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PRÓXIMO DOMINGO


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sábado, 23 de abril de 2011

DOMINGO DE PÁSCOA = O TÚMULO ESTAVA VAZIO

 

HOMILIAS PARA O

 PRÓXIMO DOMINGO

24 DE ABRIL – 2011

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 DOMINGO DE PÁSCOA = O TÚMULO ESTAVA VAZIO

Irmãos e irmãs: Confiantes que a ressurreição de Jesus Cristo, não foi uma invenção humana, ressuscitemos também nós. Emergindo das dúvidas e dos pecados, para uma vida santa com uma fé inabalável!

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Introdução

A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO FOI UM FATO: TELOLÓGICO E HISTÓRICO

A ressurreição de  N.S.J.C.  apresenta dois aspectos.  Um aspecto teológico e outro aspecto histórico.

1-Teológico – Do ponto de vista da Teologia, que é o estudo das coisas e mistérios de Deus,  a ressurreição de Jesus Cristo é vista por nós com os olhos da fé, sem nenhum questionamento. Nós aceitamos e acreditamos que Jesus Cristo era o Filho de Deus, que se fez homem e veio ao mundo, e deixou que o matasse com a morte de cruz, porém, depois de três dias conforme já havia sido anunciado pelos profetas e pelo próprio Jesus Cristo, ele voltou  a vida.   

            Veremos nesta reflexão alguns questionamentos a respeito da ressurreição de Jesus.  Um deles é referente a rolagem da pedra da porta do túmulo. Já houve quem questionasse, dizendo que se Jesus era Deus,  e se Ele apareceu no meio dos apóstolos sendo que  todas as portas estavam fechadas, porque foi preciso rolar a pedra da boca do túmulo?

Resposta: Para despertar a curiosidade das pessoas, as primeiras que tomaram conhecimento da Ressurreição de N.S.J.C. Com certeza, Jesus não precisava retirar a pedra para sair do túmulo. Porém, se assim o fizesse, se não afastasse a pedra, ninguém iria se tocar que Ele teria desaparecido. Com certeza, para rolar a pedra da boca do túmulo, Jesus deve ter feito apenas um gesto como o fez para acalmar a tempestade.    

É importante acrescentar aqui que o nosso crer também não deixa de ser histórico ou factual, pois nos apegamos às provas  da divindade de Jesus, que foram os inúmeros milagres  anotados pelas comunidades como foi o caso da comunidade de João, e posteriormente juntados e  escritos por aqueles que testemunharam  a sua vida, juntamente com milhares de cristãos os pobres e doentes que se beneficiaram pelas curas e até alimento como na multiplicação dos pães.

2-Histórico:   Sabemos que a Ciência histórica investiga e estuda o passado para que possamos compreender o presente e até projetar o futuro.  Assim, do ponto de vista histórico, a Ressurreição de N.S.J.C. foi um fato histórico incontestável, que ocorreu em um determinado local, o túmulo, o qual está lá na Terra Santa e que é visitado por milhares de turistas o ano todo, e que também pode ser visitado por você.  Ao visitar a Terra Santa, além do túmulo, o turista  tem a oportunidade de travar contado ou  conhecer outras provas visíveis e palpáveis da passagem de Jesus Cristo pela Palestina.

Os guardas do túmulo foram as primeiras testemunhas oculares desse grande fato Histórico, a  ressurreição de Jesus Cristo. Os quais, lá pela madrugada, ao abrir os olhos depois de um breve cochilo, viram em sua frente, de pé, o Cristo ressuscitado, que em seguida saiu andando. Imediatamente eles foram à cidade, para comunicar aos sumos sacerdotes aquele ocorrido. Os sumos sacerdotes, apesar de que já esperavam por esse fato, fingindo ser pegos de surpresa e sem saber exatamente o que fazer, pediram ao guardas que esperassem um pouco e enquanto isso reuniram-se com os anciãos e decidiram então dar uma grande soma em dinheiro aos soldados, para que eles  negassem a ressurreição. Propuseram aos guardas, mediante a entrega do dinheiro, que eles  dissessem uma mentira deslavada. Isso porque aqueles falsos sacerdotes eram riquíssimos. Eles monopolizavam todo o movimento de entrada e saída de dinheiro do Templo o qual funcionava como um banco, um Shopping, mais na verdade era uma toca de ladrões, como disse Jesus. O único banco da Palestina. Os sacerdotes possuíam muitas fazendas compradas com o lucro adquirido nas transações comerciais no Templo, como a venda de animais para o sacrifício, a venda do couro desses animais, farinha, vinho azeite (usados no sacrifício) o comércio exterior, e muitas outras falcatruas proibidas pela religião, mais eles podiam tudo.
          Os sumos-sacerdotes foram aqueles que condenaram Jesus à morte de cruz no julgamento do Sinédrio dominado por eles. Fizeram isso porque Jesus estava incomodando os seus lucrativos negócios. Porque Jesus havia desmascarado aqueles hipócritas. Uma vez  sabendo que Jesus tinha voltado a viver, o mais certo era pagar os guardas do túmulo para espalhar uma mentira contradizendo a ressurreição de Jesus. "'Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis."
...E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até ao dia de hoje."
Os sacerdotes desesperados pela derrota ao constatar a ressurreição de Jesus, não tiveram outra coisa a fazer senão usar o seu maior recurso naquele momento, o dinheiro o qual ele tinham em grande quantidade, por ter a vida toda arrancado das mãos do povo e dos pobres, através do Templo em nome de Deus e da religiosidade.

            Correu o infeliz boato entre os incrédulos que Jesus não ressuscitou  mais sim que foi uma invenção dos apóstolos, ou dos primeiros cristãos.

Por outro lado,afirmam os questionadores da fé, que  Jesus ressuscitado só teria aparecido aos íntimos, aos amigos, portando tais provas não são dignas de credibilidade.

Ora, isso não é verdade. Cristo ressuscitado não apareceu apenas para as mulheres da família  e para os seus amigos. Ele apareceu para  500 pessoas na Estrada de Damasco  conforme o testemunho de Paulo. E como Paulo afirmou,  muitas daquelas pessoas estavam vivas e prontas para testemunhar aquele fato histórico.

E ainda nos dias de hoje existem pessoas que duvidam da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.  Pessoas que não conseguem entender como podia Jesus ser homem e Deus. E tais pessoas até vão à missa, ensinam os filhos a rezar, mais não acreditam na ressurreição. Uns dizem: Eu acho que os apóstolos inventaram essa para não ficarem numa situação de desvantagem.
Dessa forma tem gente que ainda pensa que a ressurreição de Jesus Cristo foi uma invenção dos apóstolos.

            Prezados irmãos e irmãs. Se para nós Cristo não voltou a viver, não ressuscitou, a nossa fé não tem sentido, é vã, como disse Paulo. Jesus provou que ressuscitou aparecendo a várias pessoas, não somente para amigos, ou aos discípulos. Antes de morrer Jesus afirmou mais de uma vez que iria ressuscitar. Se você ou alguns dos  seus amigos(as) ainda têm dúvidas sobre  a ressurreição, pesquise e estude o Santo Sudário. Que apesar de ser questionado por 2% dos fiéis, é a maior prova da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. É muito fácil pesquisar o Santo Sudário. Você pode começar pela Internet mesmo.

            A Páscoa é a festa máxima do cristão católico. É o momento de parar de questionar, e procurar se envolver no mistério da Fé. Nós precisamos ter uma fé científica, porém tem coisas que só podemos enxergar com os olhe da fé, como é o mistério da Santíssima Trindade. Não dá para entender com o nosso raciocínio humano, mas sim pelo olhar de fé. Para ter fé, comece pedindo a Deus para aumentar a sua fé, ou do seu amigo(a). Que tal começar rezando o  Creio em Deus Pai todo poderoso...

Sal.

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"Confiar em que Jesus vive e está no nosso meio irá fazer toda a diferença na nossa vida".

                                                       Mesmo depois de tantas "coincidências" que o próprio Jesus já lhes manifestara os Seus discípulos só acreditaram depois que viram com seus próprios olhos "as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, num lugar à parte!" Jesus já os havia advertido o que iria lhe acontecer, porém eles estavam como que cegos e não alcançaram o que o Mestre já lhes havia revelado. Mesmo assim, o fato de que Maria Madalena tenha se dirigido ao túmulo de Jesus, ainda de madrugada, nos leva a refletir que a esperança norteava a sua busca e ela viu, porque procurou.

                                                    Ainda que estivesse procurando um corpo, lá no íntimo do seu coração devia estar acesa a chama da fé. A fé e a esperança nos levam a agir com amor e foi por amor a Jesus que Maria Madalena se antecipou a todos e foi encontrá-Lo. Quem procura acha, Jesus já havia recomendado isto, antes. Isto nos serve de exemplo, portanto, nós também não podemos ficar estagnados diante das nossas dúvidas e parados  esperando a morte chegar. Não precisamos ver para crer, mas sim, ir a busca de Jesus ressuscitado crendo no que Ele já nos revelou. Pela fé nós O encontramos dentro de nós, no meio da nossa família, na nossa comunidade, na Igreja, nas pessoas, no mundo.

                                                   Por meio dos fatos e dos acontecimentos Jesus evidencia para nós a Sua proteção o Seu amparo, o Seu conforto. Nunca estaremos sozinhos  porque Jesus vive no meio de nós. Às vezes nós também não entendemos muito bem as manifestações de Deus na nossa vida. Mesmo que tenhamos começado cedo a buscar a Jesus às vezes, nós nos perdemos Dele e saímos a procurá-Lo fora de nós, nos túmulos do mundo, nas dúvidas sobre os acontecimentos, na incredulidade em vista das coisas que nos acontecem inesperadamente. Facilmente perdemos Jesus de vista, mas Ele está perto, muito perto, fazendo parte da nossa vida, acompanhando a nossa história e sabendo o porquê e o para que de todas as coisas que nos acontecem.

                                            Confiar em que Jesus vive e está no nosso meio irá fazer toda a diferença na nossa vida, pois, com Ele nós seguiremos mais fortes e cheios de esperança. Meus irmãos e irmãs reflitamos: Onde você tem procurado Jesus? Será que você tem procurado Jesus no túmulo quando lá só existem os vestígios? Onde verdadeiramente Jesus está na sua vida? O que significa para você o primeiro dia da semana? Você já encontrou Jesus?

 

Amém

Abraço carinhoso

Maria Regina

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PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

 

A liturgia deste domingo celebra a ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude é o resultado de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.

A primeira leitura apresenta o exemplo de Cristo que "passou pelo mundo fazendo o bem" e que, por amor, se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este "caminho" a todos os homens.

O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida não podem, nunca, serem geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).

A segunda leitura convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo batismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova, até a transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude)

 

Primeira Leitura - Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 10,34a.37-43)

 Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (Jo 20,1-9)

Comentário - O Triunfo da Vida

Estamos no centro do ano litúrgico. Hoje é o dia em que a vida de Jesus adquire validade, o selo que garante tudo o que ocorreu anteriormente, não foi um sonho, Jesus não foi um louco sonhador igual a tantos que nos encontramos pelos caminhos da vida.

Seu sonho foi referendado pela ação do Pai, de seu Abbá. O que começou na Galiléia, tal e como nos recorda a leitura do livro dos Atos dos Apóstolos, teve seu ápice neste momento que escapa a nosso entendimento, que é a Ressurreição. O que tinha terminado mal, completamente mal, na cruz, na solidão da morte, se converte em luz deslumbrante que nos deixa quase sem capacidade de reação.

Aleluia! Aleluia!

Faz alguns anos contaram-me de um religioso que, naqueles tempos em que se fazia a oração da manhã em comum, os demais que estavam na capela, num dia como estes, não lhe ouviram durante os três quartos de hora que durava a meditação senão repetir uma e outra vez: "Aleluia! Aleluia!".

Era uma forma de expressar a admiração ante o fato inesperado, surpreendente, assombroso, difícil de introduzir em nossos esquemas de vida ordinária, a Ressurreição de Jesus. Hoje seria a primeira recomendação para este dia: deter-nos um tempo em silêncio, fora da eucaristia, longe dos cantos e da confusão da festa, para contemplar e deixar que o mistério da vida que triunfa sobre a morte nos chegue profundamente dentro de nós.

