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HOMILIAS PARA O

PRÓXIMO DOMINGO


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sábado, 5 de março de 2011

9º DOMINGO DO TEMPO COMUM - NEM TODO AQUELE QUE DIZ SENHOR, SENHOR, ENTRARÁ NO REINO DOS CÉUS...




HOMILIAS PARA O
 PRÓXIMO DOMINGO
06 DE MARÇO – 2011

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 DOMINGO DO TEMPO COMUM

INTRODUÇÃO
“Nem todo aquele que me diz: `Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus.
Sabemos que a oração é muito importante para a nossa espiritualidade, par vencer as tentações, para controlar os nossos instintos, e canalizá-los para a pessoa certa, na hora certa,  de acordo com a vontade do Pai. Rezar sem parar, foi a recomendação de Jesus.
Porém em outro momento Jesus vai nos alertar que se alguém rezar ou orar apenas com os lábios não resolve nada. Rezar sem devoção, sem mesmo prestar atenção nas palavras, e de forma distraída, é o mesmo que não rezar.
Rezar, sim, com fé, humildade, insistência, ao mesmo tempo que fazemos a vontade do Pai. E qual é a vontade do Pai, que amemos a Deus e ao próximo.
Assim, aqueles que rezam somente para eles, que não rezam pelo seu cunhado que não consegue parar de beber, pelo seu irmão que está desempregado, pela sua irmã e sua tia que estão doentes, pelos seus amigos e inimigos, e ainda não fazem nada por aqueles que necessitam, são  esses que estão simplesmente dizendo. Senhor! Senhor!... Portanto, correm o risco de não entrar no Reino dos Céus!    
           Olha só que perigo! As palavras de Jesus: “Naquele dia, muitos vão me dizer: `Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres?' Então eu lhes direi publicamente: `Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal.”
Nós os catequistas, que não nos consideremos salvos, a menos que estivermos realmente fazendo a vontade do Pai. Nós que  nos apresentamos à sociedade como transmissores da palavra de Cristo, que tenhamos muito cuidado com a nossa conduta!  Pois ela deve estar de acordo com aquilo que ensinamos e com as palavras que proferimos nas nossas orações. O exemplo fala mais alto que a nossa fala principalmente se ela for da boca para fora.
Aquele missionário levou uma vida de trabalho pelo Reino do Céu, numa dedicação de impressionar até quem não era da Igreja. No final de sua vida por falta de oração sincera e da vigilância diária, não resistiu às tentações e caiu mergulhado num mar da lama acumulando pecado sobre pecado num escândalo inesperado para todos da comunidade e da Igreja! Que Deus tenha pena da sua alma! Que não permita que também aconteça isso a nenhum de nós!
Que sejamos prudentes como a serpente e simples como a pomba, e nunca descuidemos da oração acompanhada da ação. Pratiquemos a caridade enquanto é tempo, Porque, “quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente,
que construiu sua casa sobre a rocha.”
Prezados irmãos. Não basta dizer Senhor, Senhor... Mas sim, é preciso praticar o que ensinamos. Precisamos prestar  muita atenção  nas palavras de Jesus. Precisamos não somente bater no peito e dizer: Senhor, Senhor! Mas sim, precisamos nos esforçar. Isso mesmo! Fazer um esforço com boa vontade  pedindo sempre a ajuda de Jesus, para conseguir vencer as tentações e vícios, para sermos caridosos, para buscar sempre uma oportunidade de reconciliação com aquele ou aquela irmã com a qual brigamos um dia, enfim, procurar praticar o que sabemos a respeito dos ensinamentos de Jesus. Para que no dia do juízo final, não ouçamos da boca do JUÍZ: Não os conheço! Ide para o fogo eterno vocês que praticaram a iniqüidade...  E neste dia vamos ficar contrariados ou revoltados e reclamando dizemos que nos dedicamos à oração, à catequese, e depois de todo esse esforço fomos condenados. A nossa reação será ou seria como se estivéssemos achando que Jesus estaria agindo injustamente conosco.
Vamos tomar mais cuidado! Eu, você, e todos nós. Porque a nossa tendência é de nos apresentar diante da comunidade como se já estivéssemos salvos, vestidos de santos, com uma cara de piedosos, mas ao sair da Igreja, fingimos que não estamos vendo aquele que está caído o chão. Com sede, sem tomar um banho, com fome, sem onde fazer suas necessidades, desprezado, excluído etc.
Nas parábolas da vinha e do bom samaritano, Jesus nos retrata exatamente como somos. Uns não vivem enfiados na Igreja, não são beatos como nos apelidam, mas quando alguém por perto precisa de um socorro, eles imediatamente largam tudo para ajudar.  Enquanto aqueles que vivem dentro da Igreja, podem agir como o personagem que prometeu ao pai que iria trabalhar na vinha e depois pisou na bola, “sartou de banda” e não foi. E aí, estaremos enquadrados naquelas palavras do Mestre: “os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!”.
            Rezar é indispensável! Mas não basta dizer: Senhor! Senhor! Se ignoramos o irmão negro, o faminto, o nordestino, o pobre, aquele que não é do nosso nível social, etc.
“quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia...”
Meus irmãos! Viver na presença de Deus, conhecer,  interpretar e explicar o Evangelho acrescido do esforço de praticar o que sabemos e ensinamos,  é maravilhoso. Recebemos cem  vezes mais, muitas graças, milagres pequenos e até grandes, a proteção de Deus, enfim, é o melhor investimento de todos os tempos. Porém, tem uma exceção para atrapalhar, ou contrariar. É o seguinte. Para os que não conhecem a palavra de Deus, muitas faltas que cometem acabam sendo faltas leves, pois não sabem o que fazem.  O próprio Jesus lembrou isso em uma de suas últimas orações. “Pai. Perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”. Porém, para nós, catequistas e cristãos engajados, a RESPONSABILIDADE É MUITO MAIOR!
Por que sabemos exatamente a gravidade dos nossos atos. E o pior. Nós ensinamos aos outros  essa mesma gravidade, e acabamos a infringindo.
 Também, não vamos agora, após ler esta reflexão, parar de ler os Evangelhos, e os comentários sobre eles. Para que a nossa responsabilidade seja diminuída. Não faça isso!
Repito que por várias razões, conhecer, praticar e ensinar a PALAVRA, é o melhor negócio, o melhor investimento de todos os tempo. Porém não o faça com o objetivo de obter vantagens. Faça por amor a Deus e ao irmão, com a intenção de buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e toda sua justiça, e assim teremos tudo o mais de acréscimo!
Isso é real, verdadeiro, isso funciona mesmo! Experimente!

Para você e sua família, desejo um bom e santo domingo.
Sal.
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Conhecer a palavra de Deus e obedecer a ela é o fundamento da vida do cristão.

                                               Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus”. Segundo o Evangelho deste domingo, portanto, não basta alguém dizer que tem fé; é necessário vivê-la, cumprindo a vontade de Deus que Jesus veio manifestar. E hoje em dia, quando ficamos cada vez mais acomodados quando o assunto é fé, a moda é querer viver uma relação com Deus sem a mediação de uma instituição religiosa. E o critério é este: cada um pega da fé somente aquilo que lhe convém ou aquilo que lhe agrada. Faz-se uma promessa e acende-se uma vela pra um santo católico, assiste-se a um culto pela televisão, consulta-se cartas e outras tantas simpatias.
                                             Ou seja, aquela busca do Reino de Deus que falamos no domingo passado anda bastante esquecida. Hoje a busca é mais centrada não em conhecer a Deus, mas somente em sentir-se amado por Deus, ou seja, sentir-se bem. O pior é que quem faz tal experiência acaba por perceber que sua vivência religiosa é limitada, já que é na vivência em comunidade que experimentamos o amor de Deus.E frente a este perigo, Jesus no final do sermão da montanha diz: “quem ouve estas minhas palavras e as põe em pratica, é como um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha...” O contrário vemos para quem construiu sua casa sobre a areia.
                                           Ora, para nós, que vivemos num país onde existe muita miséria, é fácil entender a parábola de Jesus se prestarmos atenção ao número sem fim de barracos das grandes cidades que desabam completamente pelas enchentes, justo porque foram construídas sobre a areia. E aí, são novamente construídas do mesmo modo, a espera de um novo desmoronamento. Talvez estas pessoas, por sua indigência, não saibam ou principalmente não possam fazer diferente. Mas, nós, uma vez tendo entendido o Evangelho, podemos construir uma casa interior forte construída sobre a rocha. Claro que Deus, na sua misericórdia, concede a todos, sempre a possibilidade de reconstruir; mas creio que seja bem melhor evitar esta fadiga construindo de imediato sobre um terreno seguro.
                                          Se formos analisar bem, percebemos que não há diferenças substanciais entre as duas casas de que fala Jesus com referência aos agentes externos: ou seja, em ambas as situações, chuvas, enchentes, ventos, não poupam as construções. Jesus quer dizer que todos teremos dificuldades em nossa vida; mesmo que alguém tenha uma vida confortável, com recursos, mais cedo ou mais tarde chega a chuva da enfermidade, o desmoronamento de projetos que alguém tinha planejado, realmente o imprevisto existe. Isso fora os ventos contrários da desconfiança, da inveja, da traição, etc. Mas Jesus fala de uma casa com um fundamento sobre a qual pode chover bastante e ela não cairá.
Ou qual parte você acha que é a mais importante de uma casa senão o alicerce? Sem um firme alicerce, uma casa está constante perigo de cair.
                                         E o mesmo vale para nossa vida interior. Conhecer a palavra de Deus e obedecer a ela é o fundamento da vida do cristão. Especificamente, essa rocha sobre a qual edificamos uma casa destinada a durar para sempre, é Cristo através da sua Palavra, do seu imenso amor. Mas Jesus Cristo deixou um sinal visível de si como rocha, pedra: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e as portas do inferno (os ventos contrários) não prevalecerão contra ela”. A Igreja, portanto, é a casa sobre a rocha, a casa comum na qual encontramos reparo seguro.  
                                     Rezemos então a fim de que cada um de nós escute e ponha em prática a Palavra do              Senhor e assim construa sobre a rocha que nos fará resistir às inevitáveis provas e fadigas da vida.
Peça a Deus para ensinar a você sua Palavra e ajudá-lo a obedecer a ele em todas as áreas de sua vida, então você poderá ficar firme em todas as circunstâncias.
Amém
Abraço carinhoso de
Maria Regina.
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  DOMINGO DO TEMPO COMUM

