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sexta-feira, 18 de maio de 2012

ASCENSÃO DO SENHOR


DOMINGO  20 DE MAIO

Dia 20 de maio

ASCENSÃO DO SENHOR
Introdução
Caríssimos. Neste domingo nós celebramos a volta de Jesus Cristo ao Pai, depois de ter cumprido a sua tarefa na  Terra. Antes da sua partida, Ele preparou tudo para que a sua missão tivesse continuidade pelos discípulos, e pelos seus continuadores ou descendentes, representados hoje por mim, por  você e por todos nós que abraçamos a fé, e que aceitamos o chamado de Cristo, para continuar a sua missão.
Junto ao Pai, sentado à sua direita,  Jesus permanece cuidando para que toda a humanidade esteja se dirigindo nesta caminhada rumo a casa do Pai.  Jesus subiu para junto do Pai, mais prometeu voltar do mesmo modo que os apóstolos o viram subir, para julgar os vivos e os mortos. Peçamos ao Pai em nome de Jesus, para que neste dia, sejamos incluídos entre aqueles que serão redimidos pela graça divina, e alcancemos as maravilhas da vida eterna.
Enquanto estamos nesta estrada, peçamos também ao Pai que nos dê o Espírito de sabedoria, e que Ele abra a nossa mente para Luz, para que enxergamos a estrada a seguir, e para que saibamos  qual a sua vontade com relação a cada um de nós. Ou seja, qual a nossa missão na Terra, ou como poderemos servir ao Reino de Deus enquanto caminhamos.  
         Prezados amigos. Hoje é o dia mundial das comunicações, e no Evangelho, Jesus está nos convidando, a irmos pelo mundo e comunicar a sua mensagem a todas as criaturas. E é exatamente este o trabalho que a Igreja vem desenvolvendo desde aquele dia em que o nosso Mestre subiu para o Céu. A Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo se encarrega de comunicar e testemunhar Cristo ao mundo todo.
          E vejam que através da Internet, essa missão torna-se mais fácil. Pois podemos atingir muita gente pelo mundo afora, apenas sentados em nossa casa.
         Este nosso trabalho de evangelização pela internet, conta com a colaboração de padres, diáconos, freiras, catequistas do Brasil de norte a Sul. Temos colaborador no extremo norte, como é  o caso de  nosso inspirado Diácono Claudinei, colaboradores que ficam mais para o Sul, como a Maria Regina, a Rita, o Diácono José da Cruz, a Vera Lúcia, o prof. Fernando... Outros, como o Newton, Alexandre Soledade, Gilberto Silva, e  Maria Olívia, já ficam para o Centro-Oeste, enquanto outros como, por exemplo, o Padre Erivaldo, e o escritor Jorge Lorente, estes ficam mais para o Nordeste. Isso sem citar os espanhóis, franceses, e os demais colaboradores brasileiros, para não nos alongar muito.
         Gostaríamos de esclarecer que a aprovação, aceitação e inclusão do colaborador não depende de uma só pessoa, mais sim da opinião de vários internautas. Dessa forma, qualquer exclusão que venha acontecer, é fruto da consideração e votação de cerca de 9 internautas missionários.
E vamos espalhar a palavra de Deus pelo Mundo. Pois ai de nós se não evangelizarmos.
Sal.
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"NOVO HOMEM"- Diac. José da Cruz

20 de Maio : FESTA DA ASCENÇÃO DO SENHOR
                                                                     

Meu grupo imaginário de debatedores do evangelho aspirantes a teólogos, se reuniu para refletir o evangelho desse domingo, Festa da Ascensão do Senhor. O Mota, que é o homem encarregado de comprar as hóstias e partículas da paróquia deu início a conversa. “Bom, nessa não caio mais, a apoteótica subida de Jesus ao céu é coisa secundária, os holofotes estão voltados para os discípulos, que recebem a missão, que será acompanhada de sinais prodigiosos”. Certo? Nem mal havia perguntado, o Ernesto, aquele que é líder em uma empresa, retrucou: “Epa! Se é festa da ascensão, a cena principal é Jesus subindo ao céu, pode conferir, vamos ver aqui...” O grupo abriu o Novo Testamento e a Dona Maria, empregada doméstica, observou “Olha, acho que esqueceram de avisar o Marcos que esse domingo é a festa da ascensão, tem três ou quatro palavras dizendo que Jesus foi elevado ao céu e mais nada”
E antes que o grupo esquentasse ainda mais a conversa, eu convidei todos a lerem o capítulo 16 , onde está inserido esse evangelho. A constatação  foi a que eu já esperava “Se a ascensão fosse uma prova final, os coitados dos discípulos tomariam zero e seriam reprovados...” -  comentou a catequista Roseli. De fato, o quadro que Marcos descreve, antes desse evangelho é meio tenebroso, as mulheres cheias de medo não disseram nada a ninguém, embora tivessem recebido do jovem vestido de branco, a missão de anunciar aos discípulos, Maria de Magdala até que anunciou aos discípulos, mas eles estavam aflitos e choravam, ouviram dizer que Jesus estava vivo, porque ela o tinha visto, mas não acreditaram. Quanto aqueles dois na estrada de Emaús, demorou para “cair a ficha” e perceber que Jesus caminhava com eles, daí foram anunciar ao restante, mas eles duvidaram. Quando Jesus se manifestou aos onze censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, por não darem crédito ao anúncio. “É isso aí, tomaram a maior esfrega, foi bem feito!” – concluiu o Ernesto.  “Eu é que não seria louco de confiar uma missão tão importante a um grupo  desse!” – exclamou o Mota decepcionado.
Os discípulos não tinham poderes sobrenaturais, Jesus não confiou a missão a super-homens, o texto anterior nos mostra isso, e aí é que está o bonito da história, nós também muitas vezes temos dúvidas, não acreditamos, e diante de certos acontecimentos, demora para “cair a nossa ficha”, por isso a ascensão de Jesus marca o início da missão da  Igreja,  e daí a gente começa a se ver nesse evangelho, e principalmente no relato de Lucas em Atos, primeira leitura, quando vivenciamos uma fé da magia e ficamos olhando para o céu, esperando que Jesus volte para consertar tudo o que está errado.
“Olha, confesso que estou meio boiando” – comentou o Mota. “se é a Festa da Ascensão, ou em outras palavras, é a festa da subida de Jesus ao céu, é a sua volta para o Pai, como então descartarmos aquilo que no evangelho parece essencial?”, perguntou a esperta Roseli. De alguém que subiu na vida., a gente afirma que está em ascensão, na encarnação Jesus desceu, e esvaziando-se de si mesmo rebaixou-se á condição de escravo ao morrer na cruz, mas estando no fundo do poço, como podemos dizer, ele fez da condição humana o ponto de apoio para subir e alcançar a glória no mais alto do céu.
E assim, a natureza humana tão frágil e decaída, dominada pelo mal, se vê resgatada em sua dignidade maior, porque o Divino vem ao encontro do humano e se entrelaça na comunhão. Em Jesus toda a humanidade sobe, porque o céu se abre, o ser humano atinge a sua plenitude resgatando o paraíso do Edem que havia perdido.. “Então esse  “Sobe e Desce” de Jesus, nos evangelhos é apenas uma força de expressão?” – perguntou o Ernesto.
Na verdade Jesus nunca saiu do lado do Pai, mas também nunca nos deixou, esse entrelaçamento do Divino e humano, por livre iniciativa de Deus, é o mistério do Verbo encarnado, onde uma pessoa histórica e real, Jesus de Nazaré, dá um novo significado á vida do homem, trazendo aquele paraíso que perdemos, aqui dentro de nós e podemos falar sem medo, que festa da ascensão é a nova criação que agora se concretiza e se realiza em toda a humanidade, através de Jesus de Nazaré.
O anúncio do evangelho é exatamente essa Boa Nova, de que todo o homem é em Cristo nova Criatura, redimida, liberta e salva, destinada á comunhão plena com Deus em seu paraíso, e desta vez não há o perigo de sermos ludibriados pela serpente, fomos vacinados com a graça de Deus que recebemos no santo batismo.
O mundo inteiro precisa saber dessa Boa Nova, é essa precisamente a missão primária da nossa Igreja, acreditar que o anúncio é verdadeiro, e ser batizado, é condição essencial para quem quer passar por essa renovação espiritual que chamamos de salvação, onde somos configurados a Cristo e com ele já estamos no céu, mesmo ainda estando a caminho, por esta vida terrena. Se ele é a cabeça e nós os membros, não há como duvidar disso, pois o corpo forma uma unidade da qual a nossa Igreja é a expressão mais fiel. É por esta razão que o Senhor age com o discípulo, e confirma a palavra, por meio dos sinais, atestando a sua autenticidade, mesmo vindo de homens tão frágeis como todos nós. É a chancela, o carimbo de aprovação, que o Espírito imprime em nossa missão. (FESTA DA ASCENSÃO – Marcos 16, 14-19)
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ANUNCIAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA
Reflexão sobre a ascensão do Senhor
Pe. Erivaldo Gomes de Almeida
eri_gomesseminarista@yahoo.com.br
Hoje, a Igreja celebra a Festa da Ascensão. Com esta festa é assinalada a entrada definitiva de Cristo no domínio celeste de Deus, donde voltará para julgar os vivos e os mortos, porém nenhum homem saberá dizer quando isso acontecerá. A liturgia de hoje marca o encerramento dos encontros dos discípulos com o ressuscitado após a ressurreição, marcando assim um novo ciclo na caminhada cristã. A ação de Cristo sobre o mundo continua, porém por meio dos discípulos que, assistidos pela ação do Espírito Santo, têm a missão de ir aos lugares onde o mesmo Cristo deveria ir.
O mistério da ascensão está intimamente ligado ao mistério da encarnação. Se no natal Cristo esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e de pecador, na ascensão ele eleva esta humanidade por ele assumida até Deus, resgatando assim nossa dignidade. O divino veio ao encontro da humanidade decaída a fim de elevá-la à sua condição originária, neste sentido a festa de hoje é a festa da recriação da humanidade. De fato a Boa Nova que Jesus manda que seus discípulos anunciem não é outra coisa senão o resgate da humanidade corrompida pelo pecado ao seu estado originário de comunhão com o Pai. Ao adentrar na casa do Pai Jesus abre para a humanidade as portas da salvação.
Tendo subido ao céu, Jesus confia aos discípulos a missão de anunciar o evangelho a todas as criaturas, pois a salvação se abre a todos os povos e nações, independente de fatores sociais ou raciais.
Após a convocação ao ser missionário, o mestre diz que alguns sinais acompanharão aqueles que agirem em seu nome:
·        Expulsar demônios: aqui Jesus diz que o objetivo da ação evangelizadora é expulsar do meio da humanidade tudo aquilo que escraviza o homem. É lutar contra a maldade, a corrupção, contra a exploração, contra a fome, contra a violência. Esses são os demônios que hoje temos que lutar para eliminar do meio da sociedade.
·        Falar novas línguas: esta missão está ligada ao mandamento do amor. As novas línguas que os missionários devem falar são as linguagens que podem ser compreendidas pelos povos que falam os mais diversos idiomas: a língua do amor, do serviço, da caridade, das boas ações. O pior veneno da humanidade hoje é o rancor, a raiva, a inveja. O antídoto é o amor. Esta é a arma mais poderosa que existe. Diante das tentações tenho usado esta arma ou outras?
Aos seus discípulos, Jesus promete proteção, se pegarem serpentes ou beberem algum veneno mortal não sofrerão mal algum. A serpente lembra a tentação de Adão e Eva. Do mesmo jeito que a serpente lutou para enganar e fazer Adão e Eva pecarem, ela continua lutando para nos enganar hoje. Em cada esquina existe uma serpente a querer enganar os filhos de Deus: uma chama para o bar, outra para a prostituição, outra para comprar o voto, outra a corrupção, outra para usar droga, outra para falar mal do vizinho, outra para a infidelidade conjugal, outra para a vingança, etc... Aquele que de fato agir em nome de Jesus não se deixará corromper pelas tentações do maligno, o veneno mortal do pecado não fará mal algum, pois Jesus é mais forte que todo e qualquer mal.
Após dar estas instruções, Jesus foi levado ao céu e sentou-se a direita de Deus. Ao lado de Deus, ele continua intercedendo pelos seus, continua presente no seio da comunidade. Estando no céu, ele está presente também em nosso meio, não mais na carne, mas na comunhão espiritual.
Atendendo aos apelos de Cristo, os discípulos partiram e pregaram por toda parte, perpetuando assim a presença dinâmica de Cristo no seio da humanidade. Esta é a nossa missão: ser discípulos-missionários de Cristo. Pelo batismo nos tornamos portadores da Boa Nova.
A missão de anunciar o evangelho a toda criatura obriga o discípulo a tomar uma postura que se transforme indelevelmente em juízo de salvação ou de condenação perante o mundo.
Caros irmãos, Jesus quer continuar agindo no mundo por tuas mãos, quer caminhar em direção ao próximo e para isso quer usar teus pés, quer usar tuas palavras para dizer uma palavra de ânimo ao que se encontra desanimado, quer usar teus ouvidos para ouvir os clamores da humanidade, quer usar todo o teu ser a serviço da construção do Reino do Pai.
O discípulo de Jesus não pode ficar somente de olhos fixos no céu, clamando ao mestre que resolva todos os problemas. Ao céu elevamos nossas orações, ao próximo nossas ações. Quem quiser olhar para o céu, tem que primeiro fazer o que Jesus fez: ir às profundezas da humanidade, lá onde se encontra os excluídos e marginalizados e ao fazer isso o céu se torna mais próximo. Quanto mais olhamos para o próximo, mais nos aproximamos de Deus.
Como cristão, tenho dado ouvidos ao mandato de Jesus de ser missionário? Tenho me colocado a serviço da comunidade ou tenho me acomodado?
Caros amigos, os discípulos responderam imediatamente ao apelo de Jesus de irem anunciar o evangelho e saíram em missão, pregando por toda a parte. Hoje Jesus faz este convite a cada um de nós. Qual será nossa resposta? Não tenhamos medo de dar um sim, não será fácil a missão, porém teremos a assistência do próprio Cristo que não nos deixará naufragar em nossas fraquezas humanas.
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DOMINGO,20 de maio de 2012
Mc 16,15-20