Não se trata de tirar conseqüências morais, de pensar que então deveríamos nos comportar de outra maneira ou evitar aquelas ações. Não há mais que fazer memória de Jesus, o de Galiléia, o que passou fazendo o bem e curando aos oprimidos, o que enfrentou sem medo aos poderosos e por isso terminou pendurado no madeiro. Há que passar pelo mistério da cruz recém celebrado para nos deixar cair no abismo do mistério da Ressurreição. E aí, padecer sem pressa.

É a vida que triunfa. É o Pai que se manifesta recriando, levantando, refazendo e todos os verbos que queiramos pôr parecido. É possível que ao final, como aquele religioso, também nós como uma jaculatória, repitamos: "Aleluia! Aleluia!".

Um dia para celebrar

Hoje é um dia, pois, para celebrar e festejar, para fazer festa com os irmãos. Dentro e fora da Igreja. Que a celebração litúrgica não seja mais que um momento da festa porque o Espírito dá asas aos crentes e lhes faz viver no espírito da ressurreição não só o breve tempo da Eucaristia dominical senão todas as horas do dia. As de festa e as de silêncio. Porque é uma alegria que brota da fé no Deus da Vida. Porque temos a segurança de que para além da morte nos espera a vida de Deus.

Hoje é dia para viver comunicando esperança em que a morte não poderá com a vida e que esta sempre brotará de novo porque Deus está conosco, porque o Abbá de Jesus é nosso Deus. E ponto. Esta é a razão mais profunda de nossa fé e de nossa esperança.

Por isso, somos capazes de amar e de nos entregar ao serviço dos demais. Cremos no Deus da vida e isso nos faz ser cultivadores, guardiões, protetores da vida e da fraternidade. Hoje é dia para sair ao mundo e gritar com nosso estilo de vida e com nossa forma de comportar-nos: "Aleluia! Aleluia!".

Fernando Torres, cmf

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"A Ressurreição do Senhor"

 

1. Este é o Dia que o Senhor fez para nós!

De madrugada, no primeiro dia da semana, o domingo, iniciava-se o mundo novo. O dia da Ressurreição de Jesus é o primeiro dia da nova criação. Por isso nós o guardamos como o dia do Senhor Ressuscitado.

João escreve no Apocalipse: "Eis que faço novas todas as coisas" (Ap. 21,5). Ao receber o sopro de vida do Espírito que o ressuscitou, Jesus é o Homem Novo. Passou da morte para a vida. Com sua vitória sobre o pecado e a morte, carregou consigo todo o universo.

Paulo diz: "Levou consigo cativo o cativeiro" (Ef. 4,5), quer dizer, o cativeiro onde se encontrava a humanidade foi conquistado por Cristo. A Ressurreição é fundamental para nossa vida. Participando da Vigília Pascal, pudemos viver intensamente esse mistério na celebração litúrgica. Os ritos e gestos celebrados nos introduziram no mistério do Cristo Ressuscitado. Passamos da morte para a vida com Ele.

O texto do Evangelho desse domingo de Páscoa está cheio de significados. Maria Madalena é o símbolo da incredulidade. Procura um corpo que teria sido roubado. Há um sepulcro vazio, com um pano dobrado, que também significa "murcho", como um invólucro que se esvaziou.

Dois discípulos correm. Pedro entrou no sepulcro e viu. O outro discípulo, João, entrou, viu e acreditou. "Eles não tinham compreendido a Escritura segundo a qual, Ele devia ressuscitar dos mortos" (Jo. 20,9). João crê. Não basta ver o túmulo vazio, é preciso crer. Sem fé, a Ressurreição permanece um enunciado. A fé cristã fica vazia, se não a fundamentarmos na Ressurreição de Jesus. Assumir a vida de Cristo significa passar por sua Paixão e chegar com Ele à vida nova.

2. O véu que cobria o rosto

Somente à luz do Espírito podemos compreender o mistério da Ressurreição. Os chefes do povo reconheceram que Jesus ressuscitara, mas nem por isso creram. É preciso tirar o véu da incredulidade, para ver o Ressuscitado.

Notamos que o evangelho acentua que o pano que cobria o rosto estava de lado. Seu rosto está descoberto. O judeu, ao ser enterrado, tinha o rosto coberto por um pano. Em Jesus, a natureza humana cobria-lhe a divindade. Com a ressurreição, podemos ver Deus em sua face. Abre-se a Arca do Novo Testamento. Ele é Deus. Ele é a Presença. Somente em Cristo podemos contemplar a face do Pai: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo. 14,9).

Todos têm, por Jesus, acesso ao Pai. É o que Pedro anuncia na casa do pagão Cornélio. Deus não faz distinção de pessoas, de puro ou impuro (At. 10,1-43). De agora em diante, "todo aquele que crê em Jesus, recebe, em seu nome, o perdão dos pecados" (At. 10,43). A redenção, obra da misericórdia, convida-nos a dar graças: "Este é o dia que o Senhor fez para nós. Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a sua misericórdia"! '(Sl. 117).

3. Vida Escondida com Cristo

Rezamos nessa Eucaristia: "Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova". A vida nova é a união com Cristo.

Pedro salienta que "Ele andou por toda a parte fazendo o bem". Ser fiel é fazer a vida corresponder à fé, como Ele o fez. Por isso Paulo estimula os cristãos "a buscar a vida do alto onde está Cristo... pois nascestes de novo e vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus" (CI. 3,2-3).

A vida cristã em sua união a Cristo produz boas obras. Na eucaristia nos alimentamos desse mistério. Reza a oração das oferendas: "Oferecemos esse sacrifício pelo qual a vossa Igreja maravilhosamente renasce e se alimenta". E, "renovados pelos sacramentos pascais, cheguemos à luz da ressurreição" (pós-comunhão).

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A Vida venceu a morte

A aurora radiante do domingo de Páscoa é a imagem de Cristo triunfante que, ao sair do sepulcro, ilumina uma nova e eterna criação. Jesus não permaneceu no sepulcro. Ele ressuscitou dos mortos e está vivo no meio de nós. Não devemos procurar entre os mortos Aquele que está vivo.

Hoje a Vida se manifesta na sua plenitude, vitoriosa sobre a morte, para que todos tenham vida e muita vida.

As primeiras leituras apresentam o testemunho do Cristo Ressuscitado realizado por Pedro e Paulo, duas colunas da Igreja, sobre as quais se funda a fé da Igreja de todos os tempos.

Na 1ª leitura temos o testemunho de Pedro. (At. 10,30a.37-43)

Convocado pelo Espírito, Pedro entra em casa de Cornélio, em Cesaréia, expõe-lhe o essencial da fé e batiza-o, bem como a toda a sua família.

O episódio é importante por dois motivos:

- Cornélio é o primeiro pagão admitido ao cristianismo por um dos Doze. Significa que a vida nova que nasce de Jesus é para todos os homens. O texto é uma composição do "kerigma" primitivo.

Kerigma é o anúncio essencial da fé, o resumo da mensagem cristã que leva a aceitação do Cristo e da sua mensagem, através do batismo.

Pedro começa por anunciar Jesus como "o ungido", que tem o poder de Deus; depois, descreve a atividade de Jesus, que "passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos"; em seguida, dá testemunho da morte de Jesus na cruz e da sua ressurreição.

Finalmente, Pedro tira as conclusões acerca da dimensão salvífica de tudo isto: "quem acredita nele, recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados".

A verdade da Ressurreição é o núcleo central e fundamental da pregação apostólica sobre a obra redentora de Jesus.

E os discípulos devem se identificar Jesus e ser testemunhas de tudo isto, para que essa proposta possa atingir todos os povos.

A 2ª leitura dá o Testemunho de são Paulo: (Cl 3,1-4)

O Batismo nos põe em comunhão com Cristo ressuscitado. Disso resulta um conjunto de exigências práticas, que ele enumera a seguir. A Vitória da vida se manifesta em nós através das obras.

O Evangelho descreve a atitude da comunidade cristã diante da Ressurreição, "no primeiro dia da semana". (Jo 20,1-9)

1) Maria Madalena é a primeira a dirigir-se ao túmulo de Jesus.

Apesar de já ser madrugada, ainda é "escuro". As trevas da dor, da separação e da saudade ofuscam os olhos da esperança no alvorecer de um novo dia. Mas a pedra está retirada, o túmulo vazio... Confusa retorna correndo para relatar o fato a Pedro e João. Ela representa a nova comunidade que acredita, inicialmente, que a morte triunfou e vai procurar Jesus morto no sepulcro: é uma comunidade perdida, desorientada, insegura, desamparada, que ainda não assimilou a morte de Jesus.

Mas, diante do sepulcro vazio, descobre que a morte não venceu e que Jesus continua vivo.

2) Pedro representa, nos Evangelhos, "o Discípulo obstinado", para quem a morte significa fracasso e que se recusa a aceitar que a vida nova passa pela humilhação da Cruz.

3) João representa "o Discípulo ideal": que está em sintonia total com Jesus,

que corre ao seu encontro de forma mais decidida, que compreende os sinais: "Entrou, viu e creu".

Ele é o modelo do Homem Novo, do homem recriado por Jesus.

Os dois discípulos correm ao túmulo de Jesus na manhã de Páscoa.

Nota-se o impacto produzido nos discípulos pela morte de Jesus e as diferentes disposições existentes entre os membros da comunidade cristã.

A Páscoa é uma passagem da morte para a Vida.

E quantos "sinais de morte" nós vemos ainda hoje no mundo: abortos, drogas, bebidas, tentativas de suicídios, violência, fome, doença, analfabetismo, desemprego...

Quantos galhos secos, sem folhas e sem frutos:

- secos espiritualmente: em pecado... separados de Cristo;

- secos comunitariamente: acomodados, não atuantes...

Quais são os nossos sinais de morte?

Aquilo que deve morrer dentro de nós... para ressuscitar uma vida nova com mais alegria e mais esperança?

Deus quer a vitória da Vida... A festa da Ressurreição renova a fé em Cristo vencedor da morte. A vida recebe na ressurreição de Jesus a semente da eternidade. Ser cristão é ser protagonista da Ressurreição nos pequenos gestos de cada dia. Todo aquele que defende a vida e ama os irmãos trabalha para a construção de um mundo melhor.

Cada missa, um reviver da Páscoa... motivando-nos para abandonar os caminhos de morte e "escolher" os caminhos da vida...

padre Antônio Geraldo Dalla Costa

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O sepulcro vazio

 

Os discípulos começaram a se dar conta da ressurreição do Senhor, ao se depararem com o sepulcro vazio. Maria Madalena, alarmada, pensou que o corpo de Jesus tivesse sido retirado, à surdina, e colocado num outro lugar. Pedro, tendo acorrido para se inteirar dos fatos, apenas constatou onde estavam o lençol e os demais panos com que Jesus havia sido envolvido. O discípulo amado, este sim, começou a perceber que algo de muito extraordinário havia acontecido. Por isso, foi capaz de passar da constatação do sepulcro vazio à fé: "Ele viu e acreditou".

O sepulcro vazio, por si só, não podia servir de prova para a ressurreição do Senhor. Seria sempre possível acusar os cristãos de fraude. Poderiam ter dado sumiço ao cadáver de Jesus, e sair dizendo que ele ressuscitara. Era preciso ir além e descobrir, de fato, onde estava o corpo do Mestre.

O discípulo amado, de imediato, cultivou a esperança de encontrar-se com o Senhor. Sua fé consistiu na certeza de que o Mestre estava vivo, não no sepulcro, porque ali não era o seu lugar. Senhor da vida, não poderia ter sido derrotado pela morte. Filho amado do Pai, as forças do mal não poderiam prevalecer sobre ele. Embora sem ter chegado ao pleno conhecimento do fato, a fé na ressurreição despontava no coração do discípulo amado.

padre Jaldemir Vitório

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Cristo está vivo

Iniciamos as sete semanas da Páscoa. O Cristo ressuscitado se deixa ver. Seus discípulos veem o túmulo vazio, Tomé o vê e toca em suas chagas, os discípulos de Emaús o reconhecem ao partir o pão. O Ressuscitado é o Bom Pastor. Não nos perturbemos. Cremos em Cristo, Caminho, Verdade e Vida. Observamos seus mandamentos, porque o amamos. Ele parte, levando consigo a nossa natureza humana e não nos deixa órfãos. Envia um outro Defensor, o Espírito da Verdade.