1ª leitura – Dt. 11,18.26-28.32
O que Deus quer do seu povo está expresso no livro do Deuteronômio. Podemos afirmar que a essência é a prática da Palavra de Deus. Praticar a Palavra gera bênção, não praticar a Palavra de Deus gera a maldição. Por isso, vemos a insistência sobre a prática da Palavra de Deus no versículo 18.
Primeiro: O povo deve colocar a Palavra de Deus no coração e na alma. O coração para o povo é a sede da consciência. A alma é a vida. Na verdade uma consciência pura e justa conduz à bênção, é fonte de vida.
Segundo: Amarrar essas palavras na mão como um sinal. A mão expressa prática, ação concreta.
Terceiro: A Palavra de Deus deve ser como a faixa entre os olhos. A faixa entre os olhos simboliza as intenções, ou seja, é preciso uma visão nova do mundo, baseada na justiça e no amor, na solidariedade e na paz. Nós devemos ver o mundo com os olhos de Deus. A prática da sua Palavra nos conduz a isto. E isto é fonte de vida e abundância de bênçãos.
Os versículos 28 e seguintes vão mostrar que as bênçãos de Deus e a vida em abundância dependem da decisão do homem: praticar ou não praticar a Palavra, os mandamentos, os estatutos, a Lei. Essas palavras que são sinônimas podem ser traduzidas assim: Deus tem para o homem um projeto de vida. Colocá-lo em prática gera bênção e vida. Não colocá-lo em prática gera maldição e morte. A escolha está nas mãos do ser humano.
2ª leitura – Rm. 3,21-25a.28
Se nós ficarmos apenas com a primeira leitura e o evangelho de hoje, vamos pensar que a salvação do homem depende só dele, ou seja, do fiel cumprimento da Lei, do apenas colocar em prática a Palavra de Deus, ou seja, das obras. Paulo vai mostrar para nós um outro dado indispensável para a salvação e a vida plena, que é a fé. Se lêssemos apenas a segunda leitura, sobretudo, se fixássemos nossa atenção apenas no v. 28, que é a tese de Paulo: justificação pela fé e não pelas obras da Lei, também ficaríamos com uma visão unilateral da salvação. Além disso, veríamos uma contradição entre Mateus e Paulo. Fique claro para o leitor que a salvação depende de Deus e do homem. Depende da justiça de Deus (não da justiça dos fariseus, que é apenas a prática da Lei, sem a fé em Jesus Cristo, sem acreditar na graça). O que é a justiça de Deus? É a realização do seu projeto de vida para o homem, que ainda não tem fé. Paulo, anunciando a salvação em Jesus Cristo, insiste na importância da fé como fundamento desta salvação. Mateus já está falando para cristãos que acreditam em Jesus Cristo como seu Salvador. Então, como Tiago (Tg. 2,17), Mateus insiste na vivência da fé, ou seja, na prática da Palavra de Deus, na fé concretizada nas obras.
Evangelho – Mt. 7,21-27
O evangelho vai insistir, mais uma vez, sobre a importância da Palavra colocada em prática, vivida concretamente. Dizer: "Senhor, Senhor", ou seja, proclamar que Jesus é o Senhor, é nosso único Salvador, é importante; era inclusive a principal profissão de fé da Igreja primitiva, mas isto só não basta. O importante é a prática da vontade do Pai. É essa prática que constrói o Reino de Deus e nos faz participar dele. Podemos profetizar, fazer milagres e expulsar demônios e não estarmos colocando em prática a vontade do Pai, que está no céu. Isto é um grande alerta para todos nós, sobretudo para quem anda à caça de demônios e buscando religiões milagreiras. Qual é mesmo o núcleo da vontade do Pai, aquilo que gera bênção e não maldição, aquilo que gera vida e não violência e morte? Será que é profetizar, fazer milagres e expulsar demônios? As religiões eletrônicas, dia e noite, propagam milagres e caça aos demônios como fonte de bênçãos. Jesus está alertando contra este modismo, no qual até a Igreja Católica está entrando através de movimentos carismáticos. O núcleo da vontade de Deus é a prática da justiça, não da justiça dos fariseus e escribas, que falam muito, mas não cumprem, que pregam, mas não praticam. O núcleo da vontade do Pai, que está nos céus é a prática da justiça do Reino. Esse núcleo da Lei e dos Profetas já foi sintetizado por Jesus: é amar a Deus e ao próximo. Esse amor é coisa concreta, não assunto de novelas. Quem quiser saber qual é mesmo a vontade do Pai, a realização do seu projeto, o que determina a sua bênção ou a maldição (assunto da primeira leitura), é só ler Mt. 25,31-46: ("Estava com fome e me destes de comer; com sede e me destes de beber..."). Queremos lembrar, mais uma vez, que o evangelho de hoje é o final do Sermão da Montanha (Mt. 5-7), que é a síntese da Nova Aliança, o novo "código", de vida para os que têm fé em Jesus Cristo. A Antiga Aliança foi promulgada por Moisés, mas "a graça e a verdade vieram através de Jesus Cristo" (Jo. 1,17). Jesus não veio abolir a Lei e os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento (Mt. 5,17). Aqui, no final do Sermão da Montanha, Jesus mostra que para possuir a Vida Nova, promulgada por ele, é fundamental a coerência entre a palavra ouvida com fé e a prática dessa fé.
Nos vv. 24-27, Jesus ilustra o que significa pôr em prática a vontade do Pai com a imagem da construção da casa. Quem ouve a Palavra de Deus e a põe em prática, está construindo sua casa sobre a rocha. É a ação do homem prudente, de fé firme e autêntica. Esta casa não desmorona, é morada de bênçãos e de vida. É expressão de fé praticada e vivida. Construir a casa sobre a areia é não praticar a Palavra, é dizer apenas: "Senhor, Senhor"; é viver de teorias; é buscar religiões milagreiras, que prometem resolver os problemas com um passo de mágica e andam vendo demônios em tudo; é viver uma religião de ritos vazios, muitas orações e exorcismos, mas sem a prática da justiça do Reino e da caridade evangélica. Quem constrói a sua casa sobre a areia vive sem a prática da fé. Quem insistir apenas em ouvir a palavra, mas não em colocá-la em prática, vai ter uma surpresa no julgamento final. O versículo 22, com a expressão: "naquele dia", refere-se exatamente ao julgamento final, onde o que vai contar são as ações concretas em favor dos carentes, dos necessitados, dos que sofrem, como expressão genuína da fé que salva (cf. Mt. 25,31-46).
dom Emanuel Messias de Oliveira

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“CONSTRUINDO SOBRE A ROCHA”

Numa parábola muito incisiva, Jesus apresenta aos discípulos o modo autêntico de viver, através da imagem da casa construída sobre a rocha. Assim explica: “Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha” (Mt. 7,24), Nada a destrói. O que significa construir a casa sobre a rocha? É "ouvir a Palavra e pô-la em prática".
No ensinamento do livro do Deuteronômio, lemos: “Eis que ponho diante de vós a bênção e a maldição; a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos prescrevo” (Dt. 11,26-27). O mandamento é a expressão da vontade de Deus. Por em prática o mandamento é obedecer à Palavra ouvida e interiorizada no coração.
Não basta a prática externa, apontada por Jesus como insuficiente. “Muitos vão dizer: Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos... expulsamos os demônios... e fizemos tantos milagres?” (Mt. 7,22). A resposta é muito, dura: “Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal”! (Mt. 7,23). A bênção, como ensina Jesus, é a segurança que se encontra na prática da Palavra. Assim rezamos no refrão do salmo 30: “Senhor, eu ponho em vós a confiança; sede uma rocha protetora para mim” (Sl. 30). Todo aquele que coloca o fundamento de sua vida em Cristo, cumprindo sua palavra, realiza a vontade do Pai e tem firmada sua vida sobre a rocha, que é Cristo. Por esse ato de fé, temos a justificação de que nos fala Paulo (Rm. 3,28) e entramos no Reino de Deus (Mt. 7,21).
2. Palavras Vazias
Ouvir a Palavra e não pô-la em prática é construir sobre a areia. Não resistiremos às provações e contratempos que encontramos para viver a fé. Crer sem praticar é não viver. O vazio que o desconhecimento da vontade de Deus provoca é a escolha de uma maldição.
Lemos também: “A maldição, se desobedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus e vos afastardes do caminho que hoje vos prescrevo” (Dt. 8,28). Mesmo que façamos milagres, expulsemos os demônios e profetizemos em nome de Jesus, se não praticamos a vontade do Pai (Mt. 7,26), não entraremos no Reino dos Céus.
Buscar o vazio idolátrico esvazia nosso culto a Deus. Na busca da vaidade que passa e na busca do prazer que amarga; tesouro que a ferrugem e a traça destroem (Mt. 6,19), os deuses do nada invadem a sociedade. Jesus completa, dizendo: “Onde estiver vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt. 6,21). Por isso rezamos na missa: “Afastai de nós o que é noviço, e concedei-nos tudo o que for útil” (oração).
3. Incutir as Palavras no coração
A Palavra nos indica como edificar a casa sobre a rocha. “Tende, pois grande cuidado em cumprir todos os preceitos e decretos que hoje vos proponho” (Dt. 11,32).
Para cumprir a Palavra, temos de tê-la sempre diante de nós, como aprendemos no livro do Deuteronômio: “Incuti estas minhas palavras em vosso coração e em vossa alma; amarrai-as, como sinal, em vossas mãos e colocai-as como faixas sobre vossa testa” (Dt. 11,18). Os amigos do vazio faziam isso, mas sem levar ao coração. Jesus os critica por essa pura exterioridade.
Vivemos um tempo em que as coisas que “brilham”, têm mais valor do que o alicerce profundo que sustenta a casa. Acolher Jesus é acolhê-lo no coração como a rocha sobre a qual edificamos nossa vida, ouvindo sua Palavra e colocando-a em prática. A solidez de nossa fé levada à prática é o melhor testemunho que podemos dar ao mundo.
“Olhai para mim, Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados!”(cf. Sl. 24,16.18).
O momento presente, chamado de tempo comum é o tempo dedicado do cotidiano, da vida, em que a Igreja nos convida a vivenciar nas pequenas coisas da vida diária a santidade. Santidade que consiste em fazer a vontade de Deus, que não pode ser apenas expressa em palavras vazias, mas na prática de uma vida coerente de busca continua e ingente de santidade, vontade do Pai que está nos Céus.
A primeira leitura (Dt 11,18.26-28.32) nos ensina que ouvindo a Palavra de Deus e colocando em prática a sua Lei teremos a recompensa pela fidelidade que é a felicidade junto de Deus. Essa felicidade depende de nossa liberdade e de nossa opção em aceitar e viver o projeto de Deus.
Deus iniciou com Israel um itinerário, um caminho. O caminho de Deus está nas palavras da Lei. Israel deve tê-las diante dos olhos como o timoneiro no céu.
Observar a Lei serve para o bem do homem: assim pensava os homens do Antigo Testamento. A lei não é opressora, mas sim libertadora, porque quem sabe cumprir a lei sabe degustar a fidelidade a um projeto maior de lei e vida diária que é a Sagrada Escritura.
Observar a lei do Antigo Testamento não pode apenas ser reduzido ao sentido de prosperidade material, mas sim de prosperidade espiritual, de puro e genuíno encontro com o Senhor da Lei, da Esperança, do Amor e da Vida.
Quem observa a Lei receberá abundantes bênçãos do Céu, e quem desobedecer a Lei sagrada será réu de maldição.
Refletimos hoje no Evangelho (Mt. 7,21-27) a fé que é professada pelos católicos deve seguir uma prática de amor e de solidariedade atendendo ao mandato de Jesus: “Daí-lhes Vós mesmo de Comer!”
O verbo “ouvir”, escutar, na Bíblia tem um sentido muito maior e mais amplo do que o nosso humano entendimento. Não significa apenas ouvir com os ouvidos, mas significar vivenciar, viver com gestos as palavras ouvidas.
É muito interessante vermos determinados movimentos, associações ou pastorais da Igreja que sentem grande entusiasmo com a pregação da Palavra de Deus. Mas na prática pregam o fechamento para a sua atividade pastoral, esquecendo-se da pastoral de conjunto, da construção de redes de comunidade e da evangelização como obra comunitário-teológico-pastoral de comum-união.
O Evangelho pede que todos nós tenhamos coragem de dar um passo maior e comprometedor: sair somente da Escuta para a vivência, para a prática efetiva. Jesus pede engajamento na realidade da vida, para que tudo, todos e todas as coisas se impregnem da força do Reino, isto é, de justiça, do perdão, da paz, da concórdia, e, acima de tudo, da verdade, critério básico de salvação.
O Evangelho de hoje vem combater algumas atitudes que são meramente humanas:
1. FORMALISMO: fazer as coisas apenas para constar, para cumprir um preceito. Uma coisa que não gera um compromisso de vida, de vida nova em Jesus Cristo Ressuscitado. Temos aqui o cristão de sexta-feira santa, ou aquele formalista que é católico só de fachada, sem compromisso evangelizador.
2. LEGALISMO: que consiste em cumprir apenas o que a lei manda. Este tipo de pessoa é incapaz de questionar o puro legalismo que oprime e não gera oportunidade de abertura para a caridade, porque na Santa Igreja “salus animarum suprema lex”, ou seja, a salvação das almas é a suprema lei, dentro do contexto canônico que a dispensa é a regra de conduta canônica. Jesus condenou muitas vezes o rigorismo jurídico das leis, porque ele veio não abolir a Lei, mas dar uma nova conotação, a conotação da vida. O próprio Cristo morto, ressuscitou, dando vida nova para todos os homens. A lei de Jesus é a lei do primado da vida, porque Ele é a Lei, dizendo mais em Jo 10,10: “Eu sou a vida; nasci e vim ao mundo para que todos tenham vida e vida em abundância”.
O Evangelho de hoje desdiz aqueles que pretendem uma Igreja exclusivamente espiritual, isto é, apenas de oração, orante e preocupada extremamente com o mundo dos espíritos ou da escatologia. O Evangelho pede engajamento na construção da casa sobre a pedra. Por isso o cristão batizado é chamado e conclamado a se preocupar com o irmão excluído, indo ao seu encontro minorar a sua dor, é chamado a autenticamente se preocupar com o mundo da política, para que os valores cristãos permeiem a sociedade. O católico deve colocar em prática aquilo que em espírito eleva ao Senhor da Vida. Tudo isso porque a justiça, a verdade, a vida, a paz, o amor tem muito a ver com a vida eterna que começa aqui e agora, em comum unidade de fé.
Outra coisa que Jesus nos pede no Evangelho é que nos libertemos de duas tentações perigosas para a nossa fé: TRIUNFALISMO E CARISMATISMO. Tudo que é “ismo” é errado. O triunfalismo é criar um Jesus que não é o Jesus pobre, humilde, e amoroso de nossa fé que venceu o mundo, morrendo na Cruz pela salvação de todo o gênero humano. O carismatismo é colocar ou tirar demônios de onde eles não existem. Temos que viver uma espiritualidade profundamente voltada para a formação de comunidade de santos e pecadores, todos, sem distinção, procurando coerentemente a santidade de vida, unindo fé e vida.
Paulo na segunda leitura (Rm. 3,21-25a.28) insiste em que somos justificados pela fé e não pelas obras da Lei. Porém não há incompatibilidade, é apenas o outro lado da medalha. Para poder agir conforme o espírito de Cristo, devemos, inicialmente, superar a nossa auto-suficiência, parar de sermos donos da verdade. As obras devem ser a conseqüência da fé, da confiança em Jesus Cristo, Que invade o nosso coração e o transforma, quando vislumbramos Nele o grande amor que Deus nos tem. Que a fidelidade que nos é proposta nos faça, quotidianamente, colocar hoje diante de vós uma verdadeira vida de coerente santidade, unindo fé e vida, oração e obras de caridade, para que possamos superar a miséria intelectual e a fome material de nossos irmãos e irmãs.
Nesta leitura refletimos sob a graça de Deus, manifestada em Cristo, e a justificação pela fé. Romanos mostrou que todos são culpados diante de Deus. Agora são Paulo mostra que Deus os pode tornar justos – justificar. Deus restaura o homem na sua amizade, se ele aceita, na fé, a doação da própria vida que Jesus realizou no sacrifício da cruz. Esta oferta e pura graça, puro dom de Deus. Não depende de méritos nossos – provindos da observância pura da Lei, de pios exercícios, façanhas pastorais, etc. – mas também não quer dizer que podemos recebê-la sem fazer nada. A fé é que nos faz acolher o dom de Deus, mas ela produz também frutos na prática.
Enquanto o mundo profano celebra desregradamente o carnaval a nossa fé não pode ser reduzida ao “dizer”, a uma oração separada da vida, convém lembrar, entretanto, que ela não coincide tampouco com o “fazer”. Isto é lembrado especialmente hoje, quando tudo na sociedade nos leva a medir os valores, os acontecimentos e as pessoas na base do critério da eficiência, do sucesso, do lucro, da promoção na carreira profissional, isto é, na base de um fazer que nada tem de evangélico. O agir pelo evangelho nada tem a ver com o conceito de eficiência e sucesso. Pelo contrário, frequentemente é um agir, do ponto de vista humano, coroado pelo insucesso e pelo malogro mais paradoxal. Humanamente falando, a vida de Cristo não termina com o sucesso, mas com a mais humilhante falência: a condenação, o abandono dos discípulos, a morte infame na cruz. Mas é precisamente neste insucesso que o mistério da salvação e o triunfo da Páscoa lançam as suas raízes.
Somos convidados a fazer uma revisão de vida. Hoje somos apenas ouvintes da Palavra de Deus? Ou nós a cumprimos? Devemos ter consciência de que somos chamados a compreender a Palavra de Deus e nos comprometermos com Ela, dando ao mundo testemunho desta Palavra e transformar esta Palavra em ações concretas no nosso dia a dia. Somente seguiremos o caminho da benção de Deus quando compreendermos o Evangelho e vivermos com testemunhos pela Palavra santificadora e pela ação o mistério do Cristo que se faz companheiro na caminhada para o Céu.