Anunciai o Evangelho a toda criatura.
Hoje nós celebramos a festa de S. Marcos Evangelista. Ele é chamado, na Bíblia, ora de Marcos, ora de João Marcos. É filho de uma das primeiras famílias cristãs de Jerusalém. Sua casa era local de reuniões dos Apóstolos e dos primeiros cristãos. Sua mãe se chamava Maria.
At 12,3ss cita a família de Marcos: “O rei Herodes mandou prender Pedro. Colocou-o na prisão e o confiou à guarda de quatro grupos de quatro soldados cada um. Mas a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele”.
Em seguida, o livro fala que, à noite, veio um anjo e libertou Pedro. Após a libertação, o texto diz: “Pedro, saindo da prisão, dirigiu-se à casa de Maria, mãe de João Marcos. Muitas pessoas estavam ali reunidas em oração, pela libertação dele. Pedro bateu à porta, e uma empregada, chamada Rosa, foi abrir. A empregada reconheceu a voz de Pedro, mas sua alegria foi tanta que, em vez de abrir a porta, entrou correndo para contar que Pedro estava ali, junto à porta. Os presentes foram e abriram a porta: era Pedro mesmo. E o grupo ficou sem palavras. Pedro, com a mão, fez sinal para que ficassem calados. E lhes contou como o Senhor o fizera sair da prisão”.
Essa passagem mostra como que a família de S. Marcos Evangelista era importante na Comunidade de Jerusalém. Neste tempo, Marcos era ainda criança.
Conforme antiga tradição, foi na casa de S. Marcos Evangelista que Cristo celebrou a Última Ceia. O próprio Marcos (Cf Mc 14) narra como foi a preparação da Última Ceia. Aquele “dono da casa” de que ele fala, segundo a tradição, era o pai de Marcos, que certamente havia procurado Jesus e oferecido a sua casa para a celebração da Páscoa.
Vários anos depois, S. Paulo e Barnabé, que era tio de Marcos, vão a Jerusalém para se reunir com os Apóstolos. Na volta, Marcos se une a eles para as viagens missionárias. Viajou com eles para Chipre e vários outros lugares, conforme nos relata o livro dos Atos dos Apóstolos.
Entretanto, Marcos era ainda bem jovem, e teve um momento de debilidade. A certa altura, deixou os dois e voltou para Jerusalém. Não se sabe se foi por medo ou por saudade da família. O fato está narrado em At 13,13.
Contudo, anos depois, quando Pedro, que morava em Jerusalém, mudou-se para Roma, Marcos o acompanhou. Agora, nunca mais voltará atrás, apesar de Roma ficar três vezes mais longe de sua terra do que o lugar aonde ele foi com Paulo e Barnabé.
Na primeira Leitura da Missa de hoje, S. Pedro chama Marcos de “meu filho”: “A Igreja que está em Babilônia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, o meu filho. Saudai-vos uns aos outros com o abraço da amor fraterno” (1Pd 5,13).
Entretanto, o maior presente que Marcos nos deixou foi o seu Evangelho. É interessante a forma como o Evangelho de S. Marcos foi escrito. É bom lembrar que Marcos não conheceu pessoalmente a Jesus. Ele escreveu o seu Evangelho a partir das pregações que ouvia de S. Pedro. Ele as escutava, anotava, e depois redigia, a fim de ajudar os outros. O Evangelho de Marcos, portanto, não é nada mais que um relato daquilo que ele ouvia de S. Pedro.
Mas não foi só Pedro que Marcos acompanhou. Durante todo o tempo em que S. Paulo esteve preso em Roma, Marcos o serviu na prisão. E quando Paulo, já em liberdade, retoma os trabalhos missionários, pede que lhe tragam Marcos para ajudá-lo no apostolado: “Toma contigo Marcos e traze-o, pois é prestativo para ajudar-me” (2Tm 4,11).
A tradição diz que, depois da morte de Pedro e de Paulo, Marcos viajou para Chipre, a primeira cidade onde esteve trabalhando como missionário. De lá foi para Alexandria, onde morreu mártir. É considerado o fundador da Igreja de Alexandria.
Marcos Evangelista deixou para nós vários exemplos de vida. O primeiro é a forma como ouvia as pregações. “Irmãos, sede praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes. Quem ouve a Palavra e não a pratica é como alguém que observa no espelho o rosto que tem desde que nasceu. Observa a si mesmo e depois vai embora, esquecendo a própria aparência. Mas quem procura praticar o que ouve, este encontrará a felicidade” (Tg 1,22-25).
Será que, nós, por exemplo quando saímos da igreja, nos lembramos da Palavra de Deus proclamada e explicada? Existem pessoas analfabetas que conhecem a Bíblia melhor do que muitos letrados, porque a ouvem com amor.
A atitude de S. Marcos pode ser resumida naquele dito popular: “Vivendo e aprendendo, aprendendo e ensinando”.
Outro belo exemplo são os pais de S. Marcos. Podemos tranquilamente dizer que, se ele foi o que foi, isto se deve aos pais que teve e à educação que recebeu em casa.
O Evangelho de hoje é de S. Marcos. São as últimas palavras do seu Evangelho. No último versículo ele dá uma espécie de testemunho pessoal: “Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio de sinais que a acompanhavam”.
O Evangelho de S. Marcos foi o primeiro Evangelho a ser escrito, mais ou menos no ano 65 depois de Cristo.
Certa vez, um casal recém casado começou a brigar frequentemente e por um motivo muito simples. Eles tinham uma televisão só e os gostos eram completamente diferentes: ele gostava de futebol e não gostava de novela; era exatamente o contrário: não gostava de futebol e adorava novela. Toda noite saía briga, chegando quase aos tapas.
Os pais deles ficaram sabendo e intervieram de maneira muito feliz. Conseguiram que os dois fossem conversar com o padre. Este, já sabendo do problema, disse-lhes: “Durante uma semana, cada um de vocês vai se esforçar para gostar daquilo que o outro gosta: você, fulana, vai gostar de futebol, e você, fulano, vai gostar de novela”. Façam isso como sacrifício, que, podem ter certeza, será muito agradável a Deus. E o padre combinou de, no dia seguinte à noite, ir visitá-los.
Quando o padre chegou, ficou feliz ao ver que os dois tinham chegado a um acordo: os dois viam a novela e os dois o futebol. E o que no começo era sacrifício, logo deixou de ser porque ela começou a gostar de futebol e ele de novela.
Que o exemplo deste casal e dos pais de Marcos sejam imitados pelos casais, a fim de que tenham filhos e filhas que sejam a sua alegria mais, como foi S. Marcos evangelista para seus pais.
Nós pedimos a Maria Santíssima, a Mãe da Igreja, e a S. Marcos, o seu primeiro evangelista, que nos ajudem a ouvir bem a Palavra de Deus.
Anunciai o Evangelho a toda criatura.
Padre Queiroz
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DOMINGO
Marcos 16,15-20
A ordem do Cristo para todos nós:"“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”. – Maria Regina

                                   
 Já no finalzinho do seu Evangelho, São Marcos anuncia para todos nós a ordem do Cristo ressuscitado que sintetiza a nossa missão aqui na terra: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”. Este som ainda ecoa dentro do coração daqueles que crêem na Palavra de Deus. A experiência de anunciar o Evangelho traz para nós a vivência dos milagres que o Senhor nos prometeu ao nos enviar para esta missão.
                                Assim, nós constatamos realmente, os sinais que nos acompanham por força da nossa Fé em Jesus. Expulsar demônio, falar novas línguas, pegar em serpentes, beber veneno, curar doentes, significam para nós a força milagrosa que o Amor de Deus realiza através do nosso anúncio. Estes sinais acontecem na nossa vida e na vida daqueles a quem nós anunciamos Jesus, quando desafiamos as dificuldades, a doença, a morte, a tristeza com a esperança, com a alegria, com o poder de Cristo ressuscitado.
                                 Os milagres acontecem e as barreiras que conseguimos superar, são para nós motivo para testemunhar a obra que Espírito Santo realiza por meio da nossa doação. A cada dia nós somos chamados  a renovar os nossos compromissos batismais de cristãos . Como seguidores de Cristo, nós somos evangelizadores e o mundo todo e toda criatura são os lugares por onde passamos e as pessoas com quem nós nos relacionamos. –Você tem cumprido com o mandado de Jesus? Reflita – Você se sente comprometido  com o Evangelho? – Você tem percebido estes sinais na sua vida? – Você já usa nos seus relacionamentos a linguagem do amor? – Qual é o maior veneno para a humanidade, hoje? – Qual será o seu antídoto?
Amém,
abraço carinhoso de
Maria Regina

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Evangelhos Dominicais Comentados

20/maio/2012   -  Ascensão do Senhor

Evangelho: (Mc 16, 15-20)


COMENTÁRIO

Hoje é um dia muito importante para os cristãos, pois festejamos a Ascensão de Jesus ao céu. No evangelho de hoje, Marcos nos diz que Jesus foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus.

Essa expressão vem dos costumes das cortes reais. Jesus tem seu lugar de honra, junto ao Pai. Sentar-se ao lado do rei é um privilégio de seus filhos e parentes próximos. O lado direito é reservado ao sucessor imediato do soberano.

Jesus subiu ao céu e confiou aos seus discípulos a missão de pregar o evangelho a todo mundo. Confirmou também que em seu nome, eles fariam milagres e, acima de tudo, Jesus prometeu que eles estariam protegidos dos animais ferozes e preservados dos ataques e ciladas dos inimigos.

Os moradores das grandes cidades devem estar se perguntando: “quem são em nossos dias esses animais ferozes? Onde encontrá-los? Nas grandes metrópoles não existem animais ferozes!”

Existem sim, e são encontrados com muita facilidade, principalmente nas grandes metrópoles. Em cada esquina tem um. São aqueles que não querem que a Palavra de Deus seja conhecida e amada. São aqueles que arrastam nossos filhos para os vícios e prostituição. Mas. Jesus prometeu que estará sempre por perto nos auxiliando nessa batalha.



É preciso acreditar, pois quem acreditar e for batizado já está salvo. No entanto, acreditar não se resume apenas em aceitar, como sendo verdadeira, a Palavra de Deus, é preciso viver sua Palavra através de ações e gestos concretos.

Pelo batismo nos tornamos missionários. Cabe a cada um de nós levarmos adiante a missão de Jesus. Nós somos os apóstolos de hoje, somos os portadores da mensagem de libertação para toda a humanidade.

O discípulo de Jesus não pode ficar apenas olhando para o céu chateado e chorando a ausência do Mestre que se foi. É preciso olhar ao redor. Jesus não se foi, Ele está aqui, bem próximo de nós. Na verdade, Jesus mal tirou seus pés do chão e está bem mais baixo do que imaginamos.

Da maneira humana como enxergamos as coisas, olhamos para as nuvens e imaginamos que o céu é um local bem acima delas. Por isso, convencionamos que subir ao céu é ir para um local distante, muito alto, inacessível.

Para o cristão, subir pode ser interpretado como subir o morro... escalar as encostas escorregadias, caminhar por vielas tortuosas e visitar o favelado. Significa aproximar-se de um mundo de crianças sem roupa nem comida, um mundo de idosos sem saúde nem remédios.

O Mestre quer ver-nos subindo todos os andares dos hospitais e asilos. Quer ver-nos levando alento e conforto aos que sofrem. Levando uma palavra de fé, de amor e de otimismo aos excluídos e marginalizados. Com os pés no chão vamos à luta! Só assim receberemos o passaporte para subirmos ao céu.

Para o alto devemos dirigir somente nossas orações. O olhar e a atenção devem estar voltados para a terra e para a história. Não podemos esquecer que Jesus está próximo e exige nossa presença neste mundo tão carente de dignidade, de justiça e de paz.

(4445)

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Domingo, 20 de maio de 2012

Ascensão do Senhor

São Bernardino de Sena, Presbítero (Memória facultativa).
Outros Santos do Dia:Anastácio de Bréscia (bispo), Áquila de Nîmes (mártir), Austregésilo de Bourges (bispo), Basilissa de Roma (virgem, mártir), Baudílio de Nîmes (mártir), Etelberto de East Anglia (rei, mártir), Hilário de Tolosa (bispo), Plautila de Roma (viúva), Taleleu, Astério, Alexandre e Companheiros (mártires de Edessa), Teodoro de Pavia (bispo).

Primeira leitura:
Atos dos Apóstolos 1, 1-11
Jesus foi levado aos céus, à vista deles. 
Salmo responsorial: 46, 2-3.7-9
Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subu ao toque da trombeta.
Segunda leitura: Efésios 1, 17-23
E o fez sentar-se à sua direita nos céus. 
Evangelho: Marcos 16, 15-20
Foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus.

O tema dominante é o da ascensão, a subida de Jesus ao céu. Um segundo tema é o do “mandamento da missão” que o autor dos Atos colocou na boca de Jesus.

No primeiro tema, “a ascensão”, pode ser que muitos pregadores a deem simplesmente por suposta e, além de tudo, histórica, em sua literalidade textual. Pessoas de fé simples, que de fato creem que Jesus empreendeu uma ascensão real, uma subida física e vertical, “para o céu”, sairão da missa com a mesma fé de sempre na ascensão, a mesma que tiveram seus avôs e avós.

Outros pregadores talvez tenham a tentação de tratar o tema da ascensão com uma calculada ambiguidade em suas palavras, de forma a não afirmar explicitamente a historicidade liberal da “subida”, porém tampouco a questione. É a opção de simplesmente, deixá-la da forma que está e saltar por cima dela para salientar o segundo tema, o do mandamento missionário.

Uma terceira atitude seria a de abordar o tema “pegando o touro pelos chifres”. É o caso de fazer os fiéis caírem na conta de que hoje em dia ser cristão não implica em absoluto a necessidade de crer em uma “subida física de Jesus” para parte nenhuma. Não vamos alongar-nos aqui em um tema que requer uma explicação clara e detalhada.