O túmulo está vazio. Por que procurar entre os mortos aquele que está vivo? "Ressuscitei e estou sempre com o Pai e com todos vocês!" – nos diz Jesus na liturgia pascal. Páscoa é a festa da vida, da vida verdadeira, em seu realismo sem ilusões. Ela vem depois de um momento de intensa dor, e não é vista por todos. Ver o Ressuscitado não é privilégio. É responsabilidade. "Ele viu e acreditou." Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: "Vi o Senhor". O discípulo viu o túmulo vazio, e acreditou.

Páscoa é vida, e vida nova. O corpo do Senhor ficou inerte no repouso sabático. Passado o sábado, Ele inaugura um novo tempo. No início do primeiro dia da semana, Ele sai da inércia e se movimenta. Uma extraordinária energia atravessa os panos e Jesus ressuscitado vence a força da morte. Sua energia se espalha pelo Universo todo e atinge todas as criaturas. Os que se deixarem tocar por ela e forem sensíveis profetizarão. Por toda parte haverá homens e mulheres novos, capazes de incendiar o mundo com o fogo do Espírito Santo. Muitos permanecerão na inércia, querendo segurar para si o repouso sabático. Não vão se aventurar no movimento inaugurado no primeiro dia da semana, o Dia do Senhor.

At. 10,34a.37-43 – A leitura dos Atos no Tempo Pascal constitui uma catequese especial para os que foram batizados na Vigília da Páscoa. Nossa fé se baseia no testemunho dos que viram Jesus e com Ele conviveram. "Somos testemunhas" – diz Pedro – "de tudo o que Jesus fez... Eles o mataram, mas Deus o ressuscitou. Ele nos mandou pregar ao povo. Aquele que crê em Jesus recebe em seu nome o perdão dos pecados".

Sl. 117 (118) – O dia da Páscoa é o dia que o Senhor fez para nós. Aquele que foi rejeitado tornou-se o centro de uma nova construção.

Cl. 3,1-4 – Ressuscitamos com Cristo e saímos da mediocridade. Temos uma vida escondida com Cristo em Deus que um dia se manifestará em sua glória.

1Cor. 5,6b-8 – Na Páscoa os judeus jogam fora tudo o que tem fermento e comem pão ázimo. Nossa missa é sempre a celebração da Páscoa, por isso, no rito latino, usamos o pão sem fermento, mas o fermento que deixamos é o da maldade e da perversidade.

Jo 20,1-9 – Pedro e o discípulo amado vão ao sepulcro na manhã depois do descanso do sábado, e o túmulo está vazio. Pedro é Pedro e o discípulo é o modelo de todos os discípulos. Ele chegou primeiro, mas não entrou. Esperou por Pedro e deixou que ele entrasse primeiro. Mas é dele que se diz: "Ele viu, e acreditou". O discípulo vê com os olhos da fé. Assim Pedro, que também era discípulo. Jesus não estava lá porque tinha ressuscitado. Os discípulos sabiam que Jesus tinha morrido, e que nenhum deles tinha escondido o corpo.

cônego Celso Pedro da Silva

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Maria Madalena

As tradições mais antigas sobre Jesus, elaboradas pelas primeiras comunidades após a ressurreição, tinham como tema a paixão e a ressurreição de Jesus, daí as detalhadas e longas narrativas sobre esta paixão e ressurreição que encontramos nos quatro evangelhos. Predominava, então, o anúncio da morte meritória e redentora de Jesus, seguida de sua ressurreição gloriosa, anúncio este característico da pregação de Paulo, apóstolo. Com o evangelho de Marcos, em torno da década de 60, manifesta-se uma preocupação e ampliar este anúncio resgatando as memórias de Jesus de Nazaré, em sua vida terrena, seguindo-se os evangelhos de Mateus, Lucas e João. Em Atos dos Apóstolos, na fala de Pedro é destacada a ação terrena de Jesus de Nazaré, desde o batismo de João até sua morte na cruz, explicitamente atribuída aos judeus (primeira leitura).

Pode-se perceber que haviam duas tradições sobre a ressurreição: a mais primitiva versava sobre o encontro do túmulo vazio pelas mulheres, a qual foi complementada pela tradição das aparições de Jesus ressuscitado. No evangelho de Marcos encontra-se apenas a tradição do túmulo vazio, tendo sido feito um acréscimo tardio sobre as aparições. Em Mateus, Lucas, e João, percebe-se a juxtaposição destas duas tradições. Nesta narrativa de João sobre o encontro do túmulo vazio é mencionada a ida de Maria Madalena, a sós, ao túmulo. Maria Madalena vivencia o mesmo estado de alma que os demais discípulos. O detalhe, "ainda estava escuro", indica a desorientação e o desamparo dos discípulos. A comunidade sente-se perdida sem Jesus.

O túmulo é mencionado sete vezes, o que revela a predominância da idéia de Jesus morto. Jesus era o apoio da comunidade. Depois da crucifixão viam-no como aniquilado e passivo. Com isto sentem-se debilitados e impotentes. O "escuro" (skótos) lembra as trevas (skotías) e o caos primordiais aos quais se sucede a criação. Agora está em vias dos discípulos tomarem consciência da nova criação presente em Jesus, desde seu nascimento. Encontrando o túmulo vazio, Maria Madalena não percebe o sinal: com Jesus, não se trata de prestar culto a um morto em seu túmulo. Acha que tiraram o corpo e corre a avisar Pedro e o discípulo que Jesus amava. Ambos correm ao túmulo. Vêem apenas as faixas de linho e o pano.

A reação de Pedro não é mencionada. Porém o discípulo que Jesus amava vê e crê. Crê que a morte não interrompeu a vida. Ele é testemunha do amor eterno e divino de Jesus, manifesto na temporalidade, porém permanecendo sempre em comunhão de vida com o Pai. A este amor todos somos chamados. É o alcance do amor de Deus, que comunicando sua própria vida, situa a todos além da temporalidade e da morte: quem crê em Jesus permanecendo com ele no amor, já participa da ressurreição.

José Raimundo Oliva

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A ressurreição de Cristo

A liturgia deste domingo celebra a ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.

A primeira leitura apresenta o exemplo de Cristo que "passou pelo mundo fazendo o bem" e que, por amor, Se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este "caminho" a todos os homens.

O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida nunca podem ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).

A segunda leitura convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo batismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).

1ª leitura: At. 10,34a.37-43 – AMBIENTE

A obra de Lucas (Evangelho e Atos dos Apóstolos) aparece entre os anos 80 e 90, numa fase em que a Igreja já se encontra organizada e estruturada, mas em que começam a surgir "mestres" pouco ortodoxos, com propostas doutrinais estranhas e, às vezes, pouco cristãs. Neste ambiente, as comunidades cristãs começam a necessitar de critérios claros que lhes permitam discernir a verdadeira doutrina de Jesus, da falsa doutrina dos falsos mestres.

Lucas apresenta, então, a Palavra de Jesus, transmitida pelos apóstolos sob o impulso do Espírito Santo: é essa Palavra que contém a proposta libertadora que Deus quer apresentar aos homens. Nos Atos, em especial, Lucas mostra como a Igreja nasce da Palavra de Jesus, fielmente anunciada pelos apóstolos; será esta Igreja, animada pelo Espírito, fiel à doutrina transmitida pelos apóstolos, que tornará presente o plano salvador do Pai e o fará chegar a todos os homens.

Neste texto, em concreto, Lucas propõe-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia, em casa do centurião romano Cornélio. Convocado pelo Espírito (cf. Act 10,19-20), Pedro entra em casa de Cornélio, expõe-lhe o essencial da fé e batiza-o, bem como a toda a sua família (cf. At. 10,23b-48). O episódio é importante porque Cornélio é o primeiro pagão a cem por cento a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze (o etíope de que se fala em At. 8,26-40 já era "prosélito", isto é, simpatizante do judaísmo). Significa que a vida nova que nasce de Jesus é para todos os homens.

MENSAGEM

O nosso texto é uma composição lucana, onde ecoa o "kerigma" primitivo. Pedro começa por anunciar Jesus como "o ungido", que tem o poder de Deus (v. 38a); depois, descreve a atividade de Jesus, que "passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos" (v. 38b); em seguida, dá testemunho da morte de Jesus na cruz (v. 39) e da sua ressurreição (v. 40); finalmente, Pedro tira as conclusões acerca da dimensão salvífica de tudo isto (v. 43b: "quem acredita n'Ele, recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados"). Esta catequese refere também, com alguma insistência, o testemunho dos discípulos que acompanharam, a par e passo, a caminhada histórica de Jesus (v. 39a.41.42).

Repare-se como a ressurreição de Jesus não é apresentada como um fato isolado, mas como o culminar de uma vida vivida na obediência ao Pai e na doação aos homens. Depois de Jesus ter passado pelo mundo "fazendo o bem e libertando todos os que eram oprimidos"; depois de Ele ter morrido na cruz como consequência desse "caminho", Deus ressuscitou-O. A vida nova e plena que a ressurreição significa, parece ser o ponto de chegada de uma existência posta ao serviço do projeto salvador e libertador de Deus. Por outro lado, esta vida vivida na entrega e no dom é uma proposta transformadora que, uma vez acolhida, liberta da escravidão do egoísmo e do pecado (v. 43).

E os discípulos? Eles são aqueles que aderiram a Jesus e que acolheram a sua proposta libertadora. Se a vida dos discípulos se identifica com a de Jesus, eles estão a "ressuscitar" (isto é, a renascer para a vida nova e plena). Além disso, eles são as testemunhas de tudo isto: é absolutamente necessário que esta proposta de ressurreição, de vida plena, de vida transfigurada, chegue a todos os homens. Trata-se de uma proposta de salvação universal que, através dos discípulos, deve atingir, todos os povos da terra, sem distinção. Os acontecimentos do dia do Pentecostes já haviam, aliás, anunciado a universalidade da proposta de salvação, apresentada por Jesus e testemunhada pelos apóstolos.

ATUALIZAÇÃO

• A ressurreição de Jesus é a consequência de uma vida gasta a "fazer o bem e a libertar os oprimidos". Isso significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se esforça por vencer o egoísmo, a mentira, a injustiça e por fazer triunfar o amor, está a ressuscitar; significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se dá aos outros e manifesta, em gestos concretos, a sua entrega aos irmãos, está a construir vida nova e plena. Eu estou a ressuscitar (porque caminho pelo mundo fazendo o bem e libertando os oprimidos), ou a minha vida é um repisar os velhos esquemas do egoísmo, do orgulho, do comodismo?

• A ressurreição de Jesus significa, também, que o medo, a morte, o sofrimento, a injustiça, deixam de ter poder sobre o homem que ama, que se dá, que partilha a vida. Ele tem assegurada a vida plena – essa vida que os poderes do mundo não podem destruir, atingir ou restringir. Ele pode, assim, enfrentar o mundo com a serenidade que lhe vem da fé. Estou consciente disto, ou deixo-me dominar pelo medo, sempre que tenho de agir para combater aquilo que rouba a vida e a dignidade, a mim e a cada um dos meus irmãos?

• Aos discípulos pede-se que sejam as testemunhas da ressurreição. Nós não vimos o sepulcro vazio; mas fazemos, todos os dias, a experiência do Senhor ressuscitado, que está vivo e que caminha ao nosso lado nos caminhos da história. A nossa missão é testemunhar essa realidade; no entanto, o nosso testemunho será oco e vazio se o nosso testemunho não for comprovado pelo amor e pela doação (as marcas da vida nova de Jesus).

2 leitura: Col. 3,1-4 – AMBIENTE

Quando escreveu a Carta aos Colossenses, Paulo estava na prisão (em Roma?). Epafras, seu amigo, visitou-o e falou-lhe da "crise" por que estava a passar a Igreja de Colossos. Alguns doutores locais ensinavam doutrinas estranhas, que misturavam especulações acerca dos anjos (cf. Col. 2,18), práticas ascéticas, rituais legalistas, prescrições sobre os alimentos e a observância de determinadas festas (cf. Col. 2,16.21): tudo isso deveria (na opinião desses "mestres") completar a fé em Cristo, comunicar aos crentes um conhecimento superior de Deus e dos mistérios cristãos e possibilitar uma vida religiosa mais autêntica. Contra este sincretismo religioso, Paulo afirma a absoluta suficiência de Cristo.
O texto que nos é proposto como segunda leitura é a introdução à reflexão moral da carta (cf. Col. 3,1-4,6). Depois de apresentar a centralidade de Cristo no projeto salvador de Deus (cf. Col. 1,13-2,23), Paulo recorda aos cristãos de Colossos que é preciso viver de forma coerente e verdadeiro o compromisso assumido com Cristo.