padre Wagner Augusto Portugal
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NÃO BASTA DIZER, TEM QUE FAZER

“Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus”. Segundo o Evangelho deste domingo, portanto, não basta alguém dizer que tem fé; é necessário vivê-la, cumprindo a vontade de Deus que Jesus veio manifestar.
Sempre atual a mensagem de Jesus quando ficamos cada vez mais acomodados quando o assunto é fé. A moda é querer viver uma relação com Deus sem a mediação de uma instituição religiosa. E o critério é este: cada um pega de cada religião somente aquilo que lhe convém ou aquilo que lhe agrada para viver a fé. Faz-se uma promessa e acende-se uma vela pra um santo católico aqui, assiste-se a um culto pela televisão ali, consulta-se cartas de tarô, o horóscopo e tantas outras simpatias,e isso tudo de modo muito individual. Ou seja, aquela busca do Reino de Deus que falamos no domingo passado anda bastante esquecida. Hoje a busca é mais centrada não em conhecer a Deus, mas somente em sentir-se bem. O pior é que quem faz tal experiência acaba por perceber que sua vivência religiosa é limitada, já que é na vivência em comunidade que experimentamos o amor de Deus.
Frente a este perigo, Jesus no final do sermão da montanha diz: “quem ouve estas minhas palavras e as põe em pratica, é como um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha...” O contrário vemos para quem construiu sua casa sobre a areia.
Ora, para nós, que vivemos num país onde existe muita miséria, é fácil entender a parábola de Jesus se prestarmos atenção ao número sem fim de barracos das grandes cidades que desabam completamente pelas enchentes, justo porque foram construídas sobre a areia. E aí, são novamente construídas do mesmo modo, a espera de um novo desmoronamento. Talvez estas pessoas, por sua indigência, não saibam ou principalmente não possam fazer diferente. Mas, nós, uma vez tendo entendido o Evangelho, podemos construir uma casa interior forte construída sobre a rocha. Claro que Deus, na sua misericórdia, concede a todos, sempre a possibilidade de reconstruir; mas creio que seja bem melhor evitar esta fadiga construindo de imediato sobre um terreno seguro.
Se formos analisar bem, percebemos que não há diferenças substanciais entre as duas casas de que fala Jesus com referência aos agentes externos: ou seja, em ambas as situações, chuvas, enchentes, ventos, não poupam as construções. Jesus quer dizer que todos teremos dificuldades em nossa vida; mesmo que alguém tenha uma vida confortável, com recursos, mais cedo ou mais tarde chega a chuva da enfermidade, o desmoronamento de projetos que alguém tinha planejado, realmente o imprevisto existe. Isso fora os ventos contrários da desconfiança, da inveja, da traição, etc. Mas Jesus fala de uma casa com um fundamento sobre a qual pode chover bastante e ela não cairá.
Ou qual parte você acha que é a mais importante de uma casa senão o alicerce? Sem um firme alicerce, uma casa está em constante perigo de cair. E o mesmo vale para nossa vida interior. Conhecer a Palavra de Deus e obedecer a ela é o fundamento da vida do cristão. Especificamente, essa rocha sobre a qual edificamos uma casa destinada a durar para sempre, é Cristo através da sua Palavra, do seu imenso amor. Mas Jesus Cristo deixou um sinal visível de si como rocha, pedra: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e as portas do inferno (os ventos contrários) não prevalecerão contra ela”. A Igreja, portanto, é a casa sobre a rocha, a casa comum na qual encontramos refúgio seguro. Rezemos então a fim de que cada um de nós escute e ponha em prática a Palavra do Senhor e assim construa sobre a rocha que nos fará resistir às inevitáveis provas e fadigas da vida.
Peça a Deus para ensinar a você sua Palavra e ajudá-lo a obedecer a ele em todas as áreas de sua vida, então você poderá ficar firme em todas as circunstâncias.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento
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OS DOIS CAMINHOS

A liturgia de hoje é um convite a construir nossa vida sobre o alicerce sólido da Palavra de Deus. Quando Ela está no centro de nossa vida, caminhamos com segurança ao encontro da realização plena.
Na 1ª leitura, temos um discurso de Moisés, no final de sua vida. Ele relembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Deus e os convida a renovar a Aliança com o Senhor. É um convite a ter a Palavra de Deus sempre presente: "gravada no coração e na alma". (Dt. 11,18.26-28.32)
Moisés mostra dois caminhos:
- Se o Povo aceitar, será uma fonte de bênção e de vida...
- Se viver sem ela, será motivo de morte e maldição...
Para os hebreus, a Salvação consistia na observância fiel à Lei.
Na 2ª leitura, Paulo afirma que a observância da Lei não é suficiente. Deus salva pela fé em Cristo Salvador, não pela observância da lei: "O homem é justificado pela fé, sem a prática da Lei." (Rm. 3,21-25a.28)
Portanto, a Salvação é um dom gratuito de Deus e não o resultado de nossos méritos pessoais. Mas supõe as obras da "fé, que atua pela caridade" (Gl. 5,6) As nossas boas obras comprovam a autenticidade de nossa fé.
O Evangelho encerra o sermão da Montanha, focalizando a relação entre a Palavra e a ação. (Mt. 7,21-27) Cristo (o novo Moisés) oferece à comunidade a nova Lei, que deve guiar o novo Povo de Deus. Mostra dois caminhos:
- apenas ouvir (ou anunciar) a Palavra de Deus;
- ouvir (anunciar) e pôr em prática a Palavra de Deus (dizer e fazer).
Para ingressar no Reino, é necessário ter uma vida de coerência com a Palavra de Deus e com as propostas de Jesus.
O texto tem duas partes: na primeira parte, Mateus oferece critérios para identificar os falsos profetas, os falsos discípulos, os falsos cristãos: são aqueles que dizem "Senhor, Senhor", mas não fazem a vontade de Deus; profetizam, expulsam demônios, fazem milagres em nome de Deus, mas não mantêm com Deus uma relação de comunhão e de intimidade; têm Deus nos lábios, mas o seu coração está cheio de maldade. Falam muito e bem, mas as suas obras denunciam a sua falsidade.
O verdadeiro cristão é aquele que faz a vontade do Pai. Fazer a Vontade de Deus não imposição, nem obrigação. Mas resposta serena e profunda de quem entendeu o sentido da vida. Ser cristão é buscar incansavelmente a vontade de Deus.
Na segunda parte, temos a parábola das duas casas: uma construída sobre a areia e outra sobre a rocha. "Quem ouve as minhas palavras e as põe em prática", constrói sobre a rocha. Ela resistirá aos temporais da vida...
O Evangelho de hoje nos afirma que:
- não basta invocar "Senhor, Senhor", ou ter gestos externos de piedade. Os ritos externos têm valor enquanto expressão de uma atitude interior de adesão a Deus e de cumprimento da sua vontade… Os ritos, as orações, os sacramentos, as práticas religiosas, são excelentes, se mudam nossas vidas, se nos levam aos atos, se criam em nós disposições tais que, saindo daqui, vamos pedir perdão do mal que fizemos, se prestamos serviços que tínhamos recusado, restituímos o que não nos pertence, se nos reconciliamos com aqueles que não vemos mais.
- Precisa fazer a vontade do Pai. A palavra de Jesus vivida com fidelidade todos os dias, deve ser a rocha firme sobre a qual construímos a nossa vida cristã.
Deve ser a base dos nossos pensamentos, das nossas palavras e das nossas ações.
Muitas pessoas do nosso tempo estão convencidas de que ser cristão é apenas ter o nome inscrito no livro de batizados de uma paróquia ou fazer parte de um movimento ou estar ligado à comissão de festas ou aparecer na Igreja nos casamentos e funerais ou momentos especiais.
O Evangelho é bem claro: "Ser cristão" não é possuir um bilhete de identidade que atesta o nosso batismo; mas é procurar viver sempre de acordo com as propostas de Deus.
E nós que tipo de cristãos somos?
Somos cristãos apenas porque um dia na infância os nossos pais nos batizaram, ou porque nós assumimos todos os dias o compromisso de "fazer a vontade do Pai que está nos céus?"
Que sentido tem cumprir escrupulosamente os ritos externos da religião e no resto da vida ignorar os valores de Deus?
Em que tipo de alicerce queremos construir a casa de nossa vida?
Sobre a rocha firme da Palavra de Deus ouvida e praticada ou sobre valores efêmeros do dinheiro, do poder, da fama, da glória, da mentira, da injustiça ou da violência?
Qual é o caminho que escolhemos? Da nossa escolha atual dependerá o nosso futuro.