Pregar claramente sobre estes elementos tão elementares, fazê-lo com pedagogia e com delicadeza, sem ser truculento, é algo que os fieis costumam agradecer. Recomendamos vivamente o texto também para utilizá-lo na reunião de estudo bíblico, ou para o estudo pessoal.

O tema do mandamento missionário está associado à Ascensão por tradição. No final do evangelho de Marcos o tema é associado ao mandato missionário de Jesus no momento de sua “despedida antes de partir para o céu”. Hoje sabemos que a tal despedida ou subida não é histórica, mas uma genial composição literária de Lucas e que o capítulo final do evangelho de Marcos não é original, mas acrescentado posteriormente.

Nada disso danifica a missão, pois ela não depende de ter sido proclamada ou não durante a cena da Ascensão. A missão tem outro fundamento: não o da historicidade da cena da Ascensão. Porém, isso não beneficia a missão justificá-la com um procedimento mítico: “Jesus, antes de subir ao céu para ir ao lugar de onde tinha vindo, ao despedir-se, pediu aos seus amigos para assumir sua missão, agora em uma nova etapa, até os confins do mundo”.

Proceder assim, com esta argumentação mítica, que foi uma argumentação tradicional, restringe a missão, porque rebaixa seus fundamentos à categoria do mito. Enfim, a missão deve ser definida a partir de outros fundamentos. Podemos proclamar aqui, muito oportunamente, um princípio conhecido no âmbito dos “novos paradigmas”: não necessitamos de novas interpretações elaboradas a partir de velhos pressupostos, mas propostas novas a partir de pressupostos realmente novos. Esses pressupostos não deverão ser tomados dos ingredientes de sempre, mas de uma teologia realmente nova, a partir de pressupostos novos, ainda que a princípio possa chocar.

Oração: 
Ó nosso Deus e nosso Pai, celebramos com alegre esperança a exaltação de teu amado Filho Jesus. Ele foi crucificado por ser fiel à tua vontade de que todos tenham vida digna. Faze que te sigamos no serviço do Reino de justiça, de amor e de paz. Nos te pedimos, inspirados em Jesus de Nazaré, teu filho e irmão nosso. Amém!
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"IDE PELO MUNDO INTEIRO E ANUNCIAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA." - Olívia Coutinho


Dia 20 de Maio de 2012

Evangelho Mc 16,15-20

ASCENSÃO DO SENHOR

Celebramos hoje, a ascensão do Senhor, o retorno de Jesus ao convívio com o Pai!
Com a volta de Jesus ao céu, abrem-se as cortinas de uma nova era, sinalizando os primeiros passos da igreja missionária, que através do testemunho dos discípulos, tornou Jesus conhecido em todos os rincões da terra.
O anuncio do Reino, se espalhou por todo o universo, como fagulhas de fogo, incendiando o coração da humanidade com a presença viva do Cristo libertador. Anuncio que mudou  a história de um povo, que tirou muitos irmãos da solidão das trevas, replantando em seus corações, a semente da fé e da esperança.
Hoje, somos nós, os continuadores deste anuncio, pois é urgente a necessidade de fazer chegar a outros corações, o anuncio do Reino de Deus, implantado por Jesus aqui na terra.
Não podemos deixar que outros irmãos, privem-se da alegria de vivenciar a presença de Deus em seus corações!
A partir do nosso batismo, assumimos o compromisso de anunciar Jesus. Não precisamos partir para terras estrangeiras, como fizeram os primeiros discípulos, podemos anunciá-lo no meio em que vivemos, principalmente com o nosso testemunho de vida.
A subida de Jesus ao céu, não foi sentida pelos discípulos como uma separação, pelo contrário, foi a partir daí,  que eles se  sentiram mais unidos a Ele, pela ação do  Espírito Santo, lançado sobre eles, logo  após a sua ressurreição:  Jo 20,22
Contemplando a ascensão de Jesus ao céu, estamos nos preparando para a grande  celebração litúrgica de Pentecostes: a vinda do Espírito Santo! Espírito Santo, que  já está no meio de nós, mas que é importante percebermos  a sua ação no mundo.  
 O momento é propício para refletirmos, sobre o a importância do nosso batismo, quando recebemos o Espírito Santo que nos inseriu na comunidade cristã.
O batismo é a nossa entrada para a família de Deus.
 Jesus deixa claro, que todos os que crerem, serão acompanhados por sinais que  lhes  apontarão a direção.
Antes, pensávamos que  a missão do anuncio do Reino era específica  aos  padres , bispos, religiosos,   hoje nós  sabemos, que é missão de todo batizado.
Fazer a experiência do Pentecostes é experimentar a presença permanente de Jesus, e a graça de anunciá-lo ao outro!
Somos privilegiados por nos tornar servidores de Jesus, na pessoa do irmão.
Em Jesus, o pouco que somos se transforma em muito nas mãos de Deus!
Quando nos abrimos a ação do Espírito Santo, Ele nos transforma, mesmo na nossa pequenez, em grandes anunciadores do Reino!
A linguagem do Amor é universal, mesmo desdobrada em vários idiomas, é a única linguagem capaz de ser compreendida por todos os seres viventes! 
O Espírito Santo é a força de Deus agindo em nós!
 “VEM ESPÍRITO SANTO VEM, VEM ILUMINAR”!...
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Ascensão do Senhor