MENSAGEM

Neste texto, Paulo apresenta, como ponto de partida e base da vida cristã, a união com Cristo ressuscitado, na qual o cristão é introduzido pelo batismo. Ao ser batizado, o cristão morreu para o pecado e renasceu para uma vida nova, que terá a sua manifestação gloriosa quando ultrapassarmos, pela morte, as fronteiras da nossa vida terrena. Enquanto caminhamos ao encontro desse objetivo último, a nossa vida tem de tender para Cristo. Em concreto, isso significa despojarmo-nos do "homem velho" por um processo de conversão que nunca está acabado, e o revestirmo-nos – cada dia mais profundamente – da imagem de Cristo, de forma a que nos identifiquemos com Ele pelo amor e pela entrega da vida.

No texto de Paulo está bem presente a ideia de que temos que viver com os pés na terra, mas com a mente e o coração no céu: é lá que estão os bens eternos e a nossa meta definitiva ("afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra"). Daqui resulta um conjunto de exigências práticas que Paulo vai enumerar, de forma bem concreta, nos versículos seguintes (cf. Col. 3,5-4,1).

ATUALIZAÇÃO

• O batismo introduz-nos numa dinâmica de comunhão com Cristo ressuscitado. Tenho consciência de que o meu batismo significou um compromisso com Cristo? Quando, de alguma forma, tenho um papel ativo na preparação ou na celebração do sacramento do batismo, tenho consciência – e procuro passar essa mensagem – de que o sacramento não é um ato tradicional ou social (que, por acaso, até proporciona fotografias bonitas), mas um compromisso sério e exigente com Cristo?

• A minha vida tem sido uma caminhada coerente com esta dinâmica de vida nova que começou no dia em que fui batizado? Esforço-me, realmente, por me despojar do "homem velho", egoísta e escravo do pecado, e por me revestir do "homem novo", que se identifica com Cristo e que vive no amor, no serviço, na doação aos irmãos?

Evangelho – Jo 20,1-9 – AMBIENTE

Na primeira parte do quarto Evangelho (cf. Jo 4,1-19,42), João descreve a atividade criadora e vivificadora do Messias (o último passo dessa atividade destinada a fazer surgir o Homem Novo é, precisamente, a morte na cruz: aí, Jesus apresenta a última e definitiva lição – a lição do amor total, que não guarda nada para si, mas faz da sua vida um dom radical ao Pai e aos irmãos); na segunda parte (cf. Jo 20,1-31), João apresenta o resultado da ação de Jesus: a comunidade de Homens Novos, recriados e vivificados por Jesus, que com Ele aprenderam a amar com radicalidade. Trata-se dessa comunidade de homens e mulheres que se converteram e aderiram a Jesus e que, em cada dia – mesmo diante do sepulcro vazio – são convidados a manifestar a sua fé n'Ele.

MENSAGEM

O texto começa com uma indicação aparentemente cronológica, mas que deve ser entendida sobretudo em chave teológica: "no primeiro dia da semana". Significa que começou um novo ciclo – o da nova criação, o da Páscoa definitiva. Aqui começa um novo tempo, o tempo do homem novo, que nasce a partir da doação de Jesus.

A primeira personagem em cena é Maria Madalena: ela é a primeira a dirigir-se ao túmulo de Jesus, ainda o sol não tinha nascido, na manhã do "primeiro dia da semana". Ela representa a nova comunidade que nasceu da ação criadora e vivificadora do Messias; essa nova comunidade, testemunha da cruz, acredita – inicialmente – que a morte triunfou e vai procurar Jesus no sepulcro: é uma comunidade perdida, desorientada, insegura, desamparada, que ainda não conseguiu descobrir que a morte foi derrotada; mas, diante do sepulcro vazio, a nova comunidade apercebe-se de que a morte não venceu e que Jesus continua vivo.

Na sequência, João apresenta uma catequese sobre a dupla atitude dos discípulos diante do mistério da morte e da ressurreição de Jesus. Essa dupla atitude é expressa no comportamento de dois discípulos que, na manhã da Páscoa, correm ao túmulo de Jesus: Simão Pedro e um "outro discípulo" não identificado (mas que parece ser esse "discípulo amado", apresentado no Quarto Evangelho como modelo ideal do discípulo).

João coloca, aliás, estas duas figuras lado a lado em várias circunstâncias (na última ceia, é o "discípulo amado" que percebe quem está do lado de Jesus e quem O vai trair – cf. Jo 13,23-25; na paixão, é ele que consegue estar perto de Jesus no átrio do sumo sacerdote, enquanto Pedro O trai – cf. Jo 18,15-18.25-27; é ele que está junto da cruz quando Jesus morre – cf. Jo 19,25-27); é ele quem reconhece Jesus ressuscitado nesse vulto que aparece aos discípulos no lago de Tiberíades – cf. Jo 21,7). Nas outras vezes, o "discípulo amado" levou sempre vantagem sobre Pedro. Aqui, isso irá acontecer outra vez: o "outro discípulo" correu mais e chegou ao túmulo primeiro que Pedro (o fato de se dizer que ele não entrou logo pode querer significar a sua deferência e o seu amor, que resultam da sua sintonia com Jesus); e, depois de ver, "acreditou" (o mesmo não se diz de Pedro).

Provavelmente, o autor do Quarto Evangelho quis descrever, através destas figuras, o impacto produzido nos discípulos pela morte de Jesus e as diferentes disposições existentes entre os membros da comunidade cristã. Em geral Pedro representa, nos Evangelhos, o discípulo obstinado, para quem a morte significa fracasso e que se recusa a aceitar que a vida nova passe pela humilhação da cruz (Jo 13,6-8.36-38; 18,16.17.18.25-27; cf. Mc 8,32-33; Mt 16,22-23). Ao contrário, o "outro discípulo" é o "discípulo amado", que está sempre próximo de Jesus, que faz a experiência do amor de Jesus; por isso, corre ao seu encontro de forma mais decidida e "percebe" – porque só quem ama muito percebe certas coisas que passam despercebidas aos outros – que a morte não pôs fim à vida.

Esse "outro discípulo" é, portanto, a imagem do discípulo ideal, que está em sintonia total com Jesus, que corre ao seu encontro com um total empenho, que compreende os sinais e que descobre (porque o amor leva à descoberta) que Jesus está vivo. Ele é o paradigma do Homem Novo, do homem recriado por Jesus.

ATUALIZAÇÃO

• A lógica humana vai na linha da figura representada por Pedro: o amor partilhado até à morte, o serviço simples e sem pretensões, a entrega da vida, só conduzem ao fracasso e não são um caminho sólido e consistente para chegar ao êxito, ao triunfo, à glória; da cruz, do amor radical, da doação de si, não pode resultar realização, felicidade, vida plena. É verdade que é esta a perspectiva da cultura dominante; é verdade que é esta a perspectiva de muitos cristãos (representados na figura de Simão Pedro). Como me situo face a isto?

• A ressurreição de Jesus prova, precisamente, que a vida plena, a vida total, a transfiguração total da nossa realidade finita e das nossas capacidades limitadas passa pelo amor que se dá, com radicalidade, até às últimas consequências. Tenho consciência disso? É nessa direção que conduzo a caminhada da minha vida?

• Pela fé, pela esperança, pelo seguimento de Cristo e pelos sacramentos, a semente da ressurreição (o próprio Jesus) é depositada na realidade do homem/corpo. Revestidos de Cristo, somos nova criatura: estamos, portanto, a ressuscitar, até atingirmos a plenitude, a maturação plena, a vida total (quando ultrapassarmos a barreira da morte física). Aqui começa, pois, a nova humanidade.

• A figura de Pedro pode também representar, aqui, essa velha prudência dos responsáveis institucionais da Igreja, que os impede de ir à frente da caminhada do Povo de Deus, de arriscar, de aceitar os desafios, de aderir ao novo, ao desconcertante, ao incompreensível. O Evangelho de hoje sugere que é, precisamente aí que, tantas vezes, se revela o mistério de Deus e se encontram ecos de ressurreição e de vida nova.

P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho - www.ecclesia.pt

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Jesus Ressuscitou!

 

"No primeiro dia da semana", Jesus Ressuscitou! Explode a vida, inicia a nova história da humanidade, nada é como dantes, tudo tem um novo sentido, positivo, definitivo. O anúncio daquele fato histórico - que é o tesouro na origem da comunidade crente - ecoa de casa em casa, de igreja em igreja, em todas as latitudes, em todos os ângulos do mundo; torna-se 'evangelho = bela notícia' para todos os povos.  "O sepulcro vazio torna-se berço do cristianismo" (são Jerônimo. O sepulcro vazio marcou o passo decisivo da fé para João: ele correu até ao sepulcro, "inclinou-se, viu os panos pousados lá, mas não entrou"; depois entrou juntamente com Pedro, "viu e acreditou" (v. 4.5.8). Era o início da fé em Jesus ressuscitado, que mais tarde se reforçou quando o encontraram vivo. "O fato principal na história do cristianismo está num certo número de pessoas que afirmam terem visto o ressuscitado" (Sinclaire Lewis) .

Desde sempre, a Igreja missionária dá início a novas comunidades de fiéis anunciando que Jesus Cristo é o Filho de Deus, crucificado e ressuscitado. É Ele o motivo principal e o fundamento da missão. O fato histórico da ressurreição de Cristo, que teve lugar por volta do ano 30 da nossa era, constitui o núcleo central que dá força a toda a mensagem cristã, enquanto que a catequese enriquece os seus conteúdos e inspira a sua metodologia. A missão é portadora da mensagem de vida que é o próprio Cristo: Aquele que Vive pela sua ressurreição, depois da paixão e da morte. Este é o Kerigma, anúncio essencial para aqueles que ainda não são cristãos; anúncio fundamental também para despertar e purificar a fé daqueles que se ficam quase só pela primeira parte do mistério pascal. Há cristãos, na verdade, que se concentram quase só em Cristo sofredor na paixão, e quase não chegam a dar o salto da fé em Cristo ressuscitado. Parece-lhes mais fácil e mais consolador identificar-se com o Cristo morto, sobretudo quando vivem em situações de sofrimento, depressão, pobreza, humilhação, luto... Na verdade, uma tal consolação seria só aparente; a verdadeira consolação adquire solidez só com a fé em Cristo ressuscitado. A missão é um evento eminentemente pascal, porque afunda as suas raízes e os seus conteúdos na ressurreição de Cristo.

A fé é gradual: Maria de Magdala, Pedro e João correram ao sepulcro com a intenção de recuperar um cadáver desaparecido; estavam de todo impreparados para um acontecimento que não entrava nos seus cálculos; só mais tarde chegaram à fé no Senhor ressuscitado; e tornaram-se nas primeiras testemunhas e anunciadores corajosos (I leitura): "Nós somos testemunhas ... testemunhas escolhidas de antemão por Deus ... E mandou-nos anunciar ao povo e testemunhar... "(v. 39.41.42). Desde então, o caminho ordinário da transmissão da fé cristã é o testemunho de pessoas que acreditaram antes de nós. Por isso mesmo, nós professamos que a fé é apostólica: porque é radicada na fé dos apóstolos e no seu testemunho.

O testemunho, que une anúncio e coerência de vida, é a primeira forma de missão (cf. AG 11-12; EN 21; RMi 42-44). (*)

As verdadeiras testemunhas do Ressuscitado são pessoas 'contagiantes'. As pessoas transformadas pelo Evangelho de Jesus Cristo ressuscitado, que vivem os valores superiores do espírito (II leitura), são as únicas capazes de contagiar outras pessoas e interessá-las nos mesmos valores: tais como a aceitação e a serenidade no sofrimento, a esperança perante a morte, a oração como abandono nas mãos do Pai, a alegria no serviço aos outros; a honestidade a toda a prova, a humildade e o autocontrole, a promoção do bem dos outros, a atenção aos necessitados e aos últimos,  o testemunho do Invisível... Assim se compreende e se realiza a missão de maneira capilar, ainda antes e melhor do que através das estruturas hierárquicas. "Celebra a Páscoa com Cristo só quem sabe amar, sabe perdoar... com um coração grande como o mundo, sem inimigos, sem rancores", como ensinava numa catequese mons. Óscar Arnulfo Romero, morto em São Salvador, a 24 de março de 1980.

Esta é a notícia bela de que o mundo precisa; o Evangelho que todos têm o direito de conhecer! E que a Igreja missionária deve levar a todos os povos.