padre Antônio Geraldo Dalla Costa
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A SABEDORIA DO DISCÍPULO

O Evangelho distingue dois tipos de discípulos. O primeiro corresponde a quem se limita a invocar o nome do Senhor, sem que isto incida em sua vida concreta. O segundo diz respeito àquele que, depois de escutar a palavra do Mestre, esforça-se por pautar por ela a sua vida. Este é o verdadeiro discípulo!
Engana-se quem pretende demonstrar seu amor ao Mestre com palavras vazias, ou mesmo com ações grandiosas, mas incapazes de criar um relacionamento consiste com ele, porque, em alguns casos, se tornam motivo de orgulho e exibição. Isto acontece com os que invocam o Senhor com fé aparente, e até mesmo pregam e expulsam os demônios em nome dele. Como é possível que, no juízo final, o Mestre possa afirmar que não os conhece, chamando-os de "fazedores de iniqüidade"? A resposta é: simplesmente porque, embora falando sobre Jesus, suas vidas não estavam deveras alicerçadas nele. As palavras do Mestre tinham valor para os outros, não para quem se arvorava em pregador.
A sabedoria do discípulo do Reino consiste em pôr-se na escuta da Palavra do Mestre, e deixar-se guiar por ela. Nada além dos ensinamentos recebidos poderá demovê-lo do caminho escolhido. Por maior que seja a dificuldade ou a provação a que é submetido, o discípulo mantém-se firme, como uma casa construída sobre alicerces seguros. Professa a sua fé com a vida, e não apenas da boca para fora.

padre Jaldemir Vitório
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NÃO BASTA, PORTANTO, FALAR
Terminamos a primeira parte do tempo comum deste ano litúrgico reafirmando a importância da vontade de Deus em nossa vida. “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”, rezamos todos os dias. Fazer o que Deus quer significa estar em plena sintonia com ele e amá-lo sobre todas as coisas; significa tê-lo como o único absoluto de nossa vida e nada antepor à sua santa vontade.
Não basta, portanto, falar. É preciso fazer. O próprio Evangelho nos adverte de que dizer “Senhor, Senhor” não é a mesma coisa do que fazer o que Deus quer. E diz mais. Diz ainda que fazer coisas boas, como profecias, exorcismos e milagres, também não significa fazer o que Deus quer. A busca contínua da vontade de Deus é uma arte na espiritualidade cristã.
As obras são necessárias porque revelam a fé que temos em Jesus Cristo. Mas as obras não nos salvam. Quem nos salva é Jesus, em quem nós cremos. Por isso dizemos que somos justificados pela fé. As obras são necessárias, mas também enganadoras.
Podem nos dar a sensação de bem estar e tranquilidade, de desencargo de consciência e cumprimento do dever, e nos levar a acreditar que Deus tem obrigações para conosco. Sem a fé elas são mortas. Fé e obras caminham juntas, iluminadas pelo discernimento, que é um dom do Espírito. Tudo o que vem do Espírito tem a marca do amor. Assim também a fé e as obras se deixam ver nos atos concretos de amor. Qualquer ação que não tenha a marca do Espírito não é realização da vontade de Deus.
Nós acreditamos em Jesus Cristo e o aceitamos como nosso Deus e nosso Salvador. Mostramos a fé que nele temos nas obras que praticamos. Cuidamos que nossas obras sejam a realização da vontade de Deus, que é Amor.
Dt. 11,18.26-28.32 – A observância do que o Deuteronômio chama de mandamentos e preceitos, mais do que um simples cumprimento da Lei, significa uma adesão de amor incondicional a Deus. Mostramos que não queremos e não temos outros deuses a não ser o Senhor, praticando o que as Escrituras nos pedem.
Sl. 30 – Fortaleçam os corações e tenham coragem todos aqueles que se entregam ao Senhor.
Rm. 3,21-25a.28 – As nossas obras mostram a fé que temos, mas não nos salvam. O que nos salva é a fé, isto é, a nossa adesão a Jesus Cristo e a aceitação de sua pessoa e de seu Evangelho. Em última análise, quem nos salva é Jesus Cristo, e de graça, não pelos méritos que adquirimos pelas obras que praticamos.
Cumprir leis e observar preceitos é sempre mais fácil do que tomar decisões pessoais com responsabilidade. No entanto, enquanto não formos suficientemente livres no Espírito, consideremos as leis e os preceitos bons professores, que ensinam o caminho que leva à salvação.
Mt. 7,21-27 – As palavras exteriorizam os nossos propósitos e nossos projetos, mas é a ação livre e consciente que mostra o que de fato queremos. Rezamos, cantamos, invocamos o nome de Deus, e maltratamos os outros? Somos casados na Igreja, participamos da missa nos domingos, e não pagamos o salário justo aos nossos funcionários? Até mesmo coisas boas como a profecia, o exorcismo, o milagre podem acontecer em benefício de alguém e não ser o que Deus esperava de quem os fez.

cônego Celso Pedro da Silva
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JESUS NOS REVELOU A VONTADE DO PAI

Concluindo o Sermão da Montanha, Jesus fala sobre a necessidade de por em prática tudo que foi ouvido e que é a expressão da vontade do Pai. Deus não quer de seus fieis exuberantes atos de louvor ou espantosos feitos. Existem devoções às ostensivas invocações do nome de Jesus e às espantosas narrativas de expulsões de demônios e de milagres de Jesus. Contudo estas devoções podem dar uma satisfação pessoal que leva à omissão das práticas essenciais que realmente agradam a Deus.
Sob a categoria de juízo final, ficam descartados os grandes prodígios (profecias, expulsão de demônios, milagres) prevalecendo apenas o critério de por em prática as palavras de Jesus, que revelam a vontade de Deus. Tal prática supera o antigo cumprimento da Lei, com suas ameaças de maldições (primeira leitura), pois é chegado o tempo da graça (cf. segunda leitura), alcançando-se a comunhão com Deus na prática do novo mandamento do amor, amando como Jesus nos amou.
O empenho em fazer a vontade do Pai não acontece como coação por cumprimento de obras da lei, sob ameaças, e obediência a um deus tirano. Este empenho se faz com liberdade de opção e com a alegria de levar o amor humano à sua plenitude, seguindo os caminhos de Jesus. Neste texto de Mateus vemos que a fidelidade a Jesus está na prática da vontade do Pai que está nos céus. É isto que se pede na oração do Pai Nosso. Jesus nos revelou a vontade do Pai na proclamação das bem-aventuranças e na sua vida com seu amor promovendo os pobres e excluídos.
Em tudo que Jesus disse e fez, ele estava cumprindo a vontade do Pai. E a vontade do Pai, Deus de amor, é que todos tenham vida em abundância, usufruindo dos bens da criação, eliminando-se as cercas e os muros que protegem as minorias privilegiadas e relegam as maiorias ao empobrecimento e à exclusão.
A parábola final sobre a casa construída sobre a rocha, que se contrapõe à casa construída sobre a areia, é expressiva para revelar a importância de por em prática as palavras ouvidas de Jesus. O evangelho de Lucas também a apresenta com pequenas diferenças. Construir a casa significa construir sua própria vida. O homem insensato constrói sua vida seguindo os ditames da sociedade de mercado e consumo, obedecendo aos interesses de lucro dos poderosos desde mundo.
O homem sensato constrói sua vida praticando a palavra de Deus. Forma comunidade com seus irmãos, solidariza-se com os pobres, fracos e excluídos, e revela ao mundo o amor misericordioso de Jesus e do Pai. É o empenho na construção do mundo novo possível, descartando as estruturas opressoras e excludentes em vigor, que favorecem as minorias ambiciosas que consomem suas vidas na ânsia de acumular riquezas.
Construir sua vida sobre a rocha é buscar a justiça que favorece a vida plena para todos, em comunhão de amor e vida eterna com Jesus e o Pai. As palavras de Jesus nos orientam para a formação de comunidades consolidadas pela união no amor, em ambiente de paz e abertas para a comunhão com todos aqueles que se empenham no resgate da dignidade e da vida no mundo.

José Raimundo Oliva

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IX Domingo Comum – nem todo aquele que diz: Senhor, Senhor...
A liturgia do IX Domingo Comum é um convite para construir a vida sobre o alicerce firme da Palavra de Deus.

Quando a Palavra de Deus está no centro da vida e dá forma aos pensamentos, sentimentos e ações, o homem caminha, com segurança, ao encontro da realização plena, da vida definitiva.

No Evangelho Mateus convida a sua comunidade - e as comunidades cristãs de todos os tempos e lugares - a enraizar a sua vida na Palavra de Jesus e a traduzir essa adesão em ações concretas. Para ser cristão, não basta dizer palavras bonitas de adesão ao Senhor; mas é necessário esforçar-se por cumprir, a cada instante, a vontade de Deus e viver de acordo com os valores propostos por Jesus nas bem-aventuranças.

 
A primeira leitura, na mesma linha, convida os crentes a deixarem que a Palavra de Deus envolva e penetre toda a sua vida, marque os seus pensamentos, sentimentos e ações. Garante-nos que construir a vida à volta da Palavra de Deus é assegurar a felicidade e a vida definitiva.

A segunda leitura não se refere tão diretamente ao tema do domingo (a Palavra de Deus); mas garante-nos que a salvação resulta do dom gratuito de Deus, tornado presente em Cristo, a Palavra viva de Deus, que veio ao encontro dos homens para os subtrair ao caminho da escravidão, do pecado e da morte.