Hoje, celebramos o mistério da Ascensão do Senhor. É mistério porque brota do coração de Deus, é mistério porque ultrapassa tudo quanto possamos imaginar, é mistério porque nos dá a vida eterna.
A hodierna solenidade é uma só com a do dia de Páscoa: Aquele que admiramos ressuscitado em glória na Ressurreição, hoje, contemplamo-lo à direita de Deus, com a mesma autoridade do Pai, e o proclamamos Cabeça da Igreja, Senhor sobre toda a criação, sobre toda a humanidade, princípio e fim da história humana e Juiz dos vivos e dos mortos. No dia da Páscoa contemplamos o Cristo resplendente de Glória; na Festa de hoje, contemplamos o que essa glória significa para nós todos.
Primeiramente, a Ascensão do Senhor nos faz compreender com o coração que o Cristo que por nós se fez homem, como um de nós viveu e por nós morreu, ele mesmo, agora, com a sua humanidade glorificada, está à Direita do Pai. Isto é admirável: um da nossa raça, o homem Jesus, participa agora do mesmo poder divino, acima de todas as criaturas. Que mistério: nele, a nossa humanidade está totalmente glorificada! Como dizia a oração inicial desta santa missa, “a Ascensão do Filho já é a nossa vitória” porque nós, enxertados nele, a ele unidos no batismo e na eucaristia, somos membros do seu Corpo, que é a Igreja; e sabemos: onde já está a nossa Cabeça, estaremos também nós um dia! Como diz a segunda leitura da missa de hoje, chegaremos “todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude”. Vede, portanto, que destino a festa deste hoje nos revela: chegar à estatura do Cristo em sua plenitude! Nada menos que isso pode saciar o coração humano; nada menos que isso pode nos contentar, pode nos dar paz! Olhemos para o Cristo glorioso à direita do Pai e veremos a que somos chamados... Contemplai, pois o nosso destino! Pensai que miséria a do nosso mundo, que vive de bagatelas, empenha todo o seu afeto com futilidades e procura alegria e plenitude no que é efêmero! Tanto maior a grandeza que contemplamos em Cristo, mais deveria nos espantar a ilusão e alienação do mundo atual! Recordai, caros, a exortação do apóstolo: “Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai Às coisas celestes e não às coisas terrestres. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória” (Cl. 3,1-4).
Em segundo lugar, sentado como Senhor à Direita do Pai, Jesus é o Senhor do universo e de toda a história. Vede a criação! Pensai nas galáxias, recordai as estrelas, imaginai a riqueza de vida nas profundezas do mar, pensai ainda na sede de infinito do coração humano... De tudo isso Cristo é Senhor; tudo caminha para ele, ele é a Finalidade de tudo... também da história humana. Por mais que o homem pecador trame contra Cristo, por mais que o mundo hodierno volte suas costas ao Senhorio do Ressuscitado, tudo caminha para ele e ele triunfará ao fim de tudo – ele é o alfa e o ômega, o A e o Z, o Princípio e o Fim de todas as coisas!
Por tudo isso, ele é o Juiz de tudo quanto existe. Terá valido a pena, terá sentido, o que estiver sob o seu senhorio de paz, de amor, de vida, de justiça e de santidade. Tudo quanto não condisser com o seu reinado perecerá, passará, pois não servirá para mais nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens.
Mais ainda: o Senhor Jesus, hoje no mais alto dos céus, é Cabeça da Igreja. Aquele que é o Unigênito de Deus, pela sua ressurreição e pelo dom do seu Espírito, tornou-se o Primogênito de muitos irmãos, Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja. O Cristo pleno de glória que está nos céus, é nossa cabeça e dele continuamos recebendo a vida, que é o próprio Espírito Santo. Esta vida vem-nos sobretudo nos sacramentos, especialmente da Eucaristia, na qual recebemos o Cristo morto e ressuscitado, pleno do Santo Espírito, Senhor que dá a vida. Olhando para Aquele que está à direita do Pai e é nossa Cabeça e Princípio, como não nos alegrar? Como não nos encher de esperança? Como não ter a certeza que nossa vida caminha para a Plenitude? Não estamos sozinhos! A Igreja jamais estará sozinha – seu Senhor é o mesmo que está à direita do Pai; seu Esposo e Cabeça é o rei da Glória!
Por fim a festa de hoje - que, de certo modo já nos prepara para o encerramento do tempo da Páscoa, com o Pentecostes, no próximo domingo - a festa de hoje nos convida a colocar os pés nas estradas do mundo - na nossa família, no nosso trabalho, entre os nossos amigos, na vida social... pés nas estradas do mundo para proclamar o senhorio de Cristo. Lembrai-vos hoje da sua promessa, lembrai-vos da sua missão: “Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas até os confins da terra!” Coragem, pois, caríssimos! Se conhecermos Jesus de verdade, se o experimentarmos realmente na nossa vida, se crermos na sua glória e esperarmos com todo nosso coração participar dela, seremos, então, suas testemunhas e nossa convicção, nosso amor e nossa esperança invencível contagiarão a muitos.
Portanto, “homens da Galiléia, por que estais admirados, olhando para o céu? Este Jesus há de voltar, do mesmo modo que o vistes subir!” Façamos, pois, como nossos irmãos das origens que saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam”.
dom Henrique Soares da Costa
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Ide por todo o mundo
Celebramos hoje a Ascensão de Jesus. Ascensão tem a ver com a ressurreição e com o tempo da Igreja. Jesus volta para a casa do Pai, a morada eterna onde todos nós esperamos estar após nossa morte. Jesus viveu no meio de nós como ser humano e agora volta para Deus. Somos privados de sua presença física e chamados a eternizá-lo na vida da Igreja, representada, primeiramente, pela comunidade de Jerusalém. Ao mesmo tempo, tornamo-nos participantes da divindade do mestre Jesus de Nazaré. O sentido último de nossa vida é Deus, autor e doador da vida plena. O humano Jesus leva consigo a natureza humana para a glória de Deus. Jesus ressuscitado permanece no meio de nós, na vida de fé da comunidade e no anúncio do reino.
1ª leitura (At. 1,1-11)
Jesus não foi embora, ele está vivo na comunidade
A primeira leitura de hoje, tirada dos Atos dos Apóstolos, tem sua ligação com o Evangelho de Lucas, duas obras que se entrelaçam, pois teriam saído da pena do mesmo escritor ou comunidade. O evangelho não termina, mas continua com a ação da comunidade de Jerusalém, Antioquia, Samaria etc. Nesse trecho, introdução de toda a obra, Lucas se propõe escrever uma narração ordenada dos fatos que se cumpririam entre eles. Ele dedica a sua obra a Teófilo (Lc. 1,1-4) – nome grego que significa o amigo de Deus. No fim do Evangelho de Lucas, Jesus promete o Espírito Santo e convoca os seus seguidores a permanecer em Jerusalém para a realização das promessas (Lc. 24,49). Já no início dos Atos, a nossa leitura de hoje, os discípulos perguntam a Jesus: “é agora que vais restabelecer o reino de Israel?” (At. 1,6). Jesus responde dizendo que eles não devem se preocupar com a data, pois esta compete ao Pai (At. 1,7). O Espírito Santo continuará a realização do prometido (1,8a), que não é a restauração de Israel, mas o ser sua testemunha em Jerusalém, na Judeia, na Samaria e nos confins do mundo (At. 1,8b).
A ascensão em At. 1,9-11 é narrada para mostrar que Jesus não foi embora, mas continua vivo dentro de cada apóstolo(a) que testemunha o Ressuscitado e entre eles. Jesus não foi embora. Só assim podemos falar teológica e historicamente de “Igrejas” de Jerusalém. Tivemos, na origem, como resultado da ação do Espírito Santo, vários núcleos do seguimento de Jesus, embora Lucas tenha, nos Atos, idealizado e privilegiado a comunidade de Jerusalém.
A ascensão somente tem sentido à luz de sua relação estreita com a comunidade de Jerusalém, a qual passará a ser o símbolo da Igreja, que se expandirá, na sequência, para as regiões da Judeia, da Samaria e da Galileia e daí para os confins do mundo, isto é, para o então centro daquele mundo, Roma.
Segundo o relato dos Atos, depois da ascensão, os discípulos e discípulas de Jesus voltam do monte das Oliveiras para Jerusalém. O livro dos Atos dos Apóstolos usa dois termos para falar da cidade de Jerusalém: o nome bíblico e sagrado Jerusalém (36 vezes) e o nome grego como designação geográfica Jerosolyma (23 vezes). At 1,12 fala de voltar para Jerusalém, o que significa, então, voltar para o lugar sagrado do judaísmo, para o lugar da missão, da salvação. É como um católico dizer: “Vou a Aparecida”. Na cabeça de quem escreve os Atos estaria, com certeza, o sonho da nova Jerusalém, pois a Jerusalém cidade já tinha sido destruída pelos romanos quando os Atos foram escritos.
A comunidade de Jerusalém é judaica de origem e, por isso, fiel observante da Torá (lei, conduta, caminho, modo de vida baseado no Decálogo); ela celebra a eucaristia como memória do martírio redentor e profético de Jesus (At. 2,42-46); partilha os bens (At. 2,44-45) como expressão de uma espiritualidade comprometida com a justiça; está em conflito com as autoridades locais (At. 3,11-4,22); está centrada no grupo dos doze apóstolos e unida em torno deles (At. 2,42; 4,23-31); tem conflitos (At. 5,1-11); opera prodígios e milagres (At. 3,1-10).
Nessas características encontramos o rosto, às vezes idealizado, da comunidade de Jerusalém. Esse modo de viver a fé na comunidade de Jerusalém foi o jeito que os primeiros cristãos encontraram para exprimir a utopia do reino de Deus anunciado e vivido por Jesus na sua integralidade e com a sua ascensão. A ascensão de Jesus no monte das Oliveiras teria sido a sua glorificação e a certeza da sua presença definitiva na comunidade de Jerusalém de forma histórica (presente), escatológica (futuro) e pneumática (plena do Espírito Santo). Tendo Jerusalém como referência e origem da comunidade judaico-cristã, os discípulos devem partir em missão até os confins do mundo, anunciando que Jesus ressuscitou e não morreu. Esse foi o grande segredo do cristianismo; caso contrário, teria se perdido, como tantas religiões do mundo antigo.
Evangelho (Mc. 16,15-20)
Atitudes  que nos põem no caminho do anúncio da boa notícia: Jesus ressuscitou
O evangelho de hoje nos mostra o movimento de Jesus ressuscitado, que aparece aos onze discípulos, enquanto comiam, e desaparece por meio da ascensão, após os instruir para a evangelização. Jesus foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus. Sentar-se numa cadeira é sinal de poder. Daí que um professor se torna catedrático. O bispo tem a sua catedral e profere sua homilia, normalmente, sentado. O poder de Jesus é transferido aos discípulos, que devem se pôr de pé e sair mundo afora, anunciando a sua ressurreição em movimento de ascensão, de subida. 
A ação de ascensão, isto é, de movimento de permanência de Jesus, consiste em sete atitudes: 1) anunciar a Boa nova a toda a humanidade; 2) batizar; 3) salvar; 4) condenar; 5) expulsar demônios em nome de Jesus; 6) falar novas línguas; 7) impor as mãos para curar doentes. Essas atitudes vêm acompanhadas da certeza de que nem serpentes nem venenos serão causa de morte para os discípulos. Anunciar, crer e salvar interagem num crescendo na ação ascensional dos discípulos. É a nova língua; não novo idioma, mas novo modo de comunicar a libertação, a vida nova do reino. Trata-se da linguagem da evangelização, não obstante as tantas línguas (idiomas) presentes. Quem caminha visando ao alto, isto é, às coisas do reino, vai deparar com venenos e serpentes e deles não deverá ter medo. Assim como Jesus venceu a morte, os seus discípulos serão amparados pela vida que não morre mais, a de Jesus ressuscitado, que os acompanhará por todo o sempre. Amém!
2ª leitura (Ef 1,17-23)
Igreja, sinal  do reino no movimento de fé  e constante conversão
Paulo ficou sabendo que a comunidade de Éfeso estava sendo fiel a Deus na fé, no testemunho e na resistência às adversidades da evangelização. Na perspectiva da ascensão, o apóstolo reconhece que “Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e o colocou acima de todas as coisas, como cabeça da Igreja, a qual é o corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todas as coisas” (v. 23). A teologia paulina reforça a caminhada da Igreja, sinal do reino em movimento de conversão contínua e testemunho de fé em Jesus ressuscitado.
Pistas para reflexão
– Levar a comunidade a perceber que a ascensão é um movimento de ação transformadora do mundo com base em nossa fé em Jesus ressuscitado e na ação libertadora da Igreja. 
– Viver a ascensão significa não ficar olhando para o alto, esperando Jesus, mas pôr-se a caminho, no anúncio do reino, na evangelização. É tornar-se um bem-aventurado. 
– Evangelizar é falar a mesma linguagem – anunciar a todos a vida nova do reino –, e não falar a mesma língua (idioma). É expulsar demônios e não ter medo de serpentes e venenos, que nos impedem de caminhar.
padre Jacir de Freitas Faria, ofm
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Ele entra no céu com a ovelha reencontrada
Solenidade da ascensão: festa do céu. Nossa natureza humana penetra na glória da Trindade. Aquele que veio buscar a ovelha perdida, leva-a para junto do Pai. Sirva-nos de tema para meditação uma homilia do bispo santo Epifânio: “O ornato do corpo é a cabeça. A beleza das festas é a solenidade hodierna. Com efeito, estamos celebrando a ascensão de Jesus Cristo segundo a carne, que é a última de todas as festas do Senhor. Ela faz resplandecer de modo admirável a beleza da graça divina, como se lhe impusesse um termo.
A primeira das festas, segundo a ordem, é o dia solene e venerando do admirável nascimento de Cristo Senhor, segundo a carne. Quem não se apercebe do imenso amor e admiração com que se deve envolver a descida do grande Deus do céu até nós, ou ainda mais, sua condescendência. Quem não ficaria admirado que o Senhor de todas as coisas tenha assumido a condição de servo, e tenha se dignado nascer de uma simples mãe aquele que contém o universo inteiro!
A seguir vem a Teofania, ou festa da Epifania, que por primeiro nos manifesta o mistério de Cristo.
Mas, esta festa não foi suficiente para nos cumular de alegria. Pois o corpo mortal de Cristo ainda não fora revestido com a glória da imortalidade.
A terceira, dentre as solenidades aniversárias de Cristo, é a ressurreição do Senhor que vem logo em seguida a sua paixão salvadora. Esta festa dá a vida àqueles que, no batismo,  foram iluminados pelo sangue do Salvador, do qual renasceram pela água e pelo Espírito  Santo.  Por ela, o mundo que desmoronara foi reerguido; por ela, Adão que havia caído recebe como herança a vida eterna.
Em Pentecostes, com grande alegria, o Espírito Santo é dado aos apóstolos.
Contudo, a maior das festas é aquela diante da qual todo discurso nada mais é do que um simples balbucio. Na verdade, hoje, na festa da ascensão jorra uma torrente de delícias e tudo se enche de alegria!  Hoje, Cristo abre a porta do céu refulgente de luz! Vinde e contemplai esse auriga que, de modo maravilhoso, atravessa os espaços celestes. Ninguém, nem mesmo Elias, jamais subiu ao céu, mas somente aquele que de lá desceu, o Filho Unigênito de Deus. Ele mesmo o afirma claramente: "Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu: o Filho do Homem que está no céu."
Na verdade, esse Bom Pastor, que havia deixado nas montanhas celestes as noventa e nove ovelhas, isto é, os anjos, para procurar a ovelha que se havia perdido, tendo-a encontrado, colocou-a misteriosamente sobre os ombros e a reconduziu ao aprisco celeste. Ofereceu-a, então, ao Pai do céu, dizendo: “Pai, encontrei a ovelha perdida que a serpente havia induzido ao erro. Tendo-a visto, coberta pela lama de uma vida de pecado, estendo a minha mão divina, imediatamente a levantei e, impelido por uma profunda compaixão, lavei-a no rio Jordão, perfumando-a com a unção do Espírito Santo. Agora, ressuscitado, venho à tua presença para oferecer á tua divindade este dom digno de ti: a ovelha reencontrada” (Lecionário monástico III, p. 546-547)
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A Palavra e os sinais do Senhor glorioso
O evangelho de hoje é quase um resumo dos Atos dos Apóstolos. O Cristo glorioso, na hora de sua despedida, confia aos apóstolos a missão e já prediz aquilo que o livro dos Atos, de fato, descreve com relação a essa missão: o poder de Cristo acompanha seus discípulos na pregação. O texto insiste mais nos sinais que acompanham a palavra do que no conteúdo desta. Isso pode dar a impressão de um certo “sensacionalismo”.
Devemos ver isso com os olhos daquele tempo: os sinais prodigiosos confirmavam que “Deus estava com eles”. (Neste sentido, Mc. 16,15-20 pode também ser considerado como uma explicitação das últimas palavras de Mt. 28,20) O Senhor glorioso, estabelecido no “poder”, dá uma força incrível aos que pregam o seu “nome” (16,17b; cf. At. 3). Isso continua sendo verdade ainda hoje. O Senhor glorioso não deixa de dar força aos que se empenham pela pregação de seu Reino.
A evangelização hoje é acompanhada por sinais que causam tanta admiração quanto os “milagres” descritos em Mc 16,17-18: pessoas que conseguem livrar-se do vício, do fascínio do lucro; comunidades que se baseiam não na competição, mas na comunhão; apóstolos que parecem abolir as fronteiras humanas; pessoas que, sem serem complexadas, vivem o matrimônio (ou a virgindade) em fidelidade. Será que tudo isso é menos significativo do que pegar em cobras ou beber veneno?
O evangelho não depende de sinais. Mas, onde há fogo, sai fumaça: a presença do evangelho, por escondida que seja, não pode deixar de chamar a atenção. Transforma a realidade lá onde menos se espera.
A Ascensão de Cristo ao céu nos toma os encarregados da missão à qual ele, em sua glória, preside. Manifestamos o seu nome, e os sinais confirmam o seu “poder”, que se encarna na pregação do evangelho. O evangelho não deixa as coisas como estão.  Essa é a mensagem de hoje.