 

(*) "O anúncio tem a prioridade permanente, na missão... O anúncio tem por objeto Cristo crucificado, morto e ressuscitado: por meio d'Ele se realiza a plena e autêntica libertação do mal, do pecado e da morte; n'Ele Deus dá a «vida nova», divina e eterna. É esta a «Boa Nova», que muda o homem e a história da humanidade, e que todos os povos têm o direito de conhecer" ( João Paulo II)

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Domingo de Páscoa,  24/04/2011

Jo 20,1-9

Jesus vive! Jesus ressuscitou! - Carlos Mesters,

 A frase, "Quando ainda estava escuro (v.1), significa que os dicípulos de Jesus ainda estavam na escuridão da morte (cf Lc 1,79) porque a fé deles ainda não se despertara para o Dia da Ressurreição (cf.v.9). Sair da noite da falta de fé e despertarse para a aurora da ressurreição é um caminho pessoal lento e árduo. É necessário ir atrás do Senhor, à sua procura mesmo às apalpadelas, no bojo da escuridão pôrse a caminho e correr (cf.v.4). Com efeito, a aurora da ressurreição vai surgindo lentamente das entranhas da noite. Mesmo no escuro, Maria Madalena vê a pedra retirada do túmulo (v. 1 ). O outro discípulo vê os panos de linho rio sepulcro e, finalmente Pedro contempla os panos e o sudário dobrado posto à parte (vv.67). 0 discípulo que havia chegado primeiro ao tumulo viu e acreditou (v.8). Este ver que produza fé não é simplesmente ver com os olhos que vêem as evidências do túmulo vazio e dos panos, mas sim a evidência do encontro que descobre o essencial invisível aos olhos. Todos os testemunhos visíveis da ressurreição de Jesus bem como de seu ministério terrestre, permanecem mudos sem a iluminação da fé que brota no encontro. De fato, Maria Madalena diante do túmulo vazio, prova visível da ressurreição, se retira horrorizada pensando que haviam roubado o corpo do seu Senhor. Mas quando, no mesmo túmulo vazio, ela o encontra (v. 16), a fé desponta em seu coração e ela é iluminada pelo Imenso que irrompe na sua escuridão. Por isso, agora, o túmulo vazio passa de lugar de horror, a tempo do feliz encontro com o Senhor Ressuscitado. Aquele primeiro dia da semana tornase dia do Senhor. É o Domingo cristão dia em que Jesus é reconhecido como vencedor da morte e de todas as escravidões. Manifestemos nossa alegria e firmemos nosso compromisso de levar adiante o projeto de libertação!

 

É festa da Ressurreição! Proclamemos Cristo Ressuscitado como Caminho Verdade e Vida!

 

Frei Carlos Mesters, O.Carm

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Incontestável "O Túmulo estava Vazio"

Não é dificil imaginar as notícias no tempo de Jesus correndo de boca em boca e anunciando a Boa nova da "Ressurreição de Cristo".
Se fosse hoje a notícia correria pelo mundo todo em poucas horas pelos noticiários na televisão, Radio,Internet e todo meio que dispomos em nosso tempo.
Que notícia espantosa foi esta da Ressurreição do Filho de Deus.
Foi assim no primeiro século, mas teve maior impacto do que hoje na vida das pessoas daquela época.
Com o avanço das comunicações hoje podemos narrar os fatos de sua vinda a este mundo dizendo que: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós", e seu nome é "Jesus de Nazaré", o Cristo, o Messias esperado, o Filho de Deus.
Mas parece que a ressurreição de um morto não comove ninguém hoje em dia, as pessoas estão apáticas a tudo, correm atrás só de novidades, vivem uma letargia de existência.
Por isso narramos via rede a Boa Notícia: O "Túmulo" foi encontrado "Vazio".
Narramos novamente esta grande notícia para você da "Ressurreição" e vinda do "Espírito Santo".
Jesus Cristo começou viajando pelo interior da Judéia pregando o AMOR de Deus, um novo tipo de religião única para todos os homens criados a imagem e semelhança de Deus.
Provando tudo o que falou e fez com obras que nenhum homem jamais fez ou presenciou até hoje.
Mas um acontecimento novo em nosso meio está acontecendo novamente pela sua presença ou melhor pela presença do Espírito Santo. Por isso somos as suas testemunhas do fim dos tempos que Jesus de Nazaré ressuscitou e deixou "O Túmulo Vazio".
Enquanto Jesus anunciava o Reino cada vez mais conseguia muitos seguidores, Ele também desagradava a maioria dos líderes políticos e religiosos da Palestina de sua época.
Andava com doze discípulos que ensinava para que propagassem as mensagens do Reino de Deus aos homens depois de sua partida para junto de Deus de onde veio.
Na sexta-feira por volta do meio dia, ele foi "Crucificado" por acusação de traição e blasfêmia.
Na tarde dessa sexta-feira, ele foi tirado da cruz por sua Mãe e discipulos e colocado num Túmulo em forma de caverna esculpida na pedra.
Domingo pela manhã, o seu corpo não foi encontrado mais no Túmulo. A única coisa encontrada foi a sua mortalha deixada onde jaziu seu corpo.
A questão do desaparecimento do corpo de Jesus deixando "O túmulo Vazio" em Jerusalém, dois milênios atrás, ainda é fundamental para nossa fé cristã.
Pois aí está a nossa Fé na sua Ressurreição e aparição diante dos Apóstolos e a muitos depois disso, confirmando o poder de nosso Deus.
Quem senão Deus poderia fazer seu filho Jesus Ressuscitar dos mortos!
Dias depois do desaparecimento de seu corpo apareceu aos Discípulos e a Maria que estavam reunidos e a Tomé.
Tempos depois os apóstolos estavam reunidos novamente no Cenáculo e alí receberam a vinda do Espírito Santo, tal como estamos recebendo hoje de Jesus.
Começaram a pregar sua ressurreição e seus ensinamentos e milhares começaram a ser convertidos.
Os céticos denunciavam os Apóstolos e seus ensinamentos e perseguiam violentamente os seguidores de Jesus. Mas ninguém jamais disputou o único fato incontestável: "O túmulo estava vazio".
Teria sido impossível discutir este ponto, qualquer um caminhando do centro da cidade de Jerusalém até o local do Túmulo de Jesus, poderia ter confirmado visualmente o fato. O Túmulo estava Vazio!
A resposta à questão do Túmulo Vazio vem ao encontro dos depoimentos de testemunhas da época convertidas devido as circunstâncias veridicas dos fatos ocorridos entre eles.
Jesus ressuscitou!!!
Sobre isso não há dúvida, pois ninguem daria sua vida como ocorre com seus seguidores Cristãos por tanto tempo se o fato não fosse veridico e de tal forma que mudou a vida de nossos irmãos no passado e que mudou a face da terra por séculos.

Mas os homens são fracos e o primeiro AMOR foi se esfriando pois nossos esforços humanos não estavam dando conta de tantas adversidades do Mundo em nossas vidas e apartir de um determinado tempo de nossa época o plano de amor do Pai volta ocorrer hoje depois de séculos sem avivamento do Espírito Santo em nosso meio.
Os documentos escritos pelos Discipulos cristãos (Mateus, Marcos, Lucas, João, Paulo, Pedro, etc.) no primeiro século confirmam estes fato e outros de suas promessas. Assim também o fazem os escritos de historiadores romanos (Tácito e Suetônio) e judeus (Josefo) que confirmam o que foi dito por Jesus.

Jesus morreu. Depois de ser espancado e açoitado, Jesus foi crucificado por nossos pecados.
Ele precisou morrer para que o Espírito viesse sobre os Apóstolos e sobre todos nós.
É confirmado nas escrituras: O soldado furou seu lado (peito), do qual escorreram sangue e água, confirmando que ele tinha morrido (João 19:33-34).

O governador romano, Pilatos, depois de verificar sua morte, liberou o corpo para ser tirado da cruz e sepultado (Marcos 15:44-45) (Marcos 16).
Jesus foi sepultado. Á tardinha, um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus,foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco e o depositou num Túmulo novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do Túmulo e foi embora. Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá sentadas de fronte do Túmulo (Mateus 27:57-61; Marcos 15:42-47; Lucas 23:50-56; João 19:38-42).

Diversas mulheres observaram José e seu amigo Nicodemos colocarem o corpo dentro do Túmulo em forma de caverna e rolarem uma grande pedra sobre sua abertura. Eles tinham tido pouco tempo para embalsamar o corpo adequadamente, pois o sábado judaico começava ao pôr-do-sol da noite de sexta-feira.
As mulheres fizeram planos para virem cedo na manhã de domingo com mais especiarias para completar o embalsamamento.
Mas quando chegaram, encontraram a pedra tirada e nenhum corpo no Túmulo.

Testemunhas oculares alegaram que viram Jesus vivo. Entre estas estavam discípulos que viram Jesus muitas vezes num período de 40 dias e puderam tocá-lo, falar com ele e até mesmo comer junto com ele.
Como julgaríamos o depoimento destas testemunhas? Geralmente, avaliamos o testemunho por fatores tais como honestidade, competência e número.

Honestidade:
Os apóstolos nada ganhavam (dinheiro, popularidade, etc.) por terem pregado a ressurreição.
De fato, foram freqüentemente mortos por causa disso. Sua disposição a morrer por sua crença confirma sua integridade.

Competência:
Os escritos destes homens demonstram competência inspiração de Deus, lucidez aos fatos ocorridos e atenção aos pormenores.
Muitos deles já conheciam bem Jesus e foram capazes de ter contato físico íntimo com ele certamente os coloca em posição de verificar a ressurreição.

Número: Normalmente, duas ou três testemunhas são suficientes para estabelecer um fato histórico, mas neste caso, houve literalmente centenas (1 Coríntios 15:6).
A relutância inicial das testemunhas oculares em crer reforça seu testemunho (Marcos 16:11, 13; João 20:19-29). Alguns a quem Jesus apareceu nem eram discípulos antes de terem visto Jesus ressuscitado: Tiago, por exemplo (João 7:5; 1 Coríntios 15:7) e Saulo (Paulo).

Comentários:
Diversas teorias têm sido propostas por descrentes da fé para explicar os fatos de o Túmulo estar Vazio e os aparecimentos alegados por nossos irmãos cristãos e recem convertidos da época.
Vamos examiná-las cuidadosamente:

Teoria do desfalecimento. Esta explicação sugere que Jesus não estava realmente morto quando o sepultaram. Ele só parecia estar morto, porém mais tarde reviveu no túmulo. Mas, mesmo que ele não estivesse vivo quanto deixado no túmulo, ele estaria severamente enfraquecido pela flagelação e todo deformado, pelo espancamento e pelas horas passadas na cruz. No seu sepultamento, seu corpo tinha sido firmemente enrolado com ataduras engomadas. Realmente, nesta condição enfraquecida, sem atendimento médico, poderia Jesus de algum modo ter revivido, sem considerar que tivesse removido o embalsamento como um casulo? Mesmo que tivesse, mais dois obstáculos teriam bloqueado seu caminho à liberdade: A grande pedra que tinha sido rolada sobre a boca do Túmulo e os guardas romanos armados que estavam de plantão do lado de fora.
Para, de algum modo, remover a pedra e superar os guardas, seria exigida uma grande força.
Mais ainda, a evidência sugere que Jesus estava, de fato, morto quando foi sepultado.
Os romanos crucificavam homens freqüentemente e estavam aptos assegurarem-se da morte da vítima.
A teoria do desfalecimento simplesmente não merece crédito nenhum!

Teoria da sepultura errada. Esta afirma que todos, tanto amigos como inimigos, tinham esquecido onde Jesus tinha sido sepultado e estavam, portanto, olhando para uma sepultura na qual nenhum corpo tinha sido colocado.
Isto explicaria O Túmulo Vazio, mas e quanto aos aparecimentos de Jesus?
É possível que os amigos de Jesus, os soldados romanos e mesmo José, o proprietário da cova, todos terem esquecido sua localização apenas depois de dois dias? E por que as mortalhas de Jesus foram deixadas no Túmulo?