Primeira Leitura - Livro do Deuteronômio (Deuteronômio 11, 18.26-28.32)

Moisés falou ao povo dizendo:
18 Gravai, pois, profundamente em vosso coração e em vossa alma estas minhas palavras; prenderas às vossas mãos como um sinal, e levaras como uma faixa frontal entre os vossos olhos. 19 Ensinai-as aos vossos filhos, falando-lhes delas seja em vossa casa, seja em viagem, quando vos deitardes ou levantardes. 20 Escreve-as nas ombreiras e nas portas de tua casa, 21 para que se multipliquem os teus dias e os dias de teus filhos na terra que o Senhor jurou dar a teus pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu sobre a terra. 22 Se observardes fielmente todos os mandamentos que vos prescrevo, amando o Senhor, vosso Deus, andando em seus caminhos e apegando-vos a ele, 23 então o Senhor expulsará de diante de vós todas essas nações, e despojareis povos mais numerosos e mais fortes do que vós. 24 Todo lugar em que pisar a planta de vossos pés vos pertencerá. Vossa fronteiras irão desde o deserto até o Líbano e desde o rio Eufrates até o mar do ocidente. 25 Ninguém vos poderá resistir: o Senhor, vosso Deus, semeará o pânico e o terror de vós em todas as terras onde pisardes, como vos prometeu. 26 Vede: proponho-vos hoje bênção ou maldição. 27 Bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos prescrevo. 28 Maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, e vos apartardes do caminho que hoje vos mostro, para seguintes deuses estranhos que não conheceis. 32 cuidareis de praticar todos os preceitos e todas as leis que hoje vos proponho.
Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial - Salmo 30

Senhor, eu ponho em vós a confiança: sede uma rocha protetora para mim!

Senhor , eu ponho em vós minha esperança;
que eu não fique envergonhado eternamente!
Porque sois justo, defendei-me e libertai-me;
apressai-vós, ó Senhor  em socorrer-me!

Senhor, eu ponho em vós a confiança: sede uma rocha protetora para mim.

Sede uma rocha protetora para mim,
um abrigo bem seguro que me salve!
Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza;
por vossa honra, orientai-me e conduzi-me!

Senhor, eu ponho em vós a confiança: sede uma rocha protetora para mim!

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo,
e salvai-me pela vossa compaixão!
Fortalecei os corações, tende coragem,
todos vós que ao senhor vos confiais.

Senhor, eu ponho em vós a confiança: sede uma rocha protetora para mim!

Segunda Leitura - Carta de Paulo aos Romanos  (Romanos 3, 21-25a.28 )

Irmãos, 21 agora, sem o concurso da lei, manifestou-se a justiça de Deus, atestada pela lei e pelos profetas. 22Esta é a a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo, para todos os fiéis (pois não há distinção; 23com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus), 24e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo. 25Deus o destinou para ser, pelo seu sangue, vítima de propiciação mediante a fé. Assim, ele manifesta a sua justiça; porque no tempo de sua paciência, ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores. 28Porque julgamos que o homem é justificado pela fé, sem as observâncias da lei.
Palavra do Senhor.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus (Mateus 7, 21-27)

Naquele tempo,disse Jesus aos seus discípulos : 21Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 22Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? 23E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus! 24Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. 26Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.
Palavra da Salvação.

Comentário - Construir a Casa do Reino

Todos nos queremos fazer com nossa vida algo que valha a pena. Quando somos jovens nossos desejos são muitos. Desde ter um bom trabalho ou talvez criar uma empresa até formar uma família. Ou ser missionário ou entrar na vida política para construir uma sociedade mais justa. Os desejos são muitos, mais as realizações não correspondem sempre à amplitude do que se sonhou. Sempre ficamos limitados. O bom trabalho ou a empresa que se formou com tanto esforço têm suas limitações. O político encontra as complicações das relações e com os interesses individuais  que impedem a realização de seus sonhos. Até o missionário descobre passados os anos que nem tudo o que tem feito foi como desejou.  
Assim é a vida. Com o passar do tempo descobrimos que o que temos levantado como edificação livre e responsável por nossa própria história, não segue exatamente os planos que fizemos em algum momento. Claro que uma coisa é fazer os planos no refúgio tranqüilo onde o arquiteto planeja e põem por escrito suas idéias e outra levar à realidade, construir a obra, encontrar com os operários, com os provedores, com os técnicos. Ao final o resultado não é exatamente o que estava nos planos.  
Mas é de esperar que o resultado seja uma casa que sirva para o que se pensou. Ainda que não seja perfeita, ainda que tenha limitações e defeitos, mas que não caia e que proteja da chuva. E que esteja bem cimentada.   
Como construir essa casa?
A parábola do evangelho deste domingo convida-nos a levantar nossa própria história sobre a rocha verdadeira. Para isso devemos escutar a palavra de Jesus. E levantar sobre ela nossa vida. Ou, como se diz ao princípio do mesmo evangelho, devemos cumprir a vontade do Pai. E aqui chegamos ao problema de sempre: Qual é a vontade do Pai para nós?  
Pelo menos, temos uma primeira resposta de Jesus: cumprir a vontade do Pai não consiste nem em profetizar no nome de Jesus, nem tirar demônios em seu nome, nem sequer em fazer milagres em seu nome. Tudo isso não serve mais do que para que Jesus nos diga que nos conhece e que não tem nada que ver conosco.    
Devemos recordar o refrão que diz “A Deus rogando e com a clava dando”. E voltar aos evangelhos que se leram nos últimos domingos. A vontade de Deus é que nos voltemos ao irmão e irmã e construamos um mundo mais fraterno, mais solidário, um mundo onde ninguém esteja excluído e onde todos se possam se sentir filhos e filhas do único Pai que está nos céus. Tudo o qual tem pouco que ver com profetizar, jogar demônios ou fazer milagres. E tem muito que ver com afundar as mãos no barro das relações humanas, com aproximar-se das  pessoas concretamente, com amar, com reconciliar, com perdoar, com estender pontes, com acolher...
Uma casa singela, para os irmãos
Aí é onde se “cumpri a vontade de Deus.” Aí é onde se constrói uma casa sobre rocha, capaz de resistira os ventos e às inundações. Quando descobrirmos que do se trata não de construir minha casa senão a casa comum, a de todos, a dos filhos e filhas de Deus. Trabalhando por aí é como cumprimos a vontade de Deus e construímos a casa do reino.
O que Jesus nos propõe tem pouco glamour, é pouco vistoso. Faz-se no compromisso diário, nas relações com os outros no seio da família, no círculo de vizinhos, no mundo do trabalho, na comunidade paroquial, no compromisso político. Tem pouco que ver com esses milagres que mudam no dia em noite em um momento e deixam a todo mundo deslumbrado. O que Jesus nos propõe é um trabalho oculto, mais que é a forma mais segura de que o amor de Deus chegue ao coração das pessoas.  
Como diz a primeira leitura, devemos escutar estas palavras de Jesus e as colocar no coração e na alma. Ensinam-nos o verdadeiro caminho. Desviar-nos dele é perder a melhor oportunidade de nossas vidas. E construir nossa casa sobre areia. Não durará muito! Mas se colaboramos com a graça de Deus, como diz Paulo, então nos encontraremos justificados, salvos. E nossa casa será a casa do reino.
Fernando Torres Pérez cmf
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Homilia de Mons. José Maria Pereira – IX Domingo do Tempo Comum – Ano A
Construir na Rocha!

Em Dt 11, 18. 26-32 temos um discurso de Moisés no final da vida. Ele relembra aos Hebreus os compromissos assumidos para com Deus e os convida a renovar a Aliança com o Senhor. É um convite a ter a Palavra de Deus sempre presente: “gravada no coração e na alma”.
Jesus, em Mt 7, 21-27, afirma solenemente: “Nem todo aquele que me diz, ‘Senhor, Senhor entrará no Reino dos Céus, más sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus’”.
Na ocasião em que o Senhor pronunciou essas palavras, falava diante de muitos que tinham transformado a oração numa mera recitação de palavras e fórmulas, que depois não influíam em nada na sua conduta hipócrita e cheia de malícia. O nosso diálogo com Cristo não deve ser assim: Ensinava São Josemaria Escrivá: “A tua oração tem de ser a do filho de Deus; não a dos hipócritas, que hão de escutar de Jesus aquelas palavras: “Nem todo aquele que diz Senhor!, Senhor! entrará no Reino dos Céus”. – A tua oração, o teu clamar; Senhor!, Senhor!, tem de andar unido, de mil formas diversas no teu dia, ao desejo e ao esforço eficaz de cumprir a vontade de Deus” (Forja, nº 358).
O caminho que conduz ao Céu e à felicidade aqui na terra, diz Santo Hilário, “é a obediência à vontade divina, não a repetição do seu nome”. A oração deve fazer-se acompanhar do desejo de realizar o querer de Deus que se nos manifesta de formas tão variadas. “Seria estranho – exclama Santa Teresa – que Deus nos estivesse dizendo claramente que nos ocupássemos de alguma coisa que é do seu interesse, e nós não o quiséssemos, por estarmos mais interessados no nosso gosto”.
Que pena se Deus quisesse levar-nos por um caminho e nós nos empenhássemos em seguir por outro! Certamente gostaríamos de merecer que nos chamassem “aqueles que amam a vontade de Deus. Empreguemos os meios para isso, dia após dia! E esses meios consistirão normalmente em nos perguntarmos muitas vezes ao longo do dia: faço neste momento o que devo fazer?
O empenho em procurar em tudo a vontade de Deus – a sua glória – dá-nos uma particular fortaleza contra as dificuldades e tribulações que tenhamos de padecer: doenças, calúnias, dificuldades econômicas…
No texto de Mt 7, 21-27 que estamos meditando podemos identificar os falsos profetas, os falsos discípulos, os falsos cristãos. Estes são os que dizem “Senhor, Senhor”, mas não fazem a vontade de Deus; não mantêm com Deus uma relação de comunhão e de intimidade; têm Deus nos lábios, mas o seu coração está cheio de maldade… Falam muito e bem, mas as suas obras denunciam a sua falsidade. O verdadeiro cristão é aquele que une a vontade do Pai; aquele que une a fé à vida.
Jesus fala da casa construída sobre a rocha e sobre a areia.
A vida do cristão que segue o Senhor com obras – a sua casa – não desmorona, porque está edificada sobre o mais completo abandono na vontade de Deus.
Procuremos construir a casa sobre a rocha! Somente a fé, que se exercida numa adesão plena à vontade de Deus, permite ao homem edificar a sua casa sobre a rocha e não teme que ventos e tempestades invistam contra elas. A casa é a vida cristã, que, cimentada na fé de Cristo e no cumprimento de Sua palavra, pode lançar o desafio a qualquer furacão e ainda ao tempo e à morte, convertendo-se um dia em vida eterna.
Em que tipo de alicerce queremos construir a casa de nossa vida?
Sobre a rocha firme da Palavra de Deus ouvida e praticada ou sobre valores efêmeros do dinheiro, do poder, da fama, da glória, da mentira, da injustiça ou da violência?
Um alicerce sólido e forte pode servir também de apoio para outras edificações mais fracas. A nossa vida interior, impregnada de oração e de realidades, pode servir de ajuda a muitos outros homens, que encontrarão em nós a fortaleza necessária quando as suas forças fraquejarem.
Não nos separemos em nenhum momento de Jesus! “Quando te vires atribulado…, e também na hora do triunfo, repete: – Senhor, não me largues, não me deixes, ajuda-me como a uma criatura inexperiente, leva-me sempre pela tua mão!”. “Jesus, eu me ponho confiadamente nos teus braços, escondida a minha cabeça no teu peito amoroso, pegado o meu coração ao Teu coração: quero, em tudo, o que Tu quiseres” (São Josemaria Escrivá, Forja, nº 654 e 529). Só o que Tu quiseres, Senhor! Não quero mais nada!
Mons. José Maria Pereira
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NEM TODO AQUELE QUE VIVE DIZENDO SENHOR, SENHOR, SERÁ SALVO...
O HOMEM PRUDENTE EDIFICA A SUA CASA SOBRE A ROCHA
Faça o mesmo, construa e mantenha sua fé em Jesus Cristo!