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“O Senhor cooperava com eles”
Depois da ressurreição, Jesus deixou sua missão terrena e subiu aos céus, confiando sua missão aos seus. E “o Senhor cooperava com eles” (evangelho). Depois da Páscoa, tudo mudou. Antes, Jesus era o profeta rejeitado; depois, ele apareceu entrando na glória do Pai – que assim mostrou aos discípulos que Jesus teve razão naquilo que ensinou e realizou. Antes, Jesus chamava os discípulos para serem seus colaboradores; depois, ele é quem “coopera com eles”, pois agora sua obra está nas mãos deles.
O Ressuscitado mandou os discípulos anunciar a Boa Nova e lhes prometeu forças extraordinárias para cumprirem sua missão.  Quem se empenha corpo e alma pela causa de Deus faz maravilhas, enquanto o acomodado não consegue nada. Movidos pelo amor ao Senhor, os apóstolos se jogaram na pregação, e coisas inimagináveis aconteceram. Ficamos  maravilhados ao ler de que foram capazes um José de Anchieta, uma Madre Teresa de Calcutá… A festa da Ascensão nos ensina a fazer de Jesus realmente o Senhor de nossa vida e a arriscar tudo para levar sua missão adiante – realizando o que parecia impossível. Pois ele coopera.
Coopera de modo extraordinário. Não que o extraordinário em si seja uma prova da divindade. No tempo de Moisés havia os feiticeiros do Egito e no tempo dos apóstolos, os taumaturgos judeus e pagãos. O extraordinário, de per si, é ambíguo, alimenta o sensacionalismo, o “Fantástico”na televisão etc. Ora, na pregação, o extraordinário tem valor de sinal quando mostra que o Espírito do Ressuscitado impulsiona o mensageiro, quando faz  reconhecer Jesus como o Senhor e como aquele que coopera com aqueles que estão a seu serviço – como aquele que tem força para mudar o mundo, quando os seus se empenham por isso.
Mas esse poder não serve para glória própria. Serve para o amor, para o projeto pelo qual Jesus deu a vida. Jesus não veio para conquistar o poder, mas para servir e dar a vida pela humanidade. Veio para manifestar o amor de Deus. Se manifesta o poder de Jesus-Senhor, a evangelização deve, antes de tudo, demonstrar o amor de Jesus-Servo. O extraordinário, na evangelização, serve para manifestar que o amor de Deus, tornado visível em Jesus, tem a última palavra.
Atualizando, poderíamos considerar coisas que são, nesse sentido, extraordinárias: a transformação das estruturas de nossa sociedade, enferrujada em seu egoísmo; a vitória da justiça sobre a corrupção; a vitória da solidariedade e da dignidade humana sobre as muitas formas de vício e degeneração…
Há grupos religiosos que exibem mais “milagres” do que nós, católicos. Será que por isso devemos apostar mais nas coisas sensacionais? O extraordinário é um sinal, não a causa mesma que está em jogo. É bom ter sinais, mas o mais importante é que a causa seja apresentada na sua integridade. E essa causa é o amor de Cristo que nos impulsiona. Extraordinário mesmo é o que, nas circunstâncias mais contrárias, fala desse amor. Aí, “Ele” aparece cooperando conosco.
Johan Konings "Liturgia dominical"
A cena do Evangelho se passa no domingo da Ressurreição do Senhor, à noite, enquanto os onze discípulos faziam a refeição. Eles haviam sido submetidos a uma prova radical de fé com relação à Paixão e Morte de Jesus na Cruz, já anunciada por Ele. Todos os Evangelhos apresentam os discípulos abatidos e assustados neste momento, e eles estavam realmente abalados, por isso, não acreditaram no anúncio que Jesus estava vivo, como foi o caso de Maria Madalena que os informou tê-Lo visto.
Jesus aparece aos discípulos não para consolá-los, mas para confiar-lhes a responsabilidade da missão. Ele censura-lhes a incredulidade e a dureza de coração e lhes dá uma ordem que será cumprida com a sua ajuda. Ele diz: “Ide, pois, fazei que todos os povos se tornem meus discípulos batizando-os e ensinando tudo quanto ordenei.”
O pedido informa que, para ser discípulo é preciso ser batizado. Isso se explica pelo fato de que Jesus iniciou a sua vida pública depois de ser batizado, portanto, o pedido está diretamente ligado a essa realidade. Jesus liga o perdão dos pecados à fé e ao Batismo que é o primeiro Sacramento do perdão, e agora, após a sua ressurreição Ele passa essa missão aos seus discípulos informando-os também que, para obter a salvação é preciso crer n’Ele e n’Aquele que O enviou.
A partir da Ressurreição, o nome de Jesus está acima de todo nome. Os espíritos maus O temem, e é em nome d’Ele que os discípulos operam milagres, e todos os sinais que são manifestados por eles confirmam a presença de Jesus, o Deus que salva.
Jesus sempre usava suas mãos para curar os doentes e abençoar as crianças, e agora Ele deseja que seus discípulos continuem fazendo o mesmo.
O corpo de Jesus aparece glorificado, embora durante os quarenta dias que permaneceu com os discípulos, instruindo-os sobre o Reino de Deus, sua glória apareça escondida sob a forma de uma humanidade comum. Foi na glória que o corpo de Jesus foi elevado aos céus, quando seus discípulos O viram pela última vez.
O chamado que Jesus fez aos discípulos deveria ressoar por todo o mundo e, por isso, eles saíram anunciando o Evangelho, sempre acompanhados do Espírito que Jesus havia soprado sobre eles, que confirmava os ensinamentos através de sinais da presença do próprio Cristo.
O Evangelho de Marcos, em sua redação original, encerrava-se no versículo 8 do capítulo 16, com o encontro do túmulo vazio pelas mulheres. Os versículos 9 a 20, que o concluem, são um acréscimo tardio. A Igreja já estruturada teria julgado inconveniente a falta de narrativas das aparições do ressuscitado neste Evangelho. Foram, então, acrescentadas três narrativas, resumos das narrativas de aparições dos outros Evangelhos. A fala atribuída a Jesus, após as três aparições (v. 16), é no sentido de afirmar o poder excludente da Igreja, na qual a profissão de fé seguida do batismo já estava consagrada como caminho único e absoluto da salvação. Também ficam afirmados poderes excepcionais conferidos ao crente, o que contraria a simplicidade da fé a ser vivida no dia-a-dia pelos comuns dos mortais. Hoje se compreende que a prática missionária não é condenatória nem marcada por ações espetaculares. A missão é o testemunho do amor misericordioso e o reconhecimento, a valorização e o cultivo dos sinais de vida encontrados nos diversos povos e culturas. A subida aos céus está associada à narrativa de Lucas em seu Evangelho e mais desenvolvida nos Atos dos Apóstolos (primeira leitura). A exaltação do ressuscitado, retirado da terra e glorificado no céu (cf. segunda leitura), foi resultado da influência do messianismo escatológico davídico, presente nas mentes dos discípulos de origem judaica. Hoje, a fé na presença de Jesus vivo nas comunidades nos move ao alegre empenho em construir um mundo novo, solidário e fraterno, com união em torno do projeto de vida plena para todos, sem restrições.
padre Jaldemir Vitório
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A missão é o testemunho do amor misericordioso
O evangelho de Marcos originalmente terminava em Mc 16,8 com o anúncio do anjo às mulheres, dizendo que Jesus ressuscitara e precedia os discípulos na Galileia. Provavelmente no segundo século, a Igreja, já estruturada, julgou inconveniente a falta das narrativas das aparições do Ressuscitado neste evangelho. Foram, então, acrescentadas três narrativas de aparições, que são resumos das narrativas de aparições dos outros evangelhos, particularmente de Lucas e João.
Nesta elaboração tardia, tipicamente institucional, a fala atribuída a Jesus, após as três aparições, vai no sentido de afirmar o poder excludente da Igreja, na qual a profissão de fé seguida do batismo já estava consagrada como caminho único e absoluto da salvação. Também ficam afirmados poderes excepcionais conferidos ao crente, como sinais da sua fé, o que contraria a realidade da simplicidade da fé a ser vivida no dia a dia pelos comuns dos mortais. Com uma visão amadurecida, compreende-se que não cabe à missão impor, condenar ou praticar ações espetaculares. A missão é o testemunho do amor misericordioso, a valorização e o cultivo das manifestações de vida encontradas nas diversificadas comunidades, vendo nelas o sinal da presença de Deus entre os povos, sem exclusões.
Os últimos versículos fazem alusão à ascensão aos céus, conforme narrada por Lucas em seu evangelho e mais desenvolvida nos Atos dos Apóstolos (primeira leitura), com um sumário de missão. A exaltação do Ressuscitado retirado da terra e glorificado no céu (segunda leitura) foi resultado da influência do messianismo escatológico nas mentes dos discípulos de origem no judaísmo. Esta visão, que relegou a segundo plano a revelação e a comunicação de Deus na vida e no testemunho de amor do Jesus histórico, influenciou durante séculos a teologia, a espiritualidade e a pastoral da Igreja, remetendo a fé em Jesus a uma recompensa na vida gloriosa futura e celestial. Hoje, resgatando-se as memórias de Jesus de Nazaré, na sua humanidade plena, a fé na sua presença, vivo, nas comunidades nos move ao alegre empenho em construir um mundo novo solidário e fraterno, em que todos se unam em torno do projeto da vida plena para todos, sem restrições.
José Raimundo Oliva
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A solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos sugere que, no final do caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, a comunhão com Deus. Sugere também que Jesus nos deixou o testemunho e que somos nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projeto libertador de Deus para os homens e para o mundo.
No Evangelho, Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, ajuda-os a vencer a desilusão e o comodismo e envia-os em missão, como testemunhas do projeto de salvação de Deus. De junto do Pai, Jesus continuará a acompanhar os discípulos e, através deles, a oferecer aos homens a vida nova e definitiva.
Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projeto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus - a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo "caminho" que Jesus percorreu. Quanto aos discípulos: eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante; mas têm de ir para o meio dos homens continuar o projeto de Jesus.
A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados (a vida plena de comunhão com Deus). Devem caminhar ao encontro dessa "esperança" de mãos dadas com os irmãos - membros do mesmo "corpo" - e em comunhão com Cristo, a "cabeça" desse "corpo". Cristo reside no seu "corpo" que é a Igreja; e é nela que se torna hoje presente no meio dos homens.
1ª leitura- At. 1,1-11 - AMBIENTE
O livro dos "Atos dos apóstolos" dirige-se a comunidades que vivem num certo contexto de crise. Estamos na década de 80, cerca de cinquenta anos após a morte de Jesus. Passou já a fase da expectativa pela vinda iminente do Cristo glorioso para instaurar o "Reino" e há uma certa desilusão. As questões doutrinais trazem alguma confusão; a monotonia favorece uma vida cristã pouco comprometida e as comunidades instalam-se na mediocridade; falta o entusiasmo e o empenho do quadro geral é o de um certo sentimento de frustração, porque o mundo continua igual e a esperada intervenção vitoriosa de Deus continua adiada. Quando vai concretizar-¬se, de forma plena e inequívoca, o projeto salvador de Deus?
É neste ambiente que podemos inserir o texto que hoje nos é proposto como primeira leitura. Nele, o catequista Lucas avisa que o projeto de salvação e de libertação que Jesus veio apresentar passou (após a ida de Jesus para junto do Pai) para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito. A construção do "Reino" é uma tarefa que não está terminada, mas que é preciso concretizar na história, e exige o empenho contínuo de todos os crentes. Os cristãos são convidados a redescobrir o seu papel, no sentido de testemunhar o projeto de Deus, na fidelidade ao "caminho" que Jesus percorreu.
MENSAGEM
O nosso texto começa com um prólogo (vs. 1-2) que relaciona os "Atos" com o 3 Evangelho - quer na referência ao mesmo Teófilo a quem o Evangelho era dedicado, quer na alusão a Jesus, aos seus ensinamentos e à sua ação no mundo (tema central do 3° Evangelho). Neste prólogo são também apresentados os protagonistas do livro - o Espírito Santo e os apóstolos, vinculados com Jesus.
Depois da apresentação inicial, vem o tema da despedida de Jesus (vs. 3-8). O autor começa por fazer referência aos "quarenta dias" que mediaram entre a ressurreição e a ascensão, durante os quais Jesus falou aos discípulos "a respeito do Reino de Deus" (o que parece estar em contradição com o Evangelho, onde a ressurreição e a ascensão são apresentados no próprio dia de Páscoa - cf. Lc 24). O número quarenta é, certamente, um número simbólico: é o número que define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir as lições do mestre. Aqui define, portanto, o tempo simbólico de iniciação ao ensinamento do Ressuscitado.
As palavras de despedida de Jesus (vs. 4-8) sublinham dois aspectos: a vinda do Espírito e o testemunho que os discípulos vão ser chamados a dar "até aos confins do mundo". Temos resumida aqui a experiência missionária da comunidade de Lucas: o Espírito irá derramar-se sobre a comunidade crente e dará a força para testemunhar Jesus em todo o mundo, desde Jerusalém a Roma. Na realidade, trata-se do programa que Lucas vai apresentar ao longo do livro, posto na boca de Jesus ressuscitado. O autor quer mostrar com a sua obra que o testemunho e a pregação da Igreja estão entroncados no próprio Jesus e são impulsionados pelo Espírito.
o último tema é o da ascensão (vs. 9-11). Evidentemente, esta passagem necessita de ser interpretada para que, através da roupagem dos símbolos, a mensagem apareça com toda a claridade.
Temos, em primeiro lugar, a elevação de Jesus ao céu (v. 9a). Não estamos a falar de uma pessoa que, literalmente, descola da terra e começa a elevar-se; estamos a falar de um sentido teológico (não é o "repórter", mas sim o "teólogo" a falar): a ascensão é uma forma de expressar simbolicamente que a exaltação de Jesus é total e atinge dimensões supra-terrenas; é a forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus, que agora reentra na glória da comunhão com o Pai.
Temos, depois, a nuvem (v. 9b) que subtrai Jesus aos olhos dos discípulos. Pairando a meio caminho entre o céu e a terra, a nuvem é, no Antigo Testamento, um símbolo privilegiado para exprimir a presença do divino (cf. Ex. 13,21.22; 14,19.24; 24,15b-18; 40,34-38). Ao mesmo tempo, simultaneamente esconde e manifesta: sugere o mistério do Deus escondido e presente, cujo rosto o Povo não pode ver, mas cuja presença adivinha nos acidentes da caminhada. Céu e terra, presença e ausência, luz e sombra, divino e humano, são dimensões aqui sugeridas a propósito de Cristo ressuscitado, elevado à glória do Pai, mas que continua a caminhar com os discípulos.