Teoria do roubo. Alguns pensam que os discípulos de Jesus roubaram o corpo e mais tarde declararam que ele tinha sido ressuscitado. Conquanto esta explicação seja a mais velha, é difícil levá-la a sério.
Por que os discípulos teriam roubado o corpo? A proclamação de ressurreição por eles não lhes trouxe poder nem prestígio, mas perseguição e pobreza tanto que se escondiam com medo, jamais motivos para um roubo tão ousado. Eles morreram por seu testemunho da ressurreição; os homens morrem pelo que crêem ser verdade, não pelo que sabem ser mentira. Considere também os padrões morais dos discípulos. É razoável que seu caráter inatacável e ensinamento puro fossem baseados numa mentira premeditada e roubo? Mas, mesmo que o quisessem, os discípulos não poderiam ter roubado o corpo porque o Túmulo estava guardado por soldados especialmente encarregados da responsabilidade de prevenir o roubo desse corpo. A falta de um motivo, a natureza moral dos discípulos e os soldados romanos todos permanecem como testemunhas silenciosas. O corpo não foi roubado!

Teoria da alucinação. Esta noção implica em que os discípulos, perturbados emocionalmente depois da morte de Jesus, apenas pensaram tê-lo visto vivo.Por isto cremos no testemunho de Tomé que só dizia crer vendo o Senhor, retirou qualquer dúvida dos mais seticos dá época como ele. Mas os relatórios destas testemunhas oculares não têm as características de alucinações. Eles envolveram tempos, lugares e grupos de pessoas diferentes. Os aparecimentos terminaram subitamente.
Mais de 500 pessoas viram Jesus vivo ao mesmo tempo (1 Coríntios 15:6), mas alucinações são bem individuais. Além disso, esta teoria não tenta explicar o Túmulo Vazio.
Jesus foi ressuscitado por Deus. Esta é a única explicação que leva e conta, adequadamente, todos os fatos do caso. Mas, se Jesus foi ressuscitado, o que isto significa ou importa para nós?

Implicações da ressurreição
A ressurreição de Jesus abre as portas do Céu e garante certeza de nossa Salvação e Ressurreição (1 Coríntios 15; 1 Tessalonicenses 4:13-18)
A ressurreição de Jesus não é um assunto de mero interesse histórico, mas serve como o protótipo da ressurreição de todo ser humano.
Sua ressurreição é a base para a esperança (1 Pedro 1:5).
A ressurreição de Jesus prova que ele julgará o mundo (Atos 17:30-31). Ele ainda vive e todos os homens o enfrentarão seu julgamento como Juiz da humandade, no dia já determinado por Deus e este dia e está hora ninguém o conhece só Deus.

Este fato deveria provocar sóbria reflexão em nossa vida hoje mais que no tempo dos seus Discípulos.
Se eles achavam que estava próxima sua volta eu hoje não temo em dizer que estamos ainda mais perto de ouvirmos as trombetas tocarem.
A ressurreição confirma as declarações de Jesus de ser o Filho de Deus (Romanos 1:4).
Serve como fundamento de seu reinado (Efésios 1:19-23) e Sacerdote eterno (Hebreus 7:23-28).
A ressurreição de Cristo provê o modelo (Romanos 6:3-5) e o poder (1 Pedro 3:21) do batismo cristão.
Todos os pecadores precisam morrer para o pecado como Jesus morreu na cruz.
Nós precisamos ser sepultados como Jesus e ressucitarmos no novo "batismo" para que possamos ser erguidos para caminhar numa nova vida.

"O que aconteceu com o corpo de Jesus?"
Hoje somos desafiados a responder à mesma pergunta e confirmar que "Jesus Cristo Ressuscitou dos mortos".
Que Jesus Cristo está vivo e seu Espírito está entre nós neste momento e em breve voltará para resgatar os seus escolhidos. Amém!

Orai e Vigiai (João 20, 2-8)

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A RESSURREIÇÃO DE CRISTO

A liturgia do Domingo de Páscoa celebra a ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.

 Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (Jo 20,1-9)

 

O Triunfo da Vida

Estamos no centro do ano litúrgico. Hoje é o dia em que a vida de Jesus adquire validade, o selo que garante tudo o que ocorreu anteriormente, não foi um sonho, Jesus não foi um louco sonhador igual a tantos que nos encontramos pelos caminhos da vida.

Seu sonho foi referendado pela ação do Pai, de seu Abbá. O que começou na Galiléia, tal e como nos recorda a leitura do livro dos Atos dos Apóstolos, teve seu ápice neste momento que escapa a nosso entendimento, que é a Ressurreição. O que tinha terminado mal, completamente mal, na cruz, na solidão da morte, se converte em luz deslumbrante que nos deixa quase sem capacidade de reação.

Aleluia! Aleluia!

Faz alguns anos contaram-me de um religioso que, naqueles tempos em que se fazia a oração da manhã em comum, os demais que estavam na capela, num dia como estes, não lhe ouviram durante os três quartos de hora que durava a meditação senão repetir uma e outra vez: "Aleluia! Aleluia!".

Era uma forma de expressar a admiração ante o fato inesperado, surpreendente, assombroso, difícil de introduzir em nossos esquemas de vida ordinária, a Ressurreição de Jesus. Hoje seria a primeira recomendação para este dia: deter-nos um tempo em silêncio, fora da eucaristia, longe dos cantos e da confusão da festa, para contemplar e deixar que o mistério da vida que triunfa sobre a morte nos chegue profundamente dentro de nós.

Não se trata de tirar conseqüências morais, de pensar que então deveríamos nos comportar de outra maneira ou evitar aquelas ações. Não há mais que fazer memória de Jesus, o de Galiléia, o que passou fazendo o bem e curando aos oprimidos, o que enfrentou sem medo aos poderosos e por isso terminou pendurado no madeiro. Há que passar pelo mistério da cruz recém celebrado para nos deixar cair no abismo do mistério da Ressurreição. E aí, padecer sem pressa.

É a vida que triunfa. É o Pai que se manifesta recriando, levantando, refazendo e todos os verbos que queiramos pôr parecido. É possível que ao final, como aquele religioso, também nós como uma jaculatória, repitamos: "Aleluia! Aleluia!".

Um dia para celebrar

Hoje é um dia, pois, para celebrar e festejar, para fazer festa com os irmãos. Dentro e fora da Igreja. Que a celebração litúrgica não seja mais que um momento da festa porque o Espírito dá asas aos crentes e lhes faz viver no espírito da ressurreição não só o breve tempo da Eucaristia dominical senão todas as horas do dia. As de festa e as de silêncio. Porque é uma alegria que brota da fé no Deus da Vida. Porque temos a segurança de que para além da morte nos espera a vida de Deus.

Hoje é dia para viver comunicando esperança em que a morte não poderá com a vida e que esta sempre brotará de novo porque Deus está conosco, porque o Abbá de Jesus é nosso Deus. E ponto. Esta é a razão mais profunda de nossa fé e de nossa esperança.

Por isso, somos capazes de amar e de nos entregar ao serviço dos demais. Cremos no Deus da vida e isso nos faz ser cultivadores, guardiões, protetores da vida e da fraternidade. Hoje é dia para sair ao mundo e gritar com nosso estilo de vida e com nossa forma de comportar-nos: "Aleluia! Aleluia!".

Fonte: Fernando Torres, cmf

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RESSURREIÇÃO –"Tiraram o Senhor do túmulo...

A liturgia deste domingo celebra a ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.

A primeira leitura apresenta o exemplo de Cristo que "passou pelo mundo fazendo o bem" e que, por amor, se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este "caminho" a todos os homens.

A segunda leitura convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo batismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova, até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).

O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida não podem, nunca, ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).



















Comentário

Ver e crer

Chama a atenção no Evangelho de hoje, que não se relate nenhuma aparição. Somente a experiência do sepulcro vazio! Chega Maria Madalena; descobre que o corpo não está e seu desconcerto a leva a comunicar aos demais que "não sabe onde o puseram".

Chegam depois ao sepulcro os dois discípulos, Pedro e "o outro discípulo, a quem Jesus amava". Pedro vê, constata. Mas não interpreta o fato. O discípulo amado vê e interpreta em seguida: lhe ilumina a fé, porque encontra o sentido da Escritura. É como se tivesse dito: basta ler a Escritura para dar-se conta de que tinha que ressuscitar dentre os mortos!

Não há aparição de Jesus, senão fé. O discípulo amado não precisa mais. Crê imediatamente depois de ver uns indícios!

O racionalismo de nosso tempo nos leva a uma tremenda desconfiança que fecha as portas à fé. Colocados a duvidar, duvidamos de tudo. Assim fechamos todas as portas a qualquer experiência nova, diferente... ao maior fato da história.

A fé na ressurreição não é uma vã credulidade. Nasce de ser "discípulo amado", da amizade íntima com Jesus. Quem vive em comunhão com Ele tem uma sensibilidade especial: a sensibilidade da fé. Esta sensibilidade é contagiosa e pode chegar a invadir o mundo.

O testemunho dos que viram e creram falam, sobretudo, de Deus Pai. Proclamam que Deus estava com Jesus em toda sua vida na terra, que Deus ressuscitou a quem seus inimigos mataram; que Deus fez com que o "ver material" fosse iluminado pelo "ver da fé".

Mas, o testemunho proclama que Jesus quis que suas testemunhas pregassem ao povo, dessem depoimento de que o Crucificado-Ressuscitado, é agora elo de Critério, de Norma, da vida e da morte. E, mais ainda, que seu Nome proclamado e confessado traz consigo o perdão dos pecados e a emergência de uma nova forma de vida.

Nos diz a Segunda Leitura, tomada da carta aos Colossenses: não só Jesus recebe do Pai a nova vida, também nós! Jesus não ressuscita só. Com ele ressuscitamos nós e recebemos uma nova vida. O que ocorre é que esta nova vida está oculta. Nossa vida não é visível. Está escondida "com Cristo em Deus". A invisibilidade de Jesus leva consigo a invisibilidade daquilo que mais nos pertence, de nossa vida. Quando aparecer Ele também nossa vida aparecerá, gloriosa.

Por isso, sejamos conscientes pela fé desta nova vida. Descubramos essa outra dimensão que nos constitui. Deixemos que essa imagem de Deus, refletida em nós, vá-nos pouco a pouco glorificando. Talvez possamos ser cada um de nós o reflexo vivente do Senhor Ressuscitado. Nisso consiste o depoimento contagioso. Não bastam palavras, nem ações, nem intenções, é necessário ter sido tocado pelo Amor do Ressuscitado!

 

José Cristo Rey Garcia Paredes

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RESSURREIÇÃO – O TÚMULO VAZIO

 

A liturgia deste domingo celebra a ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude é o resultado de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.

A primeira leitura apresenta o exemplo de Cristo que "passou pelo mundo fazendo o bem" e que, por amor, se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este "caminho" a todos os homens.

O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida não podem, nunca, serem geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).

A segunda leitura convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo batismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova, até a transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).











Comentário

Abram o Coração à Vida

Aleluia! O Senhor Jesus ressuscitou. Não temos a impressão de que até o sol brilha com mais força e que o azul do céu é mais azul que nos dias anteriores? Parece que todos nos temos cara de festa. E sorrimos com mais facilidade. Temos na memória próxima as celebrações da quinta-feira e da sexta-feira. Na lembrança fazem-se mais escuras, sem luz. Até mais pesadas. Hoje é domingo. Não em um domingo qualquer. É o primeiro domingo. No primeiro dia do Senhor. Jesus ressuscitou!

Teríamos que fazer o esforço de nos colocar na situação em que pela primeira vez se viveu esta notícia. Os discípulos eram os mesmos que tinham saído correndo no momento da detenção de Jesus. Pedro era o mesmo que lhe tinha negado três vezes. Só as mulheres tinham contemplado  - de longe - o sucedido até o final. Não devia ser nada agradável ver alguém morrer na cruz. E isso que a gente daquele tempo devia estar um pouco mais acostumada ao sangue que muitos de nós.     

Daquele primeiro momento, de surpresa, de desconcerto, de admiração, de assombro, nasceu a igreja, a comunidade dos crentes. E hoje, mais de mil anos depois, seguimos celebrando a Páscoa: que a morte de Jesus não foi o final de tudo, que Deus - seu Abbá - respondeu à aposta feita por Jesus e o ressuscitou dentre os mortos. Seguimos celebrando que o Reino do qual tanto falou Jesus não ficou enterrado naquela gruta escura e úmida na qual colocaram o corpo de Jesus morto, aquele corpo foi como o grão de trigo do que falou Jesus: tinha que morrer para dar fruto e se multiplicar em vida para todos.

