus e na sua ressurreição). Constatando a grandeza do amor de Deus, aceitamos o seu apelo a uma vida nova.

Comentário

Celebrar a Eucaristia no caminho da vida

A história dos dois de Emaús é já muito conhecida. O ponto de partida é um momento da história que talvez não gostemos de recordar. A cruz de Jesus produziu uma verdadeira debandada nas filas de seus seguidores. Os que tinham deixado tudo para segui-lo decidiram voltar a deixar tudo para começar de novo. A decepção, a desesperança, a sensação de fracasso instalaram-se em seus corações. E decidiram voltar-se sobre seus passos ao que eram e tinham dantes de conhecer Jesus. Tanto esforço não tinha valido a pena! Num momento, os chefes dos judeus e os romanos tinham convertido em pedaços o sonho do Reino. Não tinha nada que fazer!

Tudo isto é já conhecido. Não nos resulta difícil nos sentir identificados com estes dois discípulos que voltam desencantados a sua terrinha, que abandonam o sonho do Reino. Mas não é isso o melhor do relato. O melhor é que ao final os discípulos voltam sobre seus passos. Retornam a Jerusalém, lugar da cruz e a decepção, mas com o coração cheio de entusiasmo e de vida ("Não ardia nosso coração...?"), como fruto do encontro com um caminhante, com um desconhecido.

Aparece um caminhante

Simplificando, podemos dizer que se trata de um dos relatos da aparição de Jesus ressuscitado. Mas, como alguma outra, é um aparecimento misterioso. Jesus não é reconhecido à primeira vista - como foi possível que não lhe reconhecessem seus discípulos?-.
É só um caminhante com o qual eles tem um encontro casual, que escuta aos dois discípulos e compartilha com eles a trilha e a direção (para o fracasso?). O caminhante não tem nome nem rosto. É um mais. Caminha com eles. Escuta-lhes pacientemente. Depois intervém. Alumia-lhes o sucedido desde a Escritura. Falam, dialogam, compreendem... Ao longo do caminho.

Entretanto os discípulos não mudaram de direção em sua caminhada. Mas, ao menos, decidem que é tempo de fazer uma parada no caminho. É tempo de descansar, de deter-se, de compartilhar a ceia. Convidam ao desconhecido. Aí se produz o reconhecimento, ao partir o pão. Dão-se conta de que o que caminhou com eles, o que lhes falou, o que lhes partiu o pão, é Jesus mesmo.

Mas então desaparece. Não há mais Jesus visível. Os discípulos ficam sozinhos. Com suas forças. Com sua fé. Mas o pão e a palavra abriram-lhes à vida. O caminhante desconhecido tocou-lhes o coração e ajudou-lhes a encontrar o sentido do sucedido. E retomam o caminho a Jerusalém, agora o lugar da ressurreição e do triunfo, da esperança e da vida.

Uma Eucaristia feita relato

O relato dos de Emaús é o relato de uma Eucaristia daqueles primeiros tempos. Ainda não há formalismos. Não existem os missais nem os ritos. Tudo é mais singelo, mais simples, mais próximo. Os discípulos reúnem-se, recordam, comentam, alumiam-se uns a outros. E compartilham o pão, fazendo memória de Jesus, utilizando as mesmas palavras de Jesus na última ceia. Os desconhecidos fazem-se família em torno do pão e da palavra. Nesse compartilhar e recordar, se faz presente Jesus  ressuscitado. Sentem a força da vida presente Nele. Comungam com sua missão.

Na Eucaristia encontram as forças para voltar a Jerusalém, para sair de novo para o caminho, a manchar os pés e as mãos com o barro da história, a falar e dialogar, a nos encontrar como desconhecidos, com os diferentes, a não deixar um rincão sem que chegue a palavra misericordiosa e cheia de esperança que Jesus pronunciou definitivamente na história da humanidade.

Fazer do caminho encontro e Eucaristia

Aquelas primeiras Eucaristias foram o detonante da vida e a esperança nos discípulos que se deixavam levar pela morte e o desengano. Os caminhos eram os mesmos, mais a direção tinha mudado. Os desconhecidos descobriam-se irmãos. Tinham um tesouro para compartilhar com os homens e mulheres de seu tempo. Fazer realidade na vida diária o Reino de Deus. Até nós, longe no tempo e no espaço, chegou seu estimulo, sua capacidade de escuta. Graças a Deus!

O caminho da vida é nossa oportunidade para fazer encontro, fraternidade, Eucaristia, para fazer presente o Reino. A Eucaristia põe-nos a caminho e o caminho em fraternidade faz-se Eucaristia.

 

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Os discípulos de Emaús.

            Aqueles dois discípulos  não perceberem a presença da pessoa de Jesus ressuscitado ao lado deles. Estavam preocupados com os últimos acontecimentos que nem perceberam quem havia se aproximado deles no caminho.

            Será que já aconteceu coisa semelhante conosco?  Será que nunca aconteceu de Jesus estar falando conosco e não O percebemos?

            Prezados irmãos. A Quaresma é tempo de Jesus falar forte conosco. É tempo de conversão. E  Conversão significa mudar de direção, mudar a direção do caminho que estamos seguindo em nossa vida. Se estamos seguindo uma estrada de pecado, vamos virar para a direita, para uma vida digna da presença de Deus. E para isso, a primeira coisa que precisamos fazer é procurar um sacerdote e fazer uma boa confissão. Fazer uma limpeza completa em nossa alma manchada pelo pecado.  Porém esta limpeza de consciência não vai funcional se voltarmos para casa e continuarmos a nossa rotina, e no outro dia cairmos em pecado novamente. E por que aconteceu isso? A confissão não deu certo? Não funcionou?

            Acontece que para haver uma conversão, uma mudança de vida, é necessário não apenas uma boa confissão, mais um bom propósito de mudança de hábitos de vida, incluindo, obviamente, evitar ou cortar certas amizades, ou pessoas que me levam ao pecado. Amigos e amigas e até mesmo o namorado ou a namorada. Conversão é coisa séria. Não é brincadeira, não. Porque se você se confessa, participa da comunhão, e volta para casa e continua espiando a vizinha pela fresta da janela, ou se continua a tentar o seu vizinho com aquelas roupas sumárias, se continua a brigar com o seu marido ou com a sua esposa, se você continua a paquerar a viúva do andar de cima ou da casa ao lado, se continua desviando dinheiro da firma onde trabalha, se continua a não fazer absolutamente nada para evitar os pecados principalmente os da carne, se não procura seguir os ensinamentos de Jesus referentes à caridade,  se não toma nenhuma atitude para se prevenir contra as tentações, aquela confissão por mais perfeita  que tenha sido, por mais santo que for o sacerdote, não vai resolver o seu problema de reincidir no pecado após as confissões.

            Prezados irmãos. Para haver conversão sincera, precisamos fazer alguma coisa no sentido de mudar de hábitos de vida. No sentido de evitar as tentações, de não nos expor às ocasiões de pecados, etc.

            Deus é Pai amoroso e nos perdoa, sabe que somos fracos e que repetimos sempre os mesmos pecados, mais Ele quer ver o nosso esforço para melhorar. Para evitar a repetição do pecado, começando pela oração.