Temos ainda os discípulos a olhar para o céu (v. 10a). Significa a expectativa dessa comunidade que espera ansiosamente a segunda vinda de Cristo, a fim de levar ao seu termo o projeto de libertação do homem e do mundo.
Temos, finalmente, os dois homens vestidos de branco (v. 10b). O branco sugere o mundo de Deus, o que indica que o seu testemunho vem de Deus. Eles convidam os discípulos a continuar no mundo, animados pelo Espírito, a obra libertadora de Jesus; agora, é a comunidade dos discípulos que tem de continuar, na história, a obra de Jesus, embora com a esperança posta na segunda e definitiva vinda do Senhor.
O sentido fundamental da ascensão não é que fiquemos a admirar a elevação de Jesus; mas é convidar-nos a seguir o "caminho" de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do seu projeto de salvação no meio do mundo.
ATUALIZAÇÃO
+ A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos, antes de mais, que uma vida vivida na fidelidade aos projetos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo "caminho" de Jesus subirá, como Ele, à vida plena.
+ A ascensão de Jesus recorda-nos, sobretudo, que Ele foi elevado para junto do Pai e nos encarregou de continuar a tornar realidade o seu projeto libertador no meio dos homens nossos irmãos. É essa a atitude que tem marcado a caminhada histórica da Igreja? Ela tem sido fiel à missão que Jesus, ao deixar este mundo, lhe confiou?
+ O nosso testemunho tem transformado e libertado a realidade que nos rodeia?
Qual o real impacto desse testemunho na nossa família, no local onde desenvolvemos a nossa atividade profissional, na nossa comunidade cristã ou religiosa?
+ É relativamente frequente ouvirmos dizer que os seguidores de Jesus gostam mais de olhar para o céu do que se comprometerem na transformação da terra. Estamos, efetivamente, atentos aos problemas e às angústias dos homens, ou vivemos de olhos postos no céu, num espiritualismo alienado? Sentimo-nos questionados pelas inquietações, pelas misérias, pelos sofrimentos, pelos sonhos, pelas esperanças que enchem o coração dos que nos rodeiam? Sentimo-nos solidários com todos os homens, particularmente com aqueles que sofrem?
2ª leitura - Ef. 1,17-23 – AMBIENTE
A carta aos Efésios é, provavelmente, um dos exemplares de uma "carta circular" enviada a várias igrejas da Ásia Menor, numa altura em que Paulo está na prisão (em Roma?). Q seu portador é um tal Tíquico. Estamos por volta dos anos 58/60.
Alguns vêem nesta carta uma espécie de síntese da teologia paulina, numa altura em que a missão do apóstolo está praticamente terminada no oriente.
Em concreto, o texto que nos é proposto aparece na primeira parte da carta e faz parte de uma ação de graças, na qual Paulo agradece a Deus pela fé dos efésios e pela caridade que eles manifestam para com todos os irmãos na fé.
MENSAGEM
À ação de graças, Paulo une uma fervorosa oração a Deus, para que os destinatários da carta conheçam "a esperança a que foram chamados" (v. 18). A prova de que o Pai tem poder para realizar essa "esperança" (isto é, conferir aos crentes a vida eterna como herança) é o que Ele fez com Jesus Cristo: ressuscitou-Q e sentou-Q à sua direita (v. 20), exaltou-Q e deu-Lhe a soberania sobre todos os poderes angélicos (Paulo está preocupado com a perigosa tendência de alguns cristãos em dar uma importância exagerada aos anjos, colocando-os até acima de Cristo - cf. Co. 1,6). Essa soberania estende-se, inclusive, à Igreja - o "corpo" do qual Cristo é a "cabeça". Q mais significativo deste texto é, precisamente, este último desenvolvimento. A ideia de que a comunidade cristã é um "corpo" - o "corpo de Cristo" - formado por muitos membros, já havia aparecido nas "grandes cartas", acentuando-se, sobretudo, a relação dos vários membros do "corpo" entre si (cf. 1Cor. 6,12-20; 10,16-17; 12,12-27; Rm. 12,3-8); mas, nas "cartas do cativeiro", Paulo retoma a noção de "corpo de Cristo" para refletir sobre a relação que existe entre a comunidade e Cristo.
Neste texto, em concreto, há dois conceitos muito significativos para definir o quadro da relação entre Cristo e a Igreja: o de "cabeça" e o de "plenitude" (em grego, "pleroma").
Dizer que Cristo é a "cabeça" da Igreja significa, antes de mais, que os dois formam uma comunidade indissolúvel e que há entre os dois uma comunhão total de vida e de destino; significa também que Cristo é o centro à volta do qual o "corpo" se articula, a partir do qual e em direção ao qual o "corpo" cresce, se orienta e constrói, a origem e o fim desse "corpo"; significa ainda que a Igreja/corpo está submetida à obediência a Cristo/cabeça: só de Cristo a Igreja depende e só a Ele deve obediência.
Dizer que a Igreja é a "plenitude" ("pleroma") de Cristo significa dizer que nela reside a "plenitude", a "totalidade" de Cristo. Ela é o receptáculo, a habitação, onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse "corpo" onde reside, que Cristo continua todos os dias a realizar o seu projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse "corpo", Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo "seja tudo em todos" (v. 23).
ATUALIZAÇÃO
+ Na nossa peregrinação pelo mundo, convém termos sempre presente "a esperança a que fomos chamados". A ressurreição/ascensão/glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação. Formamos com Ele um "corpo" destinado à vida plena. Esta perspectiva tem de dar-nos a força de enfrentar a história e de avançar - apesar das dificuldades - nesse "caminho" do amor e da entrega total que Cristo percorreu.
+ Dizer que fazemos parte do "corpo de Cristo" significa que devemos viver numa comunhão total com Ele e que nessa comunhão recebemos, a cada instante, a vida que nos alimenta. Significa também viver em comunhão, em solidariedade total com todos os nossos irmãos, membros do mesmo "corpo", alimentados pela mesma vida. Estas duas coordenadas estão presentes na nossa existência?
+ Dizer que a Igreja é o "pleroma" de Cristo significa que temos a obrigação de testemunhar Cristo, de torná-l'O presente no mundo, de levar à plenitude o projeto de libertação que Ele começou em favor dos homens. Essa tarefa só estará acabada quando, pelo testemunho e pela ação dos crentes, Cristo for "um em todos".
(Nota: em vez desta leitura, pode-se escolher a seguinte leitura facultativa: Ef 4,1-13)
Evangelho - Mc. 16,15-20 – AMBIENTE
A perícope de Mc. 16,9-20 distingue-se, no conjunto do Evangelho segundo Marcos, por se apresentar com um estilo e com vocabulário muito diferentes do resto do texto. Aliás, os manuscritos mais importantes e mais antigos que conservaram este Evangelho concluíam o texto de Marcos em 16,8, com o medo das mulheres que, na manhã de Páscoa, encontraram o túmulo vazio. Provavelmente, foi assim que Marcos terminou o seu Evangelho, dando-lhe um final "aberto" e como que convidando o leitor a completar o relato com a sua própria experiência pessoal de seguimento de Jesus, superando o medo, "vendo" Jesus e dando testemunho d'Ele.
No entanto, este final pareceu deixar insatisfeitos os leitores de Marcos e apareceram várias tentativas de dar ao Evangelho segundo Marcos um final mais satisfatório. Algumas dessas tentativas estão, aliás, atestadas em diversos documentos antigos que nos transmitiram o texto do segundo Evangelho. De entre os diversos ''finais'' que apareceram, houve um que se impôs aos outros. Trata-se de um texto de meados do séc. II, que apresenta um resumo das aparições de Jesus ressuscitado contadas por outros evangelistas. Embora tardio e não redigido por Marcos, este "final" é, contudo, parte integrante da Escritura Sagrada. A Igreja reconhece-o como canônico, como inspirado por Deus e como Palavra de Deus.
O texto que nos é proposto é parte da perícope em causa. Os elementos apresentados no texto são pequenos resumos de relatos feitos por outros evangelistas. Assim, a aparição de Jesus ressuscitado aos Onze depende de Lc. 24,36-43 e de Jo 20,19-29; a definição da missão dos apóstolos depende de Mt. 28,16- 20 e de Lc. 24,44-49; o relato da Ascensão depende de Lc. 24,50-53 e de At. 1,4-11.
O quadro traçado pelo autor da perícope apresenta os discípulos a reagir de uma forma muito negativa ao fato de Jesus já não estar com eles. Na manhã da ressurreição, eles estavam "em luto e em pranto" (Mc 16,10); depois, receberam o testemunho das mulheres que encontraram Jesus ressuscitado, com incredulidade e com um coração obstinado (cf. Mc 16,14). Num caso e noutro, negam-se a ir em frente e a continuar a aventura que começaram com Jesus. Têm medo de arriscar e preferem ficar comodamente instalados a "lamber as feridas". É o anti-seguimento eD encontro com Jesus ressuscitado vai, porém, obrigá-los a sair do seu letargo e a assumir os seus compromissos e responsabilidades, como membros da comunidade do Reino.
MENSAGEM
A questão central abordada no nosso texto é a do papel dos discípulos no mundo, após a partida de Jesus ao encontro do Pai. O texto consta de três cenas: Jesus ressuscitado define a missão dos discípulos; Jesus parte ao encontro do Pai; os discípulos partem ao encontro do mundo, a fim de concretizar a missão que Jesus lhes confiou.
Na primeira cena (vs. 15-18), Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, acorda-os da letargia em que se tinham instalado e define a missão que, doravante, eles serão chamados a desempenhar no mundo
A primeira nota do envio e do mandato que Jesus dá aos discípulos é a da universalidade DA missão dos discípulos destina-se a "todo o mundo" e não deverá deter-se diante de barreiras rácicas, geográficas ou culturais. A proposta de salvação que Jesus fez e que os discípulos devem testemunhar destina-se a toda a terra. Depois, Jesus define o conteúdo do anúncio: o "Evangelho". O que é o "Evangelho"? No Antigo Testamento (sobretudo no Deutero-Isaías e no Trito-Isaías), a palavra "evangelho" está ligada à "boa notícia" da chegada da salvação para o Povo de Deus. Depois, na boca de Jesus, a palavra "Evangelho" designa o anúncio de que o "Reino de Deus" chegou à vida dos homens, trazendo-lhes a paz, a libertação, a felicidade. Para os catequistas das primeiras comunidades cristãs, o "Evangelho" é o anúncio de um acontecimento único, capital, fundamental: em Jesus Cristo, Deus veio ao encontro dos homens, manifestou-lhes o seu amor, inseriu-os na sua família, convidou-os a integrar a comunidade do Reino, ofereceu-lhes a vida definitiva. Tal é o único e exclusivo "evangelho", a "boa notícia" que muda o curso da história e que transforma o sentido e os horizontes da existência humana.
O anúncio do "Evangelho" obriga os homens a uma opção. Quem aderir à proposta que Jesus faz, chegará à vida plena e definitiva ("quem acreditar e for batizado será salvo"); mas quem recusar essa proposta, ficará à margem da salvação ("quem não acreditar será condenado" - v. 16).
O anúncio do Evangelho que os discípulos são chamados a fazer vai atingir não só os homens, mas "toda a criatura". Muitas vezes o homem, guiado por critérios de egoísmo, de cobiça e de lucro, explora a criação, destrói esse mundo "bom" e harmonioso que Deus criou D Mas a proposta de salvação que Deus apresenta destina-se a transformar o coração do homem, eliminando o egoísmo e a maldade. Ao transformar o coração do homem, o "Evangelho" apresentado por Jesus e anunciado pelos discípulos vai propor uma nova relação do homem com todas as outras criaturas - uma relação não mais marcada pelo egoísmo e pela exploração, mas pelo respeito e pelo amor. Dessa forma, nascerá uma nova humanidade e uma nova natureza.
A presença da salvação de Deus no mundo tornar-se-á uma realidade através dos gestos dos discípulos de Jesus comprometidos com Jesus, os discípulos vencerão a injustiça e a opressão ("expulsarão os demônios em meu nome"), serão arautos da paz e do entendimento dos homens ("falarão novas línguas"), levarão a esperança e a vida nova a todos os que sofrem e que são prisioneiros da doença e do sofrimento ("quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados"); e, em todos os momentos, Jesus estará com eles, ajudando-os a vencer as contrariedades e as oposições.
Na segunda cena (v. 19), Jesus sobe ao céu e senta-Se à direita de Deus. A elevação de Jesus ao céu (ascensão) é uma forma de sugerir que, após o cumprimento da sua missão no meio dos homens, Jesus foi ao encontro do Pai e reentrou na comunhão do Pai.
A entronização de Jesus "à direita de Deus" mostra, por sua vez, a veracidade da proposta de Jesus. Na concepção dos povos antigos, aquele que se sentava à direita de Deus era um personagem distinto, que o rei queria honrar de forma especial D Jesus, porque cumpriu com total fidelidade o projeto de Deus para os homens, é honrado pelo Pai e sentado à sua direita. A proposta que Jesus apresentou, que os discípulos acolheram e que vão ser chamados a testemunhar no mundo, não é uma aventura sem sentido e sem saída, mas é o projeto de salvação que Deus quer oferecer aos homens.
Na terceira cena (v. 20), descreve-se resumidamente a ação missionária dos discípulos: eles partiram (quer dizer, deixaram para trás as seguranças e afetos humanos por causa da missão) a pregar (quer dizer, a anunciar com palavras e com gestos concretos essa vida nova que Deus ofereceu aos homens através de Jesus) por toda a parte (propondo a todos os homens, sem exceção, a proposta salvadora de Deus).
O autor desta catequese assegura aos discípulos que não estão sozinhos ao longo durante a missão. Jesus, vivo e ressuscitado, está com eles, coopera com eles e manifesta-Se ao mundo nas palavras e nos gestos dos discípulos.
A festa da Ascensão de Jesus é, sobretudo, o momento em que os discípulos tomam consciência da sua missão e do seu papel no mundo. A Igreja (a comunidade dos discípulos, reunida à volta de Jesus, animada pelo Espírito) é, essencialmente, uma comunidade missionária, cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de salvação e de libertação que Jesus veio trazer aos homens.
ATUALIZAÇÃO
+ Jesus foi ao encontro do Pai, depois de uma vida gasta ao serviço do "Reino"; deixou aos seus discípulos a missão de anunciar o "Reino" e de torná-lo uma proposta capaz de renovar e de transformar o mundo. Celebrar a ascensão de Jesus significa, antes de mais, tomar consciência da missão que foi confiada aos discípulos e sentir-se responsável pela presença do "Reino" na vida dos homens. Estou consciente de que a Igreja - a comunidade dos discípulos de Jesus, a que eu pertenço também - é hoje a presença libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens? Como é que eu procuro testemunhar o "Reino" na minha vida de todos os dias - em casa, no trabalho ou na escola, na paróquia, na comunidade religiosa?
+ A missão que Jesus confiou aos discípulos é uma missão universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas não podem ser obstáculos para a presença da proposta libertadora de Jesus no mundo. Tenho consciência de que a missão que foi confiada aos discípulos é uma missão universal? Tenho consciência de que Jesus me envia a todos os homens - sem distinção de raças, de etnias, de diferenças religiosas, sociais ou econômicas - a anunciar-lhes a libertação, a salvação, a vida definitiva? Tenho consciência de que sou responsável pela vida, pela felicidade e pela liberdade de todos os meus irmãos - mesmo que eles habitem no outro lado do mundo?