Estimado leitor, o Santo Evangelho desse domingo nos diz que Jesus disse aos seus discípulos:Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. Depois Jesus diz que quem ouve suas palavras e as põe em prática é como um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha.
Quero partilhar com você uma meditação que faço dessas palavras. São Mateus fala que este homem prudente constrói sua casa sobre a rocha. Para construir é preciso cavar. Cavar sobre a rocha não deve ser nada fácil. Cavar na rocha e, ainda, com profundidade. A edificação de nossa vida cristã não pode ser algo na superfície, tem que ser profunda.
O que Jesus está nos dizendo é que fazer a vontade do Pai não é somente portar-se bem ou mal, como não matar, não roubar, não fumar, não usar drogas, não fazer isso ou aquilo. Freqüentar as missas dominicais. Pertencer esse ou aquele movimento. Fazer a vontade do Pai não é somente expulsar demônios, fazer milagres ou profetizar. Se apenas isso fosse fazer a vontade do Pai, essas pessoas estariam salvas. Vejo que Jesus está nos dizendo que uma vida que não tem Deus como rocha quando vem as contrariedades do dia a dia não se mantém. Lembre-se que a casa edificada sobre a rocha tinha profundidade. A nossa vida cristã tem de ser firmada em Deus. Só nele.
O salmista disse "Desde a extremidade da terra clamo a ti, estando abatido o meu coração; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu" (Sal.61: 2). Quando não estamos em Cristo, facilmente somos abalados.
O homem prudente edifica a sua casa sobre a rocha, e quando vêm a tempestade, as turbulências e as enchentes, a casa permanece firme. Veja que o Evangelho diz que somos atacados por cima (chuva), de lado (vento) por baixo (areia).
Então, fazer a vontade do Pai é fazer tudo não pelas próprias forças, mas pela dependência permanente de Cristo. Jesus quer de nós: a comunhão, a dependência e o relacionamento profundo com Ele.
Querido leitor, se você é cristão porque se apaixonou por Cristo, porque se enamorou por Jesus, porque Jesus é tudo na sua vida, e se há uma permanente dependência de Jesus no seu cotidiano, então você construiu sua casa na Rocha. E que venham provações, ou perseguições, ou dificuldades. Que venham enfermidades, ou morte, a sua fé nunca vai desmoronar porque foi edificada na Rocha, que é Cristo.
É por isso que S. Paulo escreve em Efésios 6:10. Ele diz: "...sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder... portanto, nunca confie nas forças humanas, nós não passamos de barro. Não somos nada sem Cristo. "Eu Sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em Mim, e Eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer."(João 15:5). Nós não somos nada por nós mesmo, nosso sustento é Cristo, nossa segurança é Cristo. A coluna vertebral do cristianismo é Cristo.
Quero concluir lembrando que a casa edificada sobre a rocha tinha profundidade. O que é ter profundidade? Esse Evangelho é lido nos casamentos. Os casais querem que ele seja lido na cerimônia do matrimônio. Costumo dizer aos noivos na reflexão desse texto: Construam o matrimônio de vocês no amor, isto é, na compreensão, na aceitação, cooperação, na entrega, na verdade, no diálogo. Procure saber o que o machuca o que a machuca. Evite palavras, gestos e atitudes que possa ferir um ao outro. Juntos esforcem-se para errarem o menos possível. Isso é construir sobre Jesus.
Não basta apenas se “escorar” em Cristo, ir às missas de vez em quando, rezar quando der vontade. Não basta apenas construir na Rocha, mas cuidar para que “essa casa” se mantenha firme na Rocha que é Jesus. O segredo para permanecer firme na fé, é o serviço, o envolvimento com a Igreja participando de suas atividades, envolver com a missão de Cristo na Terra expandindo o seu Reino. Mas sempre tendo como razão da jornada Jesus.

Padre Vicente Paulo Braga, fam
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QUEM OUVE ESTAS MINHAS PALAVRAS E AS COLOCA EM PRÁTICA É UM HOMEM PRUDENTE...
 
Olívia
 
06/03/11
 
Evangelho- Mt 7, 21-27
Concluindo o sermão da montanha, Jesus nos alerta da importância de colocarmos em prática os seus ensinamentos. “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos céus, mas o que põe em pratica a vontade de meu Pai que está no céus”.
A palavra de Deus é alimento no nosso cotidiano! Devemos buscar sempre nos orientar por ela, colocá-la em prática e nunca guardá-la só para nós!
Ouvir os ensinamentos de Jesus, não corresponde apenas na nossa audição física, sem entrar no nosso coração, tudo que foi dito cairá no vazio, pois não nos levará a uma verdadeira adesão ao projeto do Mestre, tão claro no sermão da montanha. 
Para que a palavra de Deus frutifique no mundo através de nós, precisamos primeiramente  degustá-la, deixá-la fecundar o nosso coração, criar raízes, expandir ao ponto de não mais  caber dentro de nós e uma vez transformados, por esta palavra que ganhou vida em nós, tornaremos, apesar da nossa pequinês, um  sinal de Deus no mundo a realizar prodígios pelos caminhos que trilharmos!
  De que adianta ser um cristão que ama um Deus somente lá nas alturas, se o que Ele quer, é agir no mundo através de nos? À distância, não ouviremos os seus apelos, por tanto, não haverá um compromisso e por mais belas que sejam as palavras que a Ele proferimos, elas jamais chegarão aos seus ouvidos, pois serão levadas pelo vento!
Também não adianta ser um cristão que fica da janela como um telespectador, vendo as coisas acontecerem e não fazer nada!  Precisamos abrir as portas de nossa casa, dar passos, ir mais além, esvaziarmos de nós mesmos, sair ao encontro do outro, nos tornando instrumento de Deus, resgatando vidas!
 Mais do que ser Cristão, devemos ser discípulo, entrar em intimidade com Jesus, aprender com Ele, pautar a nossa vida pelo seu exemplo de obediência ao Pai ao se colocar a serviço da humanidade, prioritariamente dos esquecidos por uma sociedade excludente.
Sabemos que ser discípulo neste mundo desigual é um desafio! Exige de nós compromisso, renúncia, atitude que às vezes nos coloca em situações de perigo, mas, se colocarmos nossa segurança nas mãos de Deus, nada poderá nos deter.
É a partir da nossa confiança num Deus que é Pai e que se revelou plenamente a nós, no seu filho Jesus, que firmaremos nossos passos. E alicerçados nos valores, hoje tão esquecidos, amor, solidariedade, fraternidade, assentaremos a nossa vida! E nenhuma tempestade destruirá o que foi construído, sob o olhar atento do construtor maior: Jesus! 
 
 
CONSTRUIR UMA CASA SEGURA, É DAR CONTINUIDADE AOS PASSOS DE JESUS!
 