Vantagens e desvantagens

Hoje nós temos vantagem sobre os discípulos e discípulas de Jesus da primeira hora. Já temos suficiente experiência para saber que a Sexta-Feira Santa é seguida pelo silêncio do Sábado Santo e que nessa mesma noite celebraremos na Vigília da ressurreição de Jesus. Nós sabemos isto desde o Domingo de Ramos. Sabemos por que já o vivemos há muitos anos. Cada dia da Semana Santa é angustiado pelo sentido que lhe dá ao ser celebrada com anterioridade à ressurreição do Senhor.

Sofremos pouco na Sexta-Feira Santa quando olhamos ao Senhor Jesus morto na cruz. Nós sabemos que já ressuscitou, e que aquela morte não foi para sempre. Nossa tristeza não é fingida mais também não é do todo verdadeira. Ao menos, não verdadeira como foi a daqueles primeiros homens e mulheres que tinham seguido de perto Jesus e que, com todas suas limitações, lhe amavam. Para eles, na Sexta-Feira Santa foi realmente o final. Assim a viveram. Por isso foi maior sua surpresa ao encontrar o sepulcro vazio.

Mas também vivemos a cada Semana Santa com uma desvantagem. É que temos que seguir anunciando a esperança em um mundo que conhece ainda a dor. O fato é que a ressurreição não terminou para sempre com a dor nem com a morte.

É relativamente fácil cantar "aleluia" em uma Igreja bonita, cheia de luz e de flores, em um dia ensolarado. Nós somos os responsáveis em seguir anunciando a esperança da ressurreição, seguir dizendo a todos que o Reino não é uma palavra vã senão uma realidade que temos de fazer presente aqui e agora, na sala de emergência de um hospital, na dor das famílias destruídas, aos doentes incuráveis, na violência das guerras que não cessam, no ódio que segue separando os povos. Não é fácil. Essa é nossa desvantagem.

Tudo começou na Galilea

Só temos a lembrança, a memória, para contar, como Pedro, como os primeiros discípulos, uma e outra vez aos que nos rodeiam que tudo começou em Galilea. E contar de novo a história daquele Jesus de Nazaré que, ungido por Deus com a força do Espírito, "passou fazendo o bem e curando aos oprimidos". E que nós somos testemunhas de que ressuscitou e está conosco.

Não temos milagres que mostrar. Não temos argumentos racionais com que convencer aos demais. Só temos nossa força de vida, nosso compromisso pelo Reino, nossa confiança no que o  Abbá de Jesus é nosso Abbá também que anima nossas lutas por fazer um mundo melhor e mais irmão, um mundo no qual ninguém fique excluído. Isso dizemos nos hospitais e nos campos de batalha, onde o ódio segue matando e onde se perdeu a esperança.

E Jesus vive em nós. Aleluia! Somos os crentes os que levamos Jesus ressuscitado em nossos corações. Somos seus braços, suas pernas, sua voz e suas mãos. Para acariciar, para amar, para reconciliar, para curar. Para abrir caminhos à esperança e à vida. Aleluia!

 

Fernando Torres

http://www.ciudadredonda.org/subsecc_ma_d.php?sscd=157&scd=1&id=2893

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DOMINGO  da  RESSURREIÇÃO DE    N.S.J.C.   por CECÍLIA

1ª Leitura - At 10,34a.37-43

O discurso teológico de Pedro, narrado por Lucas nos Atos dos Apóstolos, tem sua essência no Antigo Testamento, que evidencia Deus como um juiz imparcial (Dt 10,17). 

Com um texto que se assemelha a Paulo em Rm 2,10-26 e Gl 2,6, Lucas aplica essa imparcialidade divina à aceitação por Deus, não apenas de judeus, mas também de pagãos, que ajam corretamente.

Resume a ação de Jesus Cristo, por intermédio de quem Deus deu a todos a boa nova, mensagem de paz. Fala também do ministério, da morte e ressurreição de Jesus, da missão dos apóstolos e recorda o testemunho dos profetas.

Termina afirmando que todos receberão o perdão, ou salvação, pela fé em Jesus.  

 

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 2ª Leitura - Cl 3,1-4

 

Neste texto, Paulo fala que pelo batismo morremos para as questões da vida mundana, não espirituais, deixando-nos livres de servir os poderes do mundo. Mas essa liberdade impõe responsabilidade. Por isso, devemos ocupar-nos das coisas do alto, aquelas que se referem à vida espiritual, onde encontramos Cristo, ao lado de Deus.

Numa referência à esperança da vinda futura de Cristo, fala que quando Ele aparecer para o julgamento, também eles se manifestarão na glória com Ele.

 

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 Evangelho - Lc 24,1-12

Nos relatos da ressurreição somos surpreendidos por discordâncias:

- havia só um homem, ou anjo, ou dois?

- Pedro foi ao túmulo sozinho ou com João?

- Jesus apareceu aos discípulos na Galiléia ou só em Jerusalém?

- Excetuando-se Maria de Magdala, que aparece em todos os relatos, quais mulheres foram ao túmulo?

Essas discrepâncias são conseqüência da transmissão oral. Nunca se pensou em torná-las uma história homogênea, pois dão testemunho da autenticidade da experiência vivida. Testemunhas convictas do que viram, ouviram e sentiram, proclamavam a ressurreição e sem se preocupar em revisar o que proclamaram.   

 

Lucas fala da descoberta do túmulo vazio, da visita de Pedro ao túmulo e de dois homens com roupas brilhantes.

Jesus é chamado de "Senhor Jesus", título que lhe pertence por causa da ressurreição.

Lucas relata a ressurreição sob dois aspectos:

- de forma ativa, anunciada pelo próprio Jesus: "ressuscitou" (v. 7)

- de forma passiva, como cumprimento da vontade do Pai: "seja... ressuscitado" (v. 7).  Nesta forma, toda obra de salvação, inclusive a Ressurreição de Jesus Cristo, origina-se

  em Deus Pai.

Cecilia   

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POR NÓS FOI CRUCIFICADO

 

 

Antes do cristianismo, já era utilizada a cruz, porém como sinal de tristeza, sofrimento, dor, desolação. No IMPÉRIO ROMANO o suplício da cruz era comum, e reservado aos escravos condenados à morte. O condenado tinha de passar por uma encenação infamante, apanhar de vara, carregando seu instrumento de suplício até o lugar da execução, quando então suas mãos e seus pés eram amarrados ou pregados na cruz.

Essa encenação se encerrava com uma forma de morte, em geral por asfixia, tida como terrível.

 

Os cidadãos romanos não podiam ser crucificados, mas decapitados. A crucificação era tida como muito infame.

Aos condenados por motivos religiosos, como blasfêmia, as autoridades judaicas poderiam determinar que fossem executados por apedrejamento.

 

 

A morte de Jesus na cruz não foi invenção dos discípulos. Basta ler atentamente os evangelhos para perceber que Jesus fala da possibilidade de sua morte violenta;

"Do mesmo modo o Filho do homem terá de padecer da parte deles"(Mt 17,12).

"Podeis beber o cálice que... "(Mc 10,38)

"Porque assim como Jonas esteve no ventre da baleia durante três dias e três noites, assim também..."(Mt 12,40).

Por três vezes, segundo Mateus, Jesus anuncia sua morte (Mt 16,21; 17,22; 20,17-19).

 

 

POR QUE UM HOMEM QUE PREGA O AMOR RECEBE UMA CONDENAÇÃO TÃO VIOLENTA?        

Por sua dedicação aos marginalizados, sua crítica à interpretação farisaica da Lei, suas críticas à administração do templo pelos saduceus, Jesus entrou em conflito com as forças dominantes do povo. A massa popular que o seguia, por seus milagres e curas, apesar de ouvi-lo, não assumiu uma fé clara e decidida.

 

O andamento do processo de Jesus no Sinédrio, do ponto de vista histórico permanece oculto. O fim do processo é testemunhado pelos evangelhos: "Jesus Nazareno, Rei dos Judeus" (Mc 15,26).

 

Jesus previu sua morte  e interpretou por três vezes o sofrimento como morte salvífica querida por Deus (Mc 8,31; 9,31; 10,33s). Nesses anúncios da paixão certamente penetrou a interpretação da Igreja originária. Por isso, hoje dizemos que são interpretações pós-pascais.

 

Na última ceia, Jesus manifesta a certeza de sua morte e firme convicção da vinda do reino de Deus: "Em verdade vos digo, já não beberei do fruto da videira..." (Mc 14,25).

 

No Getsêmani, retira-se com Pedro, Tiago e João. Ali assume nossas dúvidas e incertezas, as nossas angústias. Suando sangue exclamou: "Pai, afasta de mim este cálice. Mas faça-se não a minha e, sim, a tua vontade!"

 

 

Marco Histórico:

 

Com relativa certeza, historiadores e exegetas (comentaristas para interpretação ou esclarecimento sobre a Bíblia) concluíram:

- Morte de Jesus de Nazaré no dia 14 ou 15 de nisan (março-abril) do ano 30.

- Condenado pelo poder romano, como rebelde político.

- Jesus foi preso à noite, traído por um dos doze apóstolos.

- a mesma multidão que gritara "Hosana  ao filho de Davi" agora grita "Crucifica-o, crucifica-o".

- Carrega o madeiro da cruz para fora da cidade, para o monte das caveiras (Gólgota), onde é crucificado.

- Nenhum dos seus apóstolos o acompanha em sua via sacra.

- Pedro O nega por três vezes. Mas se Pedro é grande no pecado, é maior no arrependimento.

Para o NT, a morte de cruz a que Jesus livremente se entrega por nós, é obra salvadora de Deus.

Com seu sangue, Jesus faz uma "nova aliança". E o faz por nós. Pelas palavras e gestos de Jesus na última ceia, percebe-se que Ele compreendeu sua morte como salvífica e que para além da morte, pensava na comunidade dos discípulos, fazendo memória de sua morte na promessa do Reino futuro.

 

Assim, a mensagem do Reino de Deus vindouro, está ligada à fé no significado salvífico da morte de Jesus na cruz.

 

Apesar da dureza dos corações dos homens, Jesus aceita a hora determinada pelo Pai e cumpre, até o fim, o plano de Deus para nossa salvação.

 

Pregado na cruz, volta-se aos que o acompanhavam (sua mãe e João) e diz: "Mãe, eis aí teu filho! Filho, eis aí tua mãe!"

Suas últimas palavras:

"Pai, em tuas mãos entrego meu espírito!".

Prova extrema do amor de Deus:

"Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho unigênito, para que todo aquele que crer nele não pereça, mas tenha a vida eterna". (Jo 3,16).

 

Significação salvífica da morte de Jesus na cruz:

 

Paulo escreve: "Porque os judeus pedem sinais, e os gregos procuram sabedoria, enquanto nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos" (1 Cor 1, 22s).

 

Para os primeiros cristãos foi difícil aceitar o escândalo da cruz de Cristo. À luz da ressurreição de Jesus por Deus, percebem que a morte escandalosa de Jesus é causada pela descrença e inimizade de homens e percebem por trás a vontade, o amor e o plano de salvação de Deus.

Se a morte de Jesus foi cumprimento da vontade divina, é possível vermos na ressurreição de Cristo o "SIM" de Deus ao crucificado.

 

A cruz tornou-se símbolo dos cristãos. É formada por duas linhas: uma vertical, que une o céu e a terra; outra horizontal, na qual ele abre seus braços, para acolher a todos.

Pela cruz Cristo nos redimiu. Entregou-se obediente à vontade do Pai "por nós".

Pelo amor salvífico de Deus, que se manifestou em Jesus Cristo, funda-se a paz entre Deus e os homens. "Ele é nossa paz"(Ef 2,14). Em Jesus Cristo tudo foi sanado e reconciliado. Assim, a cruz é sinal de vitória sobre todas as forças hostis a Deus e aos homens, um sinal de esperança.    

 

A mensagem da cruz é inseparável da ressurreição e ascensão do Senhor. No Evangelho de São João a elevação de Jesus na cruz coincide com a ascensão e glorificação à direita do Pai (Jo 3,14; 12,34). Na hora de sua morte, Jesus pronuncia a palavra vitoriosa: "Tudo está consumado" (Jo 19,30).

 

A cruz descobre o pecado, a injustiça e a mentira.

A cruz manifesta o amor maior, a justiça e a verdade de Deus: força e sabedoria.

Pela cruz, Cristo triunfou sobre todo o mal.

A liturgia da Sexta-feira Santa mostra o caráter vitorioso e libertador da paixão de Jesus Cristo: "Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo!"

 

O cristão sob o sinal da cruz:

 

Pelo batismo, imergimos no sofrimento de Cristo, para algum dia participarmos de sua vida (Rom 6,3-8).