+ Tornar-se discípulo é, em primeiro lugar, aprender os ensinamentos de Jesus - a partir das suas palavras, dos seus gestos, da sua vida oferecida por amor. É claro que o mundo do século XXI apresenta, todos os dias, desafios novos; mas os discípulos, formados na escola de Jesus, são convidados a ler os desafios que hoje o mundo coloca, à luz dos ensinamentos de Jesus. Preocupo-me em conhecer bem os ensinamentos de Jesus e em aplicá-los à vida de todos os dias?
+ No dia em que fui batizado, comprometi-me com Jesus e vinculei-me com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A minha vida tem sido coerente com esse compromisso?
+ É um tremendo desafio testemunhar, hoje, no mundo os valores do "Reino" (esses valores que, muitas vezes, estão em contradição com aquilo que o mundo defende e que o mundo considera serem as prioridades da vida). Com frequência, os discípulos de Jesus são objeto da irrisão e do escárnio dos homens, porque insistem em testemunhar que a felicidade está no amor e no dom da vida; com frequência, os discípulos de Jesus são apresentados como vítimas de uma máquina de escravidão, que produz escravos, alienados, vítimas do obscurantismo, porque insistem em testemunhar que a vida plena está no perdão, no serviço, na entrega da vida. O confronto com o mundo gera muitas vezes, nos discípulos, desilusão, sofrimento, frustração. Nos momentos de decepção e de desilusão convém, no entanto, recordar as palavras de Jesus: "Eu estarei convosco até ao fim dos tempos". Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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Jesus espera-nos no céu
– A exaltação de Cristo glorioso culmina neste mistério.
– A Ascensão fortalece e estimula o nosso desejo de alcançar o Céu. Fomentar esta esperança.
– A Ascensão e a missão apostólica do cristão.
I. SEGUNDO O EVANGELHO de São Lucas, o último gesto de Jesus Cristo na terra foi uma bênção1. Os Onze tinham partido da Galiléia e ido ao monte que Jesus lhes indicara, o monte das Oliveiras, perto de Jerusalém. Os discípulos, ao verem novamente Aquele que havia ressuscitado, adoraram-no2, prostraram-se diante dEle como seu Mestre e seu Deus. Agora estão muito mais profundamente conscientes daquilo que já muito tempo antes tinham no coração e haviam confessado: que o seu Mestre era o Messias3.
O Mestre fala-lhes com a majestade própria de Deus: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra4. Jesus confirma a fé dos que o adoram e ensina-lhes que o poder que irão receber deriva do próprio poder divino. A faculdade de perdoar os pecados, a de renascer para uma vida nova mediante o Batismo... são o próprio poder de Cristo que se prolonga na Igreja. Esta é a missão da Igreja: continuar para sempre a obra de Cristo, ensinar aos homens as verdades sobre Deus e as exigências que essas verdades trazem consigo, ajudá-los com a graça dos sacramentos... Jesus diz-lhes: O Espírito Santo descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.
Dizendo isto, elevou-se da terra à vista deles, e uma nuvem o ocultou5. Assim nos descreve São Lucas a Ascensão na primeira leitura da Missa de hoje.
Foi-se elevando pouco a pouco. Os Apóstolos permaneceram um longo tempo olhando para Jesus que ascendia ao céu com toda a majestade, enquanto lhes dava a última bênção, até que uma nuvem o ocultou. Era a nuvem que acompanhava a manifestação de Deus6: “Era um sinal de que Jesus tinha entrado já nos céus”7.
A vida de Jesus na terra não termina com a sua morte na Cruz, mas com a Ascensão aos céus. É o último mistério da vida do Senhor aqui na terra. É um mistério redentor, que constitui, com a Paixão, a Morte e a Ressurreição, o mistério pascal. Convinha que os que tinham visto Cristo morrer na Cruz, entre os insultos, desprezos e escárnios, fossem testemunhas da sua exaltação suprema. Cumprem-se agora diante dos seus olhos as palavras que um dia o Senhor lhes tinha dito: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus8.
Contemplamos a Ascensão do Senhor aos céus no segundo mistério glorioso do Santo Rosário. “Jesus foi para o Pai. – Dois anjos de brancas vestes se aproximam de nós e nos dizem: Homens da Galiléia, que fazeis olhando para o céu? (Act., I, 11)
“Pedro e os restantes voltam para Jerusalém – cum gaudio magno – com grande alegria (Luc., XXIV, 52). – É justo que a Santa Humanidade de Cristo receba a homenagem, a aclamação e a adoração de todas as hierarquias dos Anjos e de todas as legiões dos bem-aventurados da Glória”9.
II. “HOJE NÃO SÓ FOMOS constituídos possuidores do paraíso – ensina São Leão Magno nesta solenidade –, mas com Cristo ascendemos, mística mas realmente, ao mais alto dos céus, e conseguimos por Cristo uma graça mais inefável que a que havíamos perdido”10.
A Ascensão fortalece e estimula a nossa esperança de alcançarmos o Céu e incita-nos constantemente a levantar o coração a fim de procurarmos as coisas que são do alto, como nos sugere o Prefácio da Missa. Agora a nossa esperança é muito grande, pois o próprio Cristo foi preparar-nos uma morada11.
O Senhor está já no Céu com o seu Corpo glorificado, com os sinais do seu Sacrifício redentor12, com as marcas da Paixão que Tomé pôde contemplar e que clamam pela salvação de todos nós. A Humanidade Santíssima do Senhor tem já no Céu o seu lugar natural, mas Ele, que deu a sua vida por cada um, espera-nos ali. “Cristo espera-nos. Vivemos já como cidadãos do céu (Phil III, 20), sendo plenamente cidadãos da terra, no meio das dificuldades, das injustiças, das incompreensões, mas também no meio da alegria e da serenidade que nos dá sabermo-nos filhos amados de Deus [...]. E se, apesar de tudo, a subida de Jesus aos céus nos deixar na alma um travo de tristeza, recorramos à sua Mãe, como fizeram os Apóstolos: Tornaram então a Jerusalém... e oravam unanimemente... com Maria, a Mãe de Jesus (Act I, 12-14)”13.
A esperança do Céu encherá de alegria o nosso peregrinar diário. Imitaremos os Apóstolos que “tiraram tanto proveito da Ascensão do Senhor que tudo quanto antes lhes causava medo, depois se converteu em gozo. A partir daquele momento, elevaram toda a contemplação das suas almas à divindade que está à direita do Pai; a perda da visão do corpo do Senhor não foi obstáculo para que a inteligência, iluminada pela fé, acreditasse que Cristo, mesmo descendo até nós, não se tinha afastado do Pai e, com a sua Ascensão, não se separou dos seus discípulos”14.
III. ENQUANTO OLHAVAM atentamente para o céu à medida que Ele se afastava, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco que lhes disseram: Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Este Jesus que acaba de vos deixar para subir ao céu voltará do mesmo modo que o vistes subir15.
“Tal como os Apóstolos, ficamos meio admirados, meio tristes ao ver que Ele nos deixa. Na realidade, não é fácil acostumarmo-nos à ausência física de Jesus. Comove-me recordar que Jesus, num gesto magnífico de amor, foi-se embora e ficou; foi para o Céu e entrega-se a nós como alimento na Hóstia Santa. Sentimos, no entanto, a falta da sua palavra humana, da sua forma de atuar, de olhar, de sorrir, de fazer o bem. Gostaríamos de voltar a vê-lo de perto, quando se senta à beira do poço, cansado da dura caminhada (cfr. Jo. 4, 6), quando chora por Lázaro (cfr. Jo. 11, 35), quando se recolhe em prolongada oração (cfr. Lc. 6, 12), quando se compadece da multidão (cfr. MT. 15, 32; Mc. 8, 2).
“Sempre me pareceu lógico – e me cumulou de alegria – que a Santíssima Humanidade de Jesus Cristo subisse à glória do Pai. Mas penso também que esta tristeza, própria do dia da Ascensão, é uma manifestação do amor que sentimos por Jesus, Senhor Nosso. Sendo perfeito Deus, Ele se fez homem, perfeito homem, carne da nossa carne e sangue do nosso sangue. E separa-se de nós, indo para o céu. Como não havíamos de notar a sua falta?”16
Os Anjos dizem aos Apóstolos que é hora de começar a imensa tarefa que os espera, e que não devem perder um só instante. Com a Ascensão termina a missão terrena de Cristo e começa a dos seus discípulos, a nossa. E hoje, na nossa oração, é bom que ouçamos de novo as palavras com que o Senhor intercede diante de Deus Pai por nós: Não peço que os tires do mundo, do nosso ambiente, do nosso trabalho, da família..., mas que os preserves do mal17. Porque o Senhor quer que cada um no seu lugar continue a tarefa de santificar o mundo, para melhorá-lo e colocá-lo aos seus pés: as almas, as instituições, as famílias, a vida pública... Porque só assim o mundo será um lugar em que se valoriza e se respeita a dignidade humana, em que se pode conviver em paz, com essa paz verdadeira que está tão ligada à união com Deus.
“Recorda-nos a festa de hoje que o zelo pelas almas é um mandamento amoroso do Senhor: ao subir para a sua glória, Ele nos envia pelo orbe inteiro como suas testemunhas. Grande é a nossa responsabilidade, porque ser testemunha de Cristo implica, antes de mais nada, procurar comportar-se segundo a sua doutrina, lutar para que a nossa conduta recorde Jesus e evoque a sua figura amabilíssima”18.
Os que convivem ou se relacionam conosco devem aperceber-se da nossa lealdade, sinceridade, alegria, laboriosidade; temos de comportar-nos como pessoas que cumprem com retidão os seus deveres e sabem atuar como filhos de Deus nas pequenas situações de cada dia. As próprias normas correntes da convivência, que para muitos não passam de algo externo, necessário apenas para o relacionamento social – os cumprimentos, a cordialidade, o espírito de serviço... – devem ser fruto da caridade, manifestações de uma atitude interior de interesse pelos outros.
Jesus parte, mas permanece muito perto de cada um. De modo especial encontramo-lo no Sacrário mais próximo, talvez a menos de uma centena de metros do lugar onde vivemos ou trabalhamos. Não deixemos de procurá-lo com freqüência, ainda que na maioria das vezes só possamos fazê-lo com o coração, para dizer-lhe que nos ajude na tarefa apostólica, que conte conosco para estender a sua doutrina por todos os ambientes.
Os Apóstolos voltaram a Jerusalém em companhia de Santa Maria. Juntamente com Ela, esperam a chegada do Espírito Santo. Disponhamo-nos nós, nestes dias, a preparar a próxima festa de Pentecostes muito unidos a Nossa Senhora.
(1) Lc. 24, 51;
(2) cfr. Mt 28, 17;
(3) cfr. Mt 16, 18;
(4) Mt 28, 18;
(5) At 1, 7 e segs.;
(6) cfr. Ex 13, 22; Lc 9, 34 e segs.;
(7) São João Crisóstomo, Homilias sobre os Atos, 2;
(8) Jo 20, 17;
(9) Josemaría Escrivá, Santo Rosário, IIº mist. glorioso;
(10) São Leão Magno, Homilia I sobre a Ascensão;
(11) cfr. Jo 14, 2;
(12) cfr. Apoc 5, 6;
(13) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 126;
(14) São Leão Magno, Sermão 74, 3;
(15) At 1, 11;
(16) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 117;
(17) Jo 17, 15;
(18) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 122.
Francisco Fernández-Carvajal
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1. Os estudiosos da Bíblia concordam em afirmar que Mc. 16,6-20 não é de Marcos. Esses versículos existiam à parte, como um dos relatos pós-pascais. Foram, mais tarde, anexados ao evangelho de Marcos, talvez para atenuar a maneira incomum com que Marcos encerra sua obra.
2. Esse apêndice, contudo, está em íntima sintonia com o evangelho. De fato, os versículos hoje propostos à nossa reflexão falam do mandato de Jesus aos discípulos:
- eles deverão anunciar o evangelho a todos (vv. 15-18), como Jesus tinha feito;
- depois, Jesus é levado ao céu (v. 19);
- a seguir, os discípulos saem a pregar, ajudados pelo Senhor (v. 20).
3. Em outras palavras não há ruptura entre a missão de Jesus e a dos discípulos. A história de Jesus continua no testemunho da comunidade. E é importante não esquecer que, – apesar de ter-se sentado à direita de Deus (v. 19), – Jesus continua caminhando nas estradas da humanidade, nos passos e ensinamentos dos discípulos (v. 20). Isso nos leva a afirmar que a ascensão de Jesus não nos priva de sua presença; pelo contrário, oferece-nos novos modos de senti-lo e de encontrá-lo.
4. O texto de hoje inicia com a ordem de Jesus: “vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a toda criatura!” (v. 15). Começa, assim, definitivamente o tempo da comunidade cristã.
5. No evangelho de Marcos, Jesus se apresenta anunciando o Evangelho (cf. 1,14). Os discípulos, portanto, darão sequência ao que Jesus fez, ampliando o campo de ação:
- em 1,14 – Jesus anuncia o evangelho na Galileia;
- em 16,15 – os discípulos deverão fazê-lo pelo mundo inteiro e a toda criatura.
6. O evangelho de hoje conclui que os discípulos saíram (-segundo a ordem do Senhor) e anunciaram por toda parte (v. 20a) o que o Mestre anunciou: a boa notícia do mundo novo inaugurado com Jesus. Esta será a tarefa da comunidade cristã.
7. Se os vv. 15.20a insistiam na palavra “anunciar”, o v. 16 enfatiza o resultado do anúncio: a fé que ele suscita. O anúncio provoca decisão: crer ou não crer. Também nesse aspecto encontramos ressonância desse versículo nas primeiras palavras de Jesus (Mc. 1,15: creiam no evangelho). A pregação de Jesus leva as pessoas à resposta na fé; o anúncio dos discípulos tem – como resultado – provocar a fé que conduz à salvação: ”quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado” (v. 16).
8. Os vv. 17-18 falam de sinais que acompanharão os que acreditarem (= todos os que aderirem a Jesus na fé)
8.1. – os dois primeiros sinais (expulsar demônios em nome de Jesus e falar novas línguas - v. 17) mostram que a ação é libertadora e comunicadora do mundo novo. De fato, o primeiro milagre que Jesus realiza em Marcos é o da expulsão de um espírito mau (1,21-28; cf. 1,32-34). Com esse gesto, e por força de sua palavra, Jesus vence e elimina tudo o que despersonaliza, oprime e marginaliza as pessoas, falando-lhes a nova linguagem da vida e liberdade. Assim deverão fazer os que tiverem fé em Jesus: libertar as pessoas de todo tipo de alienação.
8.2. – o terceiro e quarto sinais (pegar serpentes ou beber veneno mortal – v. 18a) falam dos confrontos e conflitos suscitados pela fé. Quem anuncia o projeto de Deus sofre oposições imprevistas e veladas (serpentes) ou evidentes e abertas (tentativa de matar os discípulos por envenenamento). Com Jesus foi assim; já em 3,6 do evangelho de Marcos, sua morte fora decretada. Os discípulos não terão sorte diferente. Contudo, o Pai não permitiu que a morte de Jesus tivesse a última palavra. Assim também, ele agirá em favor dos fiéis.
8.3. O quinto sinal (impor as mãos sobre os doentes, curando-os – v. 18b), à semelhança do primeiro e segundo sinais (v. 17), põe os discípulos em estreita comunhão com a prática de Jesus, que optou pelos sofredores, curando-os (cf. 1,34.40-45).
9. O v. 19 marca o fim do caminho de Jesus: ”depois de falar aos discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus”. Agora é a vez dos discípulos e da comunidade re-fazer os passos e ações de Jesus: re-construir o caminho e construir a história.