Olívia
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Homilia do D. Henrique Soares da Costa – IX Domingo do Tempo Comum – Ano A
Dt 11,18.26-28.32
Sl 30
Rm 3,21-25a.28
Mt 7,21-27
Somos crentes! Cremos que há um Deus no céu e na terra, um Deus na nossa vida! Crer significa abrir-se para Ele, reconhecê-lo como Origem, Sentido e Destino da nossa existência…Para nós, viver é viver nele, morrer é ficar sem ele, pois já não teríamos um sentido para nossa vida! Crer é poder dizer: Deus é meu chão, é meu horizonte, é meu ambiente, é o ar que eu respiro!
É neste contexto e com estes pensamentos que devemos escutar as exortações do livro do Deuteronômio, na primeira leitura desta Eucaristia, ao nos falar de Deus e da sua Palavra: “Incuti estas minhas palavras em vosso coração e colocai-as como faixas sobre a testa”. Eis: o fiel aqui é convidado a envolver-se com a Palavra, a deixar-se abarcar por Deus, por sua vida, por seus mandamentos, por seu amor… O fiel é exortado a respirar Deus com toda a sua existência! Daqui depende a bênção ou a maldição de sua vida, de seu caminho neste mundo, daqui decorre o sentido ou ausência de sentido da sua existência neste mundo e na eternidade:“Escolhe, pois a bênção para que vivas! Façamos aqui uma pausa e,do fundo da nossa existência, tão débil e incerta – certa somente se for vivida em Deus – elevemos o coração ao Senhor com as palavras do Salmista:“Senhor, eu ponho em vós a minha esperança! Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza: salvai-me pela vossa compaixão!”
Para nós, cristãos, a vida com Deus é mais que obedecer a preceitos: é crer, é abrir-se totalmente para Aquele que o Pai nos deu – Jesus! Somos todos tão incapazes de agradar a Deus, tão quebrados interiormente… Não somos bonzinhos, não somos tranquilamente abertos para Deus, disponíveis à sua vontade a nosso respeito… Não lhe somos fiéis como deveríamos! É em Cristo – e somente em Cristo -, no seu amor até a morte, que encontramos a vida com Deus e em Deus. É o que nos quer dizer São Paulo na segunda leitura de hoje: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e a justificação se dá gratuitamente por sua graça, em virtude da redenção realizada em Jesus Cristo”. Atentos à palavra do Apóstolo: todos somos pecadores, todos com a profunda tendência de nos fechar à graça, de viver como quem não crer, como se Deus não existisse! O único modo de nos abrirmos para Deus de verdade é acolher Aquele que morreu e ressuscitou para nos justificar, isto é, tornar-nos amigos de Deus, fazer-nos justos diante de Deus! Contemplando o quanto o Senhor Jesus deu-se por nós, sofreu por nós, por nós morreu e ressuscitou, somos convidados a nos reconhecer pecadores, sem-amor, indignos de Deus, e abandonarmo-nos à salvação que somente Jesus nos pode dar! Eis o que é crer em Jesus! Notemos que é o contrário do pensamento dominante hoje, quando a humanidade acha-se justa, santa, madura – até chegar ao ponto de julgar Deus e seus preceitos! O crente, remando contra a maré, reconhece-se indigno de Deus, pequeno ante ele e, cheio de confiança, nele se abandona. A fé é o contrário da vã confiança, da prepotência presunçosa e ilusória. Feliz era Francisco de Assis, que perguntava e respondia ao Cristo:“Senhor, quem és tu? Quem sou eu? Tu és o meu tudo; eu sou o teu nada!”
Mas, atenção! Esta fé em Jesus é mais que uma proclamação, que um sentimento: é uma abertura real, uma atitude de vida, um compromisso que envolve toda a existência nossa: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade do meu Pai que está os céus!” Que estejamos bem atentos – e estejam também aqueles que, de modo unilateral e ilusório, gritam que só a fé salva; as obras ao contam: não adianta nada, não é sinal de verdadeira fé gritar o nome do Senhor, profetizar em nome do Senhor, expulsar demônios em nome do Senhor, fazer muitos milagres em nome do Senhor! Tudo isso sem um compromisso eficaz e real de nossa vida com o modo de ser e viver que Jesus nos propõe, é inútil: “Jamais vos conheci! Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal!”
Nestes tempos em que a fé virou show de televisão e o nome de Jesus é instrumento de alienação e lucro vil e ter fé é confundido com ser crédulo e ingênuo, o Senhor nos aponta o sentido da verdadeira fé: construir a casa da vida sobre a rocha que é Cristo, por ele perder-se e perder tudo, nele tudo apostar, nele absolutamente confiar, na sua Palavra viver e morrer e nele ter a certeza de que somente em Jesus o Pai nos disse Sim, um sim do qual ele não se arrependerá jamais!
Pois! Que Cristo, a Palavra última e única do Pai – Palavra que contém todas as palavras! – que Ele seja incutido em nosso coração e em nossa alma; seja um sinal em nossas mãos e um selo o nosso coração e na nossa vida! É esta a bênção verdadeira, esta, a vida, esta a salvação! Que o Senhor no-la conceda na sua misericórdia! Amém.
D. Henrique Soares da Costa
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Homilia do Padre Françoá Costa – IX Domingo do Tempo Comum – Ano A
As obras da fé
Erram aquelas pessoas que pensam que basta com aceitar Jesus para serem salvos! Equivocam-se aqueles outros que pensam que é suficiente a mera fé para chegar à vida eterna! Está longe da verdade o individuo que proclama somente com a boca, “Senhor, Senhor”, sem aprofundar essas palavras no coração, tendo-as verdadeiramente como programa de vida.
No mesmo caminho do erro estão aqueles que pensam que para salvar-se basta com não fazer coisas más. Estão equivocados aqueles que confundem a filantropia com a caridade. Mas também estão longe da verdade os que insistem nas obras e diminuem importância à graça e à fé.
Em contra dessas visões parciais se opõe o maravilhoso equilíbrio do Evangelho. Por um lado: “tua fé te salvou” (Lc 8,48) e “tudo é possível ao que crê” (Mc 9,23). Por outro: “nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21) e “Vinde, benditos do meu Pai, tomai posse do Reino (…) porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes (…)” (Mt 25,34-36). Poderíamos seguir apoiando as duas caras dessa moeda única com outros textos da Escritura Santa. O mesmo apóstolo que deixou escrito que “o justo viverá pela fé” (Rm 1,17) disse no capítulo seguinte da carta aos Romanos que o juízo de Deus “retribuirá a cada um segundo as suas obras” (Rm 2,6).
Todo cristão deve viver de fé. Mas a fé não é uma mera profissão da boca para fora, não é um mero ato de confiança na misericórdia de Deus, não é somente acreditar que Deus existe. A fé é algo que invade toda a nossa existência: o nosso ser, a nossa inteligência, a nossa vontade, os nossos sentimentos. Quase se poderia dizer que nós não temos fé, mas que a fé nos tem. Somos homens e mulheres de fé. Ao vivermos de fé, perceberemos as consequências da fé em todas as dimensões do nosso existir. O cristão nunca pode desassociar a sua fé da sua vida. Dizer “Senhor, Senhor” na Missa dominical é muito importante, mas é preciso continuar dizendo “Senhor, Senhor” nas vinte quatro horas de cada jornada, não necessariamente com a boca, mas com as nossas ações quotidianas. É preciso proclamar o senhorio de Jesus na família, no trabalho e em todas as demais relações.
Caso Jesus seja o Senhor da família de fulano, fulano viverá as obras da fé na família: a sua esposa será a única mulher na sua vida ou, desde a outra perspectiva, o seu esposo será o único homem na sua vida; os filhos, frutos do amor generoso de ambos, serão vistos como pessoas que merecem cuidado, educação, carinho, correção; os pais serão sempre o ponto de referência e não supostos amiguinhos da escola ou da faculdade. Os filhos serão respeitados e educados tendo em conta aquilo que eles são, varões ou mulheres, e em atenção aos seus dotes pessoais. Alguns terão maiores capacidades intelectuais, esses farão uma faculdade e talvez sejam doutores; outros terão maiores capacidades manuais e não serão muito dados aos livros… Não há problema! A sociedade que necessita dos professores universitários, necessita igualmente de eletricistas, donas de casa, operários em geral, médicos, agricultores etc.
Caso Jesus seja o Senhor do trabalho de ciclano, ciclano viverá as obras da fé no seu ambiente profissional a través da pontualidade, do respeito aos demais, da honra à palavra dada, do cumprimento fiel dos próprios deveres, da dedicação generosa ao próprio trabalho e aos amigos do ambiente laboral, da boa educação e dos bons costumes. Qual é o melhor trabalho? O santo da vida ordinária, S. Josemaría Escrivá, responderia: o melhor trabalho é aquele que se faz com maior amor de Deus.
Caso Jesus seja o Senhor de todas as relações de beltrano, beltrano viverá as obras da fé em todos os lugares e com todos os seres com os quais se encontrem: as amizades e a vida em sociedade devem ser santificadas. Lembremo-nos de que as nossas amizades, ócios e as mais variadas atividades são ocasiões de apostolado, de evangelização.
Dessa maneira, não há dúvida: fulano, ciclano e beltrano, estarão não somente proclamando o senhorio de Jesus com a boca, mas com todo o seu ser, com toda a sua inteligência, com toda a sua vontade, com todos os seus sentimentos. Será uma pessoa de fé. Uma pessoa que ama e faz a vontade de Deus. Mas é preciso lutar um dia e outro também, sempre!
Pe. Françoá Costa
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DOMINGO 6 de Março de 2011
Evangelho - Mt 7,21-27
Aquele que faz a vontade de meu Pai entrará n reino dos céus.
Este Evangelho narra a belíssima parábola da casa construída sobre a rocha. Fazer a vontade de Deus é o principal para entrarmos no céu. Se não a fizermos, mesmo que passemos a vida inteira dizendo: “Senhor, Senhor”, não ganharemos a salvação. Em vez de “fazer”, Jesus usa a expressão “por em prática” a vontade de Deus. Isso para deixar bem claro que não basta também conhecermos ou até divulgarmos os mandamentos de Deus. Jesus derruba todas as nossas desculpas e subterfúgios para nos esquivarmos de praticar os mandamentos.
Os dois que constroem suas casas – um sobre a rocha e o outro sobre a areia – ouvem a Palavra de Deus; a diferença é que um a pratica e o outro não. Com isso Jesus derruba mais uma desculpa nossa: ouvir a Palavra de Deus e participar de grupos e celebrações religiosas. O que vale é a nossa vida, e ponto final.
Quantas pessoas conseguem enganar os outros durante anos e anos, com uma fachada de justas, sendo que de fato não são! E esse pecado pode estar em nós. É fácil enganar. Mas Jesus garantiu: tudo o que está oculto um dia será revelado.
Nós, em geral, gostamos de ouvir a Palavra de Deus, mas paramos por aí. Se, após uma Missa, alguém nos perguntar: quais foram as leituras bíblicas feitas na Missa? Às vezes nem nos lembramos!
Olhando-nos com sinceridade, temos de reconhecer que existe certa distância entre os ensinamentos de Jesus e a vida que levamos. Apesar disso, continuamos ouvindo, ouvindo, ouvindo... e pouco nos preocupando com a conversão de vida. Em outras palavras, continuamos construindo sobre a areia.
Portanto, se, após a nossa morte, nos sairmos bem no Juízo, será por pura misericórdia de Deus.
Quem constrói uma casa sem alicerce é sem juízo; além de jogar dinheiro fora, ainda arrisca a própria vida e da família. O mesmo acontece com quem quer levar uma vida cristã apenas “de nome” ou de aparência. Só que aqui o prejuízo é maior, pois é eterno.
A Palavra de Deus não é difícil de ser praticada. Ela é como a semente que, quando semeada, cresce por uma força própria. Basta não colocarmos obstáculos, que a Palavra de Deus cresce e produz fruto em nós por si mesma.
Mas aí que mora o perigo, pois o maligno também semeia em nosso coração a sua cizânia, e esta, devido ao pecado que existe dentro de nós e no mundo que nos rodeia, cresce mais rápido que a Palavra de Deus e tende a abafá-la.
Certa vez, um homem chegou em casa, após o trabalho, e encontrou seus três filhos brincando do lado de fora, ainda vestindo pijamas. Estavam sujos de terra, cercados por embalagens vazias de comida entregue em casa.
A porta da frente da casa estava aberta. O cachorro estava sumido, não veio recebê-lo.
Enquanto ele entrava em casa, achava mais e mais bagunças. A lâmpada da sala estava queimada, o tapete estava enrolado e encostado na parede.
Na sala de estar, a televisão ligada, emitindo berros num desenho animado qualquer, e o chão estava atulhado de brinquedos e roupas espalhadas.
Na cozinha, a pia estava transbordando de pratos; ainda havia café da manhã na mesa, a geladeira estava aberta, tinha comida de cachorro no chão e até um copo quebrado em cima do balcão. Sem contar que tinha um montinho de areia perto da porta.
Assustado, ele subiu correndo as escadas, desviando dos brinquedos espalhados e de roupas sujas. “Será que a minha mulher passou mal?” ele pensava. “Será que alguma coisa grave aconteceu?”
Então, ele viu um tio de água correndo pelo chão, vindo do banheiro. Lá, ele encontrou mais brinquedos no chão, toalhas ensopadas, sabonete líquido espalhado por toda parte e muito papel higiênico na pia. A pasta de dente tinha sido usada e deixada aberta, e o banheiro transbordada água e espuma
Finalmente, ao entrar no quarto do casal, ele encontrou sua mulher, ainda de pijama, na cama, deitada e lendo uma revista. Ele olhou para ela, completamente confuso, e perguntou: “O que aconteceu aqui em casa? Por que toda essa bagunça?”
Ela sorriu e disse: “Todo dia, quando você chega do trabalho, me pergunta: ‘Afinal de contas, o que você fez o dia inteiro dentro de casa?’ Bem... Hoje eu não fiz nada, FOFO!!!”
O marido se tocou e até ajudou a dar banho nas crianças.
Essa casa foi construída sobre a rocha do sacramento do matrimônio. Só que agora estava entrando areia na união do casal. O remédio, inventado pela esposa, foi amargo, mas curou. Curou para sempre.
“Feliz aquela que acreditou” – disse Santa Isabel a respeito de Maria Santíssima - “pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!” (Lc 1,45). Que a nossa Mãe do céu nos ajude a seguir o seu Filho, não apenas com palavras, mas com a nossa vida.
Aquele que faz a vontade de meu Pai entrará no reino dos céus.
Vera Lucia
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Não nos bastará apenas dizer Senhor, Senhor, mas sim, confiar plenamente no Seu Amor e na Sua real proteção – Maria Regina.