Toda a vida do cristão realiza-se sob o sinal da cruz: "... embora vivos, estamos sempre morrendo por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal" (2 Cor 4,10s).

Seguir na cruz pode ser: perseguição, calúnia, pobreza, obediência, serviço, disciplina interior e exterior, solidão, doença, sofrimento e morte.

Participar do sofrimento de Cristo é participar do sofrimento do irmão. Mateus explica isso muito bem em seu evangelho: Mt 25,34-40.

 

Desceu à mansão dos mortos:

 

Naquela época o reino dos mortos era o sheol, onde os falecidos levavam uma existência sombria, longe de Deus.

Descer à mansão dos mortos para Jesus era assumir o destino humano da morte. Por sua ressurreição e ascensão, abriu-nos o caminho para o céu, ou seja, concretizou sua mensagem salvífica, que se estende a toda a humanidade.

 

 

Bibliografia utilizada:

 

ZILLES, Urbano. Jesus Cristo: quem é este? Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999.

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RESSURREIÇÃO

 

 

À luz da vida nova do ressuscitado e da experiência do seu Espírito, os discípulos compreenderam definitivamente o que Pedro professara em Cesaréia de Filipe: "Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo" (Mt 16,16).

 

A história dos discípulos de Emaus (Lc 24, 13-35) mostra bem como a morte violenta e escandalosa de Jesus deixa os discípulos decepcionados, resignados, sem esperanças. Mais lhes parece que a morte de Jesus tinha posto fim à sua causa: o Reino de Deus. Mas o Evangelho de Jesus Cristo propaga-se pelo mundo conhecido. Há vigor no início do Cristianismo. A Ressurreição e a mensagem da cruz tornam-se o centro da fé cristã.

 

Várias vezes tentaram explicar  a mensagem da ressurreição e do sepulcro vazio como:

-  fraude dos discípulos (Mt 28, 13)

- furto do cadáver (iluminismo)

- as aparições seriam visões subjetivas, como alucinações.

Só consideravam válidas as hipóteses imanentes ao mundo. Erraram, pois não é essa a perspectiva de Jesus e das Sagradas Escrituras.

Hoje, na Teologia mais séria, tais hipóteses foram todas abandonadas. Os teólogos nem discutem sobre a fé na presença do Senhor, vivo entre nós.  

 

O testemunho do NT é unânime: ressurreição de Jesus dos mortos é a obra salvífica central de Deus na história; é fundamento e objeto central de nossa fé; a Igreja professa isso desde os tempos apostólicos – (1 Ts 1, 10; At 2, 22-24; 1 Cor 15, 14).

 

Hoje, não podemos abstrair da crítica histórica e hermenêutica, ao falar da ressurreição de Jesus. Não se trata da volta de um morto à vida, tal qual era antes da morte. O ressuscitado não apareceu a testemunhas neutras ou aos adversários (com exceção de Paulo que se converteu). Isso torna difícil explicar  o que significa a afirmação da Igreja apostólica: "Deus o ressuscitou dos mortos" (At 3,15; 4, 10).

 

Sem a manifestação do Ressuscitado, depois de sua morte na cruz, jamais se teria reunido uma comunidade que o confessa como Cristo Senhor.

A certeza da ressurreição de Jesus, de acordo com a fórmula da profissão, funda-se na aparição do ressuscitado perante testemunhas: "tornou-se-lhes visível", "se revelou a eles" (1 Cor 9,1; Gl 1, 16). Mas o NT não demonstra dar importância à maneira como se deram as aparições. O essencial é que houve encontros pessoais e se trata de revelações, nas quais se manifestou Aquele que foi ressuscitado por Deus para a vida nova e introduzido na glória de Deus.

 

O que se deduz das aparições do ressuscitado é que Ele aparece para dentro do mundo e apela aos discípulos; mas Ele não é mais deste mundo, está na glória de Deus. Manifesta-se como vitorioso sobre a morte, mostra-se como Senhor, Kyrios, cuja glorificação reforça a mensagem da vinda do Reino de Deus.

 

A ressurreição de Jesus é diferente da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 35-43), da discípula Tabita (At 9, 36-43) ou do filho da viúva de Sarepta (1 Rs 17,17-24). Nestes casos o morto volta à vida terrena e se sujeita a morrer novamente. Jesus não morre mais. Vive para Deus (Rm 6, 9). Portanto ver o Ressuscitado é um ver diferente do ver comum dos homens. Possui vida "pelo poder de Deus" (2 Cor 13,4). Na face do ressuscitado resplandece a glória de Deus. A ressurreição é o começo de uma nova criação (1 Cor 15,42).

 

"Semeado em corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado no desprezo, ressuscita glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso; semeado no corpo animal, há também um corpo espiritual" (1 Cor 15,42-45). O corpo ressuscitado é dominado totalmente pelo poder do espírito.

O corpo pode ser tanto o lugar no qual o homem está exposto às forças do pecado, como também da comunicação com Deus e com o próximo. O corpo assumido para o reino do Kyrios, Paulo chama de soma pneummatikón (corpo espiritual).

 

Por sua ressurreição, o Kyrios está definitivamente na dimensão divina e, a partir de Deus, está conosco de uma maneira nova. Essa maneira nova é  mistério de salvação. Com Cristo começa uma nova história, onde todos nós poderemos chegar à meta. Cristo é apenas o primogênito dentre os mortos, a cabeça de uma nova humanidade. O céu entrou em nosso tempo, onde e enquanto o homem estiver em Cristo pela fé, na esperança e no amor.

 

A ressurreição significa que Jesus agora vive na dimensão divina, na glória, exaltado (entronizado como rei). Sob certo aspecto já pela ressurreição acontece a exaltação. A exaltação é o acabamento da própria ressurreição (Jo 20, 17-22). Ressurreição e ascensão são os dois lados de um único acontecimento.

 

Para nós, fica a Esperança, sustentada pela fé de que a morte não pode por fim à existência metafísica do homem. Como obra de Deus em sua livre Criação, somos a Ele ordenados, numa sublime teologia, que é a própria história da salvação.

Filhos de um Deus Criador e Redentor, cremos e aguardamos uma nova vida, na qual Deus consumará Seu ato de amor.

A Ressurreição é, na ordem temporal, o último objeto de nossa Esperança, é o sentido da vida cristã, que se alimenta na Fé.

 

"Se é só para esta vida que temos posto nossa esperança em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens" (1 Cor 15,19).

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RESSURREIÇÃO – PRÓS E CONTRAS

 

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

 

Santos do Dia: Áquila de Alexandria (bispo), Amaranto de Albi (bispo, mártir), Blevilegueto de Quimperlé (bispo), Engelberto de Colônia (bispo, mártir), Ernesto de Zwiefalten (abade), Florêncio de Estrasburgo (bispo), Gertrudes de Remiremont (abadessa), Herculano de Perúgia (bispo), Hierón, Nicandro, Esíquio e Companheiros (mártires de Melitene, na Armênia), Lázaro da Turquia (presbítero), Patrício Fleming (franciscano, mártir), Prosdócimo de Pádua (bispo), Raveriano de Séez (bispo), Rufo de Metz (bispo), Tremoro da Bretanha (mártir), Vilibrordo de Echternach (monge, bispo).

 

Primeira leitura: Apocalipse 7, 2-4.9-14
Vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas.
Salmo responsorial: 23,1-6
É assim a geração dos que procuram o Senhor!
Segunda leitura: 1 João 3,1-3
Veremos Deus tal como é.
Evangelho: Mateus 5, 1-12a
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.

 

Os saduceus eram os líderes mais conservadores no judaísmo da época de Jesus. Somente nas idéias, não porém em sua conduta. Consideravam como revelados por Deus somente os primeiros cinco livros da Bíblia, por eles atribuídos a Moisés.

Os profetas, os escritos apocalípticos, todo o referente ao Reino de Deus, as exigências de mudança na história, na outra vida, eram consideradas por eles idéias "libertarias" de descontentes sociais. Para eles não existia outra vida, a única vida existente era a presente e nela eles eram os privilegiados; por isso, não havia por que esperar outra.

Pensavam dessa maneira as famílias sacerdotais da elite e os anciãos, ou seja, os chefes de famílias aristocráticas que tinham seus próprios escribas. Ainda que estes não tivessem muito prestigio, ajudavam a fundamentar teologicamente suas aspirações para uma vida boa.

As riquezas e o poder que tinham eram uma amostra de que eram os preferidos de Deus. Não necessitavam esperar outra vida. Graças a isso, mantinham uma posição cômoda: por um lado, a aparência de piedade; por outro, um estilo de vida de acordo com os costumes pagãos dos romanos, seus amigos, de quem recebiam privilégios e concessões que ampliavam suas fortunas.

Os fariseus eram o oposto deles, tanto em suas esperanças como em seu estilo de vida austera e apegada à lei da pureza. Uma das convicções mais firmemente arraigadas era a fé na ressurreição, que os saduceus rejeitavam abertamente pelas razoes expostas anteriormente. Porém, muitos concebiam a ressurreição como a mera continuação da vida terrena, somente que para sempre.

Jesus estava já na reta final de sua vida pública. A ação de Jesus em favor da Causa do Reino era desmascarar as intenções distorcidas dos grupos religiosos de seu tempo. O Sinédrio declarava-se incompetente para decidir se tinham ou não autoridade para fazer o que fazia; os fariseus e os herodianos eram considerados hipócritas, por suas inconseqüências no agir. Sinédrio e saduceus se enfrentam por causa da interpretação da lei de Moisés.

A posição de Jesus neste debate com os saduceus pode ser iluminadora para os tempos atuais. Também nós, como sociedade culta, podemos reagir com freqüência contra uma imagem demasiado fácil da ressurreição. Qualquer um de nós com formação cristã de catequese infantil, pode recordar os ensinamentos a respeito deste tema, a fácil descrição, que até os anos 50 se fazia da morte (separação da alma em relação ao corpo), o que seria um juízo particular, como seria o juízo universal, o purgatório (se não o limbo), o céu e o inferno.

A teologia (ou simplesmente o imaginário) cristã tinha respostas detalhadas e exaustivas para todos estes temas. Acreditava-se saber quase tudo a respeito ao além e com requintes de detalhes. Muitas pessoas de "hoje", com cultura filosófica e antropológica (ou simplesmente com "senso comum atual") se ruborizam ao ter acreditado em tais coisas, e se rebelam, como aqueles coetâneos de Jesus, contra uma imagem tão prática, tão maximalista, tão segura a respeito do tema.

De fato, no ambiente geral do cristianismo atual, pode-se observar um prudente silencio sobre estes temas, outrora tão vivos e até discutidos. Em relação aos falecidos, não se fala mais das realidades do além nas celebrações relativas à morte, não se tem a mesma opinião que há décadas.

Algo está torto epistemologicamente na cultura moderna, que nos faz sentir a necessidade de não repetir, sem mais, o que nos foi dito, mas de revisar e repensar o que podemos dizer, saber e esperar.

Como os saduceus daquele tempo, hoje Jesus nos diz também: "vocês não sabem do que estão falando...". Seja o conteúdo real do que temos chamado tradicionalmente "ressurreição" não é algo que se possa descrever, nem detalhar, sem sequer "imaginar".

Talvez seja um símbolo que expressa um mistério que apenas se pode intuir, mas não concretizar. Uma ressurreição entendida direta e plenamente como um "reavivamento", ainda que seja espiritual (que é como a imagem funciona de fato em muitos cristãos formados em um esquema mais tradicional), hoje, criticamente falando, a idéia não parece sustentável.

Talvez seja boa para nós uma sacudida como a de Jesus aos saduceus. Antes que nossos contemporâneos percam a fé na ressurreição e, com ela, de uma vez, toda a fé, seria bom fazermos um serio esforço para purificar nossa linguagem sobre a ressurreição e para colocar em relevo seu caráter de mistério. Fé sim, porém não uma fé preguiçosa e fundamentalista, mas séria, sóbria, crítica e bem formada.

ORAÇÃO COMUNITÁRIA


Ó Pai, a esperança na ressurreição é um dom misterioso que não conseguimos compreender por inteiro, porém em todas as tradições religiosas se expressa de mil maneiras.  Ilumina-nos para que vivamos a cada momento de nossa vida a certeza de que nunca nos abandonas e nem permites que nos percamos. Isso te pedimos por Jesus Cristo teu Filho e nosso irmão.