10. Jesus supera as barreiras do tempo e espaço; está sentado à direita de Deus, mas ao mesmo tempo, ajuda os discípulos, provando, – por meio dos sinais que os acompanham, – que o ensinamento deles é verdadeiro (v. 20b). O tempo da salvação e do Reino de Deus (cf. 1,154) não se fechou; pelo contrário, abriu-se universalmente através da ação de quem crê em Jesus e se torna seu representante em meio aos conflitos.
1ª leitura: At. 1,1–11
11. Atos dos Apóstolos é o segundo livro de Lucas. Com ele o evangelista quer mostrar que os ensinamentos e ações de Jesus continuam nos ensinamentos e ações dos cristãos. Portanto, o livro dos Atos não é um manual de história da Igreja, mas sim o prolongamento da prática do Senhor na vida da comunidade cristã.
12. No evangelho temos a práxis de Jesus, nos Atos temos a práxis apostólica cristã. Assim, quem deseja ser Teo-filo (= amigo de Deus) tem na práxis de Jesus e de seus seguidores as linhas-mestras de inspiração e conduta. A garantia dos dois momentos é o Espírito Santo (v. 2) que esteve presente em Jesus e está presente na comunidade cristã.
13. Toda ação da comunidade está ancorada na experiência do Cristo Ressuscitado:
- “foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão, com numerosas provas” (v. 3);
- tem o aval do Pai, cuja promessa se realiza em Jesus e na comunidade (v.4b)
- por meio da efusão do Espírito (v. 5),
- que levará a comunidade a identificar sua práxis com a de Jesus.
14. Lucas fala de “quarenta dias” (v. 3b) durante os quais Jesus apareceu e falou aos discípulos sobre o Reino de Deus. O fato não tem caráter cronológico, mas teológico – catequético: a prática cristã nasce da experiência concreta de intimidade e comunhão (= a refeição – v. 4a) com o Senhor Ressuscitado. Dessa intimidade nasce o testemunho cristão, a missão, a evangelização. E a garantia de sucesso está no batismo do Espírito Santo, que é memória continuamente renovada e atualizada do que fez e disse Jesus (cf. Jo 14,26).
15. A pergunta dos discípulos (v. 6) revela a ânsia da comunidade cristã, a fim de que o projeto de Deus se realize completamente. Estão curiosos em saber se existe um limite, uma data até onde se possa resistir e lutar … e depois ” descansar “, sem que haja mais nada a fazer.
16. A resposta de Jesus traz duas indicações: a primeira afirma que o projeto de Deus não depende de uma data histórica: ” não cabe a vocês saber os tempos e as datas” (v. 7) . A segunda é consequência da primeira e manifesta qual deve ser a autêntica preocupação da comunidade: sob a ação da força do Espírito, testemunhar (v. 8) a práxis de Jesus. O projeto de Deus não depende de teorias ou conjecturas, mas do testemunho que atualize o que Jesus fez e disse.
17. Testemunho é como um fio que amarra juntos os dois livros de Lucas. De fato, o evangelho dele se encerra falando desse “testemunho” (24,48). E aqui Jesus renova o compromisso dos discípulos (v. 8b). Nos Atos, após Pentecostes, eles não cessam de repetir que são testemunhas (At. 2,32; 3,15; 4,33; 5,32; 13,3; 22,15). A palavra testemunho é a palavra-chave. Em palavras e ações, prolongam a práxis de Jesus. O testemunho, segundo os Atos, vai se espalhando a partir de Jerusalém, onde Jesus deu o testemunho final com a morte e ressurreição, atinge a Judeia e a Samaria (At. 8,1-8) e chega aos confins do mundo (as viagens de Paulo). O projeto de Deus está aberto e ao alcance de todos.
18. Depois… Jesus foi levado ao céu! O v. 9 fala do arrebatamento de Jesus. A referência à nuvem – símbolo teofânico – nos diz que Jesus pertence definitivamente à esfera de Deus. É a certeza da comunidade de que Jesus cumpriu perfeitamente a vontade do Pai. Contudo, não basta sabê-lo. Torna-se necessário descruzar os braços, deixar de olhar passivamente para o céu, encarar a realidade que nos cerca, perceber que somos todos “homens da Galileia”, comprometidos com o testemunho de Jesus (vv. 10-11).
19. Versículo 11b: E a volta de Jesus? Lucas está falando de parusia ou de teofania? Quando voltará Jesus? No fim dos tempos ou no Pentecostes que leva a comunidade cristã a ser epifania sua, mediante o testemunho? O que importa mesmo, portanto, é a comunidade ser epifania de Jesus mediante seu testemunho!
2ª leitura: Ef. 1,17–23
20. A carta aos Efésios é um texto de Paulo (ou um discípulo dele) dirigido às comunidades dos arredores de Éfeso. Paulo não conheceu essas comunidades. Ele esteve em Éfeso (cf. At. 19-20), onde deu início a uma comunidade cristã, que, por sua vez, fez surgir as comunidades dos arredores.
21. Paulo estava preso e teve conhecimento dessas comunidades, de sua firmeza na fé, do amor que unia a todos na esperança em meio às lutas. Mas ficou sabendo também dos riscos trazidos pelas filosofias do tempo que pregavam um Deus afastado e ausente da vida humana. E era só através de entidades intermediárias (soberanias, poderes, forças, dominações) que se poderia ter acesso a Deus. E Jesus também não passaria de uma dessas entidades intermediárias.
22. Nosso texto pertence à ação de graças e súplica que Paulo faz a Deus por causa dessas comunidades (1,15-23). Dá graças pela fé (adesão a Jesus) e pelo amor (-resposta da fé, que se visualiza no amor solidário) encontrado nos fiéis.
23. E suplica. O conteúdo da súplica é uma espécie de credo cristão. Pela fé e solidariedade os cristãos penetram sempre mais no ser de Deus que está próximo e presente na comunidade. Contudo, é preciso conhecê-lo (v. 17) e conhecer a esperança à qual a comunidade foi chamada (v. 18a).
24. A glória de Deus.
Paulo fala da glória de Deus e emprega outros termos, como potência, eficácia, poder e força, que ampliam a idéia de glória de Deus (… um texto muito denso).
- Longe de ser distante da humanidade, o Deus dos cristãos é um Deus cuja glória depende do fato de existir como Deus da comunidade.
- A glória de Deus é sua ação concreta na história, na vida da comunidade cristã, que prolonga a morte e ressurreição de Jesus.
- Em Jesus, Deus fez conhecer sua glória, mostrando-se tão próximo à humanidade, a ponto de eleger a comunidade cristã como o Corpo de Cristo, a plenitude de Cristo, que preenche tudo em todo o universo (v. 23).
25. Paulo não polemiza contra as entidades intermediárias. Simplesmente mostra às comunidades: – que existe um único Senhor,
- que realizou o projeto do Pai,
- e que esse Senhor está presente na história.
A comunidade cristã é o espaço no qual se revela o projeto de Deus, a realeza absoluta do Cristo Ressuscitado.
R e f l e t i n d o
1. O evangelho de hoje é quase um resumo dos Atos dos Apóstolos. O Cristo glorioso confia aos apóstolos a missão e já prediz aquilo que o livro dos Atos descreve com relação a essa missão: o poder de Cristo acompanha seus discípulos na pregação. O texto insiste mais nos sinais que acompanham a palavra do que no conteúdo da mesma palavra.
2. “Deus estava com eles”. O Senhor glorioso, estabelecido no “poder”, dá uma força incrível aos que pregam o seu “nome” (16,17b; cf. At. 3). Isso continua verdade ainda hoje. A evangelização hoje é acompanhada por sinais que causam tanta admiração quanto os “milagres” descritos em Mc. 16,17-18:
- pessoas que conseguem livrar–se do vício, do fascínio do lucro;
- comunidades que se baseiam não na competição, mas na comunhão;
- apóstolos que parecem abolir as fronteiras humanas;
- pessoas que, sem serem complexadas, vivem o matrimônio (ou a virgindade) em fidelidade. Será que tudo isso é menos significativo do que pegar em cobras ou beber veneno?
3. O evangelho não depende de sinais. Mas, onde há fogo, sai fumaça: a presença do evangelho não pode deixar de chamar a atenção. Transforma a realidade lá onde menos se espera. A Ascensão de Cristo ao céu nos torna os encarregados da missão à qual ele preside, agora em sua glória. Manifestamos seu nome, e os sinais confirmam o seu “poder”, que se encarna na pregação do evangelho. O evangelho não deixa nunca as coisas como estão. Essa é a mensagem de hoje.
4. Depois da ressurreição, Jesus deixou sua missão terrena e subiu aos céus, confiando sua missão aos seus. E o “Senhor cooperava com eles”. Depois da Páscoa, tudo mudou. Antes, Jesus era o profeta rejeitado; depois ele apareceu entrando na glória do Pai – que assim mostrou aos discípulos que Jesus teve razão naquilo que ensinou e realizou.
5. Antes, Jesus chamava os discípulos para serem seus colaboradores; depois, ele é quem “coopera com eles”, pois agora sua obra está nas mãos deles. Jesus encerra sua atividade terrena e entrega sua missão aos discípulos. E ordenou-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura”. Mas prometeu-lhes forças extraordinárias para cumprirem sua missão. Quem se empenha de corpo e alma – pela causa de Deus – faz maravilhas, enquanto o acomodado nada consegue.
6. Movidos pelo amor ao Senhor, os apóstolos se jogaram na pregação e coisas inimagináveis aconteceram. E ficamos ainda hoje, admirados do que fizeram. Por exemplo: José de Anchieta, Teresa de Calcutá, Francisco de Assis, e tantos mais…
7. A festa da Ascensão do Senhor nos ensina a fazer de Jesus realmente ” o Senhor da nossa vida” e a arriscar tudo para levara sua missão adiante – sem se preocupar com o que virá pela frente …. pois ele coopera conosco (muito mais do que imaginamos!).
8. …e coopera de modo extraordinário! Não que o extraordinário em si seja uma prova da divindade. O extraordinário muitas vezes alimenta o sensacionalismo, o exótico, o fantástico, que chama a atenção. Ora, na pregação o extraordinário tem simplesmente a função de sinal quando mostra o Espírito do Ressuscitado a impulsionar o mensageiro, quando faz reconhecer Jesus como Senhor e como aquele que coopera com seus seguidores, como aquele que tem força para mudar o mundo, quando os seus se empenham por isso.
9. Mas esse poder não serve para a glória própria! Serve para o amor, serve para o projeto pelo qual Jesus deu a vida. Não se pode esquecer de que Jesus veio para servir e dar a vida, não para conquistar e ter mais e mais… poder. Veio para manifestar o amor do Pai. O extra-ordinário na evangelização serve para manifestar que o amor de Deus, tornado visível em Jesus Cristo, tem sempre a última palavra.
10. Há grupos que fazem tanta questão de fatos extraordinários… de milagres a toda hora … apostam tudo e toda mensagem em coisas sensacionais. Esquecem-se de que o extraordinário é apenas um sinal (que pode existir ou não) e não a causa principal que está em jogo. Trocam a mensagem pelo milagre. Se não houver milagre… nada feito… Deus não age e não pode ser encontrado. Alguns ficam tão “deslumbrados” que fazem mais milagres do que o mesmo Jesus fez. Será que alguma coisa não está errada? Será que é isto que Jesus quis e quer ao enviar os discípulos a pregar o Reino de Deus?
11. Extraordinário mesmo é apresentar o projeto que Jesus trouxe, a causa que ele abraçou. E essa causa é o amor de Cristo que nos impulsiona.
12. Só para lembrar algumas coisas que deveras seriam extraordinárias hoje:
- transformar as estruturas de nossa sociedade enferrujada em seu egoísmo;
-alcançar a vitória da justiça sobre a corrupção;
- a vitória da vida sobre as enfermidades;
- a vitória da solidariedade sobre o individualismo;
- a vitória da dignidade da vida sobre as muitas formas de degeneração, degradação e vício… Extraordinário mesmo é o que, nas circunstâncias mais contrárias, fala desse amor. Aí “Ele” aparece cooperando conosco.
13. A atitude de ficar olhando para o céu nos lembra Eliseu, recebendo o espírito de Elias (2Rs. 2,11). E nós? Nós já olhamos para o céu e recebemos o Espírito. Está na hora de continuar a missão e o amor de Jesus no meio do mundo. Jesus nos prometeu a força do Espírito Santo. Essa força é a confirmação de que ele continua conosco. A comunidade continuará agindo na história segundo o Espírito de Jesus.
14. “Pai Santo, guarda-os no teu nome para que sejam um como nós … quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome… não peço que os tires do mundo, mas que os livres do maligno … como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que me enviaste” (Jo 17,11.12.15.21).
prof. Ângelo Vitório Zambon
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Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!
No domingo passado (13) refletimos sobre o mandamento do amor; contemplamos o amor de Deus manifestado na pessoa, nos gestos e nas palavras de Jesus. No texto do Evangelho (João 15,9-17) encontramos uma catequese sobre o caminho que os discípulos deveriam percorrer após a morte de Jesus e aprendemos que o mandamento do amor é a raiz de toda vida cristã. Neste 7º Domingo da Páscoa a Igreja celebra a Ascensão do Senhor. Depois de quarenta dias de sua Ressurreição Jesus ascendeu ao céu na presença dos Apóstolos. “Ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16,15-20). A temática da liturgia da Ascensão é a missão universal dos Apóstolos, os primeiros a darem continuidade à missão de Jesus. “Depois de lhes falar, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus” (Mc. 16,19). Isto significa que Jesus realizou plenamente sua missão e agora vive plenamente sua comunhão com Deus Pai. O desafio que cabe a nos seguidores de Jesus é igualmente subir ao céu. “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide e ensinai a todos os povos... Eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt. 28,16=20). Lucas relata que enquanto os abençoava foi levado para o céu (Lc. 24,51). Isto não significa o fim de sua presença entre os homens, mas o começo de sua nova forma de estar no mundo. O mesmo Jesus que subiu ao céu onde está sentado à direita de Deus permanece conosco todos os dias, vive em sua Igreja e através dela continua a obra da salvação. O Apóstolo Paulo diz (Ef. 4,10): Quando Jesus sobe ao céu não está abandonando seus filhos, mas sim enchendo-os com a luz da Sua presença permanente. Na Ascensão os Apóstolos por um instante ficaram sem ação, apenas olhando para o céu; então foram alertados pelos mensageiros de Deus: “Homens da Galileia, por que ficais aí a olhar para o céu? As palavras dos anjos são dirigidas hoje a todos nos. A missão não pode parar – ainda existem lideranças paradas olhando para o céu ou trancadas na sacristia. O momento é de partir para a missão. Disse Jesus: “Receberás o poder do Espírito Santo para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, até os confins da terra. Neste dia mundial das comunicações sociais e início da semana de orações pela unidade dos cristãos, queremos rezar para que o diálogo ecumênico aconteça. A Festa da Ascensão é um convite a continuarmos a celebração do Mistério Pascal na certeza que uma vida vivida na fidelidade a Deus e no serviço aos irmãos, está destinada à glorificação. Nosso eterno mediador junto a Deus elevou-se ao céu, não para afastar-se de nos, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá a gloria da imortalidade. Pense nisto e tenha uma semana abençoada.
Pedro Scherer
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