                                                          A casa é a nossa vida. A Rocha é a Palavra de Jesus Cristo. A areia é a ilusão dos ensinamentos do mundo. A casa construída sobre a rocha é a vida do homem que caminha à luz da Palavra de Deus. Se não permanecermos firmes na vivência da Palavra de Jesus, se não concretizarmos com as nossas ações o que proferimos com os nossos lábios estaremos construindo a nossa história sobre falsos fundamentos e na hora da tempestade a nossa vida ruirá e nós experimentaremos o fracasso.
                                                       Não precisamos imaginar muito, mas até uma simples enfermidade ou um baque financeiro podem nos tirar do sério quando não temos a nossa vida firmada em Deus e nas Suas promessas. Deus é a Rocha, Deus é o Amor e aquele que se ajusta à Sua vontade, terá uma vida firme, confiante e as tempestades, os terremotos, os ventos não o abalarão. As dificuldades da nossa vida são momentos preciosos para percebermos se estamos firmes sobre a R0CHA.
                                                    Não nos bastará apenas dizer Senhor, Senhor, mas sim, confiar plenamente no Seu Amor e na Sua real proteção.É preciso que nos acostumemos com a certeza da eterna fidelidade de Deus para conosco, seus filhos. Ele também espera, para o nosso bem, que não nos esqueçamos de louvá-lo, em reconhecimento pelo muito que recebemos do Seu grande amor. Muitos se lembram de Deus só para pedir e mesmo não vivendo como Ele pedem, ficam bravos, batem os pés, xingam e até blasfemam, porque acham que não foram atendidos.
                                                    Só Ele sabe o que pode e deve fazer e, quando é o momento certo para atender aos pedidos que fazemos. Nós mesmos não sabemos que aquela não é a hora de sermos atendidos e… por isso pedimos…e, por isso muitos se dizem decepcionados e se afastam até do caminho do Senhor. É preciso pedir. Jesus mesmo nos diz: “Tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, Ele vos atenderá”. Jesus não mente; as Suas palavras significam tudo aquilo que representam, mas não esqueçamos, que existe também, a nossa parte a ser cumprida. Há uma aliança bilateral entre nós e Deus, para ser cumprida.
Amém
Abraço carinhoso
Maria Regina


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NEM TODO AQUELE QUE ME DIZ SENHOR, SENHOR ENTRARÁ NO REINO DOS CÉUS

Mateus 21,28-32

Nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do Pai. Fazer a vontade do Pai não é apenas bater no peito e dizer Senhor, Senhor, mas colocar em prática o que o Senhor nos pede para fazer. Neste evangelho podemos perceber duas situações que nos leva a esta reflexão. Dois filhos são convidados a trabalhar na vinha do Pai, um a principio diz não para Deus e depois se arrepende e vai cumprir o que o Pai lhe pede, e o outro que não é capaz de dizer não, mas também não é capaz de fazer o que o Pai lhe pede.
            Muitas vezes nós agimos como o segundo filho. Não temos a coragem de dizer não para Deus, nos fazemos de bonzinho, mas na hora de trabalharmos na vinha (podemos entender aqui a vinha como o Reino de Deus), nos acomodamos, achamos que nos basta ir a Igreja, pregar um rótulo de católico ou de cristão no peito que está tudo bem. Porém quando temos a oportunidade de colocar em prática a caridade para com os irmãos, deixamos de fazê-lo.
            Jesus nos diz: o que fizeres a um destes pequeninos é a mim que estará fazendo; tive fome e não me destes de comer, estava nu e não me vestistes doente e não me visitastes tudo isto é trabalho no Reino de Deus, e que nós ignoramos. Pois quem ama a Deus deve amar também o seu irmão, vejamos 1 João 4,20: “Se alguém disser: “Amo a Deus e odeia seu irmão, é um mentiroso”. “Com efeito, quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem vê”. A prática do amor é o mais importante trabalho da vinha do senhor.

O primeiro filho pode ser comparado às pessoas que de uma maneira ou de outra negam a Deus, se afastam, mas quando se arrependem, voltam e trabalham com muito mais vontade, tentando recuperar todo o tempo perdido, ajudam muito mais na reconstrução do Reino de Deus, do que aqueles que batem no peito dizendo Senhor, mas ficam no comodismo de acharem que já estão salvos. Não podemos correr este risco, devemos estar atentos a todo instante, lembrando ainda o que Jesus nos diz: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”. Por isto que Jesus nos diz: “os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!”.

Acolhamos a Deus, porém com o coração aberto, não podemos honrar a Deus com os lábios e ter o coração fechado. Lembremos esta passagem: “Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim. Em vão me prestam culto, pois o que ensinam são mandamentos humanos.” (Is 29,13

Façamos então a vontade do Pai, amando-nos uns aos outros. Devemos tratar os outros exatamente como queremos que nos tratem, vamos desejar para os outros, o que desejamos para nós. Vamos aceitar Jesus Cristo como Senhor e Salvador, acolhendo de coração aberto a palavra de Deus, e como verdadeiro discípulo e missionário, trabalhar na construção do Reino de Deus.

Newton Hermógenes

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NEM TODO AQUELE QUE ME DIZ: SENHOR, SENHOR SE SALVARÁ.
A liturgia do IX Domingo Comum é um convite para construir a vida sobre o alicerce firme da Palavra de Deus.

Quando a Palavra de Deus está no centro da vida e dá forma aos pensamentos, sentimentos e ações, o homem caminha, com segurança, ao encontro da realização plena, da vida definitiva.

No Evangelho Mateus convida a sua comunidade - e as comunidades cristãs de todos os tempos e lugares - a enraizar a sua vida na Palavra de Jesus e a traduzir essa adesão em ações concretas. Para ser cristão, não basta dizer palavras bonitas de adesão ao Senhor; mas é necessário esforçar-se por cumprir, a cada instante, a vontade de Deus e viver de acordo com os valores propostos por Jesus nas bem-aventuranças.

A primeira leitura, na mesma linha, convida os crentes a deixarem que a Palavra de Deus envolva e penetre toda a sua vida, marque os seus pensamentos, sentimentos e ações. Garante-nos que construir a vida à volta da Palavra de Deus é assegurar a felicidade e a vida definitiva.

A segunda leitura não se refere tão diretamente ao tema do domingo (a Palavra de Deus); mas garante-nos que a salvação resulta do dom gratuito de Deus, tornado presente em Cristo, a Palavra viva de Deus, que veio ao encontro dos homens para os subtrair ao caminho da escravidão, do pecado e da morte.
Leituras
Primeira Leitura - Livro do Deuteronômio (Deuteronômio 11, 18.26-28.32)
Moisés falou ao povo dizendo:
18 Gravai, pois, profundamente em vosso coração e em vossa alma estas minhas palavras; prenderas às vossas mãos como um sinal, e levaras como uma faixa frontal entre os vossos olhos. 19 Ensinai-as aos vossos filhos, falando-lhes delas seja em vossa casa, seja em viagem, quando vos deitardes ou levantardes. 20 Escreve-as nas ombreiras e nas portas de tua casa, 21 para que se multipliquem os teus dias e os dias de teus filhos na terra que o Senhor jurou dar a teus pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu sobre a terra. 22 Se observardes fielmente todos os mandamentos que vos prescrevo, amando o Senhor, vosso Deus, andando em seus caminhos e apegando-vos a ele, 23 então o Senhor expulsará de diante de vós todas essas nações, e despojareis povos mais numerosos e mais fortes do que vós. 24 Todo lugar em que pisar a planta de vossos pés vos pertencerá. Vossa fronteiras irão desde o deserto até o Líbano e desde o rio Eufrates até o mar do ocidente. 25 Ninguém vos poderá resistir: o Senhor, vosso Deus, semeará o pânico e o terror de vós em todas as terras onde pisardes, como vos prometeu. 26 Vede: proponho-vos hoje bênção ou maldição. 27 Bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos prescrevo. 28 Maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, e vos apartardes do caminho que hoje vos mostro, para seguintes deuses estranhos que não conheceis. 32 cuidareis de praticar todos os preceitos e todas as leis que hoje vos proponho.
Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial - Salmo 30
Senhor, eu ponho em vós a confiança: sede uma rocha protetora para mim!
Senhor , eu ponho em vós minha esperança;
que eu não fique envergonhado eternamente!
Porque sois justo, defendei-me e libertai-me;
apressai-vós, ó Senhor  em socorrer-me!

Senhor, eu ponho em vós a confiança: sede uma rocha protetora para mim.

Sede uma rocha protetora para mim,
um abrigo bem seguro que me salve!
Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza;
por vossa honra, orientai-me e conduzi-me!

Senhor, eu ponho em vós a confiança: sede uma rocha protetora para mim!

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo,
e salvai-me pela vossa compaixão!
Fortalecei os corações, tende coragem,
todos vós que ao senhor vos confiais.

Senhor, eu ponho em vós a confiança: sede uma rocha protetora para mim!
Segunda Leitura - Carta de Paulo aos Romanos  (Romanos 3, 21-25a.28 )
Irmãos, 21 agora, sem o concurso da lei, manifestou-se a justiça de Deus, atestada pela lei e pelos profetas. 22Esta é a a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo, para todos os fiéis (pois não há distinção; 23com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus), 24e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo. 25Deus o destinou para ser, pelo seu sangue, vítima de propiciação mediante a fé. Assim, ele manifesta a sua justiça; porque no tempo de sua paciência, ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores. 28Porque julgamos que o homem é justificado pela fé, sem as observâncias da lei.
Palavra do Senhor.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus (Mateus 7, 21-27)
Naquele tempo,disse Jesus aos seus discípulos : 21Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 22Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? 23E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus! 24Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. 26Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.
Palavra da Salvação.
Comentário
Crer e Construir
Jesus dirigia-se às pessoas simples quando falava em parábolas. Por isso, as parábolas não necessitam de muitas explicações. Entende-se de maneira intuitiva, ao primeiro golpe. A comparação entre o que constrói sua casa sobre a areia e o que a constroem sobre a rocha é transparente.

Quase se pode ver com a imaginação ou, simplesmente, recordando as muitas imagens que os meios de comunicação nos oferecem sobre os temporais que açoitam determinadas regiões de nosso mundo e que nos parece que a força da natureza se desata em toda sua fúria. Só as casas que estão construídas de uma maneira sólida são capazes de resistir a esses ventos. O resto voa pelos ares. Mas as casas bem construídas permanecem.

Crer como opção pessoal

Talvez seja esta a primeira reflexão que podemos fazer à vista desta parábola. E mais se levarmos em conta a primeira leitura que em seu momento se dirigiu ao povo israelita e hoje se dirige a nós: “Hoje ponho-vos diante maldição e bênção”. A bênção é a oferta da vida e vida em plenitude. A maldição é o encontro fatídico com a morte para sempre. Seguir os caminhos do Senhor é a maior bênção que pode encontrar em sua vida a pessoa humana.

Porém, a decisão pela fé não é algo que nos seja imposto. Crer porque “os demais também crêem”, ir a missa “porque todos vão a missa”, etc. não é um verdadeiro crer. Não passa senão a ser uma capa superficial que não termina por afetar verdadeiramente à vida da pessoa.

Crer é algo que sucede dentro da cada pessoa, da cada um de nós, quando nos pomos sinceramente na presença de Deus e lhe acolhemos como nosso criador e salvador, quando da mão de Jesus, nosso irmão maior, reconhecemos como Pai amoroso que nos cuida e nos guia pela vida. Nesse momento compreendemos que a única coisa que verdadeiramente a pena é ir fazendo realidade em nossa vida e nos que nos rodeia o Reino do qual tanto falou Jesus: um mundo feito de justiça e fraternidade.

Construir a casa de todos

Aqui voltamos à casa da parábola. Crer não é o fim do caminho. Na realidade é o começo, é o ato de pôr-se em pé para seguir a Jesus, de continuar sua obra. O crente, homem ou mulher, assume como responsabilidade pessoal a construção do Reino, da casa onde todos são acolhidos como filhos e filhas de Deus.

É uma tarefa lenta, precisa tempo, cuidado, atenção. De tijolo em tijolo se levanta as paredes. Devemos cuidar das fundações para que as inclemências do tempo não a derrubem. É o cimento que une todos os elementos da construção e deve ser da melhor qualidade, feito de misericórdia, acolhida, reconciliação, amor. É uma casa aberta a todos sem condições. Sem condições.

Assim e só assim construir-se-á uma casa bem fundamentada, capaz de agüentar a chuva e os ventos. Usar outros materiais de construção dará lugar a uma casa que perde totalmente.

Tudo é graça

O crente decide livremente participar nessa construção. É consciente de suas limitações. Sabe que sua liberdade é limitada. Conhece seu próprio pecado, suas debilidades. Mas também, por sua fé, sabe que tudo é graça, e que conta com a mesma força de Deus para seguir com sua missão.

O crente não sente que se está ganhando a salvação pelo fato de participar na construção da casa comum. Como nos diz a segunda leitura, somos “justificados gratuitamente por sua graça”. Na realidade, o ato de fé é em si mesmo uma graça de Deus. É o momento no qual nos fazemos conscientes do amor com o qual Deus nos ama. É, puro agradecimento, nossa vida se reorienta para fazer que esse amor chegue a todos os homens e mulheres de nosso mundo, para fazer realidade o Reino entre nós.

